Notas iniciais
Só os mortos conhecem o fim da guerra.

Eles não falavam, não precisavam de palavras afinal. Eles se compreendiam do jeito deles, um jeito um tanto quanto peculiar, vai ver era exatamente por isso que os outros não os entendiam.

O que lhes faltava de palavras sobrava de princípios, eles queriam um mundo melhor, eles acreditavam em um mundo melhor, onde as pessoas fossem realmente boas,onde guerra fosse uma palavra a muito esquecida. Mas tudo nessa vida tem um preço, o destino é algo irônico, cruelmente irônico eu diria, eles sabiam disso. Eles sabiam que o único jeito de parar essa maldita guerra seria guerreando.

Sim, eles foram para a guerra, para o centro do furacão que naquela época assolava a humanidade, ao seu lado estavam muitos jovens que, como eles, só queriam contribuir de algum jeito. Só queriam que tivessem orgulho deles, jovens felizes e inocentes, jovens com muito a mostrar e ao mesmo tempo com tudo a perder.

O treinamento foi difícil. Eles estavam sozinhos e acuados em uma sociedade que treinava para guerrear, para combater, para matar.

Os futuros soldados corriam, suavam, gritavam e passavam o tempo livre jogando cartas. Mas não os dois irmãos, eles estavam sempre juntos, sempre em silêncio, eram uma incógnita dentro do pelotão.

Aos poucos ganharam a simpatia das pessoas de lá, mas seu maior erro foi achar que a guerra seria como o treinamento, é incrível como em instantes tudo desmorona. Ideais, felicidade, calma. Isso não existe para a guerra, ela te transforma, ela os transformou.

Sujeira por todos os lados, sangue, barulhos ensurdecedores, sem falar nos dias de chuva, onde se dormia com o corpo encharcado e exausto, doenças por toda parte. Eles se confortavam na presença um do outro, tudo o que passavam, tudo oque superavam juntos. Mas era difícil, cada dia era uma perda, mais um motivo para chorar escondido a noite a beira de um ataque de nervos.

Eram quatro da tarde, uma tempestade enorme castigava o acampamento improvisado, eles estavam reunidos, escutando as ordens dos seus comandantes. Um dos soldados se levantou, caminhou calmamente para fora do acampamento, conseguiu um esboço de sorriso olhando para seus colegas e Bang!

Naquele mesmo dia, eles foram emboscados pelo exército inimigo, mortos um após o outro, eu vi a vida de um dos irmãos ser levada enquanto o outro gritava, gastou em um grito desesperado tudo aquilo que não havia falado até aquele momento. O exército inimigo não o matou, cães bastardos, suas almas sujas pela guerra, seus corações inundados de ódio e crueldade, naquele dia o irmão sobrevivente teve de matar o resto de seus colegas a mando do exercito inimigo, ele ainda sonha a noite com aqueles momentos, tirando a vida daqueles que foram sua família nos momentos difíceis, ele ainda pensa em como os filhos daqueles homens vivem hoje sem um pai.

Ele foi solto após ter terminado, voltou para o pelotão agora quase vazio, para sua casa, para as pessoas que amava.

Ele voltou carregado de medalhas e cicatrizes, algumas que nunca mais sairiam, como poderia sustentar medalhas a que ele não merecia?

O pior era ver o orgulho nos olhos das pessoas que olhavam para ele, ele era um herói de guerra, um exemplo americano, um sobrevivente dos infernos que eram aqueles dias de luta.

Ele ainda acorda todo o dia no meio da noite e aponta uma arma para sua cabeça, ele a guarda e escreve sobre tudo oque passou e depois queima como se para apagar de sua mente tudo aquilo, ele está escrevendo isso agora, sua linda história, que vai para o fogo em questão de minutos, assim como sua vida foi no dia em que perdeu seu irmão.

Notas finais
Não sei com que armas a III Guerra Mundial será lutada. Mas a IV Guerra Mundial será lutada com paus e pedras.
Einstein
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!