Medicine

1 Único: You could still be what you want to...


Notas iniciais
Boa noite, galera!

Como vocês estão? Acho que está todo mundo sofrendo por causa desse maldito hiatus que nunca acaba... Mas só faltam mais alguns dias, vamos ser fortes!

Bem, estou aqui com mais uma one-shot sobre o relacionamento maravilhoso de Jemma e Skye e espero que vocês gostem.

Leiam ao som de "Medicine", da banda Daughter. Boa leitura!

Pick it up, pick it up and start again... You’ve got a second chance. You could go home. Escape it all, it’s just irrelevant.

Assim como sentiu o chão começar a tremer abaixo de seus pés, Skye sentiu quando tudo parou e, também, sentiu as ondas pararem de se propagar através de seu corpo. O silêncio que a recepcionou parecia completamente fora do contexto exasperado e gritante que seu corpo experimentara minutos atrás.

Skye tinha os olhos fechados e recusava-se a abri-los. Sabia que ao abri-los, enxergaria todo o estrago e toda a dor que ela provocou. Abrir os olhos era trazer à verdade à tona, tudo se tornaria real e imutável. Tudo se tornaria escuridão e monstruosidade, como Ward previu desde sempre.

O que ela se tornara?

Skye ansiava por aquela resposta, mas tinha medo de obtê-la. Naquele momento, ficou feliz por não saber e não enxergar. A escuridão tornou-se a sua melhor companhia e o seu melhor refúgio. Ela não queria voltar para o que já não era.

- Skye! Você está bem?

A voz de Coulson, preocupada e angustiada, ecoou dentro da câmara em que Skye estava aprisionada. A jovem fraquejou e caiu de joelhos na terra, suas mãos vibrando as partículas da superfície do solo que a circundava. Skye apoiou-se em suas mãos e procurou respirar fundo, seus olhos ainda estavam fechados e ela recusava-se a responder aos chamados.

- Por favor, Skye... Você consegue me ouvir?

Coulson estava mais ofegante e Skye, depois de todo aquele tempo convivendo com o homem, reconheceu os nuances de preocupação em sua voz aumentarem ainda mais. A jovem permaneceu em silêncio, com as mãos tocando a terra, Skye conseguia sentir as pequenas ondas que começavam a se propagar pelas imensas rochas que a circundavam.

Seu santuário não estava seguro para sempre, logo, ela teria que enfrentar o mundo.

- Trip? Você consegue me escutar? Skye está com você?

Trip.

Skye finalmente abriu os olhos, arregalados pelo pavor e encontrou o que restara de Trip no chão. A massa porosa e cinzenta não lembrava o agente jovial e brilhante que ele fora até anteriormente. Skye já o vira daquela forma, mas agora, sem pedras caindo ao seu redor e sem terremotos aos seus pés, ela finalmente conseguiu visualizar o que ele se tornara.

Melhor... No que ele se transformara.

Skye chorou, não por tristeza somente, mas pela fúria que se propagou do centro de seu corpo até as extremidades do mesmo. Seus punhos se fecharam e ela esmurrou o solo enquanto as suas lágrimas molhavam-no. Imediatamente, o chão voltou a tremer, de forma cada vez mais intensa e crescente, acompanhando a frustração e a fúria que a jovem trazia dentro de si.

As ondas sísmicas se propagaram e se exteriorizaram. As imensas rochas que circundavam a câmara do Obelisco quebraram-se com um estrondo, Skye sentiu as tremulações dos efeitos do seu recém-adquirido poder voltarem para ela. Skye sentia cada vibração como se fosse feita somente delas.

E, de certa forma, era assim que ela se sentia. Para Skye, ela era feita de qualquer coisa, menos da humanidade, esta se fora quando o corpo de Trip desintegrou-se aos seus pés.

- O que aconteceu...?!

Coulson parou de perguntar quando seus olhos encontraram a resposta, assim que ele entrou por uma fresta das rochas que Skye destruíra. O agente olhou de Skye para o corpo desintegrado de Trip e a única coisa que ele pode fazer foi encolher os ombros e respirar profundamente. Ele procurou se aproximar, mas Skye colocou-se em pé rapidamente e o olhou, a fúria contida em seus olhos não estava machucando apenas ela, mas o próprio Coulson.

