Meia Volta

1 Vim de longe para conseguir meu trono


Notas iniciais
Olá! Vim trazer algo diferente para vocês.
Sim, eu jogo LoL, sou Soraka Player, apesar de estar me tornando Morgana Player.
Baseados em fatos não reais, e na música tema do Mundial 2014 (que por sinal está muito bom) -q
Saindo um pouco dessa coisa de shipp o tempo todo, trago uma tentativa de ação fora do normal.
Thank you. ;)

Papai e mamãe me criaram para ser uma garota normal, com amigos saudáveis, levar a vida de uma estudante qualquer em uma universidade qualquer pelo país. Mas para sua tristeza, quase nunca foi assim. Em 2011 meu primeiro amor surgiu na tela do meu computador: um jogo chamado League of Legends. Talvez aquilo parecesse bobagem, mas eu realmente estava interessada em lutas e conquista de torres como aquele jogo me proporcionava. Eu era péssima: morria para minions, feedava o inimigo. Aquilo não fez diferença durante um ano, até que descobri o que eu tinha de errado: eu não conseguia jogar no top lane. Tentei todos, mid, suporte, jungle. Nada. Talvez aquele jogo não fosse para mim, até uma jogatina de ARAM. Dados rolaram até minha campeã ser a arqueira Ashe. “Não, eu nunca joguei com um campeão adc! Por favor, troquem comigo!”. Mas se eu aprendi algo com o tempo é que quase nenhum jogador é educado. Eu estava nervosa, mas parti como Ashe. Se eu tivesse dado uma chance para aquela guerreira há muito tempo atrás, talvez eu jogasse muito melhor: Ashe era como a personagem feita para mim. Não errava uma ult, e até meu time ficou impressionado!

Resultado particular: 25/3/11

Resultado geral: 31/12/24

A coisa começou a ficar séria quando decidi juntar-me às Partidas Ranqueadas. Bronze, prata, outro... Diamante. Não via o tempo passar, e não me importava o quanto eu tentasse, outros campeões eram impossíveis de serem jogados. Era eu e Ashe ou eu e nada. Meu nome chegou a ser conhecido, Sew The Lady era a “Ashe player demoníaca” que assombrava a bot lane, e não importava se o ADC ou Jungle inimigo era bom: ninguém escapava de mim quando eu usava Flash e Ignite. Sem querer me gabar, mas poderia ser a melhor jogadora da região em que eu morava... até que um dia aconteceu: uma Soraka no meu time, como minha suporte. Até aquele momento, todas as Sorakas que me ajudavam não conseguiam me acompanhar facilmente, mas havia algo diferente naquela: uma suporte sem Curar e Exaustão. No lugar desses dois, Flash e Ignite, assim como eu. “Idiota...” pensei, mas não desisti. “Talvez ela não morra tanto”.

E não morreu. Aquela Soraka definitivamente era incomum: era precisa, rápida, sabia jogar perfeitamente e me acompanhar incrivelmente. Sabia o momento de silenciar e dar Mana, de me curar e curar-se, segurar a lane enquanto eu voltava para a base... O pobre Blitz não conseguia pegá-la nunca, e quando o fazia, seu Silenciar e Flash eram mais rápidos. Ela deve ter percebido o quanto eu era boa, pois começou a entender todos os meus movimentos aos poucos, achando as melhores combinações e lugares estratégicos. Em uma partida nos tornamos imbatíveis. Ela não morreu nenhuma vez, enquanto eu apenas uma, por algumas bobagens graças ao meu sono. Ganhamos após 30 minutos de jogo, o que me deixou surpresa.

“Você é muito boa” disse pelo chat.

“Obrigada, você também foi ótima!” eu respondi agradecida.

Logo após um pedido de amizade surgiu. Kamsas era seu nome de invocador. Adicionei sem pensar duas vezes: poderia ser útil nas Ranqueadas uma Soraka daquelas! Porém... Não foram apenas Ranqueadas que se tornaram imbatíveis. Nossa amizade também era. Não falávamos sobre quem éramos de verdade, e talvez assim fosse melhor. Dizer que eu era garota já havia gerado muita polemica durante todos esses anos, e não queria perder minha Soraka Player para uma bobagem dessa. O tempo passou, encontramos mais jogadores bons, nos tornamos amigos, e decidimos formar um time fechado. De uma média de 30 jogadas, ganhávamos 29. Kamsas, Sew The Lady, Patucio, Lord of Montanha e Astolfa Feliz (cujo nome foi dado pela irmã menor do jogador) eram os melhores nas Ranqueadas.

