Medo de amar
6 Capítulo 5
Notas iniciais
– Cadê, cadê? Argh! – suspiro e me sento na cama da minha colega de quarto frustrado. – Será possível que essa menina não tem uma foto dela por aqui? – volto a vasculhar suas coisas após demonstrar minha frustração até que encontro na escrivaninha muito bem escondida, uma foto dela com um shitzu branco com chocolate nos braços, ela está sorrindo e o cachorro está lambendo seu rosto.
De repente me pego dando uma risada. Os olhos grandes dela estão fechados enquanto sorri e se encolhe enquanto o cachorro molha toda sua bochecha com a saliva, ela segura ele com os dois braços e parece querer afastá-lo. Imagino-a dizendo:
– Tire logo essa foto pra ele parar de me lamber! – e usando sua risada escandalosa enquanto fala. Suspiro.
–... Acho que você deveri... – olho para a porta e encontro seu olhar interrogativo. Corro e escondo a foto dentro da minha camisa antes que ela perceba. – Pera ai que já te ligo de volta. – ela desliga o telefone e continua me encarando surpresa – Posso saber o que você faz aí na minha cama?
– Ah, eu... Tanto faz! – digo irritado.
Eu sei que não tenho direito nenhum de ficar irritado, afinal, eu estava mexendo nas coisas dela, mas eis aí um dos meus poucos defeitos, eu não sei demonstrar meus sentimentos, e com isso acabo tratando mal as pessoas que eu gosto.
Dirijo-me ao banheiro, mas antes de entrar escuto ela dizer:
– Eu não sei o que você vai fazer aí dentro, mas já aviso logo que o papel higiênico acabou hoje cedo. – Faço uma cara de espanto. Como ela consegue dizer isso tão naturalmente? Ela é uma garota, deveria se sentir envergonhada ao dizer essas coisas.
– Ás vezes me pergunto se você realmente é mulher. – digo saindo do banheiro e fechando a porta.
– Cale a boca! – escuto a dizer irritada antes de eu sair do quarto, o que me faz dar uma risada.
Não vou precisar de papel higiênico pro que vou fazer, mas preciso de coragem, o que ainda estou tentando reunir. É a primeira vez que vou fazer isso. E mesmo que eu seja homem, isso não deixa de ser nojento, e dependendo do ponto de vista, até mesmo doentio, mas realmente preciso saber se estou apaixonado ou não.
Meu celular treme no bolso, whatsapp.
“Eu e você hoje á ás 23h00min no motel For Seduction.”
“Hoje não”
“Quem é a puta por quem você está me trocando?”
“Adeus”
Bloqueei a Christina para que não me mandasse mais mensagens hoje e me deixa-se nem que fosse um pouco em paz. Preciso realmente criar coragem pro que vou fazer. Além de quê não estou com clima pra transa. Pera ai! O que foi que eu disse?? Cara eu to ficando louco só pode, eu nunca recusei uma transa, o que esta acontecendo comigo?
Meu celular treme de novo.
– Mas que merda pensei que tinha te bloqueado v*adi...
Ah, é o Dante.
“E aí, cara! Você vai à festa do Connor hoje?”
“Não tô afim”
“Tá aonde?”
“No jardim, no banco do anjo”.
“Estou indo aí”
Fiquei esperando por ele enquanto via as pessoas passando na minha frente. Casais heterossexuais e homossexuais, pessoas com seus celulares e livros, pessoas correndo aparentemente atrasadas e pessoas que pareciam entediadas e que apenas queriam dar uma volta provavelmente assim como eu.
Não demorou muito e o Dan chegou se sentando ao meu lado enquanto mexia no celular, logo o colocou de lado e resolveu me dar atenção.
– E aí, brother! – me deu um tapinha nas costas. – Tudo bem?
– Indo. – coloquei minhas mãos no pescoço e joguei minha cabeça para trás.
– Não sei se é hora pra falar disso pela sua cara, mas queria ter uma confirmação sua em uma coisa.
– O quê? – disse ainda observando o céu que estava nublado.
– Gabriel me contou que você esta apaixonado pela Dilia.
– Quem é Dilia? – me endireito o encarando confuso. Ele está em pernas de índio sentado no banco enquanto olha para um grupo de meninas a frente.
– A sua colega de quarto, obviamente. – disse agora me encarando.
– Ah, o nome dela é Diana. – ele dá de ombros. – e respondendo a sua pergunta, eu não sei.
– Pera ai! O quê? – ele me olha com olhos espantados – Enzo você não pode estar apaixonado, você nunca se apaixonou.
– Pra tudo tem uma primeira vez. – digo observando uma garota correndo e trombando em um nerd que estava amarrando os cadarços. Ri.
– Ok. Mas já que você não sabe o que planeja fazer para descobrir? – O olhei por uns segundos e ele pareceu finalmente entender o que eu iria fazer. – Ah não! Eu não acredito Enzo!
– Eu não conheço outra forma, okay?! – digo revirando os olhos e ficando de braços cruzados.
– Fala sério Enzo. – ele diz rindo e balançando a cabeça. – Eu não acredito que você vai se masturbar com uma foto da Dilia.
Fale com o autor