Os dois não trocaram palavra alguma, os punhos de Skye voltaram a se fechar e os tremores recomeçaram. Ela fechou os olhos e chacoalhou a cabeça, tentando esquecer que sua cabeça era feita de vibrações e que ela as sentia na ponta de seus dedos... Quanto mais lutava, mais os tremores aumentavam.

A própria Skye gritou. Coulson gritou.

Skye não viu quando foi nocauteada e nem quando Mack a carregou para fora do labirinto de túneis e rochas daquela maldita cidade subterrânea.

It’s just medicine. You could still be what you want to, what you said you were when I met you.

- Diretor, nós não podemos mais deixá-la presa naquela câmara! — Jemma Simmons argumentava enfática, enquanto tentava acompanhar os passos de Coulson pelos corredores do Playground. O diretor balançava a cabeça negativamente, mas não respondia a qualquer indagação que a cientista fizera desde que começara a caminhar com ele, há exatos quinze minutos. Jemma respirou fundo e agitou as mãos. — As vibrações diminuíram nas últimas semanas, os testes comprovaram isso! Ela é forte, ela pode se controlar... Por favor, não duvide dela! Skye não faria mal a nenhum de nós!

Coulson parou bruscamente e Jemma acabou indo de encontro às costas dele. A cientista recuperou-se do choque, dando um passo afobado para trás, enquanto o agente virava-se para ela com a expressão dura. Coulson a olhou sério, os olhos frios e analíticos e, com a voz autoritária, esbravejou:

- Agente Simmons, eu não isolei Skye por causa do perigo que ela pode representar a nós e sim, por causa do perigo que ela pode representar a si! Nós dois sabemos que essas vibrações e ondas partem dela e que podem, muito bem, matá-la se ela não souber controlá-las!

- O problema é que nunca saberemos se ela é capaz de controlá-las se nós não confiarmos nela! — Simmons contra argumentou ainda mais incisiva, os olhos claros estavam brilhantes e seu tom de voz estava até mais agudo. Estava claro que ela não desistiria tão fácil.

Coulson deixou que as palavras de Simmons flutuassem no espaço entre eles. O agente sabia que não estava sendo justo com Skye e que também estava mentindo. Ele tinha medo do que ela se tornara, medo por ela e pelos outros... Isolá-la era a melhor forma de lidar com o problema sem, de fato, enfrentá-lo. Coulson suspirou e olhou para Simmons, existia pena em seu olhar... O que não passou despercebido pelo olhar atento de Simmons, a jovem cientista fechou os olhos e respirou fundo, uma tímida lágrima escorreu pelo canto de seus olhos e ela a limpou, rudemente.

- Se ela pudesse, ela estaria profundamente decepcionada com o senhor agora. — Simmons murmurou com a voz trêmula e, antes que Coulson pudesse assimilar as palavras que ela dissera, a cientista deu às costas a ele e o deixou sozinho no meio do corredor.

Coulson passou a mão direita na testa e respirou fundo enquanto a observava desaparecer entre os corredores, o agente diretor os ombros e virou-se na direção contrária, retomando a sua caminhada com os passos pesados e lentos, sentindo o aperto em seu coração tornar-se ainda mais incômodo.

Simmons, por sua vez, voltou imediatamente à ala médica. Nenhum dos profissionais que ali se encontravam ousou questionar o que ela estava fazendo ali, era comum que ela passasse mais tempo ali do que em qualquer outro lugar do Playground. A cientista passou pelas bancadas, macas e armários para, enfim, chegar ao ponto mais distante e mais isolado daquela ala.

Seus olhos encontraram o vidro de uma janela e suas mãos tocaram o metal da imensa câmara que fora instalada ali desde que tiraram Skye daquela maldita cidade subterrânea. Como já era tradicional, Skye estava sob a ação de fortes sedativos, mas os delicados tremores podiam ser sentidos através do metal. Simmons sorriu de lado, Skye tinha suas maneiras únicas de demonstrar que ainda estava viva.

A cientista olhou através do vidro, encontrando Skye adormecida entre travesseiros e cobertores. Seus sinais vitais lidos através das máquinas estavam estáveis, como Simmons pode observar. A expressão da agente estava calma e serena, totalmente diferente das últimas vezes em que Simmons a viu consciente.

Olhando para Skye, lembrava-se dos gritos, do desespero e, principalmente, dos tremores violentos que tomavam o Playground sempre que tentavam progredir na situação em que ela se encontrara. Tantos foram os fracassos que todos pareciam ter desistido de Skye. Coulson pediu algo para contê-la e Fitz construiu aquela câmara junto com Mack.