O tédio nos dominou por algum tempo, não havia ninguém ao nosso nível, até que discutimos sobre competir em torneios. Nunca havíamos nos visto, mas morávamos razoavelmente perto, então seria fácil nos encontrar. Aquilo me deu um nó no estômago: “Nos encontrar? E todos descobrirem que sou uma garota?” eu pensava. Mas... Aceitei logo depois de imaginar como Kamsas seria.

Fair Players, esse era o nosso nome. Oficializamos um dia antes de nos encontrarmos. Vestiríamos camisetas brancas com o nome do nosso time escrito e logo abaixo o nome de invocador. Eu estava feliz, mas ao mesmo tempo nervosa: qual seriam suas reações? Provavelmente todos eram garotos, e talvez achariam estranho uma garota em torneios. Suspirei. “Vamos nessa.”

O ônibus parou apenas a alguns metros da praça marcada para o encontro, e enquanto eu andava, meu coração acelerava mais e mais. O primeiro que avistei foi Patucio, o Top Lane e Garen Player: alto e gordinho, cabelo arrepiado e um rosto alegre. Ele falava com o garoto que seria Lord of Montanha, nosso Mid Lane, com cabelos pretos e lisos que quase cobriam as orelhas, magrelo e muito alto. Assim que Patucio lançou os olhos em minha direção, seu rosto ficou sério. Lord of Montanha olhou para trás e também pareceu sério, mas tentou esconder com um breve aceno. Sorri meio torto e me aproximei, meio sem graça por ambos não mudarem a expressão. Astolfa Feliz era um garoto com cabelos castanhos claros e encaracolados, porém curtos. Nosso Jugle tinha os braços fortes e o corpo bem cuidado, não era a toa que só jogava a noite. Seus óculos vermelhos enormes quase caíram ao me ver, e seu rosto corou. Diferente dos dois ele pareceu alegre com a situação e puxou assunto comigo até Kamsas aparecer gritando pelo nome do nosso time. Ele era alto e branquelo, mas tinha um rosto adulto e cabelo loiro e raspado, uma barba rala e olhos castanhos claros.

Ele parecia saber quem eu era pois na maior indiferença se aproximou e me entregou uma caixinha.

- Para a minha ADC preferida. – ele disse, o que me fez assustar. Ao abrir a caixa, um colar com uma pedra azul brilhava. Em formato de flecha, era como se representasse Ashe, a arqueira. Sorri automaticamente, colocando o colar.

- Obrigada, minha Soraka preferida! – dei um soquinho em se braço forte. Eu não sou uma garota antissocial assim como todos acham que jogadores são, pelo contrario, gosto de conversar com as pessoas e graças a isso meus pais aceitaram bem minha decisão de me tornar jogadora. Sem dramas familiares dessa vez, por favor!

O torneio daquela pequena cidade teria como prêmio, dinheiro o suficiente para pagarmos as passagens de volta para nossas cidades, então deixamos proposta a ideia de que se ganhássemos, usaríamos aquele dinheiro para as passagens e o nosso dinheiro economizado seria gasto em um restaurante para comemorarmos. Patucio e Lord of Montanha, cujos nomes eram Erick e Max respectivamente não paravam de me encarar e cochichar, até chegarmos ao local do torneio. Lenri, invocador Astolfa Feliz conversava com Petro (Kamsas) sobre estratégias para ser um bom Jungle, enquanto eu andava observando tudo o que era possível: os jogadores, os juízes, as decorações e a pequena plateia. Não era um torneio grande, mas era perfeito para começarmos algo sério.

Assim como esperado, todos os outros jogadores me encaravam com certo “nojo” em seus olhares críticos. Talvez aquele não fosse o lugar para uma garota, talvez se eu seguisse o que papai e mamãe me falaram durante anos, eu seria uma garota pacata que critica esse jogo. “Não, eu estou aqui para quebrar os padrões. Vamos Victória, você consegue!” disse para mim mesma.

