Meaning Love

2 O final de um começo feliz


Notas iniciais
Bem, to postando a parte final de Meaning Love^^
Espero que gostem :3
Capítulo dedicado a Piperchan pq ela tava me enchendo o saco kkkk

Paramos frente a um lugar que mais parecia um galpão abandonado. Rústico e com uma pequena luzinha que tinha no portão. Pensei que ele deveria ter uma visão muito boa para conseguir enxergar naquele verdadeiro breu. Nem eu que possuía aqueles sentidos meio aguçados e loucos conseguia enxergar por ali. O portão enorme se abriu automaticamente. Fiquei encolhida como uma minhoca no banco de trás por uns longos 3 minutos. Me assustei quando o motorista abriu a minha porta. Pelo tempo que o carro andou, aquele lugar ficava bem longe do orfanato, apesar de ter certeza que o possante chegou a velocidade que acredito ser perto de 150 km/h em uma estrada totalmente movimentada em plena madrugada. Quando saí do carro, quase voei de volta pra dentro dele, aquele lugar me dava um arrepio que vinha dos pés e terminava no último fio de cabelo que estava em pé na minha cabeça.

- Onde estamos? Cadê ele? — perguntei com medo.

Pela careta que ele fez, achei melhor eu calar de vez a minha boca. Dessa vez, percebi que ele não era tão inocente assim... seus batimentos estavam bastante acelerados, como se ele estivesse com mais medo do que eu de entrar naquele lugar. Ele me guiou até o portão e entrou só alguns metros, depois me deu um empurrãozinho para que eu continuasse sozinha e foi embora. Ouvi o pesado portão se fechando atrás de mim, dessa vez, não economizando nadinha no barulho. Estava muito escuro lá dentro. O celular tocou novamente. Atendi rápido, mas não disse uma palavra sequer.

— Pode vir. Não tem nada no seu caminho.

Suspirei.

— Calma minha princesa, não fica nervosa... Por enquanto a sua amiguinha está bem.

Suspirei novamente e ele continuou.

— Que milagre que você ainda não me perguntou dela!

— Perguntar pra que? Se eu sei que você não vai me responder mesmo. — estava começando a ficar com raiva do cinísmo dele.

— HAHA. — ele desligou.

Caminhei até chegar no centro do galpão, que agora estava mais para uma espécie de salão sofisticado. Havia um sofá preto, comprido e muito bonito. Na frente, uma mesinha de centro com vidros negros também e um vaso decorativo branco em cima, ao lado de algumas revistas e um cinzeiro. Eca! Ele fumava ou era impressão minha? Havia outras coisas no salão, mas foram essas as peças que mais me interessaram. Ouvi alguém, ou algo me chamando delicadamente em um canto tão escuro que não consegui ver o dono da voz que agora estava um pouco mais clara, mas ainda assim, não conseguia identificar de quem era. Talvez por que ele mudou o tom para que eu não descobrisse sua verdadeira identidade, ou ele estava com uma gripe muito forte!

— Onde você está? — disse em pânico olhando para os lados tentando evitar ser pega de surpresa.

— Ah, Sôh... que bom que você veio! Já estava me cansando de ver a sua amiguinha se debulhar em lágrimas.

— Cadê ela?

Ele ignorou completamente a minha pergunta.

— Sabia que ela quase soltou a mordaça sozinha? Pois é, as lágrimas dela estavam fazendo o pano escorregar! Aí tive que tomar uma atitude drástica.

Momento: eu paralisei. Que atitude? Nesse momento, ele começou a sair do escuro se revelando aos poucos. Eu não acreditei quando vi que era o...

— Kauã! — disse ele, como que se apresentando.

Ele deu aquele famoso sorriso de canto que ele costumava dar. Confesso que ainda é bonito, mas pensando no que ele fez, esse sorriso começa a me dar uma repulsa tremenda.

— Eu não acredito que é você. Como pôde?

— Sophie, Sophie, eu precisava de um motivo para entrar nessa escola. Tentei entrar sem ser matriculado, mas não deu certo, a insuportável da diretora não permitiu. Então tive que tomar coragem de entrar lá como aluno. Que acha? Plano perfeito não é?

O sentimento de raiva quase me fez voar no pescoço dele, mas me contive, sabia que seria inútil. Percebi um colar — no mínimo — estranho preso ao seu pescoço. Tinha um olho dourado e preto com um corte no meio, como se fosse uma ferida. Por alguns momentos, pensei que ele emanava uma luz meio fraca, mas que ainda dava para ser notada.

— Não. É um plano ridículo. — disse tentando parecer normal. Dei de ombros e continuei. — Mas afinal, o que você quer?

— Hum, achei que não queria mais saber. — ele vinha se aproximando. — Me desculpe ter te iludido quando disse que queria você, em si. Na verdade, eu quero algo que você possui, algo que será o meu passaporte daqui para um lugar muito melhor: quente, cheio de ódio, e com certeza, aos seus olhos, não é nada agradável. Já ouviu falar do... inferno? — ele estava perto.

Semicerrei os olhos e engoli minha saliva a seco.

— Como é? Minha alma, passaporte?

