Meine Shuld

4 Capítulo 4 - Pesadelo 4 - Conhecendo o Antigo


Mesmo que você tenha esqueci de algo, não significa que não possa ser lembrado.

(...)

Akagi estava andando de um lado pro outro, pensando em tudo o que ela tinha que fazer, não fazia mais de uma hora que as duas haviam saído do hospital, e ela tinha muito o que fazer, e com certeza, muito o que observar no seu paciente, provavelmente o paciente mais importante que ela já teve de certa forma. Era certo que ela não sentia nenhum apego pelo menino, longe disso, mas agora ela podia dizer com certeza que não tinha nada contra o rapaz, ele salvou ela também, de certa forma, ela estaria morta por Gendo, o pai dele, o único homem que ela realmente sentiu alguma coisa, a dor de ser descartada como nada menos do que lixo ainda pairava no coração. Mas agora ela tinha coisas mais importantes para relembrar. Misato e Asuka tinham saído do hospital a tarde, eram quase sete horas da noite agora. E ela não sabia quando isso iria acabar, no final das contas seria uma noite muito cansativa, e uma dolorosa para Shinji, o mesmo agora estava acordado de novo. Akagi estava dentro do seu quarto, o maior quarto disponível da NERV, somente naquele quarto cabiam pelo menos 40 macas diferentes. Mas era esse espaço que ela precisava pra trabalhar direito.

Ela não se importava que as visitas na recepção percebessem a estranha movimentação dos melhores médicos e enfermeiras indo ao elevador, em turnos, levando pequenas mesas com muitas, muita caixas, se tudo o que ela testou, realmente funcionasse em humanos, seria uma descoberta, além de um feito, muito impressionante, ela se sentiu mal por estar usando o rapaz quase como um macaco de teste, mas nada podia ser feito, ele ser tratado pelos meios convencionais com certeza não adiantariam nada.

Ela suspirou resignada, observando incontáveis pessoas começarem a entrar no quarto de Shinji, o mesmo ainda estava um pouco grogue, e com muito sono, os sedativos estavam fazendo efeito, e ela pediu para trazerem mais. Pelo menos quatro sacos cheios de insulina bem como sacos de sangue. Ela olhou para a sua prancheta, olhando para os médicos que entravam e saindo, trazendo tudo o que ela havia pedido.

Mas agora o item mais importante estavam a caminho. Uma enfermeira estava empurrando o carrinho, com um visível medo. Akagi não podia culpa-la realmente. Em sua frente dentro de uma bacia enorme e funda, estava o tecido viscoso de pele de um anjo, que ela conseguiu amostras boas o suficiente e conseguiu conservar até o ponto em que ele não evaporasse ou sumisse, é claro que ela contou com a sorte e o conhecimento de que qualquer tipo de tecido sobre condições frias podia alterar seus componentes internos e mudar sua composição. Provavelmente foi mais sorte.

Ela puxou suas luvas, e fechou a porta atrás de si, ela realmente não se sentiria bem com o que ela faria. Ela olhou em volta da cama do rapaz. Eram mais ou menos 12 médicos e cirurgiões juntamente com 5 enfermeiras, para operar um garoto de 16 anos. Ela colocou sua máscara e foi em direção a cama do rapaz, que estava cercado, sendo verificado pelas enfermeiras, as moças estavam trocando as partes metálicas de sua cama, e estavam com as ataduras quase fixadas agora.

Shinji nesse ponto não conseguiu nem ao menos dizer qualquer coisa, ainda não podia, Akagi lhe disse que levaria tempo para ele sequer conseguir sussurrar. Foi injetado em suas veias uma nova dose de morfina bem como sedativos direto em sua circulação, ele realmente precisava estar praticamente dopado. Era um procedimento que seria doloroso, ele precisava ter qualquer coisa que... Torna-se mais fácil, ou pelo menos que ajuda-se a facilitar a velocidade.

