Meine Shuld

6 Capítulo 6 - Pesadelo 6 - Sofrimento PT 1


Todas as mortes podem ser revidas, algumas de formas diferentes.

(...)

Era um lugar frio, era um lugar gélido, tão escuro, tão negro quanto a noite que cobria aquele céu, aonde quer que seus olhos parassem só havia escuridão, ele só conseguia seguir em frente, em uma estrada invisível na escuridão, andava por andar, parecia natural para o seu corpo simplesmente seguir em frente sem saber para onde iria. Ele andou e andou, na escuridão, sua respiração começava a vacilar, o ar parecia estar se tornando rarefeito naquele lugar escuro, ele estava escalando alguma coisa? Ele não podia ver nada, ele só podia andar e seguir em frente, nada além.

Seus olhos não estavam mais lhe servindo naquele lugar, cansado ele só queria parar de andar, mas seu corpo parecia não querer seguir essa sua vontade, seu corpo parecia estar sendo guiado por alguma coisa, ele ordenava em sua mente para suas pernas pararem, mas elas não paravam, ele podia sentir o seu corpo correr sem parar, para um lugar desconhecido em meio ao escuro, ele só queria parar, queria sair disso, não sabia como estava naquele lugar, suas memórias estavam embaralhadas, ele estava em um cama, e agora estava nesse lugar.

Por que ele estava naquele lugar? Não tinha sentido, esse lugar era ruim, ele merecia estar em um lugar como esse? O que ele havia feito de ruim para estar ali? Esse lugar... Cheirava a sangue. Ele reconhecia o cheiro de sangue, era muito forte, ele queria fechar suas narinas e impedir de sentir tal coisa, mas quanto mais andava, mais forte o cheiro parecia querer ficar em suas narinas. O que era esse maldito lugar afinal? Com esses pensamentos ele começou a seguir mais rápido, ou o seu corpo continuou se movendo por vontade própria.

Por que eu estou aqui? — ele perguntou em meio a escuridão, sem obter respostas de ninguém. — Eu quero ir embora... Eu quero sair daqui... Me tirem daqui... — suas palavras naquele lugar não pareciam afetar ninguém além dele mesmo, ele só queria sumir deste maldito lugar que agora estava mudando pouco a pouco.

Ele sentiu seu coração pulsar, quando muito a frente, ele começou a observar uma luz, uma luz muito clara, como se o atraísse para fora daquela escuridão. Ele começou a correr o máximo que podia, ignorando os sons estranhos que invadiam seus ouvidos e ignorando o cheiro de carne podre, pútrida que estava naquele lugar, ele correu até a luz, e quando ele passou pela luz, ele se viu em um lugar que lhe deu pesadelos por muito tempo, ele estava naquele maldito lugar.

Ele estava na praia.

A praia que sempre lhe lembrou que ele fez o fim do mundo ser real mais uma vez. Ele caiu de joelhos sobre a areia, lá estava ela. A garota que ele nunca conseguiu entender nada até que ela lhe revelasse tudo durante a instrumentalidade, ele sentiu seu estômago revirar.

O rosto enorme e deformado de Rei estava lá... Mas parecia diferente, faltavam pedaços do rosto de Rei, os olhos estavam cortados por todo o globo, suas bochechas pareciam ter imensos buracos cavados por alguma coisa, era o rosto de Rei, ou de Lilith realmente... Mas parecia que estava ali por muito mais tempo do que realmente estava. Ele vomitou naquele lugar nojento, que lhe dava tantas lembranças ruins, lembranças que lhe assoavam a memória a cada noite.

— Rei. — ele chamou o nome da garota, na esperança de ouvir alguma coisa do além, mas nada lhe aconteceu, nada aconteceu em nenhum lugar, a única coisa que ele podia ouvir era o som da maré vermelha, tão vermelha quanto sangue, ir e vir naquela praia maldita. Ele fez esforço para se colocar de pé. Ele só queria sair daquele lugar, fugir para longe, ir atrás de ajuda, suas memórias estavam lhe pregando peças. — Me ajude...

