Meant to Be
44 Chapter Forty-Four
Notas iniciais
Aquela manhã de domingo, não poderia ter começado de forma melhor. Rachel foi a primeira a despertar, tentou se mover, mas seu corpo estava parcialmente imobilizado. Então lembrou: Quinn. Os braços pálidos lhe seguravam de forma que, se quisesse, seria impossível escapar. Mas tudo que ela não queria era sair daqueles braços. A noite passada havia sido, correndo o risco de ser clichê, perfeita. Todo o amor e desejo acumulado ao longo dos anos foi, parcialmente, colocado para fora. Mas era algo que elas ainda tinham bastante para colocar para fora. E ali, naquele momento, ao acordar nos braços da loira, sentindo o corpo nu contra o seu, o calor passeando entre as duas... Rachel sabia que era ali o seu lugar. Que era em Quinn que ela se completava, era em Quinn que ela era feliz.
— Um beijo pelos seus pensamentos – a voz rouca de Quinn soou, atrapalhando seus pensamentos, e fazendo-a sorrir instantaneamente e virar-se, ficando de frente para a loira, que agora já tinha os olhos abertos encarando-a.
— Você. Todos os meus pensamentos são seus... – respondeu, com um sorriso encabulado.
— Eu queria poder passar o dia inteiro nessa cama com você – sussurrou a loira, após puxar o corpo moreno para si e abraça-lo fortemente.
— Eu também, Q... – disse e logo em seguida bufou – Mas você sabe que os almoços de domingo são sagrados para as meninas. E agora que o casamento está cada vez mais próximo, principalmente...
— Eu sei, eu sei. E é por isso que vamos aproveitar o tempinho que temos antes de termos que ir, afinal o Puck vai levar a Beth e pegar a Annie no apartamento – disse, começando a colocar-se sobre a morena e beijando-lhe o pescoço.
— Quanto tempo nós temos? – perguntou, já cedendo aos beijos da loira.
— Algum... – respondeu e tomou os lábios da morena em um beijo quente, tornando impossível para Rachel resistir. Como se ela quisesse...
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— Você sabe que ouviremos piadinhas durante o dia inteiro, não é? – perguntou Rachel, enquanto ela e Quinn caminhavam de mãos dadas em direção a entrada da casa Pierce-Lopez.
— Hey! Você quem me atacou no banho – riu sacana.
— E você quem disse que nós tínhamos tempo, quando não tínhamos!
— Vai dizer que não gostou? – sorriu.
— Você sabe que eu estaria mentindo se dissesse...
— Finalmente! – o grito de Santana Lopez tirou as duas da bolha em que se encontravam – Achei que tivesse convidado vocês para o almoço e não jantar – disse sarcástica.
— Nem começa, Lopez – disse Quinn.
— Desculpe o atraso, Sant – Rachel disse depois de olhar feio para a loira – Não foi nossa intenção, só perdemos a hora...
— Perderam a hora, sei! Vocês pensam que me enganam, a pequena Fabray já abriu o jogo – disse.
— O que?! O que a Beth falou? – perguntou Quinn.
— San, você já está enlouquecendo as meninas? – Brittany perguntou de dentro da casa – Deixe-as pelo menos chegarem...
— Nós já estamos entrando, amor – gritou Lopez, em resposta a noiva.
Quinn e Rachel entraram, sendo seguidas por Santana. Todos os outros já estavam lá: Annie ajudava Brittany com a comida; Puck brincava com Beth na piscina; e Emily e Hanna ajeitavam a mesa.
— Mama, mammy! – gritou Beth, assim que viu Rachel e Quinn – Pensei que vocês não fossem mais chegar!
— Suas mães estavam... – começou Santana.
— Nem pense em terminar essa frase, Santana Lopez – ralhou Brittany – Beth é uma criança ainda.
— Enfim... Demoramos, mas estamos aqui. E isso que importa – disse Rachel sorrindo – O que podemos fazer?
Rachel tomou o lugar de Annie, após saudar a outra morena, ao lado de Brittany na cozinha. Já Quinn foi puxada pela amiga para um canto:
— Vamos lá, conte-me tudo, não esconda nada – disse Annie.
— O que? Do que você ta falando? – Quinn fez-se de desentendida.
— Não vem com essa, Fabray! Está escrito na sua cara que vocês, finalmente, transaram!
— Então o que falta você saber?
— Sério, Q? Vai se fazer de difícil comigo?
— Okay, okay... Nós fizemos amor e foi perfeito. É tudo que você precisa saber!
— “Fizemos amor”?! Huuuuum, você está amarrada, Fabray! – riu e ganhou uma cara feia da loira – Okay, desculpa. Agora, você sabe que assim como eu, todos nessa casa sabem que vocês tran... Quer dizer, que vocês fizeram amor, né?
— Eu imaginei que fosse ficar subentendido – deu de ombros.
— Então quer dizer que vocês estão prontas para assumir o namoro?
— Não, porque não há um namoro. Mas se alguém perguntar se estamos juntas, não vamos negar. Beth já sabe e isso que importa para nós.
