Meant to Be
27 Chapter Twenty-Seven
Notas iniciais
Brittany estava em seu estúdio, mais precisamente em seu escritório, quando sua assistente anunciou que ela tinha uma visita. Após permitir a entrada, a loira viu Quinn passar pela porta.
– Nossa, que milagre é esse?! – brincou.
– É assim que você recebe sua melhor amiga? – perguntou Quinn.
– Não, é assim que recebo minha melhor amiga que esquece que eu existo – disse e as duas se abraçaram demoradamente.
– Eu sei que estou em falta com você. Você vai casar e eu definitivamente não sou uma boa madrinha, me desculpa... – disse Quinn.
– Olha, eu entendo, mesmo. Muita coisa está acontecendo e eu sei disso porque você está aqui com essa carinha de preocupação – as duas se sentaram no sofá que havia na sala.
– Eu só te perturbo né? – Fabray sorriu – Voltar para New York está mexendo com minha cabeça e esses últimos dias tem sido uma loucura... – bufou.
– O que aconteceu? Conte-me tudo, não me esconda nada.
– Há dois dias atrás eu dormi na casa da Rachel. Eu e Beth. Eu sinto que eu e Rachel estamos voltando a nos conectar, entende? Nós... Nós acordamos abraçadas.
– É um problema? Digo, vocês estarem se reconectando...
– Eu não sei. Desde que voltei, nós nunca conversamos de verdade sobre o que aconteceu anos atrás. É como se tudo estivesse inacabado e mesmo com essa reconexão, eu não posso. Não posso seguir em frente com ela. E eu namoro, B. Eu tenho a Annie...
– Você ama a Annie?
– Claro que eu amo.
– Mais do que você ama a Rachel? E não tente mentir...
– Você não está ajudando – bufou.
– E você não me respondeu.
– Você sabe que eu a amo, Brittany. Sempre amei.
– Então isso é tudo que você precisa saber. Não importa quanto tempo demore, se será amanhã ou daqui há cinco anos, você e a Rachel vão se resolver. O momento de vocês colocarem as cartas na mesa está próximo. Mas com relação a Annie... Bom, você sabe que não pode magoa-la. Então faça o que é certo, tudo bem?
– Tudo bem, tudo bem – assentiu e olhou para o relógio em seu pulso – Agora eu preciso ir. Preciso passar no escritório antes de sair com a Rachel e a Beth pra resolver algumas coisas do aniversário.
– Claro. Vamos marcar um jantar, nós quatro, talvez a Em e a Hanna também, como nos velhos tempos...
– Claro. Me ligue avisando – sorriu enquanto se levantava – Agora eu preciso realmente ir.
– Certo. Tchau, Q. E não esqueça: tudo vai acontecer no seu tempo.
– Tchau B e obrigada – despediram-se.
Quinn saiu do estúdio e dirigiu de volta ao seu escritório. Tinha uma reunião marcada antes de sair com Rachel e Beth. Ao chegar, foi direto para a sua sala e pediu a sua assistente para lhe informar quando todos chegassem para a reunião. Logo que sentou, seu celular começou a tocar e ela viu o nome de Annie no visor.
– Ah, alguém lembrou que eu existo – brincou a loira ao atender.
– Me desculpa, Q! Eu ando tão sem tempo... – disse Annie.
– Hey, eu estou brincando. Como você está?
– Estou bem e você? Como está a Beth?
– Nós estamos bem. E o trabalho?
– Tudo correndo bem.
– Então você voltará logo?
– É... Não. Não, eu só vou voltar para o aniversário.
– Ah, certo – disse a loira desconfiada pela mudança no tom de voz da namorada. No mesmo instante sua assistente abriu a porta, informando que estavam a sua espera para a reunião – An, eu preciso ir. Tenho uma reunião agora.
– Certo. Nos falamos depois. Beijo.
– Beijo e se cuida – desligou.
Após desligar, Quinn ainda permaneceu alguns segundos encarando seu celular. Ela conhecia Annie há alguns anos e podia dizer que havia algo errado. Assim como ela sabia que não demoraria a descobrir...
