Meet Athena
4 capítulo 3 - a verdade te liberta
Notas iniciais
Tô começando uma sobre o Harry e o Snape e_e mas não é tipo aquelas de shipps malucos sabem...
Ok, parei :)
Everyone thinks that I have it all but it’s so empty living behind these castle walls, these castle walls…
If I should tumble, if I should fall, would anyone hear me screaming behind these castle walls?
There’s no one here at all, behind these castle walls,
Nobody knows I’m all alone, living in this castle made of stone,
They say that money is freedom but I feel trapped inside it all.
- Castle Walls
Athena
Deméter me encarou todo o café da manhã, com certeza tramando coisas que eu nem queria saber naquela mente. Ela me dá medo às vezes.
Dessa vez Hermes não me roubou nada, o que é bom, porque assim eu consegui comer calmamente. Ártemis não deu nenhum berro, o que quer dizer que as coisas estão correndo incrivelmente bem. Apolo, bem, ele estava mais feliz ultimamente, e eu não sei o motivo.
Não, eu não acho que ele encontrou uma garota ou coisa assim, até porque ele não tinha capacidade de ficar com uma só por mais de três dias. Mas ok, é a faculdade.
Eu estava pensando novamente em Poseidon, e em sua possível namorada, que até passou por minha cabeça perguntar algo a Apolo, mas eu não queria parecer uma menininha apaixonada e desesperada, até porque eu não era nada disso, verdade. E com meu irmão as coisas parecem ter outros significados, se é que me entende.
- Como estão as coisas? – ele perguntou no caminho. Sim, ele me dava carona todos os dias, mais uma coisa da qual eu me livraria quando me formasse.
- Oi?
- Poseidon, você. Você, Poseidon...
Ele deu seu sorriso malicioso de sempre enquanto falava. Eu não disse? Ele sempre leva as coisas para o outro lado! Maldito mundo pequeno.
- Não tem “coisas”. Nós nem somos amigos Apolo, ontem falei com ele pela primeira vez. Pare de pensar besteira.
Revirei os olhos.
- Bah, você não precisa conhecê-lo, é só... Sabe...
- Eu não sou você maninho.
Apolo apenas deu um sorriso torto e não falou mais nada.
Quando entramos no estacionamento, eu congelei. Só queria me virar e sair correndo, pois Poseidon estava lá, novamente, e ele sorria.
- Tenham juízo. Vocês dois.
Meu irmão disse, distanciando-se.
- Então... Olá.
Fechei os olhos por alguns segundos.
- Oi...
- Sabe, eu não quero ter aula hoje... É muito chato e eu não consigo me concentrar mais... – ele disse, dando de ombros. – Acho que vou sair por aí... Estamos na Califórnia baby!
Poseidon abriu os braços, sorrindo. Não pude evitar de rir com ele.
- Se não percebeu, estou te convidando pra vir junto. – ele abriu a porta do próprio carro, tirando minha mochila e jogando-a no banco de trás. Poseidon se sentou no lugar do motorista e olhou para trás. – Não temos o dia todo, sabe...
Arregalei os olhos e pulei para o banco do passageiro – sim, era um conversível. Depois de viver na Califórnia e ver milhões de pessoas esbanjando dinheiro, você não se surpreende mais. Principalmente quando Poseidon é uma dessas pessoas.
- Ok... Então... Aonde nós vamos? – perguntei, vendo seus CDs. – Green Day... Eminem, Linkin Park, Maroon 5, Muse, Red Hot...
- O que? – eu tinha de admitir que ele óculos escuros caíam muito bem nele. – Eu gosto.
- Eu também.
Tive que sorrir com aquilo. Era muito raro eu encontrar pessoas com o mesmo gosto musical que eu, porque as músicas que estavam na moda eram cada vez mais vulgares, um horror só.
Poseidon me pediu para escolher um e colocar pra tocar, mas naquele momento a música que eu não ouvia há muito tempo começou a tocar, e não pude deixar de aumentar o volume.
