Meine Shuld

5 Capítulo 5 - Pesadelo 5 - Testes


Máscara de porcelana geralmente derrete quando exposta ao calor.

(...)

— Eu estou começando a ficar muito preocupada. — comentou Asuka no sofá, sentada na lateral, com as pernas no colo de Misato, que bebia uma cerveja, Pen Pen estava nos pés da mais velha, ambas '' assistindo'' a televisão. — Akagi disse que ligaria assim que tudo se resolvesse, pelo menos ela teria mandado uma mensagem, ou algo assim.

Misato virou os olhos para ela, esvaziando mais uma lata de cerveja. — Asuka, ela não disse que ligaria para dar novidades, ela nos disse que ligaria se desse algo errado, então, você quer que eu ligue ainda? — isso pareceu ter calado a boca da garota, que se encolheu no sofá. Misato pôde sentir-se arrependida pelas palavras duras. — Desculpa. — ela disse depois do silêncio. — Eu também estou preocupada Asuka... — reiniciou a conversa com a mais nova, colocando as mãos no cabelo da mais nova. — Sei que nós duas estamos tensas, não queria descontar a minha própria em você, só quero que entenda que nós duas, precisamos manter a cabeça no lugar, pelo Shinji, você consegue entender isso, não é?

Asuka ergueu sua cabeça dos joelhos. — Eu sei Misato. — ela disse mais convicta. — Mas... Ultimamente eu estou com um sentimento no meu peito... É diferente de tudo o que eu senti antes. Eu não sentia isso por Kaji, nem de longe. — Misato agora ouvia com mais interesse, era raro ouvir Asuka ser honesta sobre si mesma. — Toda vez que eu penso no Shinji, meu coração dispara, e eu sinto minha respiração ficar pesada, eu tenho que me esforçar para respirar, e quando eu penso em tudo o que eu fiz, eu não consigo me acalmar... Não consigo para de pensar nele Misato. — ela encarou a guardiã nos olhos. — Eu não quero que nada de ruim aconteça com ele. Nada... A ideia dele estar sofrendo agora... Me deixa doente.

Misato ergueu uma sobrancelha sobre isso. — Não me entenda mal Asuka. — Misato fez a menor a observar. — Quem o colocou lá, foi você, e exclusivamente você. — Asuka arregalou seus olhos sobre isso, Misato sabia o que isso causaria na garota, era visível a culpa dela. — Você já me contou algumas coisas, ou do que você acha que foram seus motivos, já tivemos essa conversa antes, mas não muda o fato de que você fez coisas horríveis, e se você tiver um pingo de arrependimento, você vai ouvir muitas pessoas dizerem essas mesmas coisas, e essas pessoas não serão tão legais quanto eu Asuka. — Misato começou a acariciar o rosto de Asuka. — Não podemos mudar o passado, assim que como não podemos mudar nossas ações passadas, a única coisa que podemos mudar de nós mesmos, são nossos pensamentos e nossas vontades atuais, se você tem vontade de protegê-lo, então o faça, se for proteger, não deixe que morra. Eu aprendi isso durante aquele inferno imaginário.

— Eu sei que eu vou ter que ouvir isso dos amigos do Shinji, e sei que vou ter que ouvir coisas piores de Hikari eventualmente. — comentou Asuka se recompondo. — Eu sei muito bem disso, e eu estou pronta pra isso. — ela apontou para si mesma. — Eu sou Asuka, já enfrentei muitas coisas piores do que palavras duras!

Misato sorriu contente. — É assim que se fala. — ela sentiu seu celular vibrar. — Uma ligação de Akagi! — a voz de Misato subiu uma oitava e a preocupação de Asuka se intensificou. — Akagi!? Aconteceu alguma coisa com o Shinji? Eu estou indo para ai agora!

Calma mulher!— Akagi disse do outro lado do telefone, Misato havia colocado no auto falante. — Estou ligando pra avisar que a primeira parte da cirurgia foi um sucesso total e que não há mais perigo real pra ele.— a loira pôde ouvir as duas suspirarem alegres. - Contudo, ele ainda precisará ficar em reabilitação depois de nós arrumarmos a sua garganta e sua glote, ele terá que ficar mais ou menos duas semanas no hospital, somente assim, ele poderá ir para casa, onde terá que ficar tomando remédios diários e com acompanhamento.

