Meant to Be
24 Chapter Twenty-Four
Notas iniciais
No domingo pela manhã, Quinn estava em seu quarto quando ouviu uma batida na porta e logo em seguida viu o rosto de Beth por entre a fresta.
– Posso entrar, mamãe? – perguntou.
– Claro, meu amor. Vem cá – respondeu Quinn, batendo no espaço vazio do colchão ao seu lado. Beth se encaminhou até lá e se deitou, enrolando-se contra o corpo da loira.
– Posso ir pra casa da mammy?
– Não sei, filha. Sua mãe pode estar ocupada...
– Não está! Eu já liguei pra ela e ela disse que podíamos ir – disse animada.
– Mas e a sua vó?
– Vovó Judy vai sair com as amigas do grupo de leitura pra uma despedida, já que ela volta pra Lima essa semana...
– Então sua vó vai preferir passar o último dia em NY com as amigas do que com a família? – perguntou a loira se fazendo de ofendida.
– Bom, ela sabe que nos terá pra sempre, mamãe – riu Beth.
– Tudo bem, tudo bem. Então almoçamos com sua vó e mais tarde vamos pra o apartamento da Rachel, okay?
– Okay, vou avisar a mammy – quando já se preparava para sair da cama, Beth sentiu as mãos de Quinn lhe puxando de volta.
– Você não vai sair daqui, mocinha – disse Fabray apertando a filha em seus braços.
– Mas... – tentou.
– Nada de mas! Você agora é minha prisioneira e se tentar sair, sofrerá as consequências.
– E quais seriam elas?
– Pague pra ver – desafiou.
Beth tentou se soltar mais uma vez e sair da cama, até que foi atacada por Quinn, que lhe fazia cócegas, fazendo-a se debater em meio a risadas. A risada que Quinn tanto amava...
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Rachel estava na cozinha do apartamento, quando ouviu a campainha tocar. Correu até ela e antes de abrir a porta fez uma pequena pausa, arrumou o cabelo e passou a mão sobre a roupa. Ao abrir a porta seu corpo foi rapidamente agarrado por uma animada Beth.
– Hey baby girl – disse a morena devolvendo o abraço.
– Oi mammy – respondeu soltando-se do abraço e adentrando o apartamento já conhecido.
– Hey Q, tudo bem? – perguntou a morena com um sorriso sem jeito para a loira.
– Tudo ótimo, Rachel. Espero não estarmos atrapalhando, mas você conhece a filha que tem – sorriu e entrou seguindo Rachel para a sala do apartamento.
– Claro que não atrapalham, pelo contrário. Almocei com Britt e San, mas elas precisavam resolver algumas coisas do casamento, então tinha a tarde livre...
As duas sentaram no sofá da sala e observavam Beth procurar algo na estante que havia ali.
– O que você tanto procura? – perguntou Quinn.
– Como o que? Um filme! Vamos fazer sessão de cinema! – respondeu animada.
– Ah, nós vamos é?! Tudo bem... – riu Rachel.
Após algum tempo, Beth acabou escolhendo um dos muitos musicais que Rachel tinha em sua coleção. Ajeitaram-se no sofá e logo Rachel e Beth cantavam juntas todas as músicas. Quinn ria ao perceber quão parecidas as duas eram.
A tarde passou tão rápido quanto podia e logo a noite havia chegado. Pediram pizza e comeram em meio a muitas risadas. Então Quinn percebeu que já ficava tarde.
– Beth, está na hora de irmos, filha...
– Eu quero dormir com a mammy – disse Beth com um bico.
– Mas amanhã vamos levar sua vó no aeroporto logo cedo, meu amor...
– Tudo bem, Quinn. Eu posso leva-la no aeroporto, gostaria mesmo de me despedir da Judy e mandar algo para os meus pais.
– Tem certeza? Eu não quero te incomodar em plena segunda de manhã...
– Tudo bem. Eu tenho um encontro com o diretor da nova peça amanhã, então...
– Tudo bem – concordou e então olhou para Beth – Se comporte, mocinha.
– Sempre, mamãe – sorriu e então abraçou a Fabray mais velha – Te amo.
– Eu também te amo, filha – disse Quinn retribuindo o abraço.
Ao se soltaram, Beth saiu em direção ao quarto deixando Quinn e Rachel sozinhas. As duas permaneceram em um silêncio que não era nem um pouco constrangedor, mas sim um silêncio agradável.
– Bom, acho melhor eu ir – disse Fabray quebrando o silêncio.
– Claro, tudo bem – disse Rachel saindo de seus pensamentos.
– Boa noite, Rachel. Até amanhã.
– Até amanhã, Quinn. Cuidado – disse Rachel, observando Quinn se afastar.
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Na segunda, Quinn e Rachel se encontraram apenas no aeroporto, antes de Judy embarcar. O dia de ambas foi corrido. Rachel encontrou com o diretor, na verdade, diretora da sua nova peça. Já Quinn passou o dia enfiada no processo de abuso que estava lhe tirando o sono, tendo pouco tempo até mesmo com Beth, que após a escola passou a tarde com Brittany no estúdio.