Nada estava acontecendo, ele se sentiu enjoado e começou a sair da praia, logo após a pouca mata que havia se formado ali, estaria a civilização, ele teria que encontrar algumas pessoas. Misato não estava por perto, nem Asuka, e ele nunca mais havia visto Rei em nenhum momento, ele sabia que a garota para voltar do mar de LCL teria que encontrar a si mesma em seu coração.

Mas com todos os complexos de identidade que ela tinha, como ela voltaria? Ele não sabia dizer. Ele só queria achar alguém que pudesse lhe ajudar. Ele passou pela floresta, e sorriu aliviado quando ele encontrou uma estrada, os prédios quebrados, e abandonados pareciam-lhe uma visão do paraíso naquele lugar.

— Preciso ir para NERV... — ele disse para si mesmo, se convencendo de começar a andar, ele colocou os pés na rua, carros abandonados para todos os lados, mais uma vez, ele estava revivendo suas ações. Ele sabia o que ele havia feito, todas as pessoas próximas a ele lhe diziam que ele não era o culpado, que SEELE que eram os demônios, mas ele não conseguia escapar da culpa, e nem de seus sonhos, esse em particular, ele nem sabia se era um sonho, ou se ele estava sonhando antes, ele havia perdido o seu sentido de realidade. — Onde estão todos os outros?

A resposta lhe veio na mente, quando ele finalmente saiu do mar vermelho, ele se lembrou de ter ficado dias naquela praia, sentado, sem comer nada, ele não sabia, mas quando ele encontrou Asuka naquele lugar, ela parecia mais uma ilusão que sua mente havia lhe pregado. Ele se lembrava, aqueles monstros lhe rodeavam na praia, ele sabia hoje que eram apenas uma desgraça de ilusão que lhe atormentou pela sua enorme culpa, sua mente lhe pregava peças para ele se lembrar, se lembrar de todos os seus erros.

— Para de me atormentar, porra. — ele disse para si mesmo. Continuando a seguir em frente, naquele lugar ele pelo menos parecia saber aonde estava indo. — Por aqui? — ele se perguntou, ele queria ir para o apartamento de Misato. Mas ele parecia estar em um lugar... Diferente, ele varreu os olhos ao redor, em súbita compreensão, ele se assustou.

Aquele lugar onde estava indo, era onde Asuka havia usado sua EVA pela última vez, era um porte seguro, onde SEELE a combateu com mísseis e armamento pesado... E lhe combateu com a série EVA, ele podia se lembrar, daqueles nove demônio brancos, lhe assustando, voando sobre sua cabeça na praia, aqueles nove seres horríveis, aqueles demônios que haviam levado Asuka para a perdição de seu espírito.

Ele queria tirar a culpa que ele sentia em seu peito. Mas ele não podia, ele havia abandonado ela... Ele sabia que no fundo que ele não tinha culpa, sua própria EVA demorou a responder o seu chamado. Asuka sempre lhe culpou e o agrediu, no fundo ele pensou que merecia cada coisa que ela lhe jogou. No fundo de sua alma, ele sabia que ele havia escorado suas costas na parede a abandonado.

Claro, havia Bakalite impedindo que a EVA se movesse mais rápido. Ele sabia que ele era inocente quanto a isso. Pelo menos na época, mas quando ele viu a instrumentalidade ir direto em sua mente, ele viu todos os desejos e medos de cada um naquele lugar, Lilith havia feito dele um catalizador para todas as mágoas do mundo por breves momentos, ele viu tudo o que Asuka passou por sua negligência, todo o sofrimento e sentiu a dor que ela sentiu, no fundo de seu ser, ele sabia que se Asuka o matasse, ele não teria o direito de revidar nada. Ele era horrível a sua própria maneira.

Ele continuou pensando, enquanto andava pela floresta, a floresta que cobriu todo o corpo desmembrado da EVA, o corpo que estava ligado com Asuka, sua própria mãe. Ele se sentiu enjoado, ele fez com que ela odiasse a própria mãe depois disso tudo, e odiasse por tê-la deixada sozinha contra todos aqueles monstros. Ele só queria sair dali, mas ao mesmo tempo, ele queria colocar os olhos naquele lugar.

