Mal dava para acreditar onde Leopoldina estava. Tinha plena convicção de que o Brasil era sim um país lindo, só de visitar alguns lugares e viver no Rio de Janeiro, mas Petrópolis aumentava ainda mais essa certeza. Podia ser a felicidade que estava sentindo por ser agora a esposa de Pedro que fazia a beleza do lugar se ressaltar.

Depois de observar a paisagem por muito tempo pela janela, tomou um longo fôlego, aproveitando o ar puro das árvores ao redor da casa de campo. Voltou a olhar para trás e viu Pedro ainda dormindo. Vê-lo daquela forma tão vulnerável lhe deu uma leve sensação de conforto, como se finalmente muitas das preocupações dele o tivessem deixado de vez e agora ele estava livre.

—Leo?... — ele murmurou baixinho, mesmo assim sua esposa ouviu, era como se ele tivesse lido os pensamentos dela.

—Eu estou aqui, meu amor — ela riu baixinho, se virando e se aproximando dele — como está se sentindo?

—Ótimo, extremamente feliz por você estar aqui — ele sorriu e a beijou.

—Eu também — ela resoondeu depois.

—Ficaria mais feliz se você deitasse aqui o dia todo comigo — Pedro sugeriu.

—Ah não, por mais tentador que seja, temos outras coisas pra fazer hoje, como por exemplo, explorar toda essa natureza linda ao nosso redor — estava tão empolgada com isso que seu diálogo foi expandindo até erguer os braços para enfatizar ao seu redor.

—Eu sabia que ia amar Petrópolis — ele sorriu, satisfeito — talvez te fizesse lembrar um pouco de casa.

—Ah um pouco sim, um pouco das árvores, mas só vou ter certeza disso se averiguarmos de perto — Leopoldina o convidou mais uma vez para levantar e acompanhá-la numa exploração.

—Você quer mesmo ir, então, minha alegria será satisfazer seus desejos, minha esposa — ele acabou a envolvendo num abraço repentino pelas laterais e enchendo seu rosto de beijos.

Um tempo depois, estavam mesmo fazendo o seu passeio pelos arredoresda propriedade, acompanhando o caminho da trilha. Pedro lhe ofereceu uma mão, que ela recebeu de bom grado, lhe dando um sorriso agradecido. Conforme caminhavam, ele a observava admirado, olhando tudo seu redor, falando sobre as árvores e todo aquele ar livre. Leopoldina era realmente especial e inspirada.

—Nós podemos vir aqui mais vezes, quando você quiser, pra revisitar todos esses seus lugares favoritos — Pedro prometeu a ela.

—Mesmo? Eu vou amar muito se fizermos isso, mas você também tem que querer fazer isso — ela deixou claro que se preocupava co a opinião de Pedro quanto ao assunto.

—É claro que eu vou querer vir, esse lugar aqui sempre me trouxe muita paz e tranquilidade, ainda mais tendo você aqui comigo — Pedro fez questão de deatacar.

—Você costumava vir aqui com o seu pai e sua irmã? — ela ficou curiosa sobre o assunto.

—Sim, algumas vezes sim, foi daí que me apeguei a Petrópolis, com certeza — ele confirmou.

—Pretende trazer nosso filhos aqui? Ou... bem, me desculpe, talvez seja cedo demais para falar de filhos — Leopoldina achou melhor se conter.

—Não, está tudo bem, não se preocupe — Pedro acabou rindo — foi um dos motivos pra nos casarmos, e eu quero sim trazer nossos filhos aqui um dia sim.

—Tenho certeza que eles vão amar, mas por enquanto, quero pensar em nós dois, na nossa casa e na nossa vida — Leopoldina retomou outro assunto — que planos você tem pra nós?

—Ah os melhores possíveis, podemos fazer mais viagens como essa, e apesar de eu amar viajar, sei que tenho que pensar no nosso sustento e tudo mais, estou focado no trabalho na Embaixada, e estou mais confortável com ele do que jamais imaginei que estaria.

—Pois é, Pedro, as coisas podem ser bem melhores do que aparentam — Leo brincou, mas com muita certeza do que estava falando — eu fico feliz que tenha entendido isso.

—Graças a você — Pedro parou o que estava fazendo para beijar seu rosto — e você? Será que posso devolver sua pergunta?

—Hã, acho que depende — ela brincou novamente — mas diga o que quer.

—Quais são os seus planos pro futuro? — ele disse sinceramente — a inteligentíssima arqueóloga, agora especialista em botânica e minerologia, sra. Bragança, pretende aplicar seus conhecimentos onde?

—Ah obrigada pelos elogios — ela comentou antes de prosseguir — eu acho que poderia lecionar em uma das universidades do Rio.

—Você seria uma excelente professora, com certeza — Pedro afirmou, se lembrando em como a ajuda dela foi crucial para que ele terminasse os estudos — mas mesmo decidindo ficar aqui, tem certeza que não sente falta da Áustria?

—Eu encontrei um lar aqui, Pedro, isso é bem verdade, mas eu posso visitar a Áustria sempre que puder, adoraria que você conhecesse o meu país — ela explicou.

—Vou com você pra qualquer lugar do mundo — ele respondeu com entusiasmo, a beijando logo em seguida.

Viver com Pedro seria realmente uma grande aventura diária, algo que deixava Leopoldina animada e feliz.