Meet Me At The Coffee Shop
12 Parallel Universe
Notas iniciais
Quando terminamos de contar toda a história pro John, ele disse que já fazia ideia disso, porque todos os roqueiros daquela época usavam drogas.Depois da conversa, ele pediu pra irmos pra a kitnet com ele para ele pegar o telefone. Chegamos lá e havia um pouco de maconha jogado no chão. Comecei a chorar. O John pegou uma caneta lá que tava na mesa e pegou o caderninho dele e começou a copiar o telefone. Ele foi embora e demos tchau pra ele.
Umas semanas depois…
Eu encarando aquele pacotinho de maconha. Chorando muito. E eu precisava muito acabar com aquele sofrimento. Respirei fundo e fiz um cigarrinho de comecei a fumar. Era uma sensação muito louca mesmo. Uma sensação… familiar. Perdi a noção de tudo. Fui conhecendo um outro lado do mundo que nunca tinha conhecido. Um mundo com a imagem dos sonhos. Quando eu tava na metade do cigarro, a Jess teve lá no quarto e me viu. Ela ficou pasma quando me viu daquele jeito. E desmaiou. ( Essa Jessica… quando não mija ou caga, vai logo desmaiar. Sorte minha que ela não teve tempo de se descontrolar, pegar o telefone e ligar lá pra a minha mãe, que estava lá em São Francisco, cuidando do meu pai…) Depois de um tempo, vi ela caída e tentei acordá-la. Na terceira tentativa, falei:
– OH JESSICA PORRA, ACOOOOOORDAAA!
Aí ela acordou. E logo começou a falar:
– Liz! Você realmente fez aquilo?
– Ahhhh Jess, eu tava sofreno pá carai, tava na hora de me sentir que nem os cara, pow! – disse.
Apaguei do nada. Assim que acordei, fugi pra rua, sem ninguém perceber e peguei um pouco da maconha que tinha na estante. Passaram uns dias e ninguém me via na rua.Até fiz amizade com uns caras da rua. Um dia fiz até uma tattoo nas minhas costas que levava da nuca até o fim da minha coluna. Doeu pra caralho. Era uma guitarra que estava escrito: Hillel.Fiquei sem tomar banho e tudo.Foi tudo muito rápido. A Jess ficou malucona. Ela não fazia a mínima ideia de onde eu tava. Até que um dia, quando ela tava andando pela rua, passando por onde havíamos feito aquele show que foi um desastre, ela conseguiu me ver de longe, fumando a minha maconhinha.
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAALICE! – gritou ela.
Ela correu até eu e falou:
– PARA DE FUMAR MACONHA, SUA DOIDA! NÃO ESTRAGA A SUA VIDA COM ESSA PORCARIA!
– Minha vida JÁ ESTAVA uma porcaria. Eu, grávida, e ainda longe do cara quem mudou a minha vida… Eu queria também saber qual era a sensação dos caras, porra! – disse.
– Mas eu também tô passando pelo mesmo que você… e… eu não tô usando drogas. – disse ela.
– Mas Jess, foi o Ant quem falou aquilo tudo pra mim. O flea só falou pra você uma coisinha. Eu fiquei muito mais magoada que você na história… — disse.
– Sim, eu sei. Mas também não precisava levar a sua vida pro fundo do poço… — disse ela.
Eu sabia que tava errada. Mas eu não sabia mais o que fazer. Hoje eu até me arrependo de ter feito isso com a Jess. Ela não tinha culpa. A coitada teve que ficar procurando ajuda. Mas como não conseguiu, ela teve que ligar lá pra minha mãe. A Jess inventou uma história dizendo que eu tava numa festa e um filho da puta me deu algo com maconha dentro. Aí eu viciei (acho que se minha mãe soubesse a verdade, ela pensaria: ‘’viu no que dá ficar namorando drogado?’’). Depois de contar a história, a Jess disse que procurou ajuda, mas não conseguiu. Aí ela pediu pra minha mãe pra me botar numa reabilitação o mais rápido possível. Ela disse que iria imediatamente e desligou o telefone.
Depois de uns dias, uns caras da reabilitação foram me pegar em casa pra me levar pra lá. Chegando na rehab, uns caras me deixaram num quarto. Velho, nunca tinha visto algo parecido antes. Todo mundo muito doidão, bem mais doido que eu. A maioria das pessoas também tinha tatuagem, só que no corpo todo mesmo. Tinha até um maluco que fez tattoo na testa. Ninguém tinha me levado pra conhecer o lugar. Mas quando eu me levantei e que eu tava saindo, uma mulher me segurou e me anestesiou. A droga era como sentir os caras perto de mim, e me separar dela era difícil, era como se eu estivesse casada com ela. Consegui passar alguns meses de ‘’dieta’’ e ficar limpa, mas foi uma grande batalha.
Passaram-se alguns meses e a minha barriga e a da Jess estavam enormes. As aulas já tinham começado, mas por sorte, minha mãe avisou pro colégio que eu não iria estudar nesse semestre, pois tinha acabado de sair das drogas. Mas, de um jeito ou de outro, eu iria faltar aulas, tanto eu quanto a Jess (que iria me ajudar nessa),pois todos iriam se espantar com o tamanho da barriga dagente. A Jess ligou pra casa dos caras depois de meses. Quem atendeu foi o Hil.
– Alô?
– HILLEL! Que saudade! Aqui é a Jess, tudo bem?
– Jess! Quanto tempo! E aí, como você vai? Já escolheu um nome pro bebê? – perguntou ele.
– Ah, Hil, eu estou ótima, a Liz que não estava ultimamente… Bem, quanto ao nome do bebê eu nem decidi ainda, nem tive tempo de ir ao médico descobrir qual é o sexo do bebê…
– Ah… Mas o que houve com a Liz? – perguntou ele.
– Ela entrou em depressão e começou a usar drogas,após vocês nos deixarem. Diz ela que foi uma forma de estar perto de vocês mesmo estando longe… — disse Jess.
– Puxa…mais outra fudida pro bando das drogas… e só queríamos o bem pra vocês… — disse ele.
– Mas Hillel, você parece normal. Nem parece que usa drogas… — disse Jess.
– Eu também já percebi isso. Mas até que me acostumei e acho também foi porque você me conheceu já desse jeito… — disse ele.
– Ehhh… talvez… Bom, só liguei pra perguntar como vão as coisas por aí… Tô morta de saudade de vocês… — disse Jess.
– Eu também, meu amor. OPS! Jess… — disse ele.
Eu acho que ele tinha corado do outro lado do telefone.
– Bom, as coisas por aqui vão bem… Mas tem uma coisa que se o flea ou o Anthony souberem que eu contei pra você... – disse Hillel.
– Mas o que foi que aconteceu, Hil? – perguntou Jess.
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