— Muito bem Shinji. — disse Akagi, passando a mão sobre os pequenos tubos azuis ligados ao braço de Shinji bem como alguns cravados sobre as atadura de seu dorso e seu pescoço. — Você teve o seu tempo, agora precisamos fazer isso de uma vez, é perigoso estender isso mais um dia, você entende não é?

Shinji muito cansado conseguiu voltar seu olho para a mulher, piscando duas vezes, ele ainda tinha uma linha de pensamento, isso provavelmente seria mais difícil agora, se ele não tivesse a sinapse rápida o suficiente, significaria que seu corpo demoraria mais a tomar qualquer reação negativa sobre os remédios aplicados agora ou qualquer incisão ou obturação. Ela suspirou, ela olhou para o seu melhor cirurgião atualmente, Doutor Hakasi. O homem tinha muito tempo de serviço, e sempre trabalhou na NERV. E ele já havia tratado os pilotos diversas vezes.

— Eu tentarei tornar isso o mais rápido possível. — ele pegou uma pequena proteção bocal, e com todo o cuidado possível, ele colocou nos dentes de Shinji. — Enfermeiras, segurem com força. — ele disse para duas enfermeiras, uma delas checou se as ataduras estavam firmes o suficiente, Shinji estava literalmente preso a cama, com ataduras afiveladas em sua cintura, pulsos e calcanhares, ele tentou se mover para longe das mãos do médico quando ele foi em direção as suas costelas, uma enfermeira sem hesitação tomou uma agulha recheada de Secanol e diluídos de Barbituratos e injetou no garoto, sentiram o corpo de Shinji tremer e relaxar, o remédio seria aplicado em sua circulação juntamente com morfina e os sedativos, mesmo em uma cirurgia, ele iria dormir. Mas havia um limite para a quantidade de morfina, insulina e sedativos que eles podiam colocar em sua circulação sanguínea, se passassem esses limites, sua circulação ficaria presa em alguns pontos de corpo, parando o fluxo sanguíneo, parando assim o fluxo do remédio. O médico com o maior cuidado possível, começou a desfazer as ataduras das costelas do lado esquerdo do corpo do menino, lhe foi dito que ele estava com um pequeno pedaço da costela ainda preso dentro do corpo, e que o processo cirúrgico seria tão difícil quanto uma aplicação de prótese ou marca passo em um coração de um idoso. — Desculpe-me Shinji. — ele dizia para o garoto, que mexia sua cabeça para os lados, como um bêbado, o mesmo não estava mais pensamento logicamente, e nem ao menos conseguia falar. Ele ergueu o dorso do garoto, alto o suficiente para que outro médico cortasse os lados das ataduras e finalmente eles pudessem ver o ferimento do garoto.

Não era nada menos do que horrível. Seu tecido estava com um denso buraco para dentro do próprio corpo, o médico passou a mão no local, na terceira costela, onde havia o buraco. Era ali onde estava o ferimento, o pequeno buraco e o espaço lhe diziam o suficiente, uma lasca da costela, a ponta estava fora de todo o conjunto ósseo do garoto, e o fragmento estava solto, mesmo que o corpo dele estivesse em constante repouso, suas tragadas de ar e movimentação do dorso e de sua cintura, faziam o fragmento de movimentar, um outro médico começou a examinar o corpo dele, passando a mão em seu pescoço danificado, no peito e no estômago, passando a mão com uma pressão forte, o médico conseguiu achar o que ele queria, era fácil achar um pedaço de uma costela... Em um lugar que não deveria estar, aplicando força com os dedos, ele notou uma força estranha na altura do esôfago, não... Um pouco acima do intestino grosso. Ele pegou uma caneta preta e marcou um pequeno circulo, não olhando para nenhum lado, Akagi começou a verificar os saquinhos que ela pediu para trazerem.