— Eu preciso da sua alma para conseguir chegar lá em baixo. Sem ela, eu fico preso nesse mundinho sem graça. Digamos que eu sou um demônio de 2º grau, mas se eu pegar a sua alma que é muito valiosa pelos seus poderes, eu viro um demônio de 3º grau, sendo assim, eu concluo o que aqui na terra vocês chamam de ensino médio e ganho os meus chifres, me tornando assim, um Demônio Completo. Entendeu agora?

— Eca, eu me envolvi com um demônio de 17 anos.

— 17? Só se for em cada membro! Eu tenho 326 anos desde que fui concebido.

— Piorou! Eu me envolvi com um velho esclerosado!

— Velho? — ele estava começando a ficar furioso. — Quem você pensa que é para falar comigo dessa maneira? Sinto muito se você é trouxa o bastante para acreditar num rostinho bonito que resolve paquerar você e no final, acaba se apaixonando!

— Eu não acredito no amor!

— E eu não acredito em você.

Ignorei.

— Como você pretende fazer isso?

Ele apertou o colar nas mãos e levantando uma das sobrancelhas, me olhou. Eu não podia morrer! Quer dizer, eu não posso morrer! Como esse desgraçado quer simplesmente arrancar a minha alma com aquele colarzinho mixuruca e muito estranho? Ouvi seus batimentos, e eles estavam bem mais lentos do que quando estavam no carro. Era estranho, era como se batesse uma vez a cada dez segundos.

— Quer dizer que você pegou a Sibby porque ela sabia de tudo?

— Garota esperta! — ele se sentou no sofá.

— Peraí, então aquela menina que estava no carro junto com você e a vaca-rosa, era a Sibby? — foi só agora que eu entendi tudo. Ainda assim, ele fez questão de explicar.

— Claro! Estava dando tudo certo, na hora em que eu iria te beijar, sua alma automaticamente viria para dentro do colar, mas daí você se esquivou, inventando a desculpa patética de que queria ir ao banheiro. Daí, apareceu a Sibby pra estragar tudo e disse que sabia o que eu queria fazer com você. E ela acertou! E para impedir que ela estragasse o meu plano tive que te deixar sozinha lá e cuidar dela.

Engoli minha repugnância.

— Quem é a vaca-rosa?

Ele uniu as sobrancelhas, em sinal de confusão e preocupação e disse:

— Ah, você viu ela?

— Claro, né retardado! — disse áspera. — Ela me confrontou no banheiro da lanchonete pouco antes de ir embora com você.

— Droga, que bom que ela não ficou. Ela é minha 'irmã', mas gosta de mim.

— Deu pra sacar que ela é um demônio!

Gargalhando de forma divertida, ele quase me fez derreter, mas depois tomou uma expressão séria.

Ele ficou realmente bastante preocupado com o fato de ela ter aparecido na escola a procura dele. Acabei com o assunto, um pouco menos assustada e fiz outra pergunta:

— Agora, como você pretende tirar a minha alma? Com um beijo? — eu disse a palavra 'beijo' com nojo e ele percebeu.

— Existem mil maneiras de tirar a sua alma Sophie. Uma mais fácil do que a outra!

— E porque você escolheu o beijo? — perguntei com desdém.

Ele se levantou e se aproximou de mim. Fechou os olhos por 3 segundos e os abriu novamente. Sua expressão agora não era nada parecida com um demônio... era a mesma aparência daquele menino lindo, educado, simpático e sorridente que eu conheci na escola.

— Olha Sophie, eu te confesso que você foi a primeira que quase acabou com o meu plano! Não era a minha intenção, mas por um momento, eu desenvolvi uma paixão por você, uma paixão que eu nunca planejei. Por poucos minutos, eu desejei não arrancar a sua alma, desejei ter você pra mim, só que depois eu parei pra pensar, e não valia a pena trocar todos esses séculos a espera da minha 'formatura' por um amor mortal que iria acabar mais dia ou menos dia. — ele acariciou meu rosto.

Eu ainda gostava dele sim. Mesmo sabendo que ele era um demônio sem escrúpulos que queria me matar! Ele foi se aproximando devagar do meu rosto, chegando a tocar uma pequena parte dos seus lábios nos meus.

Eu não poderia deixar esse beijo acontecer! Por mais que eu quisesse que acontecesse de verdade, eu não poderia permitir! Seria a última coisa que eu faria na minha vida. Mas eu não conseguia me livrar dos braços dele, que incrivelmente não estavam me apertando, mas estavam me segurando, como se ele não quisesse me deixar cair. Minha mente voltou a me aconselhar.

"Claro, ele não quer que seu corpo se machuque quando sugar a sua alma, sua idiota! Resista Sophie... por nós duas!"

Desculpa, eu não consigo. Estava a um centímetro de morrer, quando de repente, aquele vaso branco lindo que estava na mesa quebrou na cabeça dele. Ele me soltou e cambaleou até cair no sofá. Fiquei olhando pasma quando vi que era Sibby que o havia atingido. De algum jeito, ainda com as algemas, ela conseguiu se libertar e chegar no salão a tempo de não permitir que eu morresse. Involuntariamente,saí correndo e a abracei.

— Sophie, me solta.

Confusa, livrei ela do meu abraço, ainda achando que estava brava comigo.

— Você ainda está...

Não terminei a frase, ela esticou os braços para frente, fazendo-os parecer uma cesta e disse:

— Eu quero abraçar você também.

Entrei dentro da 'cesta' dos braços dela e sem querer, chorei no seu ombro. Ela fez o mesmo.