- Take a little walk to the edge of town... go across the tracks, where the viaduct looms… like a bird of doom… as it shifts and cracks, where secrets lie in the border fires, in the humming wires, hey man, you know you’re never coming back… past the square, past the bridge, past the mills, past the stacks… on a gathering storm comes a tall handsome man, in a dusty black coat with a RED. RIGHT. HAND!
- Nick Cave & The Bad Seeds?
- Meu pai costumava cantar comigo quando eu era pequena.
Ele sorriu. Parecia tão despreocupado com a vida, como se nada mais importasse a não ser nós, naquele carro, fugindo do mundo.
- Você ainda não me disse pra onde está me sequestrando.
- Ah claro, eu estou te sequestrando.
- Sim, você está. Estou aqui contra a minha vontade.
- Sei... – ele fez uma careta de “Man, tu não me engana” que me deu medo. – Vamos a um lugar especial.
- Você não vai me levar pra um lugar que não existe no mapa, me prender numa mesa e me torturar, né?
- Eu acho que eu te estupraria se fosse pra fazer isso, mas como eu sou um bom garoto, não, nós vamos a um lugar muito legal.
Eu ri. E depois me concentrei em observar uma paisagem que eu nunca vira antes.
Algo que me pareceu vinte e poucos minutos depois, nós estávamos uma área deserta, sem nenhuma alma viva, com apenas o vento e o cheiro de maresia como companhia.
Aí eu realmente pensei que estava sendo sequestrada e mais tarde seria estuprada e torturada, mas me ignorem.
Continuando. Nós estávamos lá. Não havia ninguém. Acho que já falei essa parte. Ok.
- Eu venho aqui quando estou com a cabeça cheia e preciso de paz. – disse ele, que já havia estacionado e se preocupava em tirar os tênis. Resolvi seguir o exemplo. – É bem solitário, mas eu gosto.
Depois de tirar os tênis e sair do carro, parei à beira da calçada e encarei o horizonte. Eu não tinha palavras para descrever aquilo. Não havia poluição, não havia barulho de trânsito e nem pessoas para incomodar. Era algo... puro, totalmente natural.
A areia era branca e macia, como se nunca tivesse sido pisada, a água, azul e límpida, fazia um barulhinho gostoso e o sol, que não estava tão forte, deixava tudo lindo. E tinham rochas, enormes, que praticamente escondiam essa vista maravilhosa das poucas pessoas que passavam distraídas por ali.
- Poseidon... Isso é maravilhoso, é... é lindo, perfeito... Como você descobriu?
Minha boca estava aberta. Era muita coisa para processar. Os sons, os cheiros, até o ar parecia ter mudado. E... Havia ele. Poseidon. Acho que somos amigos afinal. Não havia melhor companhia.
- É mesmo... – ele sorriu e veio ao meu lado. – Não sei como encontrei esse lugar, mas venho aqui com muita frequência... depois de discutir com meus pais. Diariamente.
Eu dei um sorriso forçado. Não que eu não gostasse de tudo aquilo, eu nem conseguia descrever direito! Mas a situação dele... Era crítica. Seus pais, sua família, as tradições... Não sei como ele aguentava.
- Eu sinto muito por isso.
Ele apenas deu de ombros, pensativo.
- Eu já me acostumei. – ficamos alguns minutos em silêncio, cada um com seus respectivos pensamentos, encarando a água inquieta do mar e escutando o barulho do vento em nossas faces. – Venha.
Poseidon me puxou pelas mãos até ficarmos com a água nos joelhos. Estava gelada.
- Não, não. Você fica aqui. – ele disse, quando tentei escapar.
- Mas eu vou congelar...
Eu sei, estava parecendo uma criança birrenta. Mas eu não queria começar a tremer de frio e ficar doente, é um saco.
- A água nem tá to fria, para de ser fresca menina.
Ele riu e me ergueu no colo, só para adentrar ainda mais aquele mar de gelo e me molhar toda, me jogando sobre a água. Minhas roupas estavam encharcadas. Eu estava começando a bater os dentes. Meu nariz estava gelado. Ótimo.
- Poseidon, seu desgraçado! – comecei a jogar água nele, o que não foi muito inteligente, já que estávamos ambos debaixo d’água.
Comecei a nadar em direção à praia, mas ele segurou meus pés, puxando-me de volta.
