Meant to Be
38 Chapter Thirty-Eight
Notas iniciais
No sábado pela manhã bem cedo, Rachel já estava de pé. Para falar a verdade, todo o sono e cansaço do dia anterior pareciam ter sumido após Quinn deixar seu apartamento. Ela havia a beijado. Quinn lhe beijou. E como ela sentia falta daqueles lábios. Por mais simples e rápido que aquele encostar de bocas tenha sido, Rachel não cabia em si de felicidade. E para completar, elas saíram juntas novamente. Só elas e mesmo não fazendo ideia pra onde iriam, ela contava os milésimos de segundos para a chegada da loira.
Quando a campainha tocou, Rachel pulou do sofá. Já estava pronta quando Quinn mandou-lhe uma mensagem, avisando que estava indo busca-la para tomarem café juntas. Ela praticamente correu até a porta, parando alguns segundos para ajeitar-se e respirar, antes de abri-la. E lá estava, a visão preferida de Rachel: o sorriso de Quinn Fabray. A loira estava encostada na porta, trajando um short jeans estilo boyfriend, uma camiseta regata azul do Iron Maiden com o Eddie estampado, tênis e óculos escuros. Tudo isso combinado ao cabelo despenteado e o sorriso no rosto.
– Bom dia – cumprimentou – Pronta?
– Bom dia. Sim, sim. Me deixa só pegar a bolsa...
Rachel voltou para dentro do apartamento e voltou segundos depois com a bolsa. A morena usava um vestido leve e sapatilhas. Tinha os cabelos soltos e também usava óculos escuros.
– Vamos? – perguntou animada.
– Claro – respondeu a loira, dando o braço para a outra que prontamente o recebeu.
Desceram de braços dados e caminharam assim até o carro de Quinn que estava estacionado. Entraram no veículo e então a loira pôs o mesmo em movimento. O carro era preenchido pelo som do AC/DC. Quinn batucava o volante, balançava a cabeça e cantava “Highway to Hell” junto de Bom Scott em uma das primeiras versões da música. Rachel apenas ria da animação da loira. Quem a visse de fora a acharia louca, no mínimo.
Logo Quinn estacionava em frente a um café. As duas desceram e escolheram uma mesa um pouco mais afastada. Sentaram e logo foram atendidas por uma garçonete de, aparentemente, 40 anos e muito simpática.
– Para onde nós vamos? – perguntou Rachel.
– Você está se roendo de curiosidade, não é?! – zombou Quinn e viu a outra fazer um pequeno bico – Na verdade, nós vamos fazer uma pequena viagem...
– Viagem? Como assim, Quinn?
– Você pode segurar a sua curiosidade um pouco mais? – pediu sorrindo – Prometo que vai valer a pena.
– Okay, okay – disse vencida – Não me decepcione, Fabray – apontou-lhe o dedo.
– Não mais, Berry. Não mais – piscou sorrindo.
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Após tomarem um reforçado café da manhã, entre conversas e brincadeiras, Quinn e Rachel tinham caído na estrada. Pouco mais de uma hora depois, passado entre cantorias e risadas, Rachel se surpreendeu ao entrarem em Long Island.
– Bom, creio que você não está com fome, não é? – perguntou Quinn.
– Não, com certeza não. Nós comemos bastante no café – respondeu.
– Então o que acha de um passeio na praia antes do almoço? – sorriu.
– Uma ótima ideia.
Quinn dirigiu mais um pouco e, novamente, Rachel surpreendeu-se. Próximo a praia acontecia uma espécie de festival. Haviam várias barracas montadas, música, pessoas circulando e, o que mais encantara a morena: um parque de diversões.
– E então, gostou da surpresa? – perguntou Quinn vendo que a atenção da morena estava toda voltada para a movimentação. Ela já havia estacionado, mas as duas ainda estavam dentro do carro.
– Se eu gostei? Eu amei, Q! – disse sorrindo grande.
– Então vamos descer e começar a aproveitar – devolveu o sorriso. As duas saíram e a loira travou o carro – Como disse, vamos começar dando um passeio pela praia. Então almoçamos e vamos conhecer o festival.
– Nós vamos para o parque? – perguntou com os olhos brilhando.
– Você quer ir para o parque? – devolveu.
– Sim, eu quero muito!
– Então acho nós vamos para o parque...