— Sibby, me perdoa, eu deveria ter te escutado, você estava certa o tempo todo! Me perdoa?

— Não peça desculpas, você estava cega. Afinal, eu preciso confessar que até que ele é bonitinho.

Olhei para ela séria e depois começamos a rir juntas.

Instantaneamente, joguei ela para trás de mim, como que defendendo seu corpo indefeso. Ela percebeu que ele havia acordado e que nós duas demoramos muito para tentar fugir dali. Agora era tarde demais.

— Ai! Isso doeu sua vaca. Mas acho que está doendo mais nele do que em mim.

— Como assim? Nele? — perguntamos ao mesmo tempo.

— Suas idiotas, eu só tomei o corpo dele. Mas ele ainda vive, tentando se livrar de mim. Pena que como um simples mortal ele não vai conseguir.

Ficamos boquiabertas com a revelação.

— Pelo menos, você ainda vai ter uma chance quando esse demônio louco sair do corpo dele. — Sibby cochichou no meu ouvido.

— Sibby, não brinca!

Olhamos ao redor, e chegamos a conclusão que não tínhamos escapatória. Então, nem fizemos o esforço de correr.

— É bom mesmo que nem tentem correr. Bom, nós já perdemos tempo demais com isso aqui.

Ele veio em nossa direção e me puxou pelo braço. Eu já tinha desistido de lutar, soltei a mão de Sibby e fechei os olhos por um segundo. Mas tive uma ideia louca... sabia que poderia não funcionar, mas eu precisava tentar. Quando ele se aproximou de mim para unir a minha alma ao colar, eu o puxei com toda a força do pescoço dele.

Ele deu um grito tão forte e caiu devagar, se contorcendo no chão como se estivesse tendo uma convulsão. Foi horrível, mas se eu soubesse que era só isso, teria feito há mais tempo. Sibby colocou sua cabeça em meu ombro e tapou os olhos com as mãos. Eu não conseguia tirar os olhos dele. Mas ainda assim, ele se levantou com os olhos vermelhos e a pupila quase desaparecendo.

— Você não vai conseguir me destruir tão fácil assim Sophie. — disse ele com uma voz atordoada e muito assustadora.

— Ah, é? Vamos ver então! — eu disse tremendo de medo de que algo pior acontecesse.

Joguei o colar no chão e pisei em cima, esmagando-o completamente. Quando tirei meu pé de cima dele, o que era um colar, agora era pó. Olhei para trás e vi a expressão de terror e um pouco aliviada de Sibby. Seu coração não sabia se acelerava ou se ficava lento. Dessa vez, ele ficou de pé, suas pernas fraquejavam mas ele não caía. De repente, um vulto preto começou a sair do peito dele, rasgando a camisa preta inteirinha, deixando a mostra o peitoral levemente malhado da sua vítima. Sibby não aguentou e desmaiou. Por mais que era forte a vontade de ajudá-la, meus pés não se moviam, e meus olhos estavam focados nele. O vulto correu o salão em busca de uma saída e acabou encontrando-a em uma pequena abertura que havia na janelinha no alto do salão. Ele também não aguentou e desabou no chão. Voltei meus olhos para Sibby e me agachei ao lado dela. Dando leves tapinhas em sua face, aos poucos, ela ia retomando a consciência. A cor eu não sabia se tinha ido ou se estava voltando, já que ela era louca por um blush. Ele ainda estava caído. Quando Sibby conseguiu ficar em pé sozinha, fomos de mãos dadas até o garoto que agora era inofensivo. Ficamos paradas um bom tempo olhando para ele, sem perceber o tempo passar.

— Será que ele está bem? Quer dizer, vivo? — perguntou Sibby preocupada.

Ouvi seus batimentos cardíacos... estavam normais.

— Sim, quer dizer, acho que sim. — disse tentando evitar tanta convicção. Ela não teria tanta certeza, não depois daquela cena de horror que nós duas havíamos acabado de assistir.

Ele abriu os olhos lentamente e tentou se levantar.

Percebemos que a situação tinha voltado ao normal e o ajudamos.

— Pega de um lado que eu pego de outro Sibby.

— Okay Sôh.

Sentamos ele no sofá e o verdadeiro e perfeito Kauã perguntou:

— Nossa, por um acaso alguém me deu uma martelada na cabeça?

Sibby e eu trocamos olhares cúmplices. Ela estava atrás do sofá, impedindo que Kauã a visse.

— Basicamente! — respondi. — Você se lembra de alguma coisa?

— Pouca coisa... mas lembro de você.

— Só espero que agora você não queira me matar. — disse meio séria.

Ele se levantou e se aproximou de mim.

— Matar você? E porque eu faria isso? — o sorriso de canto perfeito apareceu de novo. — Sabe quando aquela... coisa estava dentro de mim, por um momento eu quase acabei com os planos dele.

— Como assim? — perguntei já sem fôlego.

— Eu me apaixonei por você. Naquela hora, eu consegui ter domínio o suficiente pra te falar isso.

Momento: meu rosto foi do vermelho para o rosa, para o roxo, para o pimentão, de volta para o vermelho.

— Eu... eu nem sei o que eu vou falar.

Ele enroscou uma das mãos em meus cabelos, acariciando-os delicadamente.

— Não precisa, seus olhos já estão me dizendo tudo...