— Precisaremos de uma faca de ponta cerrada, pelo menos quatro bisturis e uma pinça média. — explicou Hasaki, observando o que o colega havia encontrado no corpo. — Também vamos precisar ter certeza de que ele receberá todas as injeções antes de qualquer coisa, apliquem todas elas, assim que terminarem vou começar a operação, prepare-me a pele, e coloque a pele escura em um molde redondo e fino, cortem-na com as facas. — explicou o homem, colocando a mão em cima do ferimento dele, Shinji por mais que olhasse para si mesmo, não conseguiu falar nada, nem pensar nada, sua cabeça estava em um lugar diferente, novamente, ele sentiu dois braços irem de encontro a ele, naquele lugar branco e vazio. Os médicos notaram que o garoto parecia estar alucinando.

As enfermeiras com uma visível tremedeira, retiraram da bacia uma pele escura, muito escura, não escondendo o desgosto, era algo muito estranho. Elas colocaram na área plana de outra pequena mesa, cortando em pedaços diferentes e tamanhos diferentes, com as mãos, elas juntaram as camadas e começaram a amassar com as mãos, fazendo o tecido escuro se encolher.

O médico que estava fazendo uma análise do corpo do garoto olhou para o monitor ao lado, o raio x em tempo real dele constava que a lasca estava no intestino delgado mesmo. — Vejam isso. — ele apontou para o lado ferido do corpo do garoto, respectivamente para uma das costelas quebradas. — Notem como um dos esternos está em uma posição irregular, está quase encostando Homoplato, provavelmente o osso subiu, quebrando tanto a borda quanto o centro. — ele voltou os olhos para o corpo do garoto, onde havia o pequeno buraco. — Isso explica a cartilagem dele estar irregular, teremos que colocar um estresse no osso e aplicarmos pressão, teremos que uma massa cinza para isso funcionar.

Colocando isso em ações, o médico mais jovem foi em direção a um dos carrinhos, pegando apenas duas ferramentas. E sua ajudante já sabia o que tinha que fazer, ela lhe trouxe uma pequena cerra e um conjunto de bisturis, de vários tamanhos, e uma pequena pinça que tinha ponta presa, que servia para puxar, agarrar, e manter o tecido da maneira correta.

Shinji parecia estar sobre efeito ainda dos sedativos, ainda estava grogue, ele não demonstrou reação nenhuma quando uma pequena faca começou a passar pelo seu corpo. — Ele ainda não está desacordado. — disse Akagi. — Tem certeza que colocou a quantidade certa de sedativos? — ela ousou perguntar para as enfermeiras, que mostraram um saco antes cheio vazio para ela. — Como infernos ele está consciente ainda? — ninguém sabia responder. — Bem, ele precisa estar inconsciente pra isso funcionar, injete duas na antebraço. — ela pediu, assim foi feito.

Todos esperaram alguns segundos, antes o corpo de Shinji se movia levemente, e ele balançava a cabeça, tentando recobrar os sentidos, e lutando firmemente contra o seu sono, mas agora foi o fim, ele tombou os olhos para baixo, fazendo isso. — Corte. — ela ordenou. — assim como tal, o Doutor começou a utilizar suas ferramentas.

— Eu farei um corte semelhante a uma cesariana. — ele explicou. — Preciso de um medidor arterial fixado nele, não sabemos como ele irá reagir, e se o seu sangue escorrer demais, perdemos todo o efeito do remédio e ele vai acordar no meio da cirurgia. — ele observou outro médico responsável por manter a cartilagem afastada do seu bisturi entregá-lo a pequena bombinha. — Mantenha ele drogado, mas não podemos passar do limite. — ele com todo o cuidado e habilidade reforjada por anos de trabalho, fez um pequeno corte, um pouco a baixo do umbigo do garoto, o corte era raso. Um dos outros médicos lhe dizia como proceder.

A lasca está na segunda emenda do intestino delgado, um pouco a baixo da carne esponjosa. — olhava para o garoto e para o raio x. — Não poderemos fazer um corte completo, o corpo de uma criança não é suscetível a algo assim, teremos que encontrar isso as cegas.

Enquanto o Doutor se concentrava em procurar a lasca o mais rápido possível com sua pinça, outros três médicos estavam ao lado esquerdo de Shinji, um deles retirou as barras laterais da cama, fazendo o lado esquerdo livre, colocando-se de joelhos ele fez o devido trabalho.