Rachel guinchou animada e pulou no pescoço de Quinn abraçando-a. A loira apenas riu e apertou-a contra si antes de se separarem. Caminharam juntas até a praia que, inacreditavelmente, tinha poucas pessoas. Apenas alguns casais caminhavam juntos pela areia ou sentavam sentindo o vento contra seus rostos. Rachel e Quinn caminhavam juntas, os pés descalços na água.
– Nossa, nem lembro quanto tempo faz que não piso na areia... – disse Quinn – Talvez a falta de praias seja o único ponto negativo de Londres – riu.
– Eu também não venho há algum tempo. Acho que a última vez foi...
– Miami – as duas disseram juntas.
– Beth amou aquele fim de semana – disse Rachel.
– Foi um ótimo fim de semana – retrucou Quinn e um pequeno silêncio se instaurou entre elas.
– Ér... Você... Durante esse tempo, você só ficou em Londres? – questionou Rachel meio sem jeito. Elas nunca haviam falado diretamente sobre o tempo da loira lá – Afinal, tudo na Europa é perto...
– É verdade, mas eu nunca tive tempo pra isso – respondeu Quinn – Beth e o escritório de lá sempre foram prioridade.
– Entendo – pausou – As praias de lá devem ser lindas...
– Provavelmente. Tudo na Europa é lindo. Mesmo só tendo ficado em Londres, dá pra perceber a diferença, sabe?
– Sei sim. Tenho vontade de ir lá qualquer tempo desses. A Broadway nunca me deixou ir para longe, mesmo de férias... – suspirou.
– Você iria adorar, tenho certeza – sorriu.
As duas voltaram a ficar em silêncio. Logo perceberam como tempo havia voado. Já fazia tanto tempo assim que estavam ali apenas caminhando?!
– Vamos almoçar? – perguntou Quinn.
– Não estou com muita fome, na verdade...
– Ah, mas vamos assim mesmo. Pelo menos alguns petiscos e dizem que aqui tem uma degustação de cerveja, eu queria provar – brincou.
– Tudo bem, vamos lá! – riu.
As duas voltaram e passavam por entre as pessoas em busca de um lugar para comer. De longe a loira avistou um restaurante de aparência simples, mas que estava lotado de gente.
– Que tal ali? – apontou mostrando a Rachel – Deve ser muito bom para ter tanta gente...
– Vamos descobrir.
Mesmo com muita gente, o restaurante tinha muitas mesas e várias pessoas atendendo aos clientes. Sentaram em uma mesa e pediram cerveja e alguns petiscos. O local estava animado, música tocando, pessoas falando ao mesmo tempo. Quinn e Rachel estavam adorando aquele clima de festa. As duas estavam entretidas, rindo e bebendo juntas, quando uma garotinha morena de cabelos negros, de aproximadamente 5 anos, se aproximou delas.
– Eu gostei do seu vestido – disse apontando para o vestido de Rachel.
– Oh, muito obrigada. Eu também gostei do seu – a morena devolveu sorrindo, apontando para o vestido rosa da garotinha.
– Muito obrigada. Mamãe Ella que escolheu – disse orgulhosa.
– E onde está sua mãe? – perguntou Quinn.
– Ela está logo ali – virou e apontou para uma ruiva que estava no balcão, falando com uma loira.
– Aquela é a sua mãe? – Quinn perguntou em dúvida.
– Sim, sim. É que eu não sai de dentro da Mamãe Ella, sai da Mami Sofia... – explicava.
– Oh... – a outra mulher era loira, não poderia ser a outra mãe da garotinha.
– Babi! – a ruiva exclamou enquanto se aproximava – Eu já disse para você não sair assim, filha...
– Eu queria ver o vestido da moça, Mamãe – explicou a garotinha sorrindo e apontando para Rachel.
– Mesmo assim, filha. A mamãe não pode te perder – suspirou e então olhou para Quinn e Rachel – Oh, me desculpem. Eu sou Ella – se apresentou e apertou a mão das duas.
– Sou Quinn e essa é a Rachel – disse a loira sorrindo – E eu entendo sua preocupação, mas a Babi estava nos falando de você e da Sofia? – questionou em dúvida.
– Oh... – a outra disse surpresa.
– Não se preocupe – Rachel sorriu em compreensão a outra – Nós temos uma filha também.
– Vocês são namoradas como a Mamãe e a Mami eram? – a garotinha questionou sorrindo.
– Eram? – a loira arqueou a sobrancelha.
– É – a ruiva assentiu triste – Sofia morreu em uma operação no Afeganistão...
– Mami Sofi é uma estrelinha agora – a menina disse.