Agora, Skye estava aprisionada.

E Jemma sentia-se culpada por não ter conseguido fazer nada. Suas análises, seus estudos... Ela não conseguira descobrir uma forma de ajudar Skye e sentia-se extremamente inútil diante de suas falhas. O único avanço que conseguira fora estabelecer uma ligação entre os tremores e as emoções de Skye. Mas não podia fazer mais nada se Skye não estivesse acordada.

E Jemma não estava preparada para vê-la passar a vida toda aprisionada a uma cama como se ela fosse alguma louca remanescente da HYDRA.

“Mas, você não consegue imaginar a sua vida sem ela...”

As palavras de Trip fizeram-se presentes na mente de Simmons, a cientista fechou os olhos e os filetes de lágrimas escorreram pelos cantos de seus olhos. As lágrimas não ajudaram suas emoções e sim, inflamaram-na ainda mais. Simmons encostou a testa no vidro frio da câmara e respirou com dificuldade, abrindo os olhos e voltando os olhos para Skye.

Skye não era uma ameaça, ela não representava perigo. Skye era sua amiga, era sua... Simmons recusava-se a pensar enquanto não agisse.

Por isso, sem pensar e tomada por suas emoções, Simmons voltou-se para a tela que regulava os sinais vitais e medicações de Skye e teclou algumas opções. Estava quebrando as regras, exatamente como Skye a ensinara, Simmons não pode deixar de sorrir diante das lembranças. Quando a última opção a ser desativada piscou na tela, ela vacilou por alguns segundos.

Mas logo a executou da mesma forma.

Tinha alguns minutos antes que Skye acordasse. Simmons desativou a trava de segurança da câmara e entrou. O cheiro hospitalar penetrou em seu olfato e ela alterou o código de segurança assim que parou ao lado da cama de Skye. Simmons trancou-se lá dentro e aguardou, pacientemente.

Ela não abandonaria Skye.

You’ve got a warm heart, you’ve got a beautiful brain... But it’s desintegrating from all the medicine.

Skye abriu os olhos com dificuldade e assim que os fez completamente, a luz artificial rapidamente cegou seu campo de visão por alguns instantes. Ela piscou mais de uma vez até que sua visão entrou em foco e ela encontrou Simmons sentada à beira de sua cama.

A agente ergueu-se abruptamente, assustada por estar acordada quando bem sabia que tinha que estar dopada. Os bipes agudos das máquinas acusaram a sua agitação, assim como a câmara começou a tremer. Skye viu quando uma luz quebrou-se acima delas, agora, ela só conseguia enxergar a silhueta de Simmons.

O que estava acontecendo? Por que Simmons estava com ela?

Skye escutou gritos exasperados enquanto tentava se situar. Batidas na janela de vidro a assustaram e a câmara tremeu violentamente. Skye enxergou, através do vidro, a expressão preocupada de Fitz, os olhares confusos de Bobbi e Lance e a expressão neutra de May. Ela escutou as batidas violentas e os rangidos metálicos na porta e, depois, Coulson surgiu em cena. Skye não conseguia ouvi-lo, mas podia sentir a sua raiva, ele apontava para Simmons.

Skye virou-se abruptamente para Simmons. A cientista a encarava com um sorriso culpado e dizia:

- Já estava na hora de você acordar.

- Eu não deveria estar acordada, você sabe disso, Simmons! — Skye esbravejou inquieta, levantando-se da cama desequilibrada pelos temores aos seus pés. Caminhou até as máquinas e procurou encontrar a solução para voltar a dormir. Mal chegara a primeira delas quando Simmons puxou a sua mão e ela voltou a cair na cama, o olhar duro a paralisou. — Você está querendo matar todo mundo?

- Não, mas eu não vou abandonar você, eu não sou como eles... Eu acredito que você pode controlar isso tudo! — Simmons tinha os olhos duros, mas a sua voz denunciava que ela estava exacerbada pela emoção. Skye a olhou confusa e Simmons jogou-se para frente, abraçando-a. — Você é forte, Skye. Por favor, não desista.

O abraço de Simmons não englobou somente o corpo trêmulo de Skye. O aperto que envolveu a agente também envolveu todos os sentimentos, incluindo a dúvida e o medo. Aquela segurança, que Skye sentia no momento, não lhe era familiar... O calor do corpo de Simmons junto ao seu esquentou todas as porções frias que se instalaram em seu interior desde que os tremores começaram a amaldiçoá-la.