Para que a ideia de Akagi funcionasse, pelo menos em suas projeções, Shinji teria que dizer adeus a todo o tecido morto desse lado, a falta de preenchimento simplesmente havia acabado com todas as suas ligações, e sua costela estava errada, uma parte do esterno estava encostado em outro. Era possível ver através da pele a leve inclinação anormal do osso. Eles teriam que colocar isso de volta no lugar. Pegando a massa cinzenta artificial nas mãos, um dos médicos que ficaria responsável por colocar o osso no seu devido lugar sugeriu que eles primeiro tirassem todo o tecido e deixassem aberto para que a pele do anjo pudesse preencher logo em seguida.

— Teremos que fazer isso em menos de três minutos. — explicou Akagi, observando os cortes da pele escura que as enfermeira haviam feito. — Assim que vocês cortarem em volta, tenham a certeza de colocar o osso no lugar no mesmo segundo que tirarem, vocês duas, peguem a mesa e empurrem para cá.

Seguindo todas as ordens, Akagi se sentou na sua cadeira, olhando o seu próprio monitor, o Doutor ainda não havia encontrado. Ele teria que suturar o corte rápido, geralmente em uma cesariana, você não demorava mais do que trinta minutos para retirar a criança, quando a elasticidade não conta, nesse caso ele já estava a mais tempo do que isso, e ainda não havia encontrado, por mais que o raio x mostrasse aonde estava, ele não conseguia chegar lá, havia muitas complicações.

Para ele conseguir pegar a ponta, de cinco centímetros, ele teria que passar pelo trato digestivo do garoto, sem abrir corte algum em qualquer carne pegajosa e ter o devido cuidado de que nada chegasse ao bile.

— Comece o corte. — ordenou Akagi. Tentando suas projeções, se tudo o que ela testou em animais antes, funcionasse com humanos, o tecido escuro procuraria assimilar a forma em que estava grudado, quase que se ajustasse ao tamanho ou a superfície, era como uma pele que escorria todo o preenchimento e tampava tudo.

Dois médicos começaram a cortar, usando uma pequena faca e um bisturi, o médico perfurou a carne um pouco acima da Hemófola esquerda das costelas, tomando o cuidado necessário para manter o corte acima dos ossos, era como se ele estivesse cortando uma carne de gado e tirando os ossos do fio. As enfermeiras já estavam logo atrás.

Akagi viu certo receio seus temores, era exatamente como o médico havia imagino, o seu osso Homplato havia recebido muito dano e toda a sua baia havia sido esmagada, era como se antes o osso pontiagudo tivesse sido achatado. A massa corpórea de um adolescente era de 4.3 centímetros, no caso dele, quando a faca perfurou os 3 centímetros, o médico já conseguiu sentir o osso.

— Certo. — ele pegou uma caneta. — Corte aqui, faça uma linha reta e depois retorne até onde eu cortei. — ele trocou de luvas encharcadas e sangue. — Ele está sangrando muito. — disse olhando para os lençóis.

O segundo médico manteve a linha de corte, fazendo uma pequena esfera ao redor dos osso quebrados. — Certo, vamos tirar com cuidado. — ele cravou um bisturi, dentro de uma fenda que a faca havia feito, com todo o cuidado possível, ele prendeu a ponta na cartilagem e fez com o que a ponta fosse para baixo, deslocando a pele e todo o resto, eles iriam tirar aquela pequena parte, e a pele iria se soltar pouco a pouco, aumentando o tamanho para que eles conseguissem pelo menos recolocar o osso no lugar certo, sem ter que literalmente abrir toda a caixa torácica dele.

Um dos médicos estendeu uma mão para uma das enfermeiras, ela passou uma espécie de gel sobre os dedos dele. Akagi agora olhava para o médico ao lado de Shinji, Hasaki conseguiu sentir algo diferente de algo macio. — Ai, exatamente ai, está se movendo no monitor, encontramos. — disse uma enfermeira, estendendo uma outra pinça um pouco maior. Ela pegou um marcador e colocou em cima do corte e passou uma espécie de fita em cima do marcador, a pele do garoto estava aberta.