Asuka resolveu tomar sua voz. — Akagi, podemos visitar o Shinji? — ela queria ver o garoto de novo. — Não sei se ele está em condições, mas se eu puder...

A mulher ficou alguns segundos em silêncio até responder. — Infelizmente, ele está muito sedado e está dormindo agora, ele precisa descansar... Amanhã agendarei um horário pra você ter suas '' conversas '' com ele, soa bem?

Muito obrigada Doutora! — Asuka agradeceu feliz. — Que bom que nada de ruim aconteceu com ele.

Eu convoquei os melhores médicos pra tratar dele, por mais que fosse uma cirurgia relativamente mais simples do que um transplante, eu não queria nenhum erro, eu prometi a sua guardiã que ele estaria em boas mãos. — disse Akagi

Muito obrigada Akagi. — agradeceu Misato honestamente para a amiga, ela realmente cumpriu com o que havia dito. — Muito obrigada, mesmo.

Sem problemas... Não precisa agradecer tanto.— disse Akagi com claro desconforto, ela retomou a postura. - Tem outra coisa que eu queria falar com vocês.— começou Akagi, usando o computador na sala de controle de testes de EVA. — Eu conheci uma garota mais cedo, o nome dela é Evaline Svenskeren Bjerg, ela é alemã, um pouco mais velha do que a Asuka, ela está morando no mesmo prédio que vocês agora.

Misato e Asuka se encararam alguns segundos. — Sim, nós conhecemos ela também, ela estava nos esperando na nossa porta. Ela e Asuka treinaram e estudaram juntas em um treinamento de escola militar, pelo o que eu entendi. — respondeu Misato. — Mas por que a pergunta? Você também conheceu ela.

Akagi ficou em silêncio. — Sim... Eu conheci ela logo quando terminei de tratar Shinji, em realidade ela estava nos observando a cirurgia inteira. — ela espero alguma coisa das outras duas. — Enfim, ela parece conhecer Shinji, pensei que vocês soubessem de alguma coisa, Shinji nunca mencionou nada sobre ela?

Asuka franziu o cenho. — Ela estava observando o Shinji o tempo todo? — a voz da ruiva subiu um tom. — Como ela conseguiu subir até o andar?

Eu me perguntei a mesma coisa.— respondeu Akagi. — Ela e o guardião dela, Himura, são bem estranhos, eu não sei se você a conhece verdadeiramente Asuka, mas ela é uma garota estranha.— ela rolou os olhos para baixo, onde Evaline estava. — Eu vou começar a fazer testes de sincronização com ela daqui a pouco, mas antes de desligar eu quero dizer mais uma coisa.

O que é? — perguntou Misato curiosa e surpresa com os fatos descobertos sobre a menina.

Ela estava visitando Shinji, quando Gendou o abandonou com os tios.— Asuka e Misato ficaram em silencio. — Ela mostrou uma foto, dos dois juntos, quando criança, ela me disse que Shinji tinha apenas quatro anos na foto, e ela tinha 6, um ano antes dela te conhecer nessa escola militar.— explicou a Doutora. — Eu não confio nessa garota, Misato, e recomendo você esquecer esse lance de vocês duas Asuka, ela não me parece uma pessoa confiável para estar perto do Shinji, ainda mais no estado em que ele está.

— Pode deixar. — comentou Asuka. — Ela não vai chegar nem perto dele. — a raiva na voz da garota era visível. — Mas se eles se conheciam, por que Shinji nunca falou sobre ela antes? — perguntou para a loira no telefone.

Eu também perguntei a mesma coisa.— disse Akagi. — Tudo o que ela me disse é que ele não conseguiria se lembrar dela, e que havia coisas que não devíamos saber, para mim ela esconde segredos demais, eu não confio nela.

— Muito obrigada por nos avisar, manteremos os olhos abertos pra essa garota. — disse Misato séria. — Boa sorte no resto do seu trabalho, daqui a algumas horas eu estou ai. — se levantou do sofá desligando o telefone e olhou para Asuka, as duas bem sérias. — Parece que nem você sabia sobre esse lado da sua colega.