Era terça-feira e Quinn estava em seu escritório quando seu celular alertou uma nova mensagem.
– “Jantar e filme hoje a noite. Eu, você e Beth. Topa? –R”
– “É uma ótima ideia. Estou precisando espairecer um pouco. –Q” – respondeu.
– “Ótimo. Esperarei vocês aqui em casa às 19h –R”.
– “Estaremos ai –Q”.
O dia passou e tão rápido a noite chegou, Quinn e Beth já estavam no apartamento de Rachel. A morena tinha um sorriso de orelha a orelha enquanto recebia a ajuda de Quinn para finalizar o jantar. Beth estava na sala, o que fazia com que elas ficassem sozinhas.
– E Annie? Já deu notícias? – perguntou Rachel.
– Falei com ela bem rápido ontem a noite. Ela sabe que o fuso é confuso, então estamos nos falando pouco...
– Entendo. Deve ser estranho ter só você e Beth naquele apartamento enorme...
– Não dá pra saber – riu – Passamos o dia fora e quando chegamos a noite só deitamos e dormimos. Por isso foi bom receber esse convite, apesar de ser mais cansativo na hora de voltar pra casa...
– Vocês poderiam dormir aqui – falou a morena sem pensar, recebendo um olhar confuso da loira – Quer dizer... Se vocês quiserem, podem dormir aqui.
– Não sei se é uma boa ideia, Rachel.
– Tudo bem. Eu entendo. Desculpa por isso... – disse sem jeito, virando de costas para a loira e voltando a se concentrar no jantar.
O jantar passou em um completo silêncio. Beth sentia que algo havia acontecido entre suas mães, mas sabia que não podia se intrometer. Tentou puxar alguns assuntos, porém não surtiu o efeito necessário.
– Acho melhor irmos embora, filha – disse Quinn surpreendendo Beth e Rachel após o final do jantar.
– Mas e o filme, mamãe? – perguntou a menina.
– Deixamos pra outro dia. Hoje eu não estou me sentindo bem...
– Mas... – tentou.
– Amorzinho, escuta a sua mãe, tudo bem? – interrompeu Rachel – O filme pode ficar pra outro dia.
– Promete? – questionou com seus olhinhos de gato de botas, herança da sua Tia Brittany.
– Prometo – sorriu Rachel.
– Então vamos, Beth – disse Quinn interrompendo o momento – Obrigada pelo jantar, Rachel.
– Tudo bem, Quinn – respondeu Rachel.
– Tchau mammy. Te amo – disse Beth já na porta do apartamento.
– Tchau, baby. Te amo também. Tchau Quinn.
Quinn acenou com a cabeça e tão rápido quanto haviam chegado, Beth e Quinn já haviam ido embora.
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– Mas mãe! Já faz um dia, eu quero ver a mammy! – dizia uma Beth emburrada.
– Não. Eu estou ocupada hoje – respondeu Quinn.
– Você disse isso ontem! Por favor, mamãe...
Quinn bufou. Era impossível resistir aos pedidos de Beth, mesmo quando ela tentava evitar Rachel a todo e qualquer custo.
– Okay, okay! – disse vencida – Ligue para a Rachel e vejam o que vocês querem fazer hoje...
– Yay! – exclamou Beth abraçando a loira – Você é a melhor mãe do mundo!
– Eu sei que você diz isso pra todas – brincou Quinn, vendo a filha correr em busca do celular para ligar para sua outra mãe.
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Após Beth falar com Rachel, ficou combinado que dessa vez a morena iria até elas. Quinn saiu mais cedo do escritório, buscou Beth na academia de Brittany e então foram para casa. Pediram comida e pouco depois da entrega, a morena chegou.
– Então, qual a programação? – perguntou Quinn após cumprimentar Rachel e vê-la abraçada com Beth por um longo tempo.
– Hum – pensou Beth – Comemos e depois filme de terror!
– Vamos jantar então – sorriu Quinn.
As três comeram na sala mesmo, por incrível que pareça, em meio a risadas. Nem parecia que Quinn havia evitado Rachel durante um dia e que o último encontro das duas havia acabado com um clima estranho.
Após terminarem, Quinn recolheu as coisas e levou para a cozinha, deixando Beth e Rachel encarregadas de escolher o filme. Ao voltar, encontrou as duas já acomodadas no sofá: Beth estava em uma das pontas, com seu corpo jogado sob o de Rachel que ocupava o meio do grande sofá, deixando assim apenas a outra ponta para a Fabray mais velha.
– Decidiram? – perguntou Quinn ainda em pé.
– Sim, só falta você resolver sentar para podermos começar, mamãe – brincou Beth.
– Sim, senhora! – brincou Quinn, batendo continência e arrancando risada das outras duas.