— Acho que... — começou Hasaki. — Sim, peguei a lasca. — disse tirando lentamente suas duas pinças, todos viram aliviados quando ele conseguiu puxar para fora do corpo do garoto, a extremidade ósseo, ele colocou os bisturis dentro de uma caixa, junto com a lasca. — Vamos fechar isso rápido antes que tome tempo demais.

Tomando o procedimento seguinte, ele começou a buscas suas linhas para fazer os pontos. — Não temos uma máquina? — ele perguntou enquanto cortava a linha escura e cravava na pele do garoto. — Seria muito mais fácil.

Akagi apertou os olhos. — Já temos coisas demais aqui, e não temos essa máquina pequena, nunca tivemos. — ela explicou. — Ela começou a verificar os mentores ligados aos pequenos tubos de Shinji. — Sua pressão arterial está começando a cair... — ela observou, franzindo a testa, a um minuto atrás antes de Hasaki encontrar o pedaço do osso, ele estava com uma pressão apenas dois pontos abaixo dos 13,78 estáveis, agora ele estava com 10,87 e caindo. — A pressão está caindo muito rápido. — ela disse se erguendo. — 9 pontos. — ela começou a observar temerosa.

O osso da costela ainda estava em reparação, era um processo feito com as próprias mãos, quando um osso responsável por manter todo o exoesqueleto da costela nos seus lugares era quebrado ou danificado, geralmente se levava muito tempo para conseguir colocar o osso de volta, mas as situações começaram a se complicar.

Shinji havia acordado. A dose de sedativos havia sido feita perfeitamente, sem nenhum erro. O que ninguém havia levado em conta era que o garoto, precisaria de mais doses antes deles pelo menos conseguirem preencher o tecido morto do seu corpo. Uma das enfermeiras rapidamente injetou mais duas injeções, diretamente no seu peito.

— Senhora, atingimos o limite. — alertou para Akagi. — Não podemos colocar mais nenhum sedativo em seu sistema. — ela se apressou e começou a trabalhar no molde de pele.

Foi um som doentio, porem rápido, de um osso sendo deslocado para o lado. No raio X havia sido apontado que Esterno quebrado havia sido posto em ordem novamente. O médico passou a massa cinza em cima da parte quebrada, essa massa cinza tinha propriedades que aceleravam o trabalho dos osteoclatos, uma substância produzia pelos vasos sanguíneos próximos a uma fratura ou um osso quebrado. Isso iria ajudar o osso a se tornar mais resistente e Shinji não precisaria fazer mais nada além de repouso.

A massa escura foi erguida pelas enfermeiras, com todo o cuidado possível foi colocada sobre o corpo de Shinji, era hora de ver se isso acabaria bem. As enfermeiras deram um grito assustado com o que aconteceu.

Assim que a matéria escura foi posta sobre a ferida de Shinji, ela rapidamente começou a tomar uma forma plana, se estacando ali. Olhando pelo sensor térmico, era possível observar pelo calor que a pele do anjo estava puxando toda a pele ao redor da ferida e fazendo elas se juntarem. No final era tudo o que havia sido testado antes.

— Milagrosamente. — começou Akagi. — Não teve... Nenhum problema... Pelo menos aparentemente. — ela se sentou, relaxando. — Vamos dar um tempo... Mantenham os olhos atentos nele, eu preciso ir para as gaiolas, outra parte do trabalho...

Ela apenas se ergueu de repente e foi em direção a porta, mas ela estagnou quando viu uma garota loira, um pouco maior do que Asuka no vidro, ela tinha certeza que havia pedido para barrarem a passagem do corredor para esse andar, era um andar separado, onde só pessoal autorizado conseguia entrar aqui.

Ela notou que a garota estava acompanhada de um homem careca, parecia ser seu guardião ou algo assim. Abriu a porta e deu de cara com a garota, assim que Akagi deu a menor fresta para entrar no quarto, a garota tentou.

