Meia Volta ao Mundo
43 Capítulo 42
Conforme observava Maria da Glória crescer, Pedro percebia que eles tinham infâncias parecidas, e compartilhar isso com a filha deixava a relação deles mais que especial. Maria tinha toda a liberdade de explorar a terra que seus pais amavam. Era comum ela brincar e correr ao longo da mata que tinha em volta da sua casa, mas nunca sem ir muito longe. Apesar do espírito aventureiro, ela tinha o cuidado de não se meter em confusão ou em nenhuma aventura perigosa.
Ela gostava de caminhar com a mãe, apreciando a natureza, tanto que o Jardim Botânico se tornou um dos seus lugares favoritos.
—Sabia que eu também amo estar aqui? — sua mãe contou ao saber disso — e eu lembro de um dia muito legal que eu tive com seu pai, bem aqui.
—Mesmo? — perguntou a pequena e curiosa Maria da Glória — e como é que foi?
—Ah eu estava tentando ajudar seu pai a estudar, a ver como é importante valorizar o conhecimento e as informações que cada lugar tem, como eles contém coisas super interessantes — disse Leopoldina — e ele percebeu tudo isso.
—Que bom que o papai também gosta daqui — Maria constatou, contente.
O que ela também tinha de parecida com a mãe, além da aparência física cada vez mais evidente a cada dia, era seu gosto por leitura. Tinha descoberto os livros através de presentes de seus tios, que presenteavam a menina com livros infantis cheios de contos fantásticos, e agora, ela podia passar bastante tempo lendo.
Outro interesse de Maria era a dança, era uma das coisas que achava mais bonita e nunca falhava em chamar a sua atenção.
—Não seria legal se eu fosse uma bailarina, mamãe? — Maria comentou para a mãe num belo dia, quase que de repente.
Apesar de de repente, a pergunta não surpreendeu Leopoldina tanto assim.
—Eu acho que seria absolutamente fantástico! — ela incentivou a filha — você está pensando em fazer aulas?
—Ah sim, mãe, por favor, é o que eu mais quero, eu posso? — a menininha implorou.
—Claro que pode, meu amor — a mãe concedeu o desejo com um sorriso alegre.
—Sério, quando podemos começar? — Maria perguntou.
—Quando você quiser, querida — Leopoldina afirmou.
Sem muita demora, mãe e filha saíram para encontrar a escola de dança perfeita. Pragmática e investigativa como sempre, Leopoldina fez uma breve pesquisa sobre isso antes de sair de casa.
—O que ainda estamos fazendo em casa? — Maria perguntou impaciente, sem entender nada — a gente não ia procurar um lugar pra eu aprender a dançar balé?
—Sim, é o que estou fazendo, querida, encontrando a melhor escola de dança pra você — a mãe explicou sem perder o entusiasmo e a compreensão — só um minutinho, por favor, logo nós vamos.
Maria então preferiu confiar na sua mãe e esperar mais um pouco. Sua espera foi recompensada quando Leopoldina deu um sorriso triunfante e as duas estavam na estrada, indo atrás da tal escola de dança.
O local impressionou Leopoldina e deixou Maria animada. Sem ter que esperarem mais, a professora veio atendê-las.
—Oi, em que posso ajudar? — disse ela, muito cordial.
—Eu sou Leopoldina, liguei agora a pouco, eu sou mãe da Maria da Glória — se apresentou ela.
—Essa sou eu, eu queria fazer aulas de balé — Maria passou a frente da mãe, tamanha era sua ansiedade.
—Está bem, Maria, vou explicar pra sua mãe como tudo funciona e aí você vai poder começar logo, logo — a professora explicou e se pôs a conversar com Leopoldina.
Um tempo depois, lá estava Maria da Glória de volta à escola, pronta para sua primeira aula de balé. Ela se mostrou uma aluna exemplar, mesmo quando tinha dificuldade, se esforçava para ultrapassar os obstáculos e se superar. Enquanto vivenciava essas novidades, sua família também passava por outras.
Notando se sentir como quando descobriu que esperava Maria, Leopoldina desconfiou que poderia estar grávida outra vez. Realmente estava certa e Pedro e Maria da Glória receberam a notícia com muita felicidades. Conforme os meses se passavam e o irmãozinho de Maria ia se desenvolvendo em gestação, a família Bragança pôde prestigiar a primeira apresentação de Maria.
—Eu estou bem nervosa, mãe, tenho medo de errar os passos e fazer papel de boba, e se eu errar e todo mundo achar que nenhuma das meninas é boa bailarina? — ela confessou à mãe sobre seu nervosismo.
—Calma, Maria, vai dar tudo certo, é normal ficar nervosa, mas se você se concentrar e fazer o seu melhor, vai dar tudo certo, eu te garanto — Leopoldina assegurou.
—Tudo bem, mãe, vou tentar — a menina se comprometeu.
Seguindo os conselhos da mãe, correu tudo bem e seus pais, avô e tia a observaram com todo orgulho e amor.
—Ah você era a bailarina mais linda que eu já vi, que coisa mais linda, filha! — Pedro a elogiou com todo carinho, rodopiando a menina em seu colo.
Maria riu contente, fazer algo que gostava e também trazia alegria a sua família a deixava super feliz também.
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