A loira se acomodou no sofá, ficando um pouco próxima a Rachel e então Beth deu play no filme. A sala estava relativamente escura, sendo iluminada apenas pela luz da enorme televisão.
– Você está bem com isso? – sussurrou Quinn para Rachel, atraindo a atenção da morena.
– Com isso o que? – perguntou confusa.
– O filme. Eu lembro que terror não é seu estilo preferido...
– Não é mesmo, mas tentarei sobreviver – deu de ombros.
Quinn acenou e então voltou sua atenção para a televisão. Beth tinha toda a sua atenção no filme, mas a Fabray mais velha pôde perceber que em diversos momentos Rachel se encolhia ao seu lado e parecia se assustar em determinadas cenas. Instintivamente, em um desses momentos, Quinn segurou a mão da morena, ganhando um olhar confuso e logo em seguida um sorriso acanhado.
Havia se passado 40 minutos de filme e, tanto Quinn quanto Rachel notaram que Beth estava muito quieta, então perceberam que a menina dormia com a cabeça no colo da morena.
– Eu vou leva-la até o quarto – disse Quinn em voz baixa para não acordar a filha.
Rachel assentiu e então viu a loira se levantar e pegar a filha nos braços, logo indo em direção ao corredor onde ficavam os quartos. Minutos depois Quinn voltou, sentando-se novamente ao lado da morena no sofá.
– Tudo bem? – perguntou Rachel.
– Sim. Aquela ali quando dorme, nem um terremoto conseguiria acorda-la... – riu a loira.
– Bom, sendo assim, acho que vou indo... – disse a morena, já começando a se levantar, até sentir uma mão em seu pulso.
– Fica mais um pouco. Ainda está cedo e podemos ver outro filme...
– Tem certeza disso?
– Podemos pelo menos terminar esse, se você preferir...
– Tudo bem – disse, voltando a se sentar – Vamos terminar.
As duas voltaram a sentar-se e então o play foi dado novamente. Como haviam parado na metade do filme, as partes aterrorizantes começaram a realmente aparecer. Quinn não sabia de onde sua atitude, e coragem, havia saído, mas em um momento onde um estrondo foi saiu dos alto falantes, fazendo Rachel pular em seu lugar, a loira apenas abraçou-a, trazendo o corpo moreno para se aconchegar em si. A cada novo susto, mais Rachel se aconchegava em Quinn, que não a afastava. Pelo contrário, a loira não só a abraçava, como ainda fazia alguns carinhos no braço da morena.
Ao final do filme, Rachel estava com o corpo quase toda em cima de Quinn que estava recostada no braço do sofá. Os créditos começaram a rolar, mas nenhuma das duas se sentia a vontade para sair daquela confortável posição. Rachel se apertava contra o corpo de Quinn, seu rosto próximo ao pescoço pálido, enquanto a loira aspirava o cheiro dos cabelos morenos.
Minutos se passaram, os créditos acabaram e a televisão mostrava o menu do DVD, mas nenhuma das duas fez menção de saírem dali. Quinn já começava a acreditar que Rachel havia pegado no sono, quando sentiu a morena se movimentar. Rachel levantou o rosto, apoiando o queixo no peito da loira e encarando aquela imensidão avelã que lhe escrava de volta.
– O filme terminou – disse a morena simplesmente,
– É, eu meio que percebi – sorriu Quinn.
– Que horas são?
– São... – Quinn esticou o braço e pegou seu celular para olhar a hora – Quase meia noite.
– Nossa... Talvez eu deva ir embora. Achar um táxi essa hora será complicado... – disse ainda sem se mover.
– Talvez não... – disse Quinn, ganhando um olhar confuso da morena – Temos um quarto extra, está tarde. Você pode ficar, se quiser...
– Foi por causa de uma pergunta como essa que você praticamente fugiu do meu apartamento duas noites atrás...
– Então você vai fugir?
– Eu cansei de fugir, Q – disse a morena, subindo um pouco mais seu corpo, fazendo com que ela e a loira ficassem cara a cara, as respirações se misturando – Eu não vou mais fugir. Mesmo que eu não consiga o que eu quero, eu vou lutar até o fim por isso.
– E o que você quer? – perguntou a loira com a respiração já um pouco falha.
– O que eu sempre quis... – Rachel aproximou ainda mais seu rosto do de Quinn, fazendo seus narizes se tocarem em um leve carinho. Então aproximou seus lábios cada vez mais dos da loira, sentindo a respiração dela se alterar ainda mais... Quinn já tinha os olhos fechados quando sentiu os lábios carnudos de Rachel pressionados no canto da sua boca demoradamente e depois próximos ao seu ouvido – Você, Quinn. Eu sempre vou querer você.
Então, em um rápido movimento, Rachel se levantou e se encaminhou para o quarto de hóspedes do apartamento, deixando uma Quinn paralisada ainda deitada no sofá...
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