— Como assim não há um namoro, Quinn? E como se chama isso agora?
— Não sei, mas não é um namoro enquanto eu não pedir e ela aceitar. Enquanto não oficializarmos isso...
— Sério?! – bufou – E quando você pretende fazer isso?
— Logo – respondeu.
— Só isso? “Logo”? Eu não mereço nenhum detalhezinho? Tudo bem... – disse e deu as costas, saindo sem olhar para trás, numa típica cena diva de Rachel Berry.
— Hey An – gritou Quinn – Você está andando muito com a Rache! – riu.
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Após almoçarem, se reuniram todos na sala de estar. Santana e Brittany dividiam uma poltrona; Emilly, Hanna e Annie ocupavam o sofá; Puck estava no chão com Beth ao seu lado; e, por fim, Rachel estava sentada na outra poltrona, com Quinn sentada no chão, encostada em suas pernas. A morena, vez ou outra, acariciava (ou melhor, arrepiava) os cabelos loiros, sem perceber que uma certa latina as observava curiosa.
— Okay, vocês duas, podem ir abrindo o bico – disse Santana, chamando a atenção não só das duas amigas, mas de todos os outros.
— Hein?! – questionou Quinn sem entender.
— Vocês duas – apontou com o dedo entre uma e outra – Estão como... Há anos atrás.
Quinn e Rachel pareceram entender o que a latina estava insinuando. Olharam-se e olharam para Beth. Rachel suspirou.
— Bom... – começou a morena – Eu e Quinn, nós... Estamos nos entendendo. Acho que é a definição correta.
Rachel percebeu como as feições de seus amigos passaram de curiosos a surpresos e felizes, um milésimo de segundo após o final da sua frase. Mas Santana permanecia séria, o que Rachel estranhou.
— Se entendendo? – perguntou a latina, como em confirmação.
— Sim, Sant. Basicamente isso...
Para, novamente, a surpresa dos demais, Santana bufou e se levantou, saindo da sala em direção a cozinha. Brittany já se preparava para ir atrás da noiva, quando Rachel interferiu.
— Eu vou – disse a loira e levantou, indo atrás da amiga.
Rachel encontrou a latina na cozinha, encostada no balcão, com uma cara emburrada. Se aproximou e parou ao lado dela, imitando a posição.
— Qual o problema? – perguntou Rachel após alguns segundos de silêncio – Essa sua reação, não é normal de Santana Lopez – silêncio – Sant, por favor...
— Eu estou preocupada, okay?! – disse ríspida, virando-se para a morena.
— Com o que, exatamente? – quis se certificar.
— Como “com o que”?! Com você, óbvio!
— Você não precisa se preocupar, Sant...
— É impossível! E se ela for embora de novo? E você ficar mal, e voltar a beber enlouquecidamente e transar com toda a New York...
Antes que Rachel pudesse interromper o monólogo de Santana, outra voz se fez presente, tomando-lhe a vez.
— Eu não vou embora – disse Quinn, com a voz decidida, do batente da porta onde estava encostada – Eu não vou, Santana. Eu já perdi muito tempo.
— Vocês precisam entender minha preocupação aqui – disse Lopez.
— Nós entendemos – afirmou Rachel – E nada me faz mais feliz do que ver essa preocupação. Só mostra como eu acertei quando te escolhi como melhor amiga...
— Eu te prometo que dessa vez é pra sempre, Santana. Nós estamos nos entendendo justamente para não cometermos os erros do passado novamente.
Santana observou as outras duas em silêncio por alguns, longos, minutos. Internamente, Rachel torcia para Santana não ir contra aquilo.
— Okay – a latina assentiu positivamente, mais para si mesma, antes de começar a abrir um sorriso sacana – Então isso significa que vocês se atrasaram porque estavam mesmo transando?!
E lá estava a Santana Lopez que Rachel aprendeu a amar e odiar ao mesmo tempo...
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Quinn havia acabado de estacionar em frente ao prédio de Rachel. Desceu para acompanhar a morena até a entrada, logo depois dela despedir-se de Beth e Annie.
— Está entregue, Srta. Berry – brincou a loira, logo que elas pararam nos degraus de acesso a entrada do prédio.
— Obrigada pela carona – sorriu.
— Você está muito ocupada amanhã? – perguntou – Tipo... Na hora do almoço.
— Hum – pensou – Acho que consigo um tempinho pra você. Ou precisamos de um tempão?!
— Umas duas horas de almoço, pode ser?
— Sim, claro – sorriu – O que vamos fazer?
— Quero te levar em um lugar – sorriu sapeca.
— E esse lugar não tem nome?
— É uma surpresa, Rache. Amanhã você saberá...
— Você anda muito surpreendente, Srta. Fabray
— Você ainda não viu nada, baby.
A loira se aproximou rapidamente e enlaçou a cintura da morena, puxando-a para si e dando-lhe um beijo.
— Te pego no teatro amanhã – disse Quinn após separar-se da morena, as testas coladas.
— E eu estarei esperando ansiosamente.
