Meia Volta ao Mundo
36 Capítulo 36
O dia estava extremamente propício para a ocasião. Era comum e esperado todos os dias no Rio de Janeiro serem ensolarados e calorentos, mas até isso tinha deixado Leopoldina animada.
Ficou feliz e grata por ver toda sua família no café da manhã, conversaram animadamente em alemão sobre os preparativos do dia. Ao lembrar do grande evento, pensou em Pedro e como não o tinha visto até então. Ele já tinha saído para se arrumar e se aprontar para o grande dia. Leopoldina sentiu o coração saltitar um pouco mais ao pensar no noivo. Sabia que ele ficaria num ritmo acelerado o dia todo, mas às vezes, errava um pouco o passo, tamanha sua emoção.
Sentou=se com a família onde ouviu mais felicitações da família como também mais algumas instruções para o que aconteceria naquele dia. Então, Leopoldina subiu e se aprontou com a ajuda da irmã.
—Você está lindíssima! — elogiou Maria Luísa de coração.
—Ah eu sei, bom, estou vendo no espelho... — confessou Leo com as bochechas coradas — mas ainda não terminamos, ainda falta meu cabelo, a maquiagem, as joias...
—Claro, uma noiva completa, que merece tudo isso, todas as alegrias do mundo — disse sua irmã = espero que Pedro saiba exatamente o que está recebendo e que cuide bem de você.
—Não se preocupe, Luísa, ele vai sim, tenho certeza — a noiva garantiu, dando um abraço na irmã em seguida.
Terminando a arrumação, finalmente se aprontaram para sair de casa. Surpreendentemente, o resto da família já estava pronto para a ocasião. E assim, com a irmã e a cunhada de Leopoldina a ajudando com uma longa cauda enquanto ela descia pelas escadas, foram se encaminhando para fora.
Ao chegar aos portões da Quinta, Leopoldina se surpreendeu.
—Isso é para mim? — Não sabia direito para quem perguntar, observando atônita uma carruagem, puxada por dois lindos cavalos.
—É um pequeno agrado pelo dia do seu casamento — João deu um passo à frente — você é como uma filha para mim e hoje se torna parte da minha família oficialmente, quero que continue sendo feliz Leopoldina, aqui conosco no Rio.
—Muito, muito obrigada — ela abraçou o sogro emocionada, que logo a ajudou a subir no inigualável veículo.
Francisco fez questão de acompanhá-la e chegando à igreja, ele fez a gentileza de ajudá-la a descer, já preparado em seu papel de pai da noiva, a conduzindo ao altar sem mais delongas.
Pedro, por sua vez, estava à espera dela, devidamente arrumado para a ocasião. Em meio a tudo aquilo, lhe rondavam pensamentos de surpresa, uma parte de si ainda achava inacreditável como o amor tinha mudado tanto seu jeito de ser. Mas isso era só mais uma prova de como o amor era poderoso, de que, quando se encontrava de verdade a garota certa, as coisas mudavam para melhor. Agora, Pedro se sentia mais pronto e maduro, seria um bom marido, se esforçaria a cada momento para não cometer mais os erros do passado.
Resolveu relaxar, suspirando profundamente, e sorrir, vivendo a emoção de ver sua amada entrando pela igreja. Ele apressou um pouco os passos conforme Leopoldina e o pai se aproximaram, a recebendo com um aperto de mão do sogro, e em seguida, ficando ali do lado dela, com os braços entrelaçados.
—isso tudo é incrível, você é incrível — ele sussurrou para ela, emocionado.
—Obrigada, você também — ela olhou para ele rapidamente e então se viraram para ouvir as palavras do padre.
Houve um breve discurso sobre o amor de dois jovens, como o sentimento era arrebatador e podia fazer qualquer um tomar decisões mais sensatas, como a que eles estavam tomando naquele dia. Só depois, fez a pergunta essencial.
—Leopoldina, aceita Pedro como seu legítimo esposo, prometendo ser fiel, amar e honrar este rapaz, todos os dias de suas vidas? — a pergunta foi feita a ela.
—Sim — respondeu a moça, muito feliz.
—Pedro, aceita Leopoldina como sua legítima esposa, prometendo ser fiel, amar e honrar esta moça, todos os dias de suas vidas? — foi a vez de Pedro responder.
—Sim, eu aceito — ele disse olhando nos olhos dela.
Sem mais delongas, após trocarem suas alianças, compartilharam um beijo que selava sua união. Todos ali bateram palmas comemorando o que tinha acontecido, era uma felicidade enorme ver como os dois tinham chegado até ali, resolvendo fiarem juntos, mostrando que, essa era a melhor escolha que poderiam fazer.
Pouco depois, estavam todos de volta reunidos na Quinta, celebrando o casamento com uma grande festa. A comida estava à vontade para todos os convidados, até mesmo a família austríaca da noiva acabou provando um pouco da comida brasileira e aprovando mais as sobremesas. Os recém casados receberam os elogios e parabéns de seus amigos queridos, o que os deixavam muito gratos por tudo. Tinha sido um dia feliz e importante, que nunca sairia da mente e do coração de Pedro e Leopoldina.
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