Sibby bateu palmas silenciosamente, pulando de alegria atrás de nós. Ele puxou meu rosto com cuidado aproximando cada vez mais seus lábios dos meus. De repente ele parou.

— Me desculpe, eu não quero que você pense que é só isso o que me interessa, até por...

Ele foi surpreendido com meu beijo.

— Até que enfim! — murmurou Sibby para si mesma.

Passei minhas mãos em volta do pescoço dele. Senti suas mãos me puxando para perto de seu corpo quente e macio.

Depois de uns minutos, ele diminuiu a pressão que estava fazendo sobre mim. Confesso que não queria me livrar daquele beijo nunca.

— Desculpa Sibby. Por tudo mesmo. Pela dor de cabeça que eu fiz você passar, por ter te sequestrado, te amordaçado e...

— Por ter colocado as algemas que por sinal ainda estão em mim.

— Ai meu Deus, você ainda está com elas, caramba, espera aí, eu... eu vou buscar as chaves! — ele saiu correndo pelo mesmo lado escuro de onde ele saiu.

Novamente, Sibby e eu começamos a rir. Ele voltou com uma pequena chave na mão e tirou as algemas dos pulsos dela.

— Bom, se vocês não se importam, eu quero sair daqui logo, não aguento mais ficar nesse lugar horrível e muito deprê! — disse ela olhando para os lados.

Kauã e eu começaram a rir e ambos concordaram.

— É, acho melhor mesmo. Esse lugar é pior do que eu pensava! — disse ele.

— Ué, mas você viu esse lugar tantas vezes e nunca achou ruim.

— Ele estava olhando por mim. Eu não via nada.

— Ah, sim. Entendo. — disse Sibby sorrindo sem graça.

— Vou pegar um casaco para disfarçar essa camisa rasgada. Seria meio constrangedor se alguém me visse saindo daqui com vocês duas com uma camisa nesse estado, não é? — disse ele sorrindo sarcasticamente. Depois de alguns poucos segundos ele voltou, já vestido com o tal casaco.

Ele deu o braço a nós duas e seguimos até o portão. Guiando-nos até o carro, ele abriu a porta e nos fez entrar primeiro. Senti o toque suave de suas mãos se entrelaçando nas minhas. Me virei e os olhos dele estavam brilhando. Eram 04:26 da madrugada.

Eis que Sibby corta o clima romântico... ou ajuda ele a melhorar:

— Bom, vocês querem que eu durma na casa de alguma amiga, ou no quarto ao lado?

Agora sou eu quem diz: Safadchênha. Ele sorriu e disse:

— Não precisa Sibby, você está cansada, pode dormir tranquila no seu quarto.

— Ah, é? Tudo bem então. — disse ela sorrindo. Sibby estava cansada demais para discutir.

Ele retribuiu o sorriso a ela, depois se virou para mim e perguntou:

— Você quer ficar aqui? — perguntou ele.

— Aonde mais eu iria ficar? — perguntei curiosa.

— Comigo, na minha casa, que tal?

— Tá falando sério? — perguntei encabulada.

— Claro, amanhã de manhã aproveito para te apresentar aos meus pais e, na hora da escola, podemos ir juntos.

Fiquei boba. Não consegui pronunciar uma só palavra e ele percebeu o quanto eu estava feliz.

— Posso considerar como um sim? — ele perguntou.

Fiz que sim com a cabeça e ele me beijou. Paramos frente ao orfanato, Sibby desceu e me esperou.

— Sibby, eu não vou ficar aqui hoje.

Os olhos dela brilharam.

— Tudo bem, um ótimo fim de madrugada pra vocês dois.

— Obrigada. Igualmente. Porque, cá entre nós, você tá merecendo! — disse ele com um sorriso.

Ela jogou um beijo para nós e entrou.

Seguimos quase dormindo até chegar na mansão dele. Quase babei quando saí do carro.

Ele pegou na minha mão que estava tremendo e me levou até a porta que ele abriu com cuidado. A casa era um luxo por dentro e por fora. Quando estávamos quase chegando na escada, ouvimos alguém nos perguntar:

— Bom dia gente boa! — disse nada mais nada menos do que o pai dele.

— Pai, o que o senhor está fazendo acordado a essa hora da madrugada.

O homem o olhou abismado e perguntou:

— Engraçado, eu ia fazer a mesma pergunta a você, sabia? O que você está fazendo acordado? — ele sorria para nós dois.

Nós dois nos olhamos por alguns segundos e, obviamente, sem reação, Kauã respondeu:

— É que eu estava sem sono. — Kauã sorria também. Sabia que o pai não acreditaria nessa história.

— Entendi, os dois perderam o sono e foram tomar um ar, não é? Aliás, você não vai me apresentar a sua amiga?

— Primeiro, não é minha amiga, e segundo, tenha paciência, você vai saber amanhã! — disse Kauã como se ele fosse o pai.

— Não vou nem perguntar aonde vocês dois estavam a essa hora.

— Valeu pai. Nós vamos subir e dormir um pouco. Boa noi... madrugada para o senhor. Fui! — ele disse isso e me puxou para cima. Dei um tchauzinho para o 'sr. Bastos' e subi.

