Meia Lua

6 Aqueles que sabem


Notas iniciais
Toda a explicação de física do Franja é fictícia, ok?

— Para, Cascão!

— Me solta, Cê! Vou espancar aquele cretino! — Ali estava ele, apenas um ano mais velho, dizendo que matara todos os seus amigos. Nunca! Aquela versão canalha de si mesmo fora capaz de levantar a mão pra Magali? Pro Cebola? De matá-los? E voltar pedindo a ajuda deles?

— Não, Mônica!

— Ele é que não vai escapar de mim! — Cássio esperava pelo golpe, mas foi como levar um coice no queixo. Viu estrelas e caiu no chão. Sentia gosto de sangue. Foi erguido pela camisa, e ela preparava outro soco. — Como você pôde? Nós viemos ajudar vocês!

— Só eu não sei o que é um Obsessivo? Gente? Onde ele entra na história? A gente não virou zumbi? — DC olhava curioso pro grupo exaltado.

Mauro ajudou Cássio a levantar e se pôs entre ele e o grupo. O automail do braço tinha travado alguma coisa na queda.

— Sério, se Mônica não tivesse te batido, eu teria feito isso. Pior. Escolha. De palavras. Da História. — sussurrou com raiva — Mônica, o Fred chama Obsessivos de zumbis, mas não é a mesma coisa. A gente chama de Obsessivos por falta de palavra melhor. São os infectados. Não tem cura, não tem melhora. No nosso futuro, as pessoas infectadas têm fome de carne humana. Não dormem, não bebem, tem surtos de violência, começam a apodrecer vivos. Pode levar semanas pra morrer.

“Não são mortos animados por magia ou por vírus. Você está preso lá dentro, mas não é dono da sua vontade. Eu não consegui livrar vocês sozinho. Só por passar muito tempo em contato, adoecemos muitas vezes. Parei de contar quantas vezes quase morri. Se um dia eu for mordido... — Olhou um segundo a mais pra Cássio — Eu espero que ele esteja lá pra acabar comigo.

Se vocês tivessem virado zumbis, eu não daria a mínima. Mas vocês estavam vivos, droga. Tinham nos salvado. O que você teria feito em nosso lugar, Mônica? O que você teria feito com seus amigos tentando te matar contra a vontade?”

Mônica não respondeu. Ficou olhando pros dois, piscando muito pra não chorar.

— Desculpem. Eu não sabia...

— Eu sei. — Olhou para Cássio como quem diz: Você começou, agora aguente. — Fazer isso com vocês foi necessário, mas ainda assim nos destruiu. Nós quatro. Fred está doente, Cássio está... assim. — Apontou pro homem atrás dele. — Eu preciso usar magia o tempo inteiro pra não pirar de vez. Luca é o mais normal, não faço ideia como: Fica preso num lugar cheio de metal e tubos com três malucos, que podem ou não sumir e deixá-lo sozinho.

Num minuto, Cascão queria dar um soco nos dois; agora parecia querer lhes dar um abraço. Mônica e os outros os encaravam, tentando processar tudo aquilo. DC caminhou devagar entre as pessoas paralisadas. Chegou a dois passos de Mauro e Cássio.

— Eu sabia que era ruim, mas não que era tão ruim. Meu eu futuro, ele machucou alguém?

— Não.

— Obrigado. — Curvou-se numa saudação formal. — Obrigado por me impedir.

— Me perdoe por não ter conseguido libertar você, irmão. — Mauro respondeu, curvando-se também.

­— Tudo sussa. Obrigado, Cascão. Obrigado por cuidar do meu irmão mais velho — Curvou-se novamente.

— Não se preocupe, fico de olho nele.

— Vejo vocês depois de amanhã. — DC espreguiçou-se e foi até a Mônica — Não chora, Mô. A gente vai ficar bem. Quer ir lá pra casa, tomar um suco? Ou quer que eu te acompanhe pra sua casa? — Mônica escondeu o rosto no peito do DC. Ele escutou um abafado:

— Quero ir pra casa.

DC a abraçou com suavidade, falando baixinho enquanto acarinhava seus cabelos.

O rosto de Mônica queimava de vergonha. Não conseguia imaginar um mundo tão brutal em que sua força, a inteligência do Cebola, a magia da Magali, e mesmo as habilidades físicas do DC tinham sido derrotados. Em que a única saída pra viver mais um dia era matar os amigos. Olhou as pessoas ao redor, de dentro do abraço do DC. Saberia sobreviver num mundo em que eles não estivessem?

Magali não continha as lágrimas. Tanto sofrimento. Tanta dor. Aquilo precisava ser impedido. Cebola a abraçou, tentando não chorar também. Cascão olhava pra si mesmo, no futuro: Porque ele tinha feito tudo aquilo? Por que ele segurava com tanta força a mão do Nimbus?