Asuka ficou em silêncio alguns momentos até suspirar cansada. — Eu não conhecia Evaline bem o suficiente, e eu também nunca me esforcei pra fazer isso de qualquer forma. — lamentou-se. — Mas eu não esperava que ela e Shinji fosse, amigos... — disse Asuka com amargura. — Akagi disse que ela estava observando Shinji, eu não gosto do som disso.

— Eu também não gosto disso Asuka, tanto quanto você. — disse Misato. — Ele não está bem, e a última coisa que ele precisa é de uma garota que não conhecemos ao redor dele, você ficará responsável por ele, você entende o que eu quero dizer por responsável, não é?

Asuka lhe sorriu. — Se for proteger não deixe que morra, não é?

Misato lhe devolveu outro. — Boa garota, agora eu vou sair. — foi em direção ao banheiro. — Você cozinha alguma coisa pra você, não espere por mim. — lhe avisou e foi tomar banho.

Asuka encarou o corredor vazio por alguns instantes até deitar no sofá olhando para o teto. — Evaline... Eu realmente não tentei conhecer você. — ela comentou para si mesma. — Visitava Shinji quando ele ainda era criança, então talvez você conheça o porque ele ser tão triste...

Ela colocou a mão nos olhos. — Não pense nisso Asuka. — se repreendeu. — Shinji não tem que ouvir suas lamentações agora, guarde para mais tarde, e guarde para quando tudo se resolver. — ela fechou seus olhos, em busca do sono que demoraria para vir.

Enquanto pensava em Shinji, Asuka adormeceu no sofá, estava calor como um inferno, tomar um banho fez realmente bem para Misato, ela pegou seu uniforme e calçou seus saltos e foi para NERV, dessa vez ela entraria no subsolo, segundo Akagi, aquela garota estaria fazendo os testes. Ela acelerou o máximo que podia.

— Amigos de infância, hm? — ela disse para si mesma. — Em realidade, tudo o que nós sabemos sobre Shinji, está escrito em relatórios. É triste pensar que eu só me dei conta disso agora...

NERV — SUBSOLO — CENTRO DE TREINAMENTO/ANÁLISE DE SINCRONIZAÇÃO

Akagi digitava todos os códigos freneticamente, lhe foi dito que junto com a garota, a Unidade Eva 008 seria mandada, mesmo que já não houvessem mais anjos, ter EVAS como armamento, ainda era uma ideia boa para países hoje em dia, o medo assolava todas as nações. Então cada vez mais eles iriam produzir EVAS, e seriam mandadas para cá, para fase de testes. Uma guerra entre EVAS não seria loucura.

E ela estava certa, Evaline estava acompanhada com sua própria EVA. Era uma EVA baseada no molde da EVA 001, o mesmo tipo de Shinji, a única diferença era que a da garota era escura, e as diferenças laterais eram amarelas. Pelo o que lhe constava na tela, era do tipo orgânico, com feixes leves de toque de 3kk por centímetro e um sensor de movimento hiperbólico, uma verdadeira maquina de combate. Agora lhe restava ver a sincronização.

Evaline podia ser vista em cima do andaime, andando com seu traje igualmente escuro e amarelo. Os sensores neurais eram amarelos também, era difícil vê-los pela cabeleira amarela. — Está me ouvindo, sétima criança? — perguntou Akagi pelo comunicador, sua equipe auxiliar havia mudado, não eram as mesmas pessoas, ainda não haviam voltado. — Entre na capsula. — lhe foi ordenado, Evalien apenas pulou da andaime e caiu na cabine de controle do EVA, seus sistemas nervosos já estavam ligados ao EVA.

— Iniciando sincronização. — disse Evaline no comunicador, esticando o braço e apertando os botões de controle de movimento de sua EVA, a mesma começou a se movimentar e ir em direção ao elevador preparado para irem para a sala de treino. — Movimentos limpos, porém sinto um espaço para os comandos serem atendidos, nível de oscilação? — perguntou para a central.