Fomos para o quarto dele que era mil vezes maior do que aquele cubículo que eu dividia com a Sibby. Havia uma cama grande e espaçosa, uma mesa com um notebook azul-claro com livros e cadernos em volta. Havia também uma prateleira com vários objetos e mais livros. Um armário enorme e uma cômoda ao lado. Havia outras coisas, como objetos decorativos e era tudo muito bem organizado. Ele se aproximou de mim com um sorriso e disse que iria tomar banho e trocar de roupa, afinal, ele estava com aquela camisa rasgada e tinha que se livrar dela o quanto antes.

Sentei na cama e esperei ele sair. Não tive vontade de dormir, aquela madrugada me fez perder o sono completamente.

— Pronto Sôh. — disse ele saindo do banheiro e arrumando a camisa.

Quase babei quando vi o 'modelito' dele.. Um short largadinho, deixando a mostra aquelas pernas maravilhosas, uma camiseta não tão colada, mas que ainda dava a nítida visão de seu peitoral malhado. O cabelo todo bagunçado e molhado, mostrando que ele nem tentou secá-lo.

Ele sorriu ao ver minha cara de boba e se aproximou.

— Você fica linda quando faz essa carinha, sabia?! — disse ele.

Sorri sem graça e o puxei para a cama. Ele ficou em cima de mim, com uma das mãos alisando meu corpo, enquanto com a outra, segurava meu rosto. Minhas mãos estavam entrelaçadas em seu pescoço, até que se soltaram e começaram a passear pelo corpo dele.

Levemente, ele tirou minha blusa e fez o mesmo com a dele.

Pode imaginar como foi o resto da madrugada, né?

PERFEITA!


Acordei pela manhã, deitada no peito dele. Senti o toque de suas mãos alisando meus cabelos delicadamente. Aquela havia sido a melhor madrugada da minha vida. Sentir que ele estava ali, bem perto de mim era reconfortante. Sorri involuntariamente ao perceber que eu me movimentava conforme ele respirava, era tão bom.

— Bom dia, amor. — disse ele.

Abraçando ainda mais seu corpo, respondi: — Bom dia... amor. Dormiu bem? — perguntei me espreguiçando.

— Muito bem!

Me remexi na cama e percebi que estava nua. Ele estava só de cueca. Sinceramente, não me incomodei com esse fato, não depois do que fizemos... naquele dia. Mas ainda assim, puxei um lençol para cima do meu corpo. Olhei fixamente para ele que me encarava com tamanha intensidade que me fazia sorrir instantaneamente.

— Como acha que seus pais vão reagir quando me virem? — perguntei só agora lembrando de tal fato.

— Nem dá nada. Meu pai já viu você, nem se incomodou. — disse ele despreocupado. — Pela cara que ele fez, pelo visto aprovou você.

— Jura? — perguntei sem saber se acreditava.

— Sério. Eu conheço ele, e não é de hoje. — ele sorriu satisfeito. — Então, tem companhia para o baile? — perguntou ele mudando o assunto.

Havia me esquecido completamente daquela porcaria.

— Não! Nem me lembrava dessa... disso.

Ele sentou bem na minha frente e me encarou de novo.

— A senhorita daria a honra de me acompanhar amanhã? — perguntou ele arqueando as sobrancelhas. — Claro que eu não aceito um "não" como resposta.

— Se for assim, quem sou eu pra discutir? — eu estava aceitando o convite, acredite.

Depois de alguns minutos, entrei no banheiro para tomar um banho. Quando saí, percebi que minha roupa de escola me esperava em cima da cama de Kauã. Me troquei e só aí olhei para o relógio. Era 12:00, sendo que 13:00 da tarde tocava o sinal de entrada da escola.

Entrei em pânico quando me lembrei de que a diretora do orfanato provavelmente não iria gostar nada da ideia de não me ver por lá. Quando ia começar a me apavorar, Kauã entra no quarto, com os cabelos molhados (é, ele havia tomado banho em outro cômodo daquela mansão), vindo em minha direção, me dando um beijo na testa e depois um selinho.

— Antes que você se preocupe... já liguei para a Sibby e pedi que ela dissesse umas coisinhas para a diretora. Ela também já está vindo para cá. Daqui a pouco chega. — ele sorriu com a cara de besta que eu fiz. Ele conseguia ler meus pensamentos também?

— Você não existe mesmo, né?

— Existo... pior que existo. E sou todinho seu!

Kauã estava sentado na cama desde que havia chegado, e eu estava parada no meio das pernas dele. De repente, fui puxada para o seu colo, sendo surpreendida por um beijo tão doce e gostoso. Quando enfim nos desgrudamos, ouvimos lá fora o grito de Sibby.

— É... ela chegou! — sorriu Kauã sussurrando as palavras perto de minha boca. Retribui o gesto e saí de cima do colo dele. Descemos as escadas quase às pressas e quando chegamos lá, percebi que ela já estava acompanhada. E muito bem acompanhada! Um garoto conversava com minha amiga, estava de costas para nós dois. Engraçado, era tão parecido com o Kauã. Por falar nele, Kauã sorriu para si mesmo e gritou:

— Willian! — o garoto virou na hora e quase me matou do coração.

— Vocês são... gêmeos? — perguntei já sabendo da resposta. Meio óbvio. Eles eram totalmente idênticos. O tal Willian subiu os degraus que davam à porta de entrada da mansão e foi abraçar Kauã. Os dois se cumprimentaram felizes, como se não se visse há anos.

