Medusa, A Origem
6 Capitulo 5
A luz solar penetrava nas águas profundas e douradas anunciando o inicio de mais um dia, Anfitrite apressadamente se dirigia ao quarto onde se encontrava Métis com medo de que seu marido se apercebesse do que ela pretendia fazer. A bonita nereida abriu a porta e passou pela bolha de ar. Parou perto da cama e observou desdenhosamente a nova conquista do seu marido.
Porque será que ele tinha esta necessidade de ter mais e mais mulheres? Ate ai ela tolerava, mas trazer uma para seu palácio, ele ultrapassou os limites e ela não iria ficar parada vendo outra mulher lhe roubar o espaço.
***
Despertei com chamar agressivo do meu nome. Medusa! Prontamente levantei e sentei na cama olhando para estranha linda mulher de cabelos loiros entrelaçados com pérolas que trazia uma coroa de conchas na cabeça, mas o que verdadeiramente me chamou atenção foi o tridente dourado que ela trazia na mão direita igual ao de Poseidon, mas em escala menor.
Esta se tornando constante demais esta coisa de ser acordada com belas mulheres, mas diferente da primeira vez esta não sorria para mim, seu belo rosto estava serio, seus lábios curvados de forma desdenhosa e ela me olhava com ódio. O que será que tinha feito a ela uma vez que nunca a tinha visto antes.
Sem mais nem menos ela me agarrou brutamente levantando-me da cama, olhou-me nos olhos e disse, Ouça bem Medusa─ Métis. Corrigi-a. Tanto faz seu nome. Eu não quero nem vou permitir que você invada meu palácio e roube meu marido.
Recuei assim que realizei quem era ela, a mulher de Poseidon e ela pensava que queria seu marido, se ela soubesse o quanto o desprezo. Não! neguei, Não tenho intenção de roubar seu marido. Foi o próprio senhor dos mares que me trouxe contra minha vontade. Ela abrandou o ódio no olhar assim que eu disse que seu marido me tinha trazido à força, mas não deixou de me agarrar o braço com força para alguém que parecia tão delicada e frágil, ela era muito forte.
Não importa. Mas o facto é que não te quero aqui.
Eu também não quero ficar aqui, mas não tenho como sair, estou trancada aqui a mercê do seu marido, baixei o olhar para não mostrar a lágrima que escorreu no meu rosto, ela me largou o braço e disse.
Então estamos quites. Eu vou te ajudar a sair daqui. Assim que ela disse aquilo levantei a cabeça e olhei suspeitosamente e alegre. Será que ela me ajudaria de verdade a sair dessa prisão dourada e me livrar de Poseidon?
Mas como? perguntei, não sobrevirei se for a nadar, porque─
Quem disse que você vai nadar, cortou-me ela. Não importa como só saiba que sairás daqui, mas rápida que pensas assim como vieste. Não só meu poderoso marido tem poder eu também posso fazer alguns truques. Prepare-se para sair daqui.
Com isto ela tocou-me e igualzinho quando Poseidon tocou-me e comecei a liquidificar, dissolvendo na água, fechei os olhos esperando minha viajem acabar e chegar finalmente em casa, mas antes de virar completamente espuma da água seus olhos faiscaram um azul eléctrico e ela alertou-me, Nunca mais chegue perto do meu marido Medusa se não te arrependerás. Amargamente. Não consegui responder por que já não era possível no grau de transformação que eu estava, mas ela nem precisava pedir porque certamente nossos caminhos nunca mais se cruzariam. Não pretendia frequentar os domínios de Poseidon tão cedo.
Barulho leve de ondas de mar me acordou, me encontrava a beira da praia toda molhada, devastada, mas viva e salva. Mentalmente agradeci a rainha do mar por ter me salvado, a primeira coisa que me veio a cabeça foi ir a templo agradecer por minha vida e pedir para Draco voltar logo são e salvo. A deusa perfeita para isto era Atenas ─ protectora da minha cidade e deusa da guerra ─ por isto fui ao templo dela.