Um dos auxiliares de Akagi lhe respondeu, era um homem. — O tempo de resposta parece estar estável, o atraso é de 0,008 milésimos de segundo. — comentou ele. — Agora, vá até os emuladores dentro da sala de treinamento, faremos o teste agora.

Evaline subiu no elevador, passando pelo espaço desenhado para os EVAS, assim que entrou na enorme sala branca, ela saltou do elevador, em sua frente havia uma pequena usina espiral, feita para os EVAS irem para ela.

— Coloque as mãos dentro da esfera. — ordenou Akagi. — E ative as funções motoras de todo o EVA.

— Até mesmo as inconscientes? — perguntou EVA pelo comunicador.

— As ações inconscientes do seu cérebro é que fazem os números para nos medirmos a sua capacidade de controlar seu próprio EVA. — ela lhe explicou. — Coloque.

Evaline movimentou sua EVA até a esfera e colocou as mãos dentro. — Ativando funções cognitivas e inconscientes, aguardando instruções.

Akagi começou a verificar seu monitor. — Nada mal. — disse ela repentina. — Para o seu primeiro teste em uma base, você alcançou um nível descente. — uma espécie de elogio foi lançado. — Sinta-se orgulhosa, conseguiu 44%.

Evaline não esboçou nada além de um suspiro de alivio. — Entendo. — ela comentou. — Gostaria de saber o nível de sincronização que Shinji conseguiu na sua primeira tentativa, se isso for possível.

Akagi apertou os olhos na sala. — Você é bastante curiosa sobre as coisas relacionadas a ele, não concorda?

Evaline ficou em silêncio por um momento até responder. — Eu tenho minha preocupação com ele, e minha curiosidade também, apenas perguntei de momento, se não for possível responder eu vou entender...

Mais uma vez um silêncio, seu guardião legal estava na sala de controle também, um pouco mais a fundo. — Certo, é um teste muito antigo, não é mais segredo para ninguém. — ela viu o rosto da garota se iluminar um pouco, parece que a menção do garoto era suficiente para arrancar alguma expressão dela. — O primeiro teste dele, na EVA 001, foi de apenas 34%, mesmo que ele tivesse subido a porcentagem muito rápido, a primeira vista ele parecia um piloto regular ao meu ver.

— Entendo. — disse Evaline se desprendendo da esfera. — Muito obrigada. — ela tomou alguns passos para trás, observando o quadro de concreto se abrir ao redor da esfera e ir para baixo. — Faremos alguma simulação?

— Sim. — disse Akagi preenchendo os campos. — Começaremos com o quarto anjo. — comentou Akag. — É um anjo que tem um alcance longo com sua energia, você deve conhecê-lo.

— Sim, me foi mostrado todos os combates dos três prodígios muitas vezes. — comentou Evaline, não se importando com a carranca nervosa de Akagi por mencionar sobre os três tão levianamente. — Devo assumir que eu terei que lutar sem armas dessa vez?

— Sim, você lutará a sua maneira, os primeiros testes serão dessa forma, preciso ver a sua sinapse e o tempo de resposta que o seu EVA tomara para o combate. — explicou a mais velha. — Iniciando simulação.

Tudo ao redor de Evaline começou a mudar. — Pelo o que eu lembro, as simulações antigas eram reais, e não neurais. — comentava Evaline enquanto ela observava tudo se digitalizar ao seu redor. — Eu ainda terei sensações nesse ambiente?

— Se você pergunta pelo seu sentido de dor. — começou Akagi. — Você sentirá dor sim, tão real quanto uma luta de verdade, não se engane criança, todas as sensações que você experimentar aqui, serão desferidas para o seu EVA, que está conectado com você pelo sistema neural e seus nervos ópticos, tudo o que você vê e toca é real, e ao mesmo tempo ilusão.

— Entendido Doutora Akagi. — comentou Evaline, observando sem demonstrar surpresa a figura digitalizada do quarto anjo ser feita a sua frente, apenas alguns metros de distância. — Aqui vamos nós. — comentou a loira, colocando suas mãos nos emuladores, sua EVA deu um salto gigantesco em direção ao Quarto Anjo, ele começou a formar um novo rosto, igual aos vídeos que ela viu antes, e se isso era realmente igual, quando ele ergueu o braço em direção a ela, Evaline teve que fazer sua EVA ir rente ao chão, ela viu calmamente o feixe de luz roxa passar por cima dela, então era realmente igual. — Perto demais.