— Desculpem. — Todos olharam pro Cebola. Ele olhava diretamente pra Cássio e Mauro, mais uma vez senhor de si. — Eu não tinha entendido a gravidade do problema. Esse...doutor precisa ser impedido. E será. — Olhou pro Cascão, que sentiu que podia respirar de novo. Aquele era o Cebola que admirava, confiante, imbatível. Podia acreditar nele. Ele não deixaria acontecer. — Depois de amanhã, senhores. Aqui mesmo, antes da escola. Esse plano não vai falhar.

Os outros foram se dispersando. Cássio e Mauro seguiram na direção do laboratório do Franja. As meninas e DC foram caminhando pra casa. Mônica e Magali seguiam juntas, de mãos dadas, como se saíssem de um funeral. Cebola recolhia os papéis e plantas, Cascão decidiu ajudá-lo.

— Fala logo, Cas.

— Estou com medo, Careca.

— Vai dar tudo certo, brô. — Levantava-se, os braços cheios de coisas— O Franja largou tudo aqui, caramba? Me ajuda a levar essa papelada pra casa.

***

— É estranho chegar aqui e não ver seus pais.

— Eles têm saído muito juntos. Com a gente nesse monte de reuniões secretas e tal, tô achando ótimo. Mariazinha tá na casa de uma amiga, então tudo beleza.

— Posso ficar por aqui hoje? — Cebola virou-se e pareceu ver o Cascão pela primeira vez naquela tarde.

— Cas, o que tá errado?

— Cebola, eu tô com medo de mim. Esse maldito ciborgue cai do céu me dizendo que em menos de um mês o mundo vai acabar e eu vou matar todo mundo que eu amo. Todo mundo, Cê. Você. Mônica. Magali. Se ele estiver falando da Cascuda também? Dos meus pais? Ele perdeu tudo, careca. Vocês. O braço. Tem um pedacinho de metal no lugar do meu pé! Meu , cara! — Apontou o pé, pra enfatizar as palavras.

“Depois daquilo, não tem como não acreditar. Ele tá falando a verdade. E se já tiver alguma coisa, algo realmente ruim aqui dentro, e vai me transformar num assassino em massa? Em três semanas?

Falava rápido, a testa grudenta de suor. Cebola era seu melhor amigo, e era inteligente. Ele perceberia se Cascão fosse um tipo de psicopata, né?

— Você conhece minha família. Meu tio, Capitão Feio. Minha prima, Tonica. E se eu ferrar com tudo, e a culpa do mundo acabar for minha? Se algum pedaço meu quiser que tudo vá pro saco? — Estava pirando há horas — O maluco com a minha cara e a minha voz olhando nos nossos olhos e dizendo: Eu matei vocês. Isso não te deu arrepios não? Aquele ali era eu! Eu-

— Cascão, para. Agora. Me escuta. — Cebola o segurava pelos ombros. — Aquele Cássio é completamente pirado. Ele não é você. E eu vou me certificar de que você nunca precise fazer as escolhas que ele fez.

Viu nos olhos do amigo o quanto ele era grato. Era estranho ter o colchão ao lado da sua cama depois de tanto tempo. Cebola continuava preocupado. Seus pais chegaram, jantaram juntos e ele estava normal. Depois que deitaram, ele ficou em silêncio.

— Eu não vou ser o único, Cebola. — dizia, com uma certeza diferente na voz.

— Hum, o quê? — Um pouco mais acordado. — Único de que, Cas?

— Pensei muito, e por mais que eu admire o Cássio Exterminador do futuro por ter chegado tão longe, eu não vou ser como ele. Nem ferrando. Não vou matar meus amigos. Nem agora, nem em três semanas, nem nunca.

Suspirou. Dizer em voz alta tornaria tudo real.

— Se algo der errado, e o fim do mundo chegar, eu não serei o único a sobreviver. Eu vou morrer com vocês.

***

— Cara, tem muita coisa errada aqui. Seu braço (ou o que restou dele) ainda não cicatrizou pra instalar um automail. Sua perna também. — O olhar de Franja era reprovador. — Fui eu quem fiz essa instalação? Isso tá uma bagunça.

— Você é sensacional com mecânica, mas um péssimo cirurgião. E ele não ajudou em nada. Nenhuma das vezes. Por favor, estoque vodca no seu laboratório. E cordas mais macias.

— Faça o que puder, Fred. Eu tenho que estar em forma amanhã.

— Não dá pra fazer quase nada num dia. Pegue. — Entregou um largo smartphone preto — Tem uma conta associada. Baixem todos os livros médicos que puderem. Vou deixar os consertos grandes pro meu eu futuro. Vou baixar os manuais dos automails também, e manter esses aqui funcionais. O que você fez com eles? Sua lente tá completamente frouxa.

— Levei um soco da Mônica. — Franja não conteve a risada.

