Meet Athena

12 capítulo 11 - até mais ver


Notas iniciais
Coloquei a música em homenagem a Petra e a Rachel haha (apesar de eu já estar pensando nela há um tempo).
Gente, estamos na reta final. Ainda falta coisa pra rolar, é claro, mas pelas minhas contas só tem mais 2 capítulos e o epílogo, isso se eu não tiver um surto e mudar o roteiro.
Se vocês quiserem saber como anda a história, é só ir no meu Twitter, eu percebi que coloco muita coisa lá sobre isso lol...
Beijos.

You don’t want me, no; you don’t need me…

Like I want you, oh, like I need you… […]

You can’t see me, no, like I see you…

I can’t have you, no, like you have me… […]

You can’t feel me, no, like I feel you…

I can’t steal you, no, like you stole me…

- You

Poseidon

Cinco anos. Passaram-se cinco anos desde que eu saí/fui expulso daquela casa cheia de alegria e gente maluca. Na verdade, passou num piscar de olhos. Eu sei que você me perguntaria: Então Poseidon, você finalmente esqueceu aquela garota que só te fez sofrer?

E eu diria prontamente: É claro que não, eu continuo pensando nela todo santo dia e isso é uma tortura, o que não quer dizer que eu queira esquecê-la. Eu estou cinco anos mais velho, cinco anos mais maduro, cinco anos mais torturado pela imagem de Athena sorrindo ao lado daquele canalha, mas mesmo assim ela ainda tem o meu coração.

Pode parecer bobagem, eu sei. Talvez uma paixonite de adolescente, assim como acontece muito no colegial, mas eu não posso dizer que foi ou é algo passageiro. Ela realmente me fascinou, pra dias depois começar a me torturar lenta e dolorosamente.

Agora, eu estou indo em direção ao aeroporto, para pegar um avião rumo ao Rio de Janeiro, onde começarei minha especialização e aprenderei um Português fluente com um amigo que fiz pela internet.

Vocês devem estar pensando por onde eu andei todo esse tempo, não é? Bem, eu fiquei morando em uma fraternidade, se quer saber. Foi o único jeito de me manter vivo. Trabalhei num bar para juntar o máximo de dinheiro para me virar no Brasil (sim, eu já estava planejando isso). E terminei a faculdade, graças a Deus.

Eu não tive mais contato com meus pais, Hades ou Anfitrite. É claro que ela ainda ficava me amolando, perguntando se meu ‘suposto namoro com Athena’ ainda estava rolando. Meu pai chegou a vir tentar me persuadir a fazer o que ele queria, como sempre, mas eu já estava cheio e o mandei pastar. Minha mãe... parece que o instinto materno bateu de repente e ela me abraçou, deixando de lado toda sua autoridade (antes tarde do que nunca!); acho que ela percebeu que me perderia facilmente se continuasse assim.

Hades, o que posso dizer dele? É um irmão, um amigo, e tanto. Nós ainda conversávamos, mas muito pouco. Digo, eu tinha dó dele por ter de aguentar os caprichos dos nossos pais e sempre tentava prepará-lo para o pior, porque eu sabia que ele não tinha ousadia suficiente para encará-los e sair de casa, como eu fiz.

No fim, eu não tive realmente de me despedir de ninguém. Muitas pessoas na fraternidade também estavam indo embora e nós fizemos uma festa coletiva. Hades, que pressentia isso, me enviou um SMS dizendo que não poderia sair da aula para me ver, mas que sentiria minha falta e desejava uma boa viagem e boa sorte. Meus pais, claro, nem ligaram, pois eu não era mais da família.

Apolo continuava sendo meu melhor amigo, mesmo não podendo falar comigo por causa de seu pai. E o que me surpreendeu foi que ele estava lá, no aeroporto, esperando-me. E não estava sozinho.

- O que você teve de fazer pra vir aqui? – perguntei, abraçando-o.

- Ameacei trancar a faculdade e ir nadar com golfinhos no Hawaii.

Eu ri. Aquele era Apolo!

- Zeus não gostou muito, é claro, mas também não teve como impedir. – disse Hera, que estava sem sua barriga de grávida. – Ele não deixou que nosso filho viesse, disse que seria má influência.

Revirei os olhos. Era a cara dele pensar uma coisa dessas.

- Diga a Zeus que, por mais ele me odeie, ainda o considero um pai substituto.

Ela sorriu.

- Não acredito que você vai embora! – Deméter gritou, quase chorando, enquanto me abraçava.