— Não é porque ele já foi derrotado que ele não é perigoso, Piloto Evaline. — disse Akagi severa. — Mantenha sua concentração, lembre-se, estamos analisando tudo isso, e a cada fim de treinamento e trimestre, será enviado um relatório para seu país.

Assentindo com isso, a garota se colocou de pé novamente, e fez com que sua EVA corresse até o anjo, um dos braços do anjo tentou lhe segurar na garganta, Evaline usou o braço esquerdo do Evangelion para bloquear, mas o anjo havia lhe agarrado no pulso e erguido do chão, com uma força descomunal o Anjo ergueu o corpo do EVA e o jogou para longe.

Evaline podia sentir uma dor repentina em suas costas. — Realmente, uma simulação neural não é tão diferente de uma realidade. — ela se colocou de pé. — Vamos testar uma coisa.

Ela correu novamente em direção ao anjo, pelo seu tamanho consideravelmente menor do que os anjos anteriores, talvez isso desse certo. O Anjo novamente tentou lhe agarrar, desta vez, Evaline estava preparada para isso. Ela se deixou ser segurada pelos ombros, e fez com que as pernas de seu EVA se prendessem na cintura do anjo, foi uma surpresa para todos na sala de controle verem que Evaline havia conseguido usar uma técnica de imobilização em um anjo.

— Aplicado com sucesso. — disse Evaline para a sala de comando. — Em uma situação de luta real, eu teria destruído seu núcleo com alguns socos ou com a espeçada Knife. — a simulação havia acabado. — Presumo que isso será relatado para os meus superiores? — perguntou Evaline para Akagi.

Tudo o que aconteceu será relatado e enviado. — respondeu Akagi. — Não demorará muito tempo, outros pilotos terão o seu caminho para cá. E você trabalhará com muitas pessoas diferentes, espero que seus resultados sejam os mais notáveis, piloto Evaline.

— Responderei as expectativas. — ela disse se movimento para o elevador, descendo o andar mais ainda, e colocando o seu EVA na gaiola. — Irei para o vestiário, avise para o meu guardião que estarei o esperando fora do subsolo, com sua licença.

A garota desligou a comunicação.

Akagi não se importou muito, ela preferiu voltar seus olhos para seus ajudantes. — Ela não é nada mal, não concordam? — perguntou para os dois.

Ambos concordaram, a garota tinha talento. Akagi deu de ombros no fim, logo outros viriam, e ela teria que administrar adolescentes hormonais.

— Será que eu teria mais ânimo para o meu trabalho... Se você estivesse aqui, Rei? — ela perguntou isso para si mesma, se devaneando nos pensamentos. Até que uma ligação surgiu em seu monitor, era Misato lhe ligando.

Akagi falando. — disse a mulher. — Por que está me ligando agora?

— Eu estou tentando ligar pra você faz tempo, queria te convidar para tomar uma cerveja. — disse a mulher com um sorriso amarelo, Akagi só pôde suspirar, algumas coisas nunca mudam.

— Venha pro trabalho de uma vez, pare de usar a saúde de seu protegido para ficar em casa.

Hai Hai. — disse Misato lhe dando um último sorriso e desligando a ligação. Seria uma longa madrugada.

Akagi tinha muitas coisas para discutir ainda.

Um pouco afastado e um andar a cima, dos dez andares subterrâneos da NERV, se encontrava Evaline, indo em direção ao vestiário, dando um comprimento curto para os mais velhos e funcionários, ela não estava com a cabeça muito boa para dizer nada agora. Seus pensamentos estavam afastados dos demais.

Ela entrou no vestiário feminino, e tomou um banco para si mesma, só havia um armário sendo ocupado, o dela. Ela tirou seu plug suit, e foi em direção ao chuveiro.

Uma dor em uma simulação com certeza não te colocaria em um hospital, Shinji. — comentou para si mesma, enquanto tentava tirar o cheiro de LCL de seu corpo. — E com certeza não faria a Doutora Akagi colocar os médicos competentes da NERV pra te tratar. — ela continuou pensando no que podia ter feito isso acontecer com o garoto. — Devo te visitar? Você estaria em condições de receber visitas pelo menos? Não sei...

