Medo de amar
11 Capítulo 10
Notas iniciais
Idiota, idiota, idiota, idiota, idiota!
Repetia o cérebro do garoto fazendo um julgamento de si próprio. O garoto agora se encontrava dentro de um ônibus com sua mente cansada.
– Com licença? – o garoto levantou o olhar e viu que uma senhora de idade estava a sua frente, soltou um sorrisinho para a senhora e se levantou dando lugar a senhora e logo voltando aos seus pensamentos.
É serio Enzo? Sério mesmo? De todas as coisas que você poderia dizer pra ela você falou aquilo? Você poderia ter se declarado pra ela, babaca! Mas o que eu estou pensando? Não vou me declarar pra ninguém! Eu posso ter todas, não vou me amarrar a apenas uma só porque meu coração resolveu cismar com ela não, ou porque meu cérebro se perde em pensamentos com ela, ou porque minhas mãos soam quando estou com ela, aaaahh vai se fud*r mente do caral*o!
O garoto desceu do ônibus e chegou á seu lugar favorito. O parque Titicaca. Não que ele estivesse com vontade de brincar nos brinquedos daquele parque infantil, não estava nem um pouco a fim, mas ele amava o cachorro quente que a Tia Dora fazia. Ele se dirigiu a banquinha e beijou a senhora na bochecha a surpreendendo.
– Enzo, o que faz aqui agora menino?
– Resolvi vim te ver. – sentou-se a cadeira ao lado da mulher que estava de pé mexendo o molho.
– Ui, mais que privilégio esse! – ironizou – Deixe-me adivinhar, o de sempre?
– Sempre! – a mulher sorriu e entregou-lhe um cachorro quente.
– E então, como está na faculdade?
– Bem. – falou ele de boca cheia.
– E o Dante, como está?
– Bem. – novamente de boca cheia.
– Menino, não fale de boca cheia! – o repreendeu enquanto servia cachorro quente á quatro adolescentes em torno de seus 14 anos. Dois meninos e duas meninas. Crianças precoces. Pensou o garoto desgostoso.
– Mas você fica me perguntando as coisas enquanto estou comendo. – defendeu-se o garoto que agora estava de boca vazia.
– Não pode esperar para responder? – perguntou rindo do garoto enquanto servia outras pessoas.
– Não. – falou simplesmente voltando a comer enquanto a mulher fazia seu trabalho.
Depois de Enzo ficar uns 20 minutos ali apenas acompanhando o trabalho da mulher, calado, resolveu se pronunciar.
– Quer ajuda?
– Não preciso, porque você não vai andar na roda gigante ou montanha-russa sei lá?
– Não estou com cabeça pra isso. – disse carrancudo virando seu rosto para o lado.
– Já falei pra você que odeio esse seu bipolarismo? – falou rindo o fazendo rir também.
– Acho que vou á roda gigante. – levantou-se e antes de sair da barraquinha ouviu-a dizer:
– Uma ótima escolha.
Enquanto Enzo esperava na fila para entrar na roda gigante resolveu observar as pessoas ao seu redor, nesse parque ele sempre via de tudo. Desde pais e filhos, namorados e donos de animais de estimação á crianças precoces a qual ele deixa claro não gostar. Enquanto ele esperava na fila sente algo sendo posto em seu bolso da calça, vira de costas e vê três garotas juntas e uma desvia o olhar quando ele se vira, ele volta a sua posição anterior e pega o papel no seu bolso.
“Me liga! Gabe.
(xx) xxxx-xxxx”
O garoto deixou o papel em mãos e assim que se aproximou de uma lixeira em frente á roda gigante jogou o papel fora. De garota oferecida já basta ás da faculdade.
Ele entrou na roda gigante e esperou que o brinquedo começasse a funcionar, e funcionou, mas logo parou voltando para trás fazendo o garoto se alarmar. De repente abrem sua cabine e um garoto entra na mesma fazendo Enzo virar entediadamente seu rosto para o lado contrário e ouviu um risinho nasalado sendo solto pelo garoto.
– Quem diria? Eu e Enzo na mesma cabine da roda gigante. – Enzo o ignorou. – Você não é tudo o que dizem. – deu de ombros chamando a atenção de Enzo.
– Se não sou então porque interessa tanto a MINHA presença nessa cabine? – perguntou erguendo uma sobrancelha assustando um pouco o garoto despreparado.
– Aff’ – disse finalmente o garoto olhando para o lado assim como Enzo fizera antes. – Tanto faz se você está aqui ou não.
– Você é muito contraditório Thomas William.
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