O que ele esperava encontrar não estava ali. A EVA destruída não estava ali, não havia nada além de árvores quebradas e crateras e pontes destruídas, ele pensava que naquele lugar, ele conseguiria ver EVA 002. Mas não, só havia... Pedaços dela... Igual ele viu na instrumentalidade.

— Você lutou e me esperou pra te salvar, Asuka. — ele disse com desgosto consigo mesmo. — E eu não fiz nada pra te salvar, fiquei deitado sobre minha própria covardia e esperando que você de alguma forma conseguisse superar isso, fiquei te esperando sentado... Como um covarde, não consegui nem usar meu EVA, e quando eu finalmente usei, vi os pedaços de você, e fiz o fim do mundo acontecer em menos de dez minutos.

Enquanto andava, ele continuou pensando em tudo o que havia feito. Até que ele parou, um pouco a frente do que parecia ser uma parte dividida do mar. Uma cratera que foi preenchida com o LCL, a frente dessa cratera, havia um símbolo... Não, não era um símbolo. Não era nada parecido com isso.

Ele continuou andando em frente, até ele achar um pedaço enorme de uma rocha, ou pelo menos parecia, ele engoliu em seco, ele havia encontrado. Ou isso parecia ter simplesmente surgido em sua frente, ele não sabia mais.

Um pedaço do dorso da EVA 002 estava em cima daquela enorme pedra, o cheiro era insuportável, ele queria correr daquele lugar, mas suas pernas não estavam mais lhe obedecendo. Ele assistia aquilo com horror, ele queria sair daquele lugar, mas cada vez que ele via algo que não queria, era como se seu corpo o força-se a estar ali.

Ele só queria sair daquele lugar maldito, queria um alivio para sua alma, mas aquele lugar parecia estar disposto a lhe dar tudo, menos o que ele queria, salvação, perdão. Ele não estava recebendo nada disso.

Mas ele não pode pensar muito nisso, sua atenção foi levada para outro lugar, em cima da rocha enorme, o que restava do estômago da EVA, começou a chacoalhar incansavelmente, como se algo quisesse sair dali.

Ele queria fugir, correr para bem longe, e ele tentou mover seu corpo, mas algo não estava certo, algo estava errado, algo estava muito errado.

— Pare! — ele gritou para seu próprio corpo que se movia em direção daquela rocha enorme, o barulho dos órgãos da EVA começaram a ficar muito assustadores, o seu corpo se movia cada vez mais perto, não parecia temer, era um sentimento assustador, sua mente lhe gritava para sair dali, mas seu corpo, simplesmente não o obedecia mais. Era horrível.– Por favor, não me faça ir pra lá! — ele implorou para si mesmo, seria cômico, se não fosse horrível e assustador ao mesmo tempo. — Eu não quero! Me tire daqui! Por favor! — ele implorava para seu próprio corpo.

De nada adiantava, os sons aumentaram, e ele estava agora... Em frente a rocha, seu corpo finalmente havia parado, ele tentava sair daquele lugar, mas seu corpo agora permanecia parado. Sua cabeça se obrigou a ir para o alto, ele agora encarava tudo aquilo, aqueles sonhos estranhos, o sangue escorrendo pela rocha e pingando em sua frente, seu uniforme escolar típico, manchado de sangue.

— Por que eu estou sendo obrigado a ficar neste lugar? — ele perguntou para si mesmo, em um sussurro, ninguém lhe responderia.

Ou assim ele pensava.

Algo começou a querer sair da EVA, ele viu, ele observou algo abrir caminho dentro de tudo aquilo, ele ficou terrivelmente pálido quando ele viu uma mão com luvas e um braço vermelho começar a fazer caminho para fora daquilo. Ele só podia se sentir enjoado.

Ele estava certo, algo estava saindo daquele lugar.

Alguma coisa que ele descobriu mais tarde, que ele nunca queria ter encontrado. Era horrível, ele só pôde assistir paralisado, com tremedeiras sobre todo o corpo, quando aquilo caiu de pé em sua frente, segurando um ferro na mão... Aquilo... Aquilo era o seu pesadelo pessoal, o seu erro, aquilo a sua frente, era sua punição.

Era Asuka... Com certeza era Asuka, mas ele podia ver que aquilo não era ela de verdade, era sua mente, lhe pregando peças. Era sua própria mente querendo dizer para ele que ele merecia o que estava por vir, era mais uma vez, o mesmo pesadelo.