— Onde pensa que está indo? — perguntou Akagi, não escondendo sua voz irritada. — Como você entrou aqui? Quem é você? — ela pegou a garota pelos pulsos. Os olhos verdes dela lhe encararam nos seus azuis, Akagi pensou em recuar com tamanha intensidade.

A garota parou por alguns segundos, olhou para Shinji, e para ela novamente. Ela respirou muito fundo, Akagi notou que o japonês dela tinha sotaque, uma estrangeira, será que ela é... Uma das novas pilotos? Não sabia.

— Peço desculpas pelo meu comportamento. — Akagi notou que a garota não sentia droga nenhuma ou arrependimento. — Meu corpo se moveu instintivamente. — ela se curvou levemente. — Meu nome é Evaline Svenskeren Bjerg, sou uma das selecionadas para teste de sincronização com a EVA 07.

Akagi apertou os olhos com isso, ela era? Um pouco mais velha do que esperava, mais velha do que Mari talvez? Ela soltou o braço da garota, e o homem que a acompanhava se apresentou com uma voz forte.

— Peço que aceite minhas desculpas também. — seu tom era polido, um timbre de voz quase artificial; O homem parecia robótico. — Sou o guardião responsável por Evaline. — ele explicou-se entregando um cartão, constando suas filiações, e o selo de aprovação da NERV Alemã. A garota fez o mesmo, Akagi pareceu mais interessada em observar as características da mais nova.

Akagi varreu os olhos pelas informações. — Treinada desde os 7 anos em escola militar, retirada do dever militar para testes em robotização humana sem data de retorno, você têm dezessete anos... Alemã. — ela virou o cartão. — Suas filiações, estão em branco, por que?

Evaline não olhava para ela, ela olhava para Shinji. Ela continuou olhando até que Akagi estralou os dedos em seus ouvidos, voltando sua atenção para ela.

— Estou falando com você, preste atenção em mim. — ela disse séria. — Você não tem filiação nenhuma, explique-se.

Evaline a encarou nos olhos mais uma vez, Akagi não gostava do jeito que ela a encarava, a garota parecia não ter nenhum senso de desconforto alheio. — Meus pais morreram quando eu era jovem. — ela explicou-se. — Foi a alguns anos.

Akagi apertou os olhos para isso. — Ainda não responderam uma pergunta... Por que estão aqui? E por que você está querendo entrar na sala de um paciente? — ela se aproximou de Evaline, Akagi era pelo menos um palmo maior que a garota, ela lhe dava em seus ombros. — É melhor responder com cuidado, caso eu escute algo que não me agrade, reprovo você sem ao menos entrar em uma EVA e o seu país que para o inferno.

A pequena explosão e Akagi não parecia ser nem ao menos importante para ela, tendo em vista que ela voltou a olhar para o quarto, antes que Akagi pudesse a chamar novamente, ela moveu as mãos para o bolso de sua calça preta. E ela retirou uma foto...

A expressão raivosa de Akagi mudou para uma de surpresa, ela olhou para foto. E olhou para Shinji que estava sedado. E voltou seus olhos para a garota.

— Como... ? Quem? — ela trancou sua voz. — Quem é você? — ela perguntou. — Como você está nessa foto?

Evaline não esboçou nada além de uma expressão vazia e olhos fixos. — Eu sou uma soldada... Enviada da Alemanha para pilotar Evas. — ela começou. — No papel, é isso que você está vendo pode servir para definir o que meu país quer que eu seja.

Ela se aproximou do vidro, olhando para Shinji. — Mas para Evaline Svenskeren Bjerg, eu estou aqui para rever... Um velho amigo. — ela olhou para Akagi, Akagi nunca viu uma garota ser tão séria quanto ela. — Não se engane, o garoto nessa foto é ele, você estava no dia em que ele foi retirado pelo próprio pai e entregue a um amigo, um professor particular que lecionou Shinji boa parte de sua infância até os 8 anos de idade, logo após isso foi mandado para seus tios, que somente o aceitaram por estar recebendo uma verba generosa para com ele.