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Rachel estava em casa terminando de se arrumar para esperar Quinn e Beth virem lhe buscar. Ela havia ido ao teatro para uma reunião sobre sua próxima peça, que começaria a ser ensaiada logo após o aniversário de Beth. Seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho da campainha. Correu até a porta e ao abrir deu de cara com suas duas loiras.
– Hey, vocês estão adiantadas – sorriu e cumprimentou cada uma com um beijo no rosto.
– Mamãe saiu cedo da reunião, então... – disse Beth.
– Bom, então eu vou só terminar de me ajeitar e nós vamos – disse Rachel.
– Tudo bem, sem pressa – falou Quinn.
A morena voltou ao quarto, terminou de se ajeitar e minutos depois as três já estavam no carro a caminho do buffet que ficaria responsável pela festa. Quem as visse de longe não duvidaria que dentro daquele carro estava uma família feliz: as três sorriam e cantavam juntas as músicas que tocavam na rádio, fazendo com que o tempo passasse mais rápido e logo chegarem.
Passaram horas provando cada comida que deveria ter na festa e experimentando os mais diversos tipos de bolos para escolherem apenas um. Ao saírem da padaria, foram até a loja responsável pela decoração e depois a empresa responsável pelo som. Ao terminarem tudo, foram até o shopping. Quinn havia feito alguns pedidos para ela e Beth na loja de Stuart, além de uma surpresa que as duas haviam preparado para Rachel.
– Hey Stu – Beth foi a primeira a cumprimentar o homem logo que entraram na loja.
– Hey Rigby – disse o homem sorrindo e cumprimentando-a pelo apelido que era uma referência a música dos Beatles que Beth havia dito ser uma de suas preferidas – Hey Quinn, Senhorita... – cumprimentou também a loira e Rachel.
– Berry, mas pode me chamar de Rachel – respondeu a morena.
– Muito prazer, Rachel. Se bem que acho que já te vi por aqui...
– Sim, sim. Já vim aqui com a Quinn algumas vezes – sorriu simpática.
– Minhas encomendas chegaram, Stuart? – perguntou Quinn.
– Chegaram. Eu vou busca-las – o homem se encaminhou até a parte de trás da loja e voltou instantes depois com uma pilha de discos e alguns LPs – Aqui estão.
Beth foi a primeira a se aproximar para analisar a pilha. LPs dos Beatles, Led Zeppelin, Pink Floyd, além de discos do Arctic Monkeys e The Killers. Rachel sorria ao ver a animação da filha com cada coisa ali, não negando que era realmente filha de Quinn.
– Stu, falta um – disse a Fabray mais nova – Aquele especial...
– Oh, claro. Aquele eu guardei no cofre, para não correr riscos – disse o homem voltando para a parte de trás da loja.
– Nossa, no cofre? O que vocês compraram? – falou Rachel. As duas loiras sorriram entre si no mesmo instante em que Stuart voltava com uma caixa em mãos.
– Aqui está, Rigby – disse ele entregando a caixa, que era uma espécie de baú. Beth recebeu e sorriu em direção a Quinn que assentiu, tudo sob o olhar curioso de Rachel.
– Mammy, você poderia abrir pra mim? – perguntou Beth a Rachel.
– Okay, claro – respondeu a morena claramente confusa.
Beth, Quinn e até Stuart sorriam enquanto Rachel pegou a caixa e colocou sob o balcão para poder abri-la. Abriu as duas travas e então puxou a tampa para cima. Quando seus olhos encontraram o conteúdo da caixa, Rachel sentiu seu coração parar e ela paralisou.
– Mammy? – chamou Beth preocupada pela falta de reação da morena – Tudo bem?
Silêncio.
– Hey Rach – Quinn se aproximou e tocou o ombro da morena suavemente percebendo que agora sua respiração começava a acelerar – Calma, Rach. Respira.
Rachel respirava descompassadamente. Beth começava a se preocupar que talvez a surpresa não houvesse sido uma boa ideia. Quinn se aproximou da morena, ficando atrás dela e colocou sua mão logo abaixo do peito da morena.
– Respira, Rach. Calmamente – sussurrou Quinn no ouvido da morena.
Aos poucos a respiração de Rachel foi se acalmando. Ao sair do transe, a morena se virou, ficando cara a cara com a loira.