Durante todas as noites mal dormidas que ele teve, era por causa dessa coisa, essa maldita coisa que lhe perseguia, onde quer que ele estivesse. Ele tentou fugir, mas era inútil, ele nunca conseguiu fugir disso. Era sempre a mesma coisa.

Ele olhou para aquela maldita coisa, era o corpo de Asuka, com um enorme rombo, e a cabeça cortada de sua própria EVA, como sua cabeça, e sua garganta, rodeada de uma representação de sua própria garganta, quando ele a estrangulou.

Ele sabia, que ele se arrependia amargamente de ter feito tudo o que fez, Deus sabia o arrependimento que ele carregava no seu coração, mas isso nunca impediu ele de ser devidamente punido quando fechava seus olhos, seu coração não merecia descanso, ele tinha que sofrer de qualquer jeito.

— Acabe logo com isso... — ele começou a andar em direção aquela coisa, sem medo, ele sabia o que lhe aconteceria, era só um sonho ruim, ele mesmo agora sabia, era apenas mais um pesadelo... Mais um inferno que ele enfrentaria. — Eu mereço isso...

Ele não fez nada, como sempre. Ele simplesmente seguiu em frente, aquele monstro com o corpo de Asuka inclinou a cabeça para o lado com isso, e começou a andar em sua direção. Com a barra de ferro firme em suas luvas. Shinji não desviou o olhar daquela coisa em nenhum momento. Era apenas... Mais um pesadelo que parecia doer como se fosse real.

Aquela merda grotesca colocou a barra firme nas duas mãos e virou seu corpo com tudo para bater em sua cabeça, ele foi ao chão com a pancada, ele sentiu seus sentidos se perderem e sentiu algo escorrer sobre sua testa, ele colocou a mão em sua cabeça em meio ao chão, era seu sangue, ele não teve tempo de processar mais nada, assim que ele virou seus olhos o ferro se chocou com o meio de se rosto, ele podia sentir algo de seus dentes se quebrarem, e seu nariz foi completamente amassado. Aquela coisa continuou desferindo golpes com o ferro em sua cabeça, ele fez o melhor que podia para se defender, mas seus braços estavam começando a doer, o seu radio estava sendo focado pelo ferro, iria quebrar, ele teve que baixar os braços.

Foi uma escolha ruim. Ela começou a jogar a barra de ferro contra suas orelhas, ele sentiu seus tímpanos seus ouvidos começarem a sangrar, e uma parte de sua orelha tinha sido amassada, até que aquela coisa parou de lhe bater com o ferro. Ele foi segurado pelo pescoço, e erguido facilmente.

Foi assim que havia feito Asuka se sentir? Era merecido... Ele merecia isso, era sua culpa que tudo tivesse escalado como escalou, ele merecia isso, e muito pior. Ele podia sentir algo em seu peito começar a doer, ele sentiu suas forças começarem a se esvair pouco a pouco, até que ele fechou seus olhos, talvez ele tivesse morrido?

Ele não sabia, mas quando acordou, ele notou que ele estava novamente, em frente aquela mesma rocha, aquela mesma rocha com uma parte da EVA de Asuka em cima, e aquele monstro saiu mais uma vez.

Mas dessa vez ele não segurava uma barra de ferro, dessa vez estava segurando uma arma, ele não sabia o que era, ele só... Conseguiu ver que ele estava indo adiante para aquela coisa novamente.

Era isso? Um Loop de mortes? Tudo bem... Não importava o sofrimento... Ele... Ele iria receber o que merecia... Ele foi horrível, isso era merecido... Sim... Merecido.

Ele não sabe, quantas vezes morreu, quantas vezes foi sufocado ou quantas vezes foi espancado, algumas vezes aquilo aparecia com algo diferente, outras vezes se repetia, mas ele morria, em cada uma delas. E ele continuou naquele lugar, ele permaneceu ali... Não sabia por quanto tempo...

Mas ele sentiu, algo em sua cabeça, sim... Era uma voz, uma voz em meio aquele inferno, lhe chamando.