Depois das apresentações, fomos os quatro para a mesa que já estava posta. Kauã e eu, sentamos do lado direito, Sibby e Willian no lado esquerdo. O pai deles chegou e dando um abraço apertado nos filhos e um sorriso amável para Sibby e eu, sentou-se em uma das pontas da mesa.

— Bom dia, meus anjos. — disse uma mulher muito linda entrando na sala de jantar com um pirex nas mãos. Ela o colocou em um porta-panelas e passou dando um beijo em cada um. Depois, sentou-se na outra ponta da mesa. — Então, meninos, não vão apresentar suas namoradas? — disse ela com um sorriso seguido de uma piscadela. Sibby e eu nos entreolhamos envergonhadas.

— Por enquanto, ainda não mãe. — disse Kauã. — Mas em breve será oficial. — ele olhou para mim e se aproximou me dando um selinho. — Mãe, essa é a Sophie... Amor, — cochichou ele — essa é Clare, minha mãe.

— Muito prazer. — estendi a mão que ela aceitou na hora, me lançando um sorriso tão lindo quanto o do filho.

— Mãe, essa é a Sibby, conheci há mais ou menos dez minutos. Sibby, minha mãe. — As duas repetiram o ritual.

O mesmo foi feito com o pai deles, Henry.

Depois do almoço, fomos para a escola. Juntos! Tipo, todo mundo. Kauã estava ao volante. Willian, ia só para conhecer a escola e encher o saco. Sibby e eu, íamos felizes da vida, conversando e gargalhando de tudo.

Pensa na situação: todos estavam nos encarando! Não existia um par de olhinhos que não estava curiosa para ver quem eram os novos casais da escola. Em plena Seul, cara!

— Vamos? — disse Kauã, abrindo a porta do carro e me estendendo a mão.

— Claro. — sorri um pouco insegura. Tal insegurança que desapareceu quando ele passou a mão pela minha cintura e foi andando assim comigo, enquanto Willian trancava o carro e vinha já de mãos dadas com Sibby.

Entramos juntos, em fileira dentro do pátio da escola, onde todos nos encaravam ainda mais curiosos, por não saberem da existência de Willian.

.x.

— Finalmente! — berrou Willian quando saímos da palestra que tivemos no lugar das aulas.

— Willian, sem drama... você nem fez nada! — disse Sibby.

— Por isso mesmo. Willian e monotonia são duas palavras que não devem ser usadas na mesma frase! — completou Kauã.

— Boa, mano!

Rimos todos juntos.

Quando estávamos chegando no carro, eis que Willian para do nada, e olha abismado para Sibby.

— Quer ir ao seu baile comigo? — perguntou ele se ajoelhando em frente à minha amiga.

— Willian, levanta daí, caramba! — disse ela baixinho.

— Só levanto se você aceitar. — retrucou ele.

— Tá, eu aceito! Levanta logo.

— Uhu! — numa atitude inesperada, Willian deu uma bitoca disfarçada em Sibby. Ainda na Coreia, esse negócio de ficar se agarrando por aí não era uma boa ideia. Nem de sair andando abraçados pelos lados.

Passeamos durante toda a tarde, os quatro juntos, mas depois os meninos tiveram outro compromisso de família, portanto, Sibby e eu resolvemos voltar para nossa 'casa'. Chegando lá, uma notícia nos chocou.

— Uma família rica entrou com um processo de adoção no mês passado. — disse nossa diretora carrancuda.

— Nós não vamos nos separar! — dissemos juntas.

— Ou leva as duas juntas ou não leva nenhuma! — completou Sibby.

Minutos depois de choro desnecessário, a tal matriarca da família chega e diz que queria duas filhas. Sibby só faltava pular no colo dela. Passamos o resto da tarde conversando, e adoramos a mulher... ela era super legal, nos entendia e sabia como era a dor de perder toda a família... coisa que nós três ali tínhamos em comum. Depois de muito conversar, foi decidio que iríamos no outro dia pela manhã.

É, nossas vidas iriam começar de verdade.


Acordei agitada, eram ainda seis e meia da manhã. Nossa 'mãe', viria nos buscar ainda às oito horas. Mas já estava perto! Nem precisei acordar Sibby, ela já estava de pé. Também nervosa assim como eu. Arrumamos nossas coisas um pouco apressadas (desnecessariamente, óbvio), e descemos para tomar café mesmo. A cozinheira, que já estava de pé, se surpreendeu ao nos ver acordadas tão cedo.

Depois de tomarmos nosso café preto, subimos de novo e começamos a andar de um lado para o outro, buscando alguma distração. Mas nada! Finalmente conseguimos bater uma com o outro na outra.

— Ai! — gritamos em uníssono.

Aquilo não foi combinado, mas é que é difícil você viver toda a sua vida num orfanato e do nada, uma família de dois (marido e mulher estéreis, como fiquei sabendo), decidem adotar duas adolescentes que são melhores amigas. Muita sorte, não acha?!

.x.


— Ela chegou! — anunciou o porteiro. Sibby e eu nos entreolhamos mais uma vez. Ficamos apreensivas à espera de Eliseh (é, esse era o nome dela).

— Bom dia. Estão prontas? — perguntou ela assim que chegou no salão, sendo recepcionada por nossa diretora insuportável.

— Sim, estamos. — respondemos convictas.

