Medo de amar
27 Epílogo
Notas iniciais
— Diana, você e eu precisamos conversar... — diz o rapaz entrando no quarto e se deparando com a moça colocando algumas roupas dentro de uma mochila. – Pera! O que você esta fazendo?!
— Não quero conversar com você. E isso, — apontou para a mochila — sabe que detesto sentimentos ruins, realmente não quero cultivar isso em relação a você, por isso é melhor ficar uns dias com a serena.
— Diana, você não sabe o que está fazendo! – disse o rapaz segurando o braço da moca.
— Eu sei muito bem o que estou fazendo! Não sou mais um dos seus brinquedinhos de garoto mimado que faz o que você quer, como você bem quer, quando você quer. – disse tirando a mão do rapaz de seu braço.
— Você me interpretou completamente mal.
— Eu te interpretei exatamente como tinha que interpretar.
— Não, você não fez isso!
— Claro que eu fiz!
— Você não acredita que eu possa te amar.
— Isso é improvável.
— Você não soube interpretar.
— Agora já é tarde, “o que está feito, feito está”. – A mochila foi fechada, a menina se retirou e a porta fechou, e o que ele disse?
— Fiódor Dostoiévski.
~*~
Olá, mamãe
Gostaria de saber como estão indo as coisas aí na Somália, espero que não muito complicadas, sabe que torço por vocês.
Tenho boas notícias, me acertei com meu pai J
Ele já deve ter te contado, mas queria contar eu mesmo.
Sobre a faculdade, está tudo dentro dos conformes, tirei nota máxima nos dois últimos trabalhos que fiz.
Sobre o amor: o Dante arranjou uma namorada, o Gabriel esta bem com a Serena, mas não ando muito bem nessa matéria. E sim, antes que me pergunte não tive coragem para falar com ela nessas ultimas duas semanas, ela ainda não voltou. Acho que passei muito do limite com a situação do Dante ne?! A senhora tinha razão. Hoje eu tentei finalmente conversar com ela, mas quando ia o Thomas chegou para conversar com ela, ainda não gosto dele. Mas bem, talvez amanhã eu tente de novo. Me deseje sorte!
Estou com saudades.
Seu eterno menino,
Enzo Givonneli.
~*~
Após enviar o e-mail o menino fechou seu notebook e ficou olhando as pessoas que estavam sentadas na mesma mesa que ele naquela velha biblioteca e vendo o quanto eles estavam concentrados e se perguntou, finalmente, porque andava tão disperso ultimamente.
Ao olhar para outra mesa ele viu aqueles cachos. Ele jamais confundiria com qualquer outro na terra. A menina se levantou e então ele teve certeza que era ela.
Desde que ela havia ido embora do quarto já se passaram duas semanas. Ele não a viu dentro de uma semana e meia, pois estava absorto por trabalhos e ocupações. As poucas vezes que a viu depois foram de muito longe. Agora de perto, ele podia ver que ela emagreceu, seus cachos estão mais soltos nessa época do ano e seu andar continua cuidadoso. Ela continua linda.
Ao tomar conta de si o rapaz viu que não estava mais em sua mesa, mas estava se dirigindo ao setor de livros em frente ao que a moça estava posicionada. Tomou um livro qualquer em mãos e tapou o rosto e ficou a observando, seguindo a moça até o fim da sessão, porém, a vida nem sempre nos ajuda com nossos planos de camuflagem. Um rapaz bateu em Enzo derrubando seu livro grosso no chão chamando atenção dos que estavam por perto. Inclusive Diana.
A menina se abaixou, tomou o livro em mão e disse:
— Nunca pensei que um dia te encontraria lendo um livro do Nicholas Sparks. – disse rindo e entregando o livro de volta para Enzo.
— é. Han... Quero saber se posso usar sua cama já que você não aparece mais por lá. – Os dois sussurravam por conta do ambiente então quando a menina franziu o rosto o rapaz se perguntou se aquilo seria confusão ou engano, viu que não se tratava de nenhum dos dois quando ela começou a rir.
— Você sempre direto, não é mesmo?! – riu novamente – Mas fique a vontade, convenientemente eu irei pegar minhas coisas amanhã, o diretor conseguiu um quarto para mim sozinha na ala feminina. Finalmente a sorte se pôs ao meu favor não é mesmo?!
— É sim...
A menina voltou a olhar os livros atrás de si, mas o menino segurou seu ombro e chegou mais perto, estavam próximos, os corpos quase colados, no final da sessão, sem ninguém para assistir... Ela se virou dando de cara com o moço.
— Sobre o que houve anteriormente...
— Está tudo bem sobre isso.
— Eu não estava brincando.
A menina apenas se concentrou em seus olhos.
— Não temos nada a ver. Podemos cometer uma burrada. Mas eu te conheço bem, você me conhece melhor ainda... Me permita tentar...
A menina nada respondeu.
O rapaz se aproximou um pouco mais e com cuidado e um pouco de incerteza encostou seus lábios ao da moça e começou um beijo. No inicio unilateral, mas não muito depois pode sentir uma correspondência e mãos indo para os seus cabelos e brincando com eles durante o beijo.
— Posso considerar isso como um sim?
— Era esse o permitir que você citou aquele dia na loja?
— Não exatamente.
— E o que era? – disse acariciando o rosto do rapaz.
— Você me permite ser um dia responsável por aquele sorriso perfeito?
— Você mesmo disse, não daríamos certo...
— “As alegrias do amor são sempre proporcionais ao medo de as perdermos.”.
— Stendhal.
Foi a ultima palavra dita naquela sessão antes de uma sessão de três beijos seguidos e uma expulsão pela bibliotecária.
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