— Pelo menos não foi uma coelhada! Vou substituir essa peça. Desativo por um minuto. Está enxergando? Não? Ok, vou retirar a lente e a câmera. O que aconteceu com seu rosto, Cas?

— Não lembro. Quando acordei, não enxergava nada desse lado. Quando cheguei aqui no laboratório, não queriam me deixar entrar. Eu estava coberto de (melhor pular essa parte), atordoado, faltando alguma coisa. Souberam que não estava infectado quando eu comecei a gritar no interfone pedindo um banho.

Mauro e Franja caíram na risada. Cássio sorriu um pouco.

— Eu não lembrava disso! Franja, esse aqui é o seu telefone pessoal? Você está dando pra mim?

— É um deles. Por favor, Nim, quero dizer, Mauro, tem um carregador a dínamo naquela prateleira da esquerda. Leve com vocês também. Cássio, isso pode incomodar um pouco. — um barulho de motor encheu o silêncio.

— Cássio — sussurrou, enquanto Mauro procurava o carregador — Esse implante nunca funcionou, né?

Cássio sorriu, como se partilhassem de uma piada particular.

— E isso iria dar certo como? Eles estavam desesperados pra ajudar. Não conta pro Mauro, por favor. Você faz próteses sensacionais, mas com todo o respeito, é um açougueiro. Você acha que consigo andar pelos seus conhecimentos de medicina?

Franja sorriu. Se Cássio não percebeu que em todos os momentos tensos Mauro protegia justo o seu lado cego, não seria ele a contar.

— Vou instalar uma câmera térmica aqui. Luca vai poder te ajudar daqui do laboratório. Não posso te fazer enxergar através dela.

— Eu sei. Obrigado.

Mauro voltou com o telefone na mão.

— Tem certeza, Fred? Isso aqui tá cheio de fotos suas e da Marina. Tem até um desenho dela na parte de trás.

Franja olhou pro celular com ternura.

— Eu a amo tanto que não consigo raciocinar bem quando brigamos. Vejo a beleza da vida através dela. Pensar em viver um ano inteiro sem saber se está viva ou morta, perdida num mundo de monstros...Me angustia. Não consigo imaginar como ele deve se sentir. Talvez ver essas fotos ajude o Frederico do seu futuro a lembrar, e se sentir um pouco melhor. Tem um cabo de carregamento na gaveta. Tem também uma caixa. Leve com vocês.

— Não seria a mesma coisa eu procurar essas coisas no laboratório do nosso futuro? Ah. Fred disse que tinha levado algumas coisas para o novo apartamento. Não é longe, mas a gente não entra em prédios.

— É lógico. Zumbis demais, pouca proteção. Luca tá cuidando bem de vocês.

— Não são exatamente zumbis, mas te explico melhor depois. Essa caixa. Franja, melhor não.

— Ainda não vou usar. Mas achei essas perfeitas. Na possibilidade da Marina do futuro ser resgatada e ainda quiser. Eu posso comprar ou fazer outras, já que não teremos apocalipse por aqui.

— Você acha que nosso futuro não vai mudar tanto assim? — Franja concentrou-se em conectar os últimos circuitos do olho.

— Talvez. Nenhuma máquina do tempo é muito precisa. A viagem de volta é bem mais fácil, mas a de ida... É possível escolher a data, hora e segundos, e normalmente permanecemos numa realidade semelhante, em que os grandes acontecimentos se mantêm iguais. Mas conseguir exatamente o passado, ou o futuro, do universo do qual se saiu...em todo o multiverso...é uma chance infinitesimal.

— Você tá dizendo que estamos no passado errado?

— Muito provavelmente. A realidade é como um tecido, com milhares de pequenas ramificações. Sair de um fio e voltar exatamente para o mesmo fio lá na frente...é quase impossível. Acho que se vocês estivessem no passado certo, no momento em que algum de vocês encontrasse sua versão passada, haveria algum tipo de choque. Não aconteceu nada. Também acho uma má ideia levar tanta coisa desse passado com vocês.

Mauro precisou sentar. Todo aquele esforço... os meses de sacrifício...E todo o mundo vai continuar morto e o mundo acabado? E se o acidente nesse...lugar em que estavam nunca fosse acontecer? Ele sabia que Franja estava apenas passando informações, como sempre, sem entender o efeito que estava causando.

— Cássio, está doendo?

— Não.

— Então relaxe e olhe pra frente, pra eu regular isso aqui.

Mauro aproximou-se em silêncio. Segurou a mão direita de Cássio, que a apertou até sentir dor. Mesmo assim, não largou. Precisava de apoio, e Franja simplesmente não entenderia.

— Então, se a gente levar essas coisas... Levar o Shkreli...todo nosso tempo vai sumir? A gente vai sumir?