– Isso é realmente o que eu estou pensando que é? – perguntou.
– Bom, se você está pensando que é o primeiro LP da Barbra, autografado... – sorriu – Então sim, é o que você está pensando.
– Ai meu deus! – exclamou se jogando contra o corpo de Quinn.
– Se me permite interromper... – começou Stuart – Quando ela diz o primeiro, ela realmente quer dizer o primeiro. Essa foi o primeiríssimo, eu consegui compra-lo do neto do produtor do disco. Agora o autógrafo... Bem, isso você agradece a Quinn e Beth.
Rachel tirou o LP da caixa com as mãos tremendo e reconheceu a caligrafia de Barbra, que tantas vezes ela havia visto na internet, na capa.
“Para a minha fã e grande estrela da Broadway dos últimos anos... Rachel, que você permaneça permeando seu talento e simpatia por muitos e muitos anos em vários palcos. E que em seu próximo show tenhamos a oportunidade de conversar pessoalmente, o que não ocorreu no encerramento de Funny Girl. Beijos, Barbra.”
– Oh meu deus! Barbra estava no encerramento de Funny Girl? – perguntou Rachel chorando.
– Rachel, calma – pediu Quinn voltando a abraça-la – Sim, Barbra estava lá, eu lembro de tê-la visto quando chegamos no teatro. Disse a Leroy que você morreria quando a visse...
– Eu não acredito que não a vi, Quinn – choramingou a morena abraçada a loira, as duas sendo observadas por Beth e Stuart.
– Bom, eu sinto muito. Nós sabemos que aquela noite foi meio conturbada... – pediu Quinn.
– Tudo bem... – disse se afastando – Mas... Como você conseguiu isso? O LP, o autógrafo... Deve ter custado uma fortuna.
– Dinheiro não importa, mammy. O importante é você ter gostado – disse Beth.
– Gostar? Eu amei! Eu nunca poderei retribuir isso... Muito obrigada. Vocês duas. Você também Stuart.
– Bom, já que todos estão felizes, nós já podemos ir – disse Quinn – Stuart, quando chegar algo que possa me interessar, me ligue. E o pagamento já está na sua conta.
– Certo, Quinn. E não se preocupe, aqui nós estamos em família – disse o homem sorrindo e vendo Quinn assentir com um sorriso.
– Tchau Stu, até depois – se despediu Beth.
– Tchau Rigby, Rachel.
As três se despediram e saíram da loja rumo a praça de alimentação do shopping. Comeriam por lá mesmo e depois iriam para o apartamento de Quinn, onde Rachel passaria essa noite.
Jantaram e Quinn percebeu que Rachel estava estranhamente silenciosa. Pensou em perguntar algo, mas ali não era o lugar e nem o momento.
– Mãe, nós vamos dormir na sala? – perguntou Beth logo que elas passaram pela porta do apartamento.
– Vá se ajeitar, enquanto isso eu e a Rachel decidimos – disse Quinn.
Beth assentiu e se encaminhou para o seu quarto que ficava quase no fim do corredor. Quinn sentou-se no sofá e foi acompanhada por Rachel. As duas permaneceram em silêncio alguns segundos.
– O que está te incomodando? – perguntou Quinn.
– Nada...
– Você não me engana, Rachel – disse e então os olhares das duas se encontraram.
– Não é nada, Quinn. Só pensamentos...
– Compartilhe-os.
– Você não gostaria realmente disso... – disse Rachel dando um sorriso triste.
– Você não saberá se não me disser...
– Eu estou pensando naquela noite, okay? Feliz? Estou pensando no dia que você me deixou, em tudo que aconteceu para que eu te perdesse e nem percebesse...
– Ah... – foi tudo que Quinn disse.
As duas voltaram a ficar em silêncio. Rachel queria pra falar tudo que estava engasgado, assim como Quinn achava que aquele podia ser o momento de tirar tudo a limpo, mas ambas não tinham coragem suficiente para trazer o assunto à tona, além de o fator Beth ainda pesar. Elas não correriam o risco de começar uma discussão na frente da filha. Então, mais uma vez, as duas se conformaram com aquele silêncio ensurdecedor que gritava com suas almas, suas mentes e, principalmente, seus corações...
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