Simmons, corajosa a ponto de se jogar do Bus para salvar a vida da equipe, e forte a ponto de carregar o corpo desacordado de Fitz por águas profundas, provava mais uma vez que não era tão racional como a ciência que tão veemente seguia. Simmons era feita de sentimentos e emoções que, naquele momento, estavam à flor da pele.

Ao redor delas, tudo tremia e tudo estava agitado. Skye continuava imóvel, as lágrimas escorriam lentamente por sua face. Ela não conseguia abraçar Simmons de volta sabendo que poderia perdê-la, para sempre.

Mais uma luz quebrou acima delas. Skye escutou os gritos preocupados através do vidro e procurou se afastar. Mas Simmons a apertou e a puxou ainda mais para perto, aconchegando-se em seu peito.

Simmons não ia deixá-la, por mais irracional e perigoso que permanecer ao seu lado pudesse ser.

You could still be what you want to be, what you said you were when you met me.

Os tremores aumentaram e as máquinas começaram a cair.

Skye sentiu seu braço ser puxado para baixo quando o suporte de seu soro caiu, a agulha em sua veia foi puxada bruscamente para longe, a dor aguda em sua mão só não a assustou mais do que o seu próprio sangue que escorria pelo lençol branco. Manchando de vermelho o que estava imaculado, assim como Skye manchara a história da sua equipe ao matar Trip.

Simmons continuava presa a ela enquanto a câmara ao redor delas se desintegrava sob os ruídos ensurdecedores dos metais que retorciam. A cientista ergueu o rosto de seu peito e a olhou com os olhos marejados, Skye desviou os olhos dela, mas ainda não conseguiu se afastar. Simmons apertou sua cintura e, através dos sons ensurdecedores que as cercavam, disse trêmula:

- Você ainda é aquela Skye que eu conheci. Nada mudou dentro de você!

- Como pode dizer isso, Simmons? — Skye gritou, soando mais ferida do que aparentava. As lágrimas escorriam sem pausa por seu rosto. Seu olhar perdido digladiava-se com a coragem dentro dos olhos de Simmons. Porém, a dor de Skye ecoou dentro de Simmons que, imediatamente, também se permitiu chorar. Skye prendeu as mãos, que a seguravam, e aplicou a força necessária para que estas a soltassem. A expressão de Simmons transformou-se da dor para o choque. — Se nada tivesse mudado, Trip ainda estaria aqui... Eu mudei, eu nunca mais vou voltar a ser o que eu era. Nós nunca mais voltaremos a sermos o que éramos. Eu destruí isso tudo!

Simmons escutou as palavras pacientemente, mas não conseguiu acreditar nelas. Skye levantou-se abruptamente da cama e caminhou até a trava de segurança da porta, todas as suas tentativas fracassaram e ela deu atenção ao painel de controle ao lado, digitando rapidamente em busca da senha para que os outros pudessem entrar e acabar logo com aquilo tudo.

Skye podia sentir os olhos de Simmons sobre si, a decepção dela trilhava um caminho direto para seu coração que, a cada minuto que passava, se reduzia ainda mais. A agente não podia fingir ser o que não era, nem mesmo a fé e nem mesmo a insistência de Simmons podiam tirar, de dentro dela, o que ela havia se tornado.

A monstruosidade crescia em seu interior e estava cada vez mais forte, tomando tudo que era bom e que fazia parte dela em um passado não tão distante. Skye era tão assassina quanto Ward, tão perigosa como Raina e tão filha de Cal como ele dizia que ela iria se tornar. A monstruosidade, a escuridão e o descontrole eram características que a afastavam cada vez mais do que Skye era. Naquele momento, Skye não podia deixar de pensar como Daisy Johnson estava entranhada, da pior forma, dentro dela. As raízes da fúria de seu pai e da loucura de Ward estavam prendendo-a naquela tortura e ela jamais poderia escapar do que estava, desde sempre, dentro dela.

Skye nascera para ser um monstro e, por mais que lutasse contra, não conseguiria vencer. Ela se tornara algo bem distante do humano. A humanidade não cabia mais dentro dela.

Os tremores diminuíam a intensidade conforme Skye conseguia desvendar os primeiros componentes da senha. Porém, suas mãos trêmulas denunciavam que seu estado emocional ainda estava, em muito, fora de controle. Skye estava no último componente da senha quando a mão direita de Simmons fechou sobre a sua.