Os primeiros cinco minutos de jogo não foram impressionantes, até meu First Blood seguido por um Double Kill. Todos ficaram em silencio e assustaram por eu ter sido a causadora dos primeiros dois Kills. Petro estava do meu lado e sorria sempre que um Kill surgia, e dessa vez, como estávamos lado a lado e usando microfones, podíamos nos comunicar sem usar o chat. Eu dava dicas aos outros jogadores, alertava-os quando inimigos desapareciam e assim todos começaram a confiar em mim: eu podia não jogar em outras Lanes, mas tinha noção do que poderia acontecer em cada uma. Ganhamos o nosso primeiro torneio aquela noite, então saímos para comer num restaurante chinês.

- Sério Vic, você foi demais como sempre! – dizia Max.

- É verdade, valeu pelas dicas! – disse Erick logo atrás do magrelo.

- Vocês dois não botavam fé nela até ela começar com os Kills, menos babação ein? – bufou Lenri, me fazendo rir.

- Já me acostumei com essas reações, mas geralmente as pessoas somem quando eu digo ser uma garota. Daí eu parei de falar sobre mim. Não culpo vocês dois! – eu disse apoiando uma mão em cada um. Petro só sorria e seguia em direção ao restaurante a nossa frente. Aquela noite foi a primeira de muitas em que nos reunimos.

Com o passar de meses, nossa poupança foi tamanha que montamos um escritório pequeno para nossos treinos em uma cidade razoavelmente perto para todos. Três, quatro, dez, onze vitórias. Éramos realmente bons e com o tempo, gírias e apelidos surgiam. Rumores se espalhavam e nosso time era temido nas competições, tínhamos um grupo de fãs. Até que...

- Galera, fomos aceitos nas nacionais!!! – dizia Max mais vermelho que um pimentão, arfando mais do que nunca. Eu ajoelhei e berrei de alegria enquanto Erick e Lenri berravam palavras aleatórias, típicas de garotos bobões. Senti os meninos sobre mim e um montinho se formou. O riso era enorme ficamos daquele jeito até eu perder o folego com tanto peso em cima de mim. Lembro-me de treinarmos duro, de chegarmos ao grande estádio, onde dez times se encontravam. Eu já estava mais confiante, apesar de o fato de ser uma menina ainda me atormentar. Sempre que aquele nervoso chegava, Petro apertava meu ombro que se soubesse sempre como eu me sentia. Não era a toa que nos dávamos tão bem.

As nacionais nunca trouxeram tantos jogadores ao nosso nível, tornando nossa jornada um pouco complicada. Um dos times era muito forte, mas graças ao tempo para ressurgir, conseguimos levar as torres restantes e o Nexus. “Talvez se nos preparássemos mais para jogadores ao nosso nível, teria sido mais fácil”. Martelava em minha mente. O fato era que eu me tornara mais ambiciosa e competitiva a partir daquele dia. Meu foco era chegar até o Mundial, poder ver a taça em minhas mãos e...

- Vic, ganhamos! Ganhamos as nacionais! – Petro me abraçava enquanto eu estava sentada, vidrada na tela em que anunciava a nossa vitória. Eu estava perplexa: havíamos ganhado as nacionais... O próximo passo...

- O Mundial. – sussurrei, levantando lentamente da cadeira, retribuindo o abraço de Petro.

- Sim, Ashe, vamos para o Mundial! – meus olhos se encheram de lágrimas. Como... Como era possível? Meu coração acelerava mais e mais. Eu era tão ruim e tão...

***

Acordei no sofá do nosso escritório. Erick me encarava preocupado, e se aproximou quando abri os olhos.

- Você está bem, Vic? Ficamos preocupados quando você desmaiou no meio da alegria... – ele disse colocando uma das mãos em minha testa para certificar-se de que eu não estava com febre.

- Eu não me lembro de ter desmaiado... – eu disse lentamente me acomodando no sofá. Petro levantou-se da mesa em que estava sentado e veio logo para perto preocupado. Sorriu de um jeito que me fez me sentir menos nervosa.

- Você estava tão feliz que desmaiou ainda nos meus braços. Os médicos chegaram à arena a tempo, disseram que foi uma leve anemia, e pediram para você repousar. Te trouxemos para cá. Ainda bem que o torneio era aqui perto! – ele esfregou a mão no meu cabelo castanho.