– Eu sinto muito – Rachel disse.
– Está tudo bem – a ruiva sorriu de lado – Agora nós precisamos ir, Babi.
– Certo. Tchau, moça do vestido bonito e tchau namorada da moça do vestido bonito – a menina sorriu e arrancou um sorriso de Quinn e Rachel.
– Tchau, pequena – disse a loira, sendo seguida por Rachel.
– Foi um prazer – disse Ella antes de se afastar com a garotinha.
Quinn e Rachel observaram mãe e filha se afastarem. As duas permaneceram em silêncio até a morena suspirar triste.
– Eu não imagino o que elas passaram... – começou – Ella perder a esposa, Babi perder a mãe... Eu sei que perdi Shelby, mas eu já era adulta e Beth teve nosso apoio...
– Deve ter sido difícil mesmo. Mas as duas provavelmente se apoiaram uma na outra. Sofia pode ter morrido, mas Ella e Babi ainda tem uma a outra... – Quinn disse serena, ganhando um aceno de Rachel – Momentos assim nos fazem pensar...
– Pensar em que? – questionou.
– Em como às vezes perdemos de aproveitar a vida por desentendimentos, besteiras e podemos acabar perdendo oportunidades. Não que tenha sido o caso de Sofia, acredito que ela aproveitou muito a filha e esposa, assim como sei que ela deu a vida pelo nosso país. Mas... – suspirou – A vida pode escapar por entre nossos dedos e a gente nem percebe. Hoje em dia, devem existir dias em que Ella deve se pegar pensando em tudo que ela e Sofia poderiam ter vivido sozinhas, com Babi, com outros filhos...
– É, infelizmente a vida é assim. Nós só podemos nos arrepender de algo, depois que esse algo acontece. Só nos pegamos pensando que poderia ter sido diferente, porque já é passado. Enquanto vivemos o momento, somos tão intensos que, por vezes, nosso julgamento, nossa visão de tudo ao redor, pode ficar nublado – disse Rachel – Mas as coisas apenas acontecem e nós não podemos fazer nada a respeito. Não está em nossas mãos.
– Então você acha que só nos resta sentar e esperar as coisas acontecerem? Que não podemos modificar nosso presente, nosso futuro? – questionou Quinn.
– Eu acredito que o que está destinado a ser, vai ser. Independente do que possa acontecer, apenas isso...
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Depois de passarem algum tempo no restaurante Rachel decidiu que estava na hora de irem para o parque e claro que Quinn não a contrariou. Pagaram a conta e saíram do restaurante, passando por entre as pessoas. Pararam em algumas barracas, observando tudo que havia por lá, fosse comida, artesanato ou apenas vendas normais. A diversidade de pessoas chamava a atenção das duas. Não imaginavam que fossem encontrar tanta gente naquele lugar.
– Em qual você quer ir primeiro? – perguntou Quinn e viu o sorriso de Rachel se expandir ainda mais, se é que era possível.
– No carrossel, no carrossel! – disse animada, fazendo Quinn rir.
– Okay, criança – zombou – Vamos para o carrossel.
O carrossel foi apenas o primeiro dos brinquedos a irem. Rachel fez com que Quinn lhe acompanhasse em todos os brinquedos do parque, muitas vezes recebendo olhares estranhos de algumas crianças que provavelmente as achavam muito grandes para aquilo.
– Só falta a roda-gigante – exclamou Rachel com um bico quando saiam do carrinho bate-bate.
– Não faz esse bico. Já está anoitecendo e precisamos voltar pra casa – disse Quinn.
– Tudo bem, tudo bem. Então vamos...
Rachel puxou a loira pela mão até a fila da roda-gigante. Não esperaram muito, já que haviam poucas pessoas ali. Sentaram no banquinho, onde o funcionário travou tudo antes de coloca-las em movimento. A noite que já caia dava um clima agradável. A brisa batia contra os rostos das duas.
– Beth teria adorado isso – disse Rachel.
– Nós podemos vir com ela outra vez – Quinn deu de ombros.
– Terá uma outra vez?
– Claro. Se depender de mim, terão diversas outras vezes – sorriu – Hoje foi um bom dia, Rach. Eu gostei. Obrigada por ter aceitado o convite...
Rachel iria responder, mas então a roda parou e elas perceberam que estavam no topo. Rachel suspirou surpresa.