- Me deixa sair... Por favor... Eu tô com frio...
Ele olhou em meus olhos. Eu devia estar muito convincente, porque na mesma hora ele me ergueu novamente e começou a caminhar para a praia lentamente (a gente tava embaixo da água ok).
Quando saímos, Poseidon me deixou em um tipo de ‘abrigo’, um lugar cheio de rochas e longe da água. Ele voltou e me deu uma toalha e um casaco quente (achei aquilo exagero, confesso, não gosto de dar trabalho aos outros), depois juntou alguns gravetos e folhas secas que eu não tenho ideia de onde vieram e fez uma fogueira (eu fiquei igualmente surpresa, não se preocupe).
- Como fez isso? – perguntei, me aconchegando o melhor possível no casaco.
- Curso de sobrevivência. – ele sorriu, parecendo lembrar-se da época. – A única coisa que meu pai me obrigou a fazer que eu realmente gostei. Foi bem legal.
- Por que ele te obrigou a fazer um curso de sobrevivência? – franzi o cenho. Ele tinha tudo, podia tudo, por que iria fazer isso?
- Não sei bem... Meu pai gosta de estar preparado para tudo.
- Sei...
Um silêncio estalou-se ali. Eu não tinha percebido ainda, mas já tinha se passado um bom tempo desde que viemos à praia. O que é bom dura pouco, isso é verdade. E o tempo em que passamos apenas encarando o fogo, a mudança no céu, foi suficiente para me fazer pensar.
Eu não deveria estar ali, não mesmo. Meu pai me mataria se soubesse. Apolo pensaria muita merda, ah pensaria. Deméter... Bem, ela não poderia saber de jeito nenhum também, ou ficaria me enchendo a paciência com perguntas nada discretas.
E a família dele. Era a pior parte imagino. Iriam castigá-lo demais se soubessem. Eu sei que parece exagero, mas não são vocês que cresceram ouvindo histórias sobre ‘A’ família e isso eu devo ao meu pai.
E também tem uma pessoa. Uma namorada. Eu não sabia se ele tinha realmente alguém, mas era o mais provável. Mas ele não parecia ligar muito, pois estava ali, comigo. Era estranho.
- Poseidon... – engoli em seco, não queria que ele me visse como uma interesseira. – Você tem alguém...? Sabe, uma garota...
Ele me encarou confuso.
- O que?... Uma namorada, você quer dizer? – assenti. Poseidon encarou as próprias mãos. – Não. Eu não tenho ninguém Athena. – ele suspirou. – Quando se tem dinheiro e fama, você é rodeado apenas por garotas que seus pais consideram importantes ou que querem algo. Não, se for pra ser assim, eu prefiro ficar sozinho, estou muito bem assim.
- E você nunca pensou que alguma delas gostasse de você de verdade?
- Elas são muito diretas, entende? Jogam charme e dão sorrisos perversos. Não tem como pensar bem delas. E meus pais, bem, eles querem que eu me case o mais rápido possível, principalmente se for com Anfitrite. Ela é uma pedra no meu sapato, é sim. É filha de um dos amigos e sócios do meu pai. Um saco.
Sorri. Era um sorriso fraco, mas sincero. Eu havia pensado errado, ele não tinha ninguém. Pelo menos não teria nenhuma namorada brigando comigo mais tarde ou me perseguindo por aí.
- E qual é a sua história?
Eu não pensava mesmo que ele fosse retribuir a pergunta. Suspirei.
- Eu não tenho ninguém também, não sou de socializar. E também não tenho tempo pra isso.
- Seus irmãos?
- É... Eu te contei, cuido deles... Tenho minha tia para ajudar, mas mesmo assim... Meu pai joga as responsabilidades em mim.
Poseidon me encarava absorto, com um sorrisinho simpático, compreensivo.
- Admiro você, verdade. Nunca pensei que fosse encontrar uma garota forte, responsável e que se importa com coisas realmente úteis. Acho que... você vai se dar bem na vida Athena, com toda a certeza.
- Foi a coisa mais legal que já disseram pra mim. Obrigada Poseidon.