Eu não acreditava no que estava acontecendo. Depois de tanto tempo, minha vida pareceu tomar um rumo certo, e ainda mais com uma família que estava por se formar completamente com a minh chegada e a de minha melhor amiga. Com um pseudo-namorado maravilhoso que gosta de mim da mesma maneira que eu gosto dele. Tem coisa melhor?

.x.x.


Durante nossa pequena viagem no carro da nossa mais nova mãe, conversamos sobre tudo. Ela estava dirigindo e nós duas estávamos no banco de trás. Não seguimos para o que seria nossa casa também, mas sim para um Shopping enorme da cidade.

Eram 10:00 quando ela decidiu que faltava apenas uma coisa. Também pudera, estávamos com mais de dez sacolas, cada uma de nós três. Ela não estava nos mimando, mas sim, nos dando o que era necessário nós termos, como mamãe dizia. Enfim, fomos para uma das maiores lojas que havia por lá, muito bonita e com peças maravilhosas.

Nós havíamos nos esquecido completamente do baile da escola! Não tínhamos vestido, sapatos, acessórios, nada. Mas esse pequeno problema foi resolvido por ela.

Sibby e eu experimentamos vários vestidos até encontrar os certos. Depois, baseadas em modelo, comprimento, cor, compramos o resto. No final da produção, estava tudo perfeito. Quando saímos do Shopping fomos avisadas de que já iríamos para casa. Ficamos ainda mais ansiosas.

Reconheci a rua por onde estávamos indo. Percebi que nossa nova casa ficava bem em frente à casa de Kauã e Willian. Agora sim ficou ainda melhor!

A casa em si era enorme, muito grande mesmo. Um homem sério desceu os vários degraus que separavam todas as casas da entrada e sorriu do nada para nós três. Logo atrás dele, vinham mais dois homens, igualmente vestidos de terno. Pegaram nossas malas e sacolas de shopping e levaram para nossos novos quartos. Sibby foi a primeira a entrar em seu quarto. Era lindo, todo rosa, como ela gostava e com vários mimos que eram até fofos. Congelei quando chegamos ao meu... Levemente, Eliseh levou minha mão até a maçaneta e a girou comigo. O quarto era perfeito! As paredes pintadas num lilás claro, com alguns adesivos florais de roxo mais escuro e folhinhas pretas, com uma cama grande e confortável, uma escrivaninha, mesa com laptop personalisado e outras coisas mais. Coisas que jamais sonhei que teria. Antes de babar no chão, fomos avisadas de que o almoço seria servido. Descemos juntas e finalmente vimos nosso pai pela primeira vez. Ele era tão legal e amável.

— Oi, minhas filhas. — cumprimentou ele dando um abraço em nós. — É um prazer enorme conhecer vocês. Me perdoem não ter ido buscá-las, mas é que tive uma reunião de emergência. Sophie e Sibby, não é? — perguntou ele.

— Sim, pai. — respondemos fazendo ele corar e sorrir.

— Tommy Browerville. — se apresentou ele. — Vamos nos sentar?

Pela primeira vez em nossas vidas, Sibby e eu tivemos um almoço em família. Conversamos muito, aproveitando para nos conhecer melhor, foi muito divertido. Eles sempre foram muito legais conosco.

Logo depois do almoço, antes de nossos pais descansarem, pedimos permissão para irmos conversar com os meninos. Eles deram um beijo em nossas testas e disseram que depois das 15:30 teríamos que estar em casa para nos arrumarmos.

Quando tocamos a campainha, Kauã abriu rapidamente, acho que ele já estava vindo para o lado de fora. Nos olhou dos pés à cabeça e aprovou os look's. Willian apareceu logo atrás e fez a mesma coisa. Depois fomos sentar em um banco que ficava ali perto das duas casas. Eles ficaram super felizes em saber de tudo, em saber que estávamos morando na casa da frente, que agora tínhamos uma família completa e que poderíamos nos ver todos os dias.

Depois de algum tempo conversando, percebemos que já estava quase na hora de voltar para casa. Chegamos bem em cima da hora. Mamãe nos avisou que a noite chegaria rápido demais e que teríamos que nos preparar. Primeiro, fomos para uma espécie de banheiro, onde duas moças nos esperavam. Fizeram Sibby e eu nos virarmos de bruços, depois fizeram uma massagem tão gostosa que dava até para se acostumar. Quando saímos de lá com o corpo todo relaxado, tomamos um banho com alguns sais que mamãe preparou. Logo depois, ela nos guiou até seu quarto onde lá nos esperavam três homens. Enquanto os pés de Sibby estavam de na água morna, um deles fazia minhas unhas. Outro mexia no meu cabelo e um terceiro fazia a maquiagem de Sibby. Depois trocaram tão rápido que nem percebemos quem foi para o lado de quem.

Nem percebemos que o tempo havia passado tão rápido. Era exatamente 20:45hrs. Os meninos ficaram de ir nos buscar às 21:00 em ponto. Não seria tão difícil eles chegarem na hora certa, o desafio ali era achar o lado certo do vestido.

O meu, era todo azul-claro, com alguns pontos de luz; ia até os joelhos e tinha um tule por baixo que o fazia ficar armado. Já Sibby variou um pouco e foi de amarelinho, parecido com o meu, mas ao mesmo tempo, tão diferente. Resumindo, foi a primeira vez na vida que eu me senti bonita.