Ela continuou a banhar, o seu guardião a esperaria. — Devo falar eu mesma com seu guardião? Talvez fosse melhor, não seria interessante um médico ir fazer inspeção e me encontrar abraçada a você, como antigamente... — a memória de antigamente a fez esboçar um sorriso leve em seu rosto geralmente sério. — Me pergunto se é uma boa ideia eu investigar o que aconteceu com você, talvez seja. Já que ninguém parece interessado em me contar. Vou decidir isso mais tarde.

Ela desligou o chuveiro e se secou, depois foi em direção ao seu armário e retirou suas roupas, era a mesma calça escura, as bonitas e dessa vez uma camiseta branca leve. Era a típica vestimenta de um soldado. Ela se olhou no espelho.

— Eu tenho meu valor, não tenho Shinji? — ela perguntou para si mesma. — Vou te fazer visitas frequentemente, apenas pra me certificar de que nada mais aconteça.

Ela se retirou do vestiário e foi em direção ao elevador, não escondendo a surpresa que teve que quando chamou o elevador para seu andar, ela teve Misato dentro do elevador.

— Comandante Misato. — Evaline prestou continência. — É um prazer ver você. — isso fez com que Misato acorda-se de seus devaneios e a responde-se.

— É bom ver você também, Evaline. — respondeu Misato, dando-lhe um sorriso de canto. A garota entrou no elevador. Misato notou que a garota normalmente séria parecia inquieta por algum motivo, isso chamou a atenção dela.

— Você está se sentindo bem? — ela colocou a mão nos ombros da garota. — Você parece nervosa.

Evaline e encarou novamente. — Eu... Tenho algumas perguntas para fazer, se não se incomodar em responder.

Misato ergueu a sobrancelha. — Que coincidência, eu também tenho algumas para você, atire. — disse a mais velha se escorando.

Sei que o Piloto da Unidade 001 Shinji Ikari está de repouso no momento, no entanto, estou lhe solicitando permissão para visitá-lo no hospital.

Misato ficou séria por um momento. — Por que você quer visitá-lo? Responda com sinceridade, suas palavras decoradas não me servem.

— Entendido. — disse Evaline. — Shinji Ikari é uma pessoa muito importante para mim, e quando eu soube que ele estava em um estado critico eu me senti preocupada com seu bem estar, e quero estar perto dele. Para que nada de mal aconteça com ele.

— Está dizendo que se não for você, não poderemos mantê-lo longe do perigo? — perguntou Misato não escondendo a irritação na voz. — Você tem nervos, admito.

— Não me foi ordenado para me preocupar com sentimentos alheios. — Misato sentiu a voz da garota se tornar fria como gelo, era a primeira vez que a garota parecia estar tão verdadeira, e não estava usando nenhum tom robótico. — Eu não me importo com nada sobre o Impacto, com a instrumentalidade, com as pessoas que não voltaram, ou com EVAS, Comandante Misato, mas eu ganhe uma missão, uma missão de ser a melhor dentre todos os pilotos, e eu serei. — ela apertou em seu andar. — Isso é o que a burocracia em que eu estou diz para você, mas eu lhe digo, comandante Misato, eu estou aqui por causa do Shinji, e eu vou descobrir o porquê dele estar naquele estado lastimável.

Misato não parecia estar irritada, parecia estar surpresa. — Você parece perder bastante a sua máscara de seriedade quando o assunto é Shinji, não concorda?

— Admito que não consigo me controlar quando algo envolve ele muitas vezes. — ela virou para mais velha. — Nos conhecemos há muito tempo, e ficamos afastados um do outro há muito tempo, eu estou aqui pra recuperar o tempo perdido, Comandante.

Misato lhe sorriu. — Falaremos sobre sua permissão amanhã, esteja aqui no treinamento. — ela fechou a porta do elevador e foi para a central de controle, seria uma longa madrugada, pelo menos Asuka estava dormindo agora.

Ou pelo menos era o que Misato pensava.