Mais uma vez, Skye foi invadida pelo calor e pela luz que emanavam de Jemma Simmons. A agente parou o que fazia, mas seu coração estava acelerado. Os tremores aumentaram e chacoalharam violentamente tudo ao seu redor, a cama foi parar do outro lado da câmara. Skye fechou os olhos, ingenuamente acreditando que tudo pudesse parar se ela não pudesse ver...

- Por favor, Skye... Ao menos, tente. — A voz rouca de Simmons chegou aos seus ouvidos, assim como a respiração descompassada dela. Skye podia sentir as notas de medo em seu tom de voz, mas Simmons parecia decidida a não abandoná-la e nem deixá-la voltar para a própria escuridão. Sem que Skye percebesse, o tremor de seu corpo cessou e os tremores sentidos no chão abaixo de seus pés tornaram-se menos intensos. — Você não é nada daquilo que disseram que você seria... Você não é um monstro, você não precisa ser especial senão quiser ser... Você é muito mais do que o Obelisco quis que você fosse ao se abrir. Você é o que Trip sabia que você seria. Você é quem eu conheci e nada me fará acreditar que você mudou para pior.

Skye engoliu em seco e recomeçou a chorar. As palavras de Simmons iam contra a tudo que ela passara a acreditar desde que experimentara as primeiras conseqüências de sua nova eu. Skye não conseguia enxergar aquela pessoa a qual Simmons se referia, ela não queria que Simmons a visse como algo que ela não era. Aquela Skye não existia mais. Suas pernas fraquejaram e ela caiu de joelhos. Simmons caiu junto com ela e a abraçou novamente, Skye agarrou-se àqueles braços porque estava cansada dos tremores, de sua dor e da insistência de Simmons. Skye queria que aquilo parasse.

Tudo, mais uma vez, tremia violentamente.

Vidros se quebraram, luzes espatifaram-se em todo o Playground e a última coisa que Skye escutou antes de apagar, foi a voz de Simmons ao dizendo timidamente:

- E, principalmente, você ainda é aquela da qual eu não imagino a minha vida sem.

You could still be what you want to, what you said you were when I met you.

Quando Skye acordou, estava novamente na cama, mas nada mais tremia ao seu redor. Ela também não sentia mais as ondas se propagarem e explodirem na superfície de sua pele. Tudo estava silencioso e calmo, entretanto, tudo também estava confuso.

Skye conseguiu ficar sentada após lutar contra a dor em seu corpo, se colocou os pés para fora da cama quando escutou uma campainha aguda ecoar dentro do local. No instante seguinte, Simmons entrava atrapalhada através de uma porta e bronqueava:

- O que pensa que está fazendo?

Skye não pode deixar de lembrar-se de outra vez em que acordara com uma bronca de Simmons.

- Ahm, não sei. Eu acabei de acordar, eu acho. — Skye respondeu confusa, olhando para as próprias mãos e esperando sentir o tremor com o qual estava acostumada. As vibrações ainda estavam ali, mas estavam distantes, de forma que Skye conseguia senti-las, mas elas não a sufocavam e nem propagavam-se através de seu corpo. Simmons a empurrou de volta aos travesseiros e, depois, fez algumas anotações na prancheta que segurava. O silêncio entre as duas perdurou por alguns segundos, excitando a curiosidade de Skye. — Eu me lembro de pouca coisa desde a última vez...

- Não precisa se preocupar, ninguém se feriu e você só provocou alguns danos físicos ao Playground. Fitz e Mack estão trabalhando em dobro para consertar os equipamentos que foram danificados... Eles terão uma conversa séria com você quando eu lhe liberar. — Simmons respondeu com um sorriso brilhante nos lábios que, imperceptivelmente, provocou um sorriso de lado em Skye.

A agente observou tudo o que a circundava e não encontrou a familiaridade da câmara de metal com a qual estava habituada, pelo contrário, estava de volta ao seu dormitório, as únicas coisas que não pertencia àquele cômodo eram as máquinas que monitoravam seus sinais vitais.

A porta do quarto se abriu e Coulson entrou por ela, a expressão de alívio no rosto do diretor fez Skye dar de ombros e abrir um sorriso ainda maior que aquele dado a Simmons. Estava feliz por vê-lo de novo na calmaria, não tinha boas lembranças das últimas vezes em que vira o diretor. Coulson pigarreou e, com as mãos nos bolsos, disse extrovertido:

- É bom ter você de volta, como se sente?