Tantos paparicos daquele jeito iria me deixar mal-acostumada. Mas até que era bom. Quando deu a hora exata, papai pediu licença para avisar que os meninos já estavam lá embaixo. Ele nos olhou boquiaberto e sorriu.

— Eu realmente, tenho as filhas mais lindas do mundo. — ele veio até nós e nos abraçou. Depois, deu um selinho carinhoso em Eliseh. Desceram na frente enquanto minha amiga tentava recuperar o fôlego. Assim como eu, ela também estava muito nervosa. Nunca havíamos ido à um baile de formatura antes. Seria marcante!

Por fim, criamos coragem para descer. Quando estávamos nos últimos degraus, foi que reparamos a cara que eles faziam.

— Meu Deus. — Willian disse baixinho.

Kauã simplesmente olhava admirado, como se não acreditasse que quem estava ali era eu.

Eles se mexeram e esticaram suas mãos para que nós nos apoiássemos. Depois de alguns minutos, fomos para os carros. Pois é, nós iríamos em carros separados. Willian e Sibby foram no que estava estacionado na frente, Kauã e eu, no que estava atrás.

— Você trocou de carro? — perguntei quando não reconheci o automóvel.

— Sim, aquele outro me traz más recordações. — rimos juntos.

.x.


— UMA POSE PARA A FOTO! — gritava o fotógrafo por conta do som alto da festa. Ele estava parado bem na entrada; havia sido contratado para tirar fotos dos estudantes e depois vendê-las para eles. Kauã me obrigou a ficar, dizendo que dessa eu não escapava. Ele disse alguma coisa engraçada em meu ouvido que me fez rir, na hora exata que o homem bateu a foto. Entramos e logo depois vimos que Sibby e Willian estavam nos esperando. Novamente, assim como na escola, todos nos olhavam intensamente. Ficamos surpresas com tudo isso. Entramos os quatro juntos e fomos direto para a pista de dança. Estava na metade de uma música agitada. Dançamos muito, principalmente eu com Sibby, enquanto os meninos nos olhavam dançar. Depois, uma música lenta começou. Eles vieram em nossas direções e nos tomaram pelas mãos. Como em qualquer baile, ninguém quer ser o primeiro casal a dançar na pista, portanto, ela estava vazia. Nós quatro entramos juntos novamente e dançamos aquela música tão linda e romântica.

Kauã segurava firme em minha cintura, como se eu fosse ter coragem de me afastar dele. Minhas mãos estavam entrelaçadas em seu pescoço. Alisava devagar aquele cabelo macio enquanto olhava fundo em seus olhos. Ele retribuía o gesto de maneira intensa. Estávamos juntos, e eu esperava que fosse para sempre. Ele se aproximou devagar e selou nossos lábios. Foi um beijo tão perfeito, ainda mais do que os outros, havia sinceridade, entrega, necessidade...

— Eu amo você... marrentinha! — sussurrou ele baixinho quando nossos lábios se desencontraram.

Fiquei olhando para aquele rosto lindo sem entender. Meu Deus! Como assim? Eu estava me entregando ao amor? Não! Eu já havia me entregado à ele no momento em que o conheci.

— Eu também te amo... diabinho!- disse sorrindo. Deitei minha cabeça em seu ombro e terminamos aquela dança juntos.

Eu nunca me senti tão feliz em toda a minha vida. Era o momento que eu nunca mais iria esquecer. Estar ali, com ele, minha melhor amiga e agora, meu cunhadito, e, sabendo que meus pais estariam me esperando quando chegasse em casa, era melhor do que qualquer outra situação que eu já havia vivido.

É... eu estava feliz.

Eu amo ele... para sempre!

The End


Epílogo


— Muito bem, crianças, acabou a história. Hora do lanche! — eu disse para as crianças que estavam sentadas em uma roda à minha volta.


— Tá bom, vovó. — disse a pequena Clara.


Quando todas as crianças já haviam saído da sala, Gabi*, a mais novinha volta.


— Vovó Sophie, essa história aconteceu de verdade? — pergunta ela.


— O que você acha? É verdade? — questionei.


— É sim! Pra mim, vovó, a Sophie da história é a senhora, o Kauã, é o vovô, a Sibby é a Titia Si e o Willian é o Titio Will.


Sorri automaticamente. Gabi era pequena demais para saber que a história era real, mas mesmo assim, sua pequena imaginação se libertou, fazendo ela criar a própria história, que, quem sabe um dia, você não leia?


Gabi saiu correndo para a mesa, achando que todos já haviam comido os biscoitos que fiz.


— Você não vêm? — perguntou Kauã parado do outro lado da porta.


Fechei o livro e comecei a caminhar até a pessoa mais importante do mundo para mim. Quando o conheci, tinha apenas 16 anos, hoje, vou fazer 76. E ele está comigo... ainda! E tenho certeza de que sempre estará!


— Feliz aniversário... marrentinha!

Fim!


Notas finais
*Ela quis participar kkkkkkkk dorks
Booom acabou T.T Espero que tenham gostado ^^
Gaby trabalhou tanto na fic que quase perdeu os cabelos coitada kkkkk
Por favor mandem reviews para a pequena-grande menina, ela precisa *---*
E
P.s: Gaby quase me matou quando contei pra ela que eu postei a fic dela kkkkkk
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.