— Podem sumir, não digo que irá. Levar uma pessoa que está morta no seu tempo com vocês...Nem tenho como prever as consequências. Pode não acontecer nada, ou abrir um buraco no tecido da realidade. Somos macacos que há dois séculos nem sabíamos do multiverso, o que dirá como viajar por ele.

— Se tudo isso é verdade, porque diabos você tá nos ajudando?

— Aqui a Mônica e os outros já fizeram viagens longas sem consequências graves. Então empiricamente posso dizer que não terá muitas consequências. No tempo de vocês, não posso garantir. Assumo que minha versão do seu futuro tenha explicado isso pra vocês.

— Não, não explicou. — Internamente, xingava todos e cada um dos ancestrais de Fred.

— Além do mais, já está feito. O que eu posso dizer com certeza é que uma nova viagem pra desfazer a antiga é sempre desastrosa. Tudo que posso fazer é garantir a melhor chance possível pra vocês voltarem e salvarem seu mundo. Cássio, me mostra essa perna em que você está tentando não se apoiar.

Cássio sentou-se, sem expressão, toda a emoção concentrada na mão que apertava a mão de Mauro como se sua vida dependesse disso. Mauro olhava pra baixo, segurando a mão humana do amigo com as duas, tentando se equilibrar com a esperança partida mais uma vez.

***

— Como é, Cascão?

— Você ouviu. Se seu plano não der certo e nosso mundo acabar eu vou morrer com vocês. Não vou ficar pra trás.

Cebola sentou-se, completamente acordado. Algo na voz do Cascão o arrepiava. Uma certeza. Um alívio perceptível.

— Você tá falando de se matar, Cascão? — perguntou baixinho, quase pra si mesmo. Procurava freneticamente alguma conversa, alguma memória. Ele já tinha falado disso antes? Dado algum sinal?

— Não, não é isso. Pensei muito nesse negócio de “viver a qualquer custo” e decidi que não é minha praia. Não vou me matar, nem matar vocês. Nunca vou virar aquele monstro. — Levou um travesseiro na cara.

— Quer me matar de susto, cabeção? — Enxugou a testa, exasperado — Eu tava preocupado com você aqui!

— Relaxa, brô. Não vou pular do prédio, não. Primeira vez em muito tempo, boto fé num plano teu.

— Então pra que me dizer isso a essa hora da noite, mané? — Estava irritado, mas sentia que tinha retirado um mundo dos ombros.

— Você é meu amigo. Eu precisava falar com alguém.

A isso, Cebola não sabia o que responder.

— Por falar no teu futuro, qual era a das mãos dadas? — Mesmo no escuro, podia sentir a agitação do amigo. — Não sente nada mesmo pelo Nimbus?

— Não sei! Quer dizer, acho que não sinto! Eu amo a Cascuda, véi! Sei que a gente tá resolvendo umas paradas aí, e o Nimbus é um cara legal, mas ...Para de me confundir, cara! Eu amo a Cascuda! Ai, meu pai!

— Tá confuso com o quê? — Era sempre assim. Cascão quando estava nervoso, se enrolava mais que se tivesse ficado calado. — Pois é...um ano inteiro. Vocês dois passam muito tempo juntos. Nimbus é um cara legal...

— Peraí! Você não entendeu!

— Vocês dois estão solitários... — Quase podia ver o rosto do amigo pegando fogo de tanta vergonha.

— Cebola, você não entendeu nada! Ai meu Deus! Será que além de serial killer eu sou bi? Eu não sei nada de mim?

— Torce pra Denise não ter visto, porque ainda dá pra te reconhecer, cara. Se ela tirou uma foto dos dois...

— Ah, meu Deus! A Denise!

—...A Cascuda te mata.

— Ela vai me matar! O que a Denise não vê nesse bairro?

— Relaxa. Já falei com ela. — Nem continha a risada. Brincara um pouco com ele, só por quase tê-lo feito morrer do coração. — Ela sabe guardar segredo, só não gosta. Ao contrário de você, que não sabe.

— Ei, essa doeu.

— Depois que tudo acabar, ela terá acesso a material exclusivo. E ela faz parte da operação extraoficialmente. Amanhã vou saber até se o tal doutor prefere sorvete de chocolate ou morango, ou qual meia ele calça primeiro.

— Careca... Às vezes tenho medo de você, cara.

Cebola sorria na escuridão. Ele amava o desafio, a luta contra o impossível. E estava diante do maior desafio da sua vida.

— Nós vamos impedir essa catástrofe, Cas. Hoje, foi o time principal. Amanhã é o dia da Liga da Equidade das Sombras.

Notas finais
*Cascão realmente tem uma prima chamada Tonica, vilã com síndrome de personagem secundário. Ela aparece em Mônica Jovem Especial #1. *Comentários e perguntas são bem-vindos. A todos que que acompanharam até aqui, meu muito obrigada.