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Dizer que Quinn havia sido pontual era um eufemismo. Mal Rachel havia saído do palco, onde ensaiava, e se encaminhado para o camarim a fim de buscar suas coisas, e então deu de cara com a loira indo ao seu encontro no corredor.
— Wow, eu estou atrasada? – perguntou Berry, com um sorriso em direção a loira.
— Não, eu que fui incapaz de ficar longe de você por mais tempo – respondeu Quinn, com um sorriso charmoso, se aproximando da morena e beijando-a suavemente.
— Hum – gemeu a morena ao final do beijo – Nosso encontro nem começou e eu já estou adorando-o.
— Então vai pegar suas coisas, porque você ainda não viu nada – sorriu.
Rachel foi até o camarim, pegou sua bolsa, seu casaco e logo ela e Quinn já estavam dentro do carro da loira, trafegando pelas ruas cheias de New York.
— Para onde nós vamos? – perguntou a morena, meio de lado no banco, observando o rosto concentrado da loira que dirigia.
— Primeiro, nós vamos almoçar. Abriu um restaurante vegan e eu queria experimentar... – respondeu, dando uma olhada rápida para Rachel.
— Você, experimentando comida vegan?! – perguntou surpresa – E pra onde vamos depois?
— Acredite você ou não, por causa da Beth que adquiriu seus hábitos, eu também acabei pegando-os – respondeu – E o depois é uma surpresa, Berry...
Rachel sorriu e resolveu manter-se em silêncio durante o resto do trajeto. Chegaram ao restaurante que, por fora, parecia ser muito agradável. Quinn estacionou e as duas entraram de mãos dadas no local, logo sendo recebidas e encaminhadas para uma mesa, a qual a loira já havia reservado antecipadamente, mais afastada de todo o movimento. Fizeram seus pedidos e logo voltaram a ficar sozinhas.
— Eu senti falta desses momentos – disse a loira sorrindo e buscando a mão da morena em cima da mesa.
— Sabe que eu ainda não acredito que você está aqui?! Eu sinto que posso acordar a qualquer momento... – confessou Rachel.
— Pode acordar, pois garanto que quando isso acontecer, eu estarei ao teu lado, velando seu sono...
Berry sorriu apaixonada, mas antes que pudesse tentar responder, o garçom as interrompeu, trazendo os pedidos. Comeram em um silêncio confortável, trocando olhares e sorrisos vez ou outra. Ao terminarem, Quinn pagou a conta e após agradecerem o atendimento e a boa comida, as duas já estavam de volta ao carro.
— Quero te pedir algo – disse a loira, logo que elas tomaram seus lugares dentro do carro, ganhando a atenção da morena – Coloca essa venda, por favor?
— Wow, é realmente uma surpresa, não é? – brincou a morena, pegando a venda – Ou você está me sequestrando e eu não posso ver o caminho do cativeiro?!
— Como se eu precisasse te sequestrar – devolveu a loira, com um sorrisinho sacana.
Rachel colocou a venda e logo sentiu o carro em movimento. Ela não seria capaz de dizer por quanto tempo ficaram em movimento, o silêncio de Quinn também não ajudava, e o nervosismo da loira era palpável. Até que pararam. Ela ouviu Quinn sair do carro e logo sua porta foi aberta, a loira a tirou do carro e a guiou.
— Você está pronta? – perguntou Quinn, em seu ouvido, colando seus corpos perigosamente, abraçando-a por trás.
— Eu... Eu acho que sim – respondeu Rachel, sentindo-se repentinamente nervosa.
As mãos de Fabray foram até o nó da venda, puxando-o e então Rachel pode ver onde estavam. Porém, antes que pudesse falar algo, a loira foi mais rápida.
— Quando você me trouxe aqui a primeira vez, eu não podia imaginar que, algum dia, nossa relação fosse se tornar algo além de amizade – lembrou – Mas acho que daquele dia pra agora, nada foi como nós imaginávamos e talvez essa seja a beleza da vida. O tempo inteiro, seja de formas negativas ou positivas, o universo e o destino sempre conspira a fim de nos surpreender – pausou – Há cinco anos atrás, eu pensei que nossa história tivesse chegado ao fim e só deus sabe o quanto eu sofri, mas o destino... O destino mostrou que para um amor como o nosso, não existe final. Nossa história é como essa sala, Rache. Nosso amor é infinito e eu não podia escolher um lugar melhor para fazer isso... – Quinn virou Rachel, fazendo com que ficassem cara a cara. Ambas tinham os olhos marejados – Rachel Berry, você aceita namorar comigo?
Outrora, a expressão de Rachel faria Quinn rir. Os olhos e boca da morena abriram-se comicamente diante o pedido.
— Vo-você está falando sério? – perguntou Berry e Quinn apenas assentiu, sentindo-se nervosa pela falta de resposta da morena – Oh meu deus! Claro! Claro que eu aceito, Q!
Rachel exclamou, sua animação sendo ecoada dentro da sala, e jogou-se nos braços da, agora, novamente namorada que a pegou e apertou-a contra si, para logo depois, beijarem-se apaixonadamente, tendo o infinito como testemunha.
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