***
Anfitrite! gritava Poseidon. Seus gritos ecoavam pelo oceano inteiro ate aos ouvidos da Anfitrite que tremia de medo do seu marido agora pensando se o que tinha feito foi a opção mais correcta, mas logo se convenceu que foi a decisão mais sabia que ela tomou em anos. Poseidon nunca iria lhe ouvir se ela pedisse para tirar Métis dai e bem que ela havia tentado e ele havia recusado seu pedido ainda por cima debochando dela. Estava mais do que na hora de Poseidon saber que tinha uma mulher em casa e apesar de ele ser um deus tinha que a respeitar.
Altivamente e confiante Anfitrite foi ao encontro do seu marido, encontrou na sala de reuniões onde estava seu formoso trono, assim que lhe viu fez uma leve vénia e olhou fixamente imprimindo seu poder.
Poseidon nadou furioso ao seu encontro e esbofeteou-a fortemente e raivosamente insultou-a, Tens noção do que fizeste! Estragaste tudo!
Anfitrite se recuperava da bofetada agressiva do seu marido e olhou seu marido não era perfeito, mas ele nunca a havia agredido, nunca! Ainda por cima de por causa de uma titã, a raça que os irmãos olímpicos detestavam. O ódio crescia por Métis a cada insulto que seu marido empregava-lhe insultos e ela ouvia calada sem deixar cair uma única lágrima, mas alimentado seu coração de rancor.
Para onde a levaste! demandou Poseidon.
Baixinho Anfitrite respondeu, Terra firme.
Como fizeste isto?
Da mesma forma que a trouxeste aqui! explodiu Anfitrite não aguentando mais a zanga do seu marido, mas se arrependeu assim que acabou de falar porque os olhos azuis do seu marido tornaram-se dourados e quando isto acontecia Anfitrite sabia perfeitamente o que significava e não era nada de bom.
Você utilizou o poder que eu te leguei no nosso matrimónio para me trair? perguntou ele incrédulo.
Ela sabia que o melhor seria ouvir calada, mas os anos de submissão e infelicidade vieram à tona e ela respondeu mais uma vez seu marido, Sim! Também posso fazer o que me apetece afinal de contas sou a soberana desse palácio e nele só fica quem é bem-vindo por mim não só você. E ela não era bem-vinda aqui, aliás, a titã nem sequer queria ficar aqui, obrigaste-a a submeter-se a sua vontade, mas ela negou isto que te enfurece meu rei? provocou Anfitrite, desafiando-o. O facto de ela te desprezar.
Cale-se! Ordenou Poseidon, nenhuma mulher me despreza muito menos uma mera titã! Passaste do limite, meteste-te nos meus negócios, mas nunca mais terás a oportunidade de fazer isto.
Dito isto Poseidon elevou seu tridente e apontou-o a Anfitrite, lançou o poder do seu tridente a Anfitrite fazendo a água rodeá-la, pondo-a dentro de um moinho furioso de água.
Uma vez seu. Agora meu! gritou Poseidon. O tridente dourado de Anfitrite descolou-se da sua mão por mais força e gritos que ela deu não conseguiu evitar que o tridente soltasse da sua mão e voasse a Poseidon colidindo com seu tridente. Uma forte luz dourada explodiu enquanto os tridentes se uniam até formarem um assim aumentado o poder de Poseidon.
A partir de hoje querida esposa seu tridente, presente meu do nosso casamento se foi juntamente com alguns dos seus poderes. Agora veremos como vais se intrometer nos meus negócios.
Poseidon saiu nadando deixando sua esposa no chão, despedaçada e emocionalmente destrocada pela acção do seu marido. Assim que ela soube que ele não a ouviria soltou um grito de angústia que estava sufocado e chorou por horas na mesma posição que ele a deixou até que não tivesse mais lágrimas.
Quando se recompôs saiu do chão, respirou fundo e pensou no passo a seguir não podia deixar Poseidon arrancar seu tridente assim. Decidiu falar com Atenas por ela ser boa em estratégia e não se dava bem com seu marido. Óptima aliada para vingança.