Nós passamos praticamente o dia todo conversando, sobre todas as coisas que não conseguíamos falar com outras pessoas. Ali, ele podia se abrir, porque não havia ninguém para julgá-lo. E eu também podia, porque não tinha de me fazer forte. Não com ele.
Foi quando começou a escurecer, que finalmente nos demos conta da hora e resolvemos voltar para o mundo real.
- Acho que temos de ir agora... – ele disse, baixinho, olhando o pôr do sol. – Devem estar atrás de nós dois...
Pensei em como Apolo ia ficar surtado da vida. A cena quase me fez rir.
- É... – me levantei, devolvendo seu casaco e jogando areia sobre a fogueira. – Vamos logo.
A viagem de volta não pareceu tão longa quanto quando viemos. Pedi a ele para me deixar na faculdade, com esperanças de encontrar meu irmão. Mas o que nós dois encontramos foi uma coisa muito pior.
- Pai?! Mas o que é que você está fazendo aqui?!
Poseidon parecia congelado. Acho que ele estava aflito, não sei bem. Eu só sabia que estava com pena, porque sabia o que viria a seguir.
Poseidon
Todas as pessoas naquele estacionamento pareciam ter parado o que quer que estivessem fazendo para formarem um círculo ao nosso redor. Eu podia sentir Athena, atrás de mim, apreensiva. Não queria que ela levasse culpa nenhuma naquilo e as pessoas pareciam assustá-la.
Dei alguns passos para trás e a abracei, tentando transmitir um pouco de confiança.
Eu podia ver Apolo, confuso, parado a alguns metros, junto das outras pessoas.
E havia meu pai. Alguém da faculdade com certeza havia ligado para ele, avisando que seu filho perfeito não tinha aparecido nas aulas.
Eu o conhecia. O senhor todo poderoso Cronos estava quase fazendo um escândalo, o que só traria mais fama para ele e sua corja.
- O que é que eu estou fazendo aqui, Poseidon?! E você ainda pergunta?! – ele passou a mão pelos cabelos grisalhos. – Vamos embora daqui, nós precisamos ter uma conversa bem séria sobre seu futuro.
Pelo menos ele não deu escândalo... Isso é bom.
Mas... Naquele momento... Sim, eu sabia. Era a minha única chance.
- Não.
Ele parou. Todos pareciam ter prendido a respiração. Senti Athena ficar ainda mais tensa e me encarar.
- Poseidon, não faça isso, não piore a situação... – ela sussurrou.
- E quem é você garota? – meu pai finalmente a notou. Ruim, muito ruim.
- Ela é uma pessoa boa, ao contrário de você. – falei. – Por isso prefiro sua companhia à de certas pessoas.
Aquilo pareceu só piorar ainda mais nossa situação.
- Ah, certo... Então é você que está tirando o meu filho do bom caminho! – meu pai gritou e seus olhos transmitiam uma ira que eu nunca imaginei ser possível de existir, nem nele. Só então percebi que ele avançava sem parar para pensar sobre nós. Sobre ela.
Athena. Não, eu não podia deixar que ele a culpasse, que ele a castigasse em meu lugar. Mas ele não parecia querer me ouvir gritando, protestando.
Foi tudo muito rápido, mas, ao mesmo tempo, parecia estar acontecendo em câmera lenta. Minha mente parecia travada por algo e tudo o que eu queria era protegê-la.
Nem que para isso eu teria de sacrificar o último vestígio de afeição que eu sentia por meu pai. Por isso, só quando o vi sangrando, jogado no chão e surpreso, eu caí na real e percebi o quanto ela tinha se tornado importante para mim em tão pouco tempo.
- POSEIDON! – ouvi seu grito agudo de surpresa e a encarei, determinado.
- Eu estou cansado disso tudo! – gritei para meu pai, ainda caído.
- Você não é mais meu filho Poseidon. Vá embora.
Por mais que eu não quisesse admitir, sim, aquelas palavras me doeram lá no fundo. Mas eu não podia deixar transparecer.
- Deixe a minha casa e a minha família. Você não é um de nós.
Engoli em seco.
- Eu nunca fui, tenha certeza disso.
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