Aquilo não era um problema tão grande, eu só precisaria cuidar mais de mim. E realmente eu estava tão focada que nem percebi que meu corpo pedia por ajuda e descanso. Em menos de dois meses seria o Mundial, então me dediquei a me cuidar e treinar apenas a noite. Petro morava em uma cidade a 15 minutos de onde eu morava, então praticamente todos os dias ele ia a minha casa para treinarmos juntos.

- Por que você escolheu a Soraka para jogar? – eu perguntei, enquanto farmava um pouco.

- Eu nunca gostei de matar os inimigos, e meu maior desafio sempre foi sobreviver até o fim. Eu acho isso mais interessante, além de cuidar da minha ADC desastrada! – dizia ele enquanto silenciava uma Vayne que estava para me atacar. Por sorte fomos rápidos e a afugentamos.

- Mas por que não um suporte mais forte ou com mais ataque? Soraka é tão fraca... Ninguém realmente gosta dela.

- Porque minha Ashe não precisa de mais ataque vindo do suporte. – ele disse enquanto lançava o Ignite na Vayne que procurava me abater novamente. – e eu acho que alguém precisa acabar com esses preconceitos e generalizações, afinal é um jogo livre para qualquer um. — Virei-me em direção ao garoto que jogava sentado em minha cama e sorri. Ele era um suporte e tanto.

“Kamsas eliminou um inimigo”

***

Sentei da cadeira com o meu nome, já nas finais do Mundial. Havíamos chegado tão longe... Só faltava mais aquele time para definir o primeiro e o segundo lugar. Estávamos ambos nervosos e impacientes, queríamos logo receber nosso tão merecido premio. Petro foi o primeiro a falar.

- Não importa se pegarmos o segundo lugar, estamos aqui e isso já é importante demais! Vamos dar o nosso melhor!

Nós só respondemos um “Sim!” em coro e nos preparamos. Banimos os personagens deles e então...

- Ah não. – Max dizia.

- Merda... – bufou Lenri.

- Vic... Você...

- Eles baniram a minha Ashe. – eu disse inconformada. – Petro... E agora... – comecei a tremer.

- Use sua segunda campeã. Você pode não tão boa quanto é com a Ashe, mas tente! – ele disse com um sorriso.

Suspirei fundo e escolhi: Miss Fortune. Petro escolheu Morgana. Senti que ele também estava meio apreensivo, pois há muito tempo não jogava com outro suporte a não ser Soraka. Fechei meus olhos enquanto os computadores carregavam. Seria apenas um jogo: quem destruir o Nexus primeiro será o melhor do mundo. Na Bot Lane inimiga, uma Caitlyn e uma Sona. “Ótimo. Para piorar estamos em desvantagem!” pensei.

- Certo gente. Não importa o que aconteça: avancem, mas não percam torres. Coloquem wards estratégicas, protejam-se. Mid, segure firme, Top, farme o quanto possível e bot... – eu suspirei – vamos acabar com os padrões desse jogo!

Todos se prepararam. O jogo começou. Peguei meus itens o mais rápido que eu pude e comecei a seguir o caminho para a lane. Petro vinha logo atrás, com uma build que eu já conhecia mais ou menos. Ele tinha uma carta na manga, mas não sabia quando e se saberia usar. Havíamos treinado antes, mas apenas com a Soraka funcionara. “Bom, sempre existe uma primeira vez.” Eu pensei.

Os minions se aproximavam, rapidamente coloquei uma Ward entre os caminhos da Jungle e a torre, enquanto Petro colocava outra no mato próxima à nossa torre. Foi quando a vi: Caitlyn estava escondida, e num rápido movimento, Petro paralisou a campeã com seu poder. Rapidamente lancei a habilidade Dois por Um, mas a vida de Caitlyn não descia rapidamente. Lancei Ignite para tentar mata-la, mas não consegui. Morgana então usou seu Flash e lançou outra esfera e então matou-a. Pouco me importei se Petro pegara o kill, pelo menos estávamos bem. Mas onde estava...

- Sona atrás de você! – disse Petro correndo o mais rápido que podia. Lancei minha habilidade, mas aquela Sona sabia jogar. Acumulou seus poderes e lançou sua passiva em mim. Morgana revidou e lançou sua esfera, usou seu Curar e rapidamente usei novamente Dois por Um.