Numa ilha ela e prestou culto a deusa Atenas e requisitou a presença dela, Atenas não demorou muito a comparecer, estava curiosa. Anfitrite! A mulher de Poseidon, o que será que ela queria com ela?
Do céu desceu Atenas, vestida sempre pronta para guerra a bordo do seu Pégaso ─ o cavalo preto que possuía asas ─ assim que o cavalo tocou a terra ela desceu do cavalo e dirigiu-se a Anfitrite, esta fez uma vénia.
Minha deusa Atenas convoquei-te aqui por causa do meu marido Poseidon. Eu sei que vós não se dais bem, mas o problema é de força maior, não podemos esquecer que ele é seu tio.
Atenas não falou nada, seu tio agora estava utilizando sua mulher para fazer o trabalho sujo por ele, ele sabia que ele não tinha escrúpulos, mas covarde não, ele não era. Então porque mandar sua mulher? Ela continuo a ouvir Anfitrite suspeitosamente.
Sei que parece estranho mas venho pedir sua ajuda para ajudar seu próprio tio e o futuro da era olímpica, ele foi hipnotizado por uma titã, Medusa filha de Cetos e Phorcys. Ele está fora de si até tentou me matar por causa dela. Me tirou o tridente e disse que iria dar a ela, ─
Não é possível! afirmou Atenas chocada com o que Anfitrite acabava de dizer, seu tio podia ter todos os defeitos, mas desprover sua mulher de legitimo poder já era demais.
Anfitrite sorriu internamente satisfeita com a expressão e choque que Atenas apresentava devido a suas mentiras e ela contínuo sua encenação e começando a chorar para convencer mais a deusa.
Ele trouxe aquela mulher no nosso palácio, eles fizeram amor sob meu tecto. Poseidon me humilhou e traiu-me sob meu domínio. Ele a tratava como rainha e ela desdenhava de mim, dizendo que seria a próxima rainha e que os fins dos deuses olímpicos esta próximo.
Atenas saltou quando ouviu a última parte, claro! Os titãs estavam a utilizar Poseidon através dessa Medusa para voltarem a reinar. Isto era muito perigoso. Zeus deveria ser avisado imediatamente.
Zeus deve ser informado.
Não! exaltou-se Anfitrite, Por favor, não Atenas. Exaltou-se um pouco, mas logo recuperou a calma para não assustar a deusa, Escolhi-te justamente por seres mulher, deusa da estratégia, boa lutadora e única que será capaz de dizer as verdades na cara de Poseidon sem meias palavras. Não faça isto chegar ao Olimpo. Sei que podes resolver isto com Poseidon sem que todos saibam que ele caiu na tentação e quase traiu seus irmãos. Apesar de tudo ainda amo meu marido não quero que ele seja banido ao tártaro ou aconteça algo pior com ele. Apelou Anfitrite.
Atenas se emocionou com o amor de Anfitrite pelo seu marido mesmo depois de este ter-lhe ferido ela ainda continuava a ama-lo. Está resolvido. Atenas decidiu ajudar a pobre mulher e impedir que seu ganancioso tio entregasse o poder nas mãos dos titãs.
Não se preocupe Anfitrite, a honra do seu marido será preservada. Farei tudo para tirar meu tio e abrir-lhe os olhos perante esta armadilha. Sinto-me muito lisonjeada em ser a escolhida. Obrigada por mi confiar, não se arrependera.
Com isto Atenas abraçou Anfitrite e foi-se, enquanto subia no seu cavalo Anfitrite gritou, Atenas, por favor, não se deixe enganar pela titã, ela é ardilosa não é por acaso que consigo convencer meu marido.
Atenas sorriu e respondeu. Não se preocupe, o que é dela está guardado, se ela cruzar meu caminho se arrependera amargamente por isto. Deixa-me ir e ver se encontro com meu querido tio ainda hoje.
Dito isto Atenas sinalizou ao seu Pégaso e este voou pelos ares deixando Anfitrite sozinha na ilha deserta mais feliz que nunca, sua ancestral estava certa. A vingança é um prato que se come frio.
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