Meia Volta ao Mundo
28 Capítulo 28
O que Pedro vinha pensando nos últimos dias era extremamente sério, mas tinha certeza que seria algo que alegraria seu pai e sua irmã muitíssimo. Por isso mesmo, sabendo das condições de saúde do pai, que eram um tanto delicadas, o jovem decidiu dar a notícia a João pessoalmente, de forma que ele estivesse preparado para o que estava por vir.
Leopoldina não estava na casa no momento, estava tendo aula no período da tarde, dedicada como sempre em seus estudos. João, por sua vez, estava no seu escritório. Pedro deu um suspiro para ganhar coragem antes de bater na porta.
—Entre — João convidou, mesmo sem saber quem estava ali.
—Oi, pai, será que podemos conversar por um instante? — perguntou o jovem.
—Claro, eu estou aqui pra te ouvir — seu pai voltou toda sua atenção para ele.
—Eu andei pensando muito desde que minha mãe e o Miguel foram embora — Pedro começou — sabe, eu detestei o jeito que ela tratou a Leo e como a Leo deve ter se sentido, mas na verdade, esse comportamento dela me levou a pensar mais um pouco e perceber uma coisa, que me fez decidir uma outra coisa...
—Ora, o que é isso tudo? — João acabou soltando uma risadinha — você sempre foi direto, por que todo esse tropeço de palavras agora?
—Pai, eu... quero pedir a Leo em casamento — Pedro disse de uma vez, já que o pai tinha pedido, esperando não assustá-lo tanto.
—O que? É disso que se trata? — João estava certamente assustado, mas seu coração aguentou a notícia — quando foi que... meu Deus, Pedro!
—Acha que é uma má ideia? Duvida da minha decisão? — o jovem o questionou, tentando entender sua opinião sobre o assunto.
—Não, não de maneira alguma — João balançou a cabeça — eu sei o quanto você é obstinado filho, o quanto é difícil mudar sua opinião quando coloca uma coisa na cabeça e se foi isso que você pôs na cabeça, estou muito feliz por você.
—Obrigado, pai, eu achei que ficaria feliz — Pedro conseguiu sorrir, mais relaxado.
—Mas tem algumas coisas que precisa considerar — o pai o interrompeu, tirando seu alívio.
—O que quer dizer? — Pedro questionou, intrigado.
—Casamento é uma união sagrada, algo para o resto da sua vida, é uma promessa eterna, até o fim de sua vida, se quer se casar, tem que estar disposto a cumprir com isso — João aconselhou — eu gostaria de ter vivido isso, mas não pude, eu me iludi quanto à sua mãe, mas não quero que isso aconteça com você, nem com Teresa, nem Miguel.
—Eu sei, entendo o que quer dizer pai — Pedro afirmou — o que eu sinto por Leopoldina é diferente, acredito que é um amor genuíno, mesmo, e estou disposto a passar o restante dos meus dias com ela, ela é o amor da minha vida, de verdade.
—Tem sinceridade e honestidade em tudo que está me falando, eu te conheço meu Pedrinho — João disse com orgulho e carinho — honre seus compromissos então, meu filho, eu amo você e amo Leopoldina como uma filha, vai ser um prazer tê-la na nossa família.
—Obrigado — Pedro agradeceu e abraçou João.
Com a benção de seu pai, ele esperava agora conseguir o sim de sua amada. Sua mente não conseguia pensar exatamente em algo criativo como muitos noivos modernos faziam seus pedidos de casamento, tudo que ele esperava é que Leopoldina estivesse em um lugar confortável e que aceitasse o pedido. Um bom lugar passou por sua mente.
Apressado, ele foi até a universidade em que ela estudava, procurando fazer uma surpresa. Leo ficou espantada, porém contente de vê-lo ali.
—Oi, Pedro, o que tá fazendo aqui? — ela perguntou.
—Eu vim fazer uma surpresa e te levar para um passeio — ele respondeu, sem perder o sorriso característico do rosto.
—Certo, então vamos lá — Leopoldina decidiu embarcar na aventura.
O lugar para onde eles foram não era muito longe de casa. A Quinta sempre tinha ficado perto da Floresta da Tijuca, uma área arborizada no meio da cidade, um paraíso escondido onde dava para se fugir da correria da cidade, onde Pedro tinha passado muito tempo da sua infância brincando.
—Eu queria ter me preparado melhor pra esse passeio, mas mesmo assim, obrigada — ela agradeceu, observando e admirando a natureza ao seu redor — eu queria ter vindo aqui com mais frequência.
—Bom, eu... fico feliz que tenha gostado — ele então parou de caminhar, limpando a garganta, se sentindo nervoso, ficando na frente dela — Leo, tem algo que eu preciso te falar.
—Tudo bem, você parece bem preocupado, então, fale — ela pediu, sem entender direito a situação.
—Leopoldina, você é muito especial pra mim — ele começou a declamar — você tem um jeito doce e gentil, é atenciosa, calma, não só inteligente, simplesmente brilhante, e eu sou grato por você ter decidido fazer parte da minha vida, e é por isso que eu queria te pedir de todo coração, que você aceitasse meu pedido. Então, aceita se casar comigo?
Ele se ajoelhou e lhe mostrou um anel, bem aos moldes dos contos de fada, como Leopoldina sonhou tantas vezes na sua vida. Mas certamente, o pedido a tinha pegado desprevenida. Ela tentou raciocinar rápido, mas o que Pedro tinha pedido era grandioso demais para ela processar tão rápido. Por um instante, ela ficou parada, retomando fôlego. Pedro a encarava na expectativa de uma resposta.
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