Notas iniciais
engulha@hotmail.com

O garoto chora.

Grita sozinho. Ninguém parece escutar.

Em um escuro amedrontador ele se esconde.

Não pode ver nada. Fica quieto algum tempo para que possa ouvir algo.

...

Distantemente ouve um latido.

Aterrorizado baixa a cabeça e grita novamente.

Seu rosto encharcado e rosado mostra que fazia mais de uma hora que chorava.

Passava a mão vez ou outra para limpar as lágrimas.

Achava que isso ajudaria a ver algo a sua frente mas era inútil.

Acreditava em heróis mas neste momento nem lembrava deles.

Como se a realidade o mostrara que quando se está sozinho, está sozinho.

Medo.

Um choro quase que engasgado. Um choro soluçante. Um choro berrado.

Pede a ajuda de Deus, já que ninguém com ouvidos o ouvira.

...

Nada.

Uma luz se abre em meio a escuridão e que faz André se esconder mais ainda.

A luz fica mais forte lentamente.

E tudo fica iluminado.

-Por favor, André. Vai dormir — Marta, de roupão implora ao garoto. Sua voz indicava impaciência.

Foi até o garoto e o colocou deitado. Arrumou a coberta. E saiu.

Antes de fechar a porta, sem dar ouvidos a um 'mas mãe', ela se vira

- Amanhã você vai pro colégio, depois fica reclamando que não consegue levantar.

Ela apaga a luz e fecha a porta lentamente.

A luz vai diminuindo, colocando novamente o garoto em plena escuridão.

Sentado na cama ele tenta ver algo naquela penumbra, mas seus olhos parecem não ajudar.

O garoto chora.

"Ubirajara Placzkievicz"

Notas finais
engulha@hotmail.com
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