“Você eliminou um inimigo!”

Minha tela brilhou. Olhei para Petro, mas logo percebi algo estranho. Minha vida desceu e logo vi um Master Yi nos abatendo. Morgana tentou lançar outra esfera, mas não deu tempo.

“Um inimigo eliminou Kamsas”

- Corre Vic! – Petro berrou pelo microfone. Eu estava no meio da Lane, e o Master Yi estava me seguindo. Ele ia me matar se eu não corresse mais rápido. – Flash Vic, usa o Flash! – porém as palavras de Petro demoraram a entrar em minha mente. Com um Q certeiro, Master Yi me eliminou, avançando a Lane enquanto não retornávamos. Eu estava em choque. Por que eu não reagi?

- Me desculp...

- Bot, não é tempo pra brincar, fala sério! – a voz de Max passou pelos meus ouvidos enquanto eliminava a Lux inimiga na Mid Lane com seu Veigar.

- Cala a boca Mid, você sabe que ela não consegue jogar com outro campeão direito! – disse Erick. Não foi querendo me magoar, mas me senti para trás.

- Eu vou jogar direito, só por favor não gritem!!! – eu berrei sem pensar. Petro assustou mas entendeu. Voltamos para a nossa lane, onde conseguimos avançar consideravelmente. Master Yi se aproximou novamente, mas a esfera da Morgana foi mais rápida dessa vez. Lancei a Chuva de Disparos e logo em seguida a Dois por Um. Ignite e mais alguns disparos da minha passiva abateram o Jungle inimigo. Estávamos indo bem.

O tempo passou. 57 minutos de jogo. Estávamos com uma torre em cada Lane, e o Mid inimigo sem nenhuma. Meu coração estava começando a acelerar: talvez fossemos realmente vencer! Abatemos a Sona e avançamos. Derrubamos a segunda torre inimiga, mas algo estava errado: onde estava Caitlyn?

“Um inimigo eliminou Lord of Montanha”

- Merda! A Caitlyn tá no Mid! Vou demorar para ressurgir! Vic, segura! – Max disse quase desesperado.

- Pode ir Vic, eu seguro o Bot! – disse Petro. Suspirei. Era apenas eu e a maldita Caitlyn agora.

“Vai tentar solar, Miss?” disse a Caitlyn.

“Vou proteger a Lane, você quis dizer.” Eu realmente não estava a fim de brigas bobas agora. Já estava nervosa pelo fim do jogo.

“Tente então, Ashe Player!”

Quando eu cheguei no meio da Mid Lane, comecei a limpar. Os minions eram muitos, a Chuva de Disparos não era tão forte como eu queria que fosse.

- Veigar... Quando quiser ressurgir.... – eu suava frio. Caitlyn atirava e arrancava a minha vida drasticamente, até que um Garen surgiu rodando no meio da Jungle, e logo silenciando a Caitlyn, abrindo caminho para eu terminar o serviço, mas infelizmente a garota usou o Flash, e fugiu. Aliviada, consegui segurar a Lane até Max voltar, mas então tudo foi muito rápido.

“Um inimigo eliminou Patucio”

“Um inimigo eliminou Astolfa Feliz”

“Double kill inimigo!”

Dei uma olhada para o mapa: Master Yi e Jax estavam se aproveitando da nossa fraqueza, e eu seria a próxima. Rapidamente voltei base e esperei. Eu não conseguiria sozinha apenas com o Veigar, que segurava e conseguia mais um Kill em cima de Jax, mas abatido por Master Yi.

Ressurgimos e logo avançamos pelo mid.

- Vic, é agora. – disse Petro. Concordei e começamos a avançar. Caitlyn já estava de volta e avançando pela Mid Lane, e logo a paramos, nos esforçando para abatê-la. Porém Sona e Jax também estavam na lane então as coisas se tornavam mais difíceis.

- Agora, Max! – eu berrei.

Veigar paralisou os três jogadores inimigos, lançando todas as habilidades possíveis, o mesmo que eu fazia. Morgana entrou no meio dos três e ultou. Os inimigos tentaram abatê-la, mas como esperado que Petro, usou a Zhonya, o que fez a ult terminar, eliminando Sona, e por pouco Caitlyn, que acabou morta por mim. Jax fugiu pela Jungle, mas Veigar foi atrás, onde não durou muito.