— Como você sabe disso? — ela olhou para a foto, a foto mostrava dois garotos sentados em um banco branco em uma árvore sombreada, ambos sorriam um para o outro. — Você é a garota na foto? — ela olhou para ambas, as características batiam. — Quantos anos vocês tinham?

— Eu havia feito meu sexto aniversário. — ela respondeu. — Shinji havia feito o seu quarto, essa foto foi tirado pelo meu guardião Himura. — ela apontou para o homem. — Foi um ano antes de eu começar a frequentar escola militar.

— Mas... O lugar que Shinji foi colocado não era na Alemanha, era em Kyoto. — tentou entender a mais velha. — Como... Você estava lá?

Sentindo que não viria nada bom em mentir, Evaline ficou em silêncio alguns segundos, até voltar-se para ela. — Meus pais, eram amigos dos senhores Gahami's, os tios de Shinji. — ela começou a lhe falar. — Meu pai era embaixador, e minha mãe era sua tradutora, eu ia apenas seguindo o fluxo, foi lá que eu conheci Shinji... Logo quando ele foi abondado pela própria família.

Akagi se manteve em silêncio por alguns segundos, até suspirar cansada do que rumo que as coisas estavam indo. — Entendo... — ela devolveu a foto. — Mas não é porque vocês se viram uma ou duas que você pode vê-lo agora, ele está um estado grave como pôde perceber.

Evaline não esboçou nada, apenas trocou os olhares para Shinji, e depois voltou-se para a médica. — Não o visitei duas vezes, Doutora Akagi. — ela se fez clara. — Eu o visitava na casa de sua família, todo dia. O apartamento em que os meus pais haviam alugado temporariamente, era apenas um quarteirão de distância, pode-se imaginar que minha companhia era frequente em sua vida.

— Certo Evaline. — ergueu as mãos para cima. — Não vou mais perguntar sobre vocês dois, para mim vocês são conhecidos de infância, e você pode estar tendo algumas memórias de quando era criança, perfeitamente normal para mim. — ela se aproximou da garota. — Mas não pense que você vai subir aqui de novo, eu fui clara?

Pela primeira vez Akagi viu Evaline fazer uma expressão diferente de sua neutralidade. Surpresa, uma bem leve, Akagi só percebeu pelos seus olhos.

— Cristalina... — a voz de Evaline pareceu mais baixa. — No entanto, eu também tenho uma pergunta.

Akagi que já estava saindo dali com eles atrás dela virou-se. — E qual é?

— Quem foi que fez isso com ele? — Evaline perguntou para a mais velha, notando que houve uma surpresa na mais velha, e um claro desconforto nela, isso a fez se interessar ainda mais pelas respostas.

— Existem coisas que você não precisa saber. — ela respondeu, os convocando para o elevador. — Agora venha garota... Vamos mudar os tópicos para os termos de uma EVA, vamos ver se você pode ser útil. — Evaline entrou com seu guardião logo atrás.

— Compreendido. — começou a garota. — Para que eu possa continuar aqui, preciso mostrar resultados excelentes para o meu país. — Akagi apertou os olhos, a garota claramente estava dando o inferno para o próprio país. — Não precisa me olhar assim, Doutora. — Evaline pegou seu olhar. — Eu não estou aqui pelo meu país, estou aqui por ele. Apenas manteremos isso no profissional...

— Você é uma garota que Shinji nunca mencionou nada sobre. — Akagi disse sem pensar, pensando que isso pudesse afetar ela de alguma maneira, mas isso não pareceu fazer nada com Evaline.

— Não poderia, ele não poderia se lembrar de mim. — a voz de Evaline desceu um tom, se tornando quase um sussurro. Akagi não entendeu.

Como assim?

Evaline a encarou nos olhos novamente, os velhos verdes da menina pareciam carregar um peso, um peso qual Akagi não conseguiu entender, o que ela carregava?

Mesmo assim, a garota apenas a encarou por alguns segundos, a voz polida voltando novamente, porém... Com um certo tom de melancolia em seu timbre.

— Existem coisas, Doutora Akagi, que é melhor você não saber...