- A ausência de terremotos é um bom sinal, eu acho. — Skye respondeu confusa e Coulson riu da resposta dela, ele agitou a cabeça levemente e virou-se para Simmons, a cientista estava absorta em suas anotações e não percebeu que ele a observava. Skye sentiu seu coração bater mais forte quando também a olhou, um pequeno tremor derrubou um vaso ao lado de sua cama e Simmons ergueu a cabeça bruscamente. A cientista parou ao seu lado na cama e perguntou:

- Está sentindo alguma coisa?

Skye ruborizou e não conseguiu responder sonoramente, apenas agitou a cabeça e pode ver Simmons suspirar aliviada. Existiam olheiras arroxeadas embaixo de seus olhos claros e a pele dela estava mais pálida que o normal, Simmons estava esgotada, Skye acabara de acordar, mas ainda era capaz de lê-la.

Coulson pigarreou atraindo a atenção das duas garotas, ele tinha uma expressão risonha e parecia conter um sorriso, o diretor retirou as mãos dos bolsos e disse:

- Bom trabalho, Jemma.

Simmons agradeceu com um aceno e sorriu para ele, a cientista o acompanhou até a porta. Quando voltou, Skye olhava fixamente para ela, a agente brincou com o cobertor que a cobria e perguntou receosa:

- Aquilo acabou?

- Eu realmente espero que não, mas você aprendeu a controlar, inconscientemente. As vibrações já vinham diminuindo, mas desde aquele dia, elas chegaram praticamente ao zero. — Simmons explicou pacientemente diante das caretas de Skye, ela realmente queria que os tremores nunca mais voltassem. — Elas fazem parte de você e se manifestam de acordo com o que você sente.

- Então aquilo, agora a pouco, foi algo relacionado ao meu suposto poder? — Skye perguntou curiosa, sentindo o rubor esquentar ainda mais a sua face. Simmons, para a sua surpresa, também enrubesceu. A cientista lhe deu às costas e continuou a anotar na prancheta enquanto respondia:

- Acredito que sim.

- Mas, eu acho que não estava sentindo nada. Quer dizer, não é algo que eu tenha conhecimento sobre... — Skye respondeu confusa, suas mãos tremeram e as ondas propagaram-se através da cama, ondulando os cobertores lentamente. Simmons observou todo aquele fenômeno com os olhos interessados, mas quando se virou para Skye, ela tinha uma expressão gentil e corada ao responder:

- Então, vamos descobrir juntas.

Skye acenou com a cabeça e Simmons sentou-se ao seu lado, segurando seu pulso para medir sua pulsação. A agente observou os dedos pálidos em seu braço e os olhos de Simmons concentrados no ponteiro de segundos em seu relógio de pulso. Novamente, as ondas voltaram a propagar-se de seu interior, vibrando os cobertores. Skye fechou os olhos e lembrou-se do que Simmons arriscara para trazê-la de volta e, quase que instantaneamente, as ondas acalmaram-se em seu interior.

Skye sorria satisfeita quando abriu os olhos e Simmons a contemplava também com um sorriso, a agente riu roucamente e exclamou:

- É bom descobrirmos juntas. Eu ainda não estou pronta para deixar você sozinha por aqui.

- Viu? Você ainda é a mesma, Skye. — Simmons exclamou levemente emocionada, os olhos brilhavam e entregavam o alívio que ela sentia por ouvir a risada de Skye mais uma vez. A agente afagou a mão que antes segurava seu pulso e murmurou:

- Eu não saberia disso, agora, senão fosse por você.

O coração de Simmons acelerou e, mais uma vez, ela abraçou Skye. A agente riu enquanto a aconchegava em seus braços e afagava os cabelos claros.

Skye, definitivamente não era mais a mesma, mas ainda podia ser o que queria ser e, principalmente, ainda podia ser o que Simmons precisava que ela fosse.

Notas finais
Espero que tenham gostado da fanfic!

Um agradecimento especial à leitora JustLoveIt que veio me sugerir "Medicine" para esse shipper... Bem, eu não segui a sua sugestão inicial, mas realmente espero que você tenha gostado! Fiz com muito carinho.

Bem, aqueles que gostaram, por favor... Comentem! *-*

Beijos e até a próxima,
FerRedfield
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!