Avançamos mais um pouco, Rengar completava os objetivos, matando o dragão e logo pedindo ajuda para o Baron, o que não demorou muito para fazê-lo. Estávamos indo bem, e íamos vencer. Eu estava com metade da vida, mas não me importei, faltavam apenas as duas torres, e tudo o que eu queria era acabar logo com aquilo.

- Não voltem – eu sussurrava.

“Um inimigo eliminou Patucio”

- Não voltem...

“Um inimigo eliminou Lord of Montanha”

- Não voltem! – eu já começava a levantar a voz.

“Um inimigo eliminou Astolfa Feliz”

- Não voltem agora!!! – eu berrei quase levantando da minha cadeira. Uma torre já era. Faltava a outra onde os minions já quase levavam.

“Kamsas eliminou um inimigo!”

- Kamsas! – eu gritei.

- Ok! – disse o garoto seguindo em direção à torre. Os inimigos se aproximavam, as super-tropas eliminavam a ultima torre e se dirigiam ao Nexus. Meus disparos não eram o suficiente até que Caitlyn surgiu para me abater. Recuei um pouco, mas queria acabar logo com aquilo. Fiz tudo o que pôde, usei tudo o que tinha, estava suando frio, mas eu não era o suficiente sozinha. Caitlyn estava com menos de 20% da vida, assim como eu, até que o vi: ela iria usar a ult em mim. Fechei os olhos e corri. Se eu morresse, demoraria demais para renascer e ficaríamos sem ninguém para defender e terminar tudo. Tentei usar a minha ult, e assim que a ult de Caitlyn foi ativada, vi um brilho diante à minha Miss Fortune: Kamsas usara o Flash para me proteger.

“Um inimigo eliminou Kamsas”

Mas felizmente, com a minha ult ativada e Caitlyn no campo de alcance...

“Você eliminou um inimigo!”

- Agora, Vic!!! – diziam todos. Corri até o Nexus, porém Jax já renascia e vinha em minha direção. Usei a lentidão em cima dele e foquei no Nexus: menos de 30% restantes!

- Eu não vou conseguir!! Eu tenho que voltar! – estava lacrimejando. Era a primeira vez que conseguia usar outa campeã e segurar firme, mas infelizmente iria morrer.

- Quebre o padrão, Vic! – ouvi Petro dizer, bem na hora em que Jax pulava em mim. Tudo ficou lento, e então apertei um botão. Usei meu Flash e golpeei o Nexux mais um pouco. Senti as lagrimas escorrendo enquanto meu rosto esquentava e ficava nervosa. Meu coração acelerava mais e mais, já não aguentava mais aquela tensão e então tudo travou.

“Você foi eliminado”

Me joguei na cadeira mas logo senti uma mão em meu ombro. Abri lentamente os olhos enquanto olhava para a enorme tela voltada para a plateia que estava delirando. “Nós perdem...”

“Vitória!”

- Você conseguiu Vic... – Max me olhava embasbacado.

- A super- tropa atacava o Nexus enquanto o Jax focava em você... – Erick estava pálido.

- Você usou uma ADC diferente na final do mundial, Vic – sorriu Petro.

- Nós... Nós...

- Nós ganhamos Vic, somos os melhores desse ano! – disse Lenri me abraçando.

Me levantei e olhei ao meu redor. A torcida berrava pelo nosso nome, que estava brilhando no enorme telão, o locutor dizia uma mesma frase em várias línguas diferentes, enquanto no céu vários fogos de artificio brilhavam. Eu estava inconformada, mas ao mesmo tempo confiante de que era verdade.

“Eu quebrei os padrões” eu pensei. “Eu não voltei, não dei meia volta e não desisti... Eu... Nós, nós fomos os melhores guerreiros desse ano...”

O primeiro toque na enorme taça de campeões foi minha. Logo em seguida Max e Lenri brigavam por um lugar na frente da taça. Erick e Petro se contentaram a olhar para aquele objeto brilhante, ainda não acreditando que era nosso. Nós éramos fortes e agora tínhamos o nosso lugar no trono. Éramos os guerreiros que construíram essa cidade a partir de poeira, a cidade em que os padrões foram quebrados pela primeira vez.

Notas finais
Obrigada por ler!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!