Ele não sabia quem era... Mas era uma voz que lhe permitiu ir de volta a realidade, seja quem fosse, ele seria eternamente grato a essa voz...

Centro Médico Especializado NERV

Asuka estava tomando todo o cuidado possível para não ser vista naquela hora. Ela tinha noção que havia uma ordem de Misato para não deixá-la entrar sozinha, sem que a própria Misato estivesse junto com ela. Ela teria que esperar alguém ser burro demais pra não ver ela ali, ou ter muita sorte. E pelo jeito que as coisas estavam indo, demoraria muito.

Ela não sabia quanto tempo ela já estava em frente a porta elétrica do hospital, esperando que o recepcionista fosse ao banheiro, ou simplesmente saísse dali, por um segundo que seja, ela já poderia entrar e entraria em alguma rodinha qualquer. Mas não sabia o que poderia fazer se alguém lhe visse ali.

Ela resolveu ignorar isso, ela olhou para suas roupas, talvez ninguém a reconhece-se, ela estava usando boné de qualquer forma, e seu cabelo estava amarrado em um rabo de cavalo, dentro do boné. Talvez desse certo.

Ficou na porta, até um casal idoso passar pela porta, e seguiu junto com eles, o que deu espaço e tempo suficiente para ir em direção as fichas de visitas e ficar escorada virada para a recepção por ali mesmo, parecia que o casal de idoso havia vindo visitar algum funcionário que havia se machucado, ou algo assim, ela não deu muita importância, ela fez todo o contorno da recepção, passou um pouco abaixada por todas as pessoa sentadas na cadeira o mais devagar que podia, tentando não chamar atenção de qualquer outra recepcionista. Ela passou adiante, até chegar no elevador, ela resolveu ignorar a calma e metralhou o botão pro elevador descer os três andares logo.

Ela conseguiu ouvir o barulho se aproximar, enquanto ele descia, ela se escorou na parede, e deu uma breve conversa com uma criança qualquer ali, para evitar qualquer suspeita, e quando o elevador parou ali, ela rapidamente fez a volta em torno da criança e entrou no elevador, fazendo um sinal de silêncio para a criança e piscando pra ela. Ela tirou o boné por um momento e desfez o rabo de cavalo, deixando a borracha nos bolsos de seu casaco vermelho, ela olhou para si mesma, estava mais apresentável do que as últimas vezes, ela tinha comido mais e estava com uma cor melhor. Ela saiu do elevador e foi para o quarto de Shinji.

Quando seus olhos entraram em uma surpresa muito grande, Shinji, não estava sozinho...

Tinha uma garota com ele, naquele horário? Mas quem? Ela se enfureceu e se arrepiou com a ideia de alguém poder estar fazendo algum mal a ele.

— O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? — gritou Asuka em plenos pulmões, sem se importar se alguém a pegaria ali, no entanto ela ficou surpresa quando viu quem era.

A garota loira era Evaline, que apenas se ergueu da cadeira e começou a encará-la, a mesma expressão calma e segura desde a infância.

— Oi Asuka... — começou Evaline. — Acho que não conversamos desde pequenas, não concorda?

Asuka estreitou os olhos. — Não respondeu minha pergunta.

Evaline torceu os olhos. — Eu só estava de passagem, só queria ver como é o famoso Shinji Ikari, a salvação e a destruição da humanidade. — embora ela parece soar sincera, algo dentro dos olhos de Evaline pareceu se escurecer quando ela disse, como se ela tivesse que dizer isso, mesmo não querendo, talvez mesmo não acreditando nela mesma.

Asuka se enfureceu. — Não fale assim dele, você e nem ninguém tem direito de dizer nada sobre o que aconteceu!

Evaline piscou um pouco surpresa com isso. — Entendo... — ela se aproximou de Asuka. — Eu vou me retirar, tenho certeza que você quer ter seu momento a sós com um companheiro piloto, eu suponho.

Ambas se encararam, olho a olho. Asuka podia sentir que Evaline estava tensa sobre aquela mesma expressão tensa.

Antes que pudesse a confrontá-la novamente e perguntar como ela estava ali, algo chamou a atenção das duas, um grito, um grito que percorreu em pura desolação vossos corações, Shinji havia começado a gritar em uma dor agonizante.