- Eu não vou embora pra sempre, Deméter...

- Vai sim! Você vai e vai se esquecer de nós! – ela soluçou.

Comecei a rir. Aquela mulher era realmente imprevisível.

Hermes veio me cumprimentar também, ainda com o mesmo sorriso torto de quem está aprontando.

- Você cresceu. – eu falei, bagunçando seus cabelos.

- É e você já tem alguns fios brancos na cabeça, hmm?

- Claro, claro.

Ártemis também estava lá, tímida, mas sorridente. Ela me desejou boa viagem e apertou minha mão, pra depois se afastar novamente. Poderia parecer pouca coisa, mas acho que na cabeça dela aquilo já era ultrapassar seus limites. Eu a respeitava por isso.

Quando virei a cabeça de relance, pude ver duas figuras afastadas. Duas pessoas, que pareciam ter a mesma idade que eu. Um casal, pelo que eu via. Por Deus, não eram ninguém mais, ninguém menos que minha querida Athena nos braços de Frederick. É claro que minhas previsões estavam certas e aqueles dois estavam transando, mas quem se importa mesmo?

Eles me encaravam fixamente e o que eu poderia fazer? O que eu deveria fazer? Pela amizade que tive com Athena eu deveria ir me despedir, mas pelo que ela fez comigo, era ela quem deveria vir até mim.

Pelo que eu a conhecia, ela estava dividida. Com certeza já havia percebido o ódio mútuo entre mim e Frederick, mas talvez não soubesse o motivo. Talvez ele tenha colocado coisas horríveis sobre mim em sua mente. Mesmo assim, talvez ela achasse que era certo vir falar pelo menos um ‘Adeus Poseidon, até nunca mais, porque agora eu sei quem você é e tenho Frederick para me consolar’.

Mas não. Ela continuou lá, olhando-me, com uma expressão impassível, como se mal me conhecesse. Ela o escolhera, justo como eu havia previsto. Às vezes você imagina algo e sabe que é inevitável, mas nunca está pronto para quando realmente se torna verdade. Foi como eu me senti, pelo menos, mas sei que não fui o único no mundo.

Desviei o olhar. Não valia à pena ficar olhando aquela cena terrível, que só serviria para me atormentar mais tarde.

- Você vai voltar, não vai? – Apolo perguntou, com a voz baixa. – Pelo menos virá na minha formatura no ano que vem, certo?

Seu olhar era triste. Acho que Apolo era uma das poucas pessoas que realmente sentiria minha falta. Eu era seu amigo de verdade.

Sorri.

- Farei o possível Apolo, prometo.

Ele acenou com a cabeça, triste, e me abraçou fortemente, uma última vez.

- Acho que é aqui que tudo acaba. – falei, triste também.

- Podia ter sido tão diferente Poseidon... Você sabe, não é? Nós queríamos que fosse diferente.

- Mas não foi, não é? E não dá pra ficar se lamentando por isso. Já se passaram cinco anos e nada mudou. Não vai ser agora que fará alguma diferença. Mas quem se importa? Eu? Você? Isso não basta, e você sabe amigo.

Apolo suspirou, segurou meu ombro, como se quisesse dizer muitas coisas, mas não conseguisse. Sua boca estava apertada em uma linha fina enquanto ele segurava o choro.

- Nós iremos nos encontrar novamente Apolo, eu sei disso. Só não sei quando nem como, mas nossa amizade é forte o bastante para aguentar muita coisa.

- Eu sei.

Naquele momento, a chamada para meu voo foi anunciada e eu tive de ir, porque ainda tinha que resolver algumas coisas antes de decolar. Dei um breve adeus a todos, que pareciam realmente tristes.

Athena e Frederick, claro, continuaram parados onde estavam, como se nem soubessem quem eu era. Eu não me importei. Para aquilo eu estava pronto.

Eu precisava deixar tudo para trás. Minha família, minha fama, meu dinheiro, meus amigos... meus problemas.

Eu precisava recomeçar, em outro lugar. Uma nova vida, com novos amigos, talvez até uma pequena fama e meu próprio dinheiro. E quem sabe uma família? Mas isso era plano para longa data, agora, eu precisava me focar na minha carreira.

Adeus Califórnia. Eu sei que nós vamos nos reencontrar, mas, por ora, isso é um ‘até mais ver’.

Notas finais
Esse capítulo foi breve, EU SEI. Mas os próximos terão mais novidades ok? *-* E se vocês gostarem, eu vou fazer uma coisinha em troca, *-* Beijos!