– Uau, a vista daqui é demais – disse olhando para o céu estrelado e as luzes que iluminavam todo o lugar. Lá de cima as pessoas pareciam formiguinhas e a morena se pegou imaginando como seria ver NY do alto, até perceber que Quinn estava em silêncio. Virou para loira e encontrou os olhos avelã encarando-a. Intensos, cintilantes. Seu coração parou uma batida e sua respiração falhou com aquele olhar e com a próxima ação da loira.
Quinn se aproximou dela, colocou uma mão em seu rosto e a beijou. Não um selinho como na noite anterior. Um beijo de verdade. Um beijo intenso, onde a loira parecia querer dizer tudo que não conseguia colocar em palavras. Rachel estava paralisada e em êxtase, tudo ao mesmo tempo. Sabia que seus lábios se moviam sozinhos, porque sua cabeça não conseguia processar aquele momento. Pelo menos não enquanto Quinn não pediu passagem com a sua língua para dentro da boca da morena. Quando as línguas se enroscaram, Rachel voltou a si. Quinn estava lhe beijando e ela precisava dar tudo de si naquele beijo, assim como a loira parecia estar dando.
Rachel agarrou a nuca de Quinn, intensificando aquele beijo. Os corpos só não estavam mais juntos devido a falta de espaço. As línguas brincavam entre si, cada qual buscando um determinado controle, mas acabando dividindo-a com a outra. O ar não se fazia necessário naquele momento. Tudo que buscavam era estender aquele momento por quanto tempo fosse possível. Mas, infelizmente, não parecia ser...
– Ér... Já acabou, moças.
Uma voz se fez presente, fazendo com que elas se separassem, dando de cara com o funcionário do parque as olhando sem jeito. Como assim já havia acabado?! E como assim elas não perceberam que a roda havia voltado a girar?!
– Oh... – Quinn foi a que falou primeiro – Desculpa. Acabamos... Perdendo a noção do tempo – disse com uma careta engraçada.
– Tudo bem, moças – o homem sorriu – É sempre gratificante ver que ainda existem amores tão bonitos.
– Okay... – sorriu sem graça – Obrigada. Vamos, Rach.
A morena apenas cumprimentou o homem com a cabeça e seguiu Quinn em direção ao carro. Estava na hora de voltar para a realidade...
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O caminho de volta foi feito em total silêncio. Nem mesmo o som do carro havia sido ligado. Rachel e Quinn observavam uma a outra, mas sempre que eram pegas, viravam o rosto na direção contrária.
O tempo que durante todo o dia parecia ter voado, tornou-se lento. As horas de viagem pareceram se arrastar, o que tornava o clima cada vez mais estranho. Tamanho foi o alívio de ambas quando Quinn estacionou em frente ao prédio de Rachel. Mas o alívio logo foi substituído por uma tristeza. Elas não queria se separar, mas após o que havia acontecido, elas precisavam.
– Você... Você quer subir? – tentou Rachel.
– É melhor não – Quinn respondeu sem jeito.
– Oh... Tudo bem, então. Nos vemos amanhã? – a loira a olhou com uma careta de dúvida – Amanhã é dia do almoço com o pessoal.
– Ah, claro. Claro, nos vemos sim – assentiu.
– Okay. Então... Tchau, Quinn. E obrigada pelo dia – a morena não sabia se deveria abraça-la, então apenas se virou para sair do carro. Pelo menos essa era a sua intenção, antes de sentir uma mão em seu pulso, fazendo-a retroceder um pouco. Ao virar, Rachel logo sentiu seus lábios serem tomados pelos de Quinn em um leve e rápido beijo.
– O que aconteceu... – a loira pausou e encarou a outra com um olhar brilhante – Esse dia, ele não vai ser esquecido, Rach. Nós não vamos fingir que não aconteceu. Aconteceu e nós duas gostamos – sorriu – Só... Vamos pensar, okay? Não precisamos correr com nada. Vamos fazer as coisas do jeito certo. Tudo bem por você? – a morena apenas assentiu, incapaz de falar – Ótimo. Então, boa noite, Rach – deu um beijo na testa da morena.
Rachel saiu do carro e ao ver o carro de Quinn partir logo em seguida, seu rosto se iluminou e o típico sorriso de mil watts que ela não dava há tanto tempo, apareceu em seu rosto. Seu coração pareceu dar cambalhotas dentro de seu peito e toda a luz que havia sido retirada anos atrás na calçada da Broadway voltou a brilhar. A vida de Rachel estava iluminada novamente. Um beijo e algumas palavras trouxeram sua vida de volta. Trouxeram seu grande amor de volta...
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