Mean
1 Capítulo 1 - A garota nova.
Notas iniciais
Mesmo enquanto dormimos nós encontraremos você, comportando-se da melhor maneira. Dê as costas à mãe natureza. Todos querem governar o mundo.
(Everybody wants to rule the world – Tears for Fears)
— Sakura-Chan, acorda! – Diz Hinata Hyuuga no meu lado, enquanto bate no meu braço – É sério, a professora vai pegar você!
— Me deixa dormir um pouco vai — Respondo me virando de lado. – Você me acorda quando o sinal bater.
Quase estou dormindo de novo quando a voz da professora me desperta, me sento ereta na cadeira e tento tirar da cara a expressão de sono.
— Bom, pra quem já acabou as questões, ou simplesmente não fez porque estava dormindo - Sinto seu olhar sobre mim e tento fazer uma cara de desinteressada. – Eu quero apresentar uma aluna nova.
A professora vai até a porta e chama uma garota, ela entra. Está com seus cabelos marrons presos em dois coques e tem uma expressão séria, usa uma calça jeans e a camiseta branca do uniforme da escola.
— Essa é Tenten Mitsashi. Comprimentem-a.
O comprimento não sai muito animado, mesmo com praticamente todos os meninos gritando o olá pois acharam ela bonita. Sinto um pouco de inveja.
— Tenten, esse é o seu lugar – A professora aponta uma carteira no meio da sala, ao lado da minha. – Por favor sente-se.
Ela assente e se senta, tirando os materiais da sua mochila.
— Acho que não vou gostar muito dessa ai. – Sussurro para Hinata.
— Qual é, você nem conhece ela. – Me responde ela, com o mesmo tom de voz. – De uma chance vai.
Não mesmo.
***
O recreio demora e quando finalmente chega, nós duas saímos praticamente correndo da sala. Vamos até nossos armários para arrumar os materiais da próxima aula.
— O que é a próxima aula? – Pergunto.
— Deixe-me ver... História.
— Blargh, é com a Anko.
— Nem me fale, odeio aquela mulher. – Me viro para ver o dono da voz. Naruto Uzumaki sorri pra mim e com minha visão periférica eu vejo que Hinata cora.
— Oi Naruto. – Sorrio.
— Oi. – Diz Hinata, fracamente ao meu lado.
Ele sorri e começa a mexer em seu armário, tentando tirar um livro preso.
— Então, como vai com a Konan? – Provoco, sei que a Hinata tem uma queda por ele, mas não me importo nunca, ela não toma atitude mesmo. – Ainda na mesma?
— É, ela ainda “não tá pronta”. – Diz ele distraído, ainda tentando tirar o livro do seu armário. – Saco.
Eu e Naruto somos melhores amigos, inseparáveis, mas a gente sempre faz isso, provoca um ao outro. Eu sei, eu devia falar com ele sobre a Hinata, mas ele é muito burro e eu estou esperando ele e a Konan acabarem, eles namoram desde os 15, já faz um ano.
— E então, como vai à segunda semana de aula sem mim?
Sempre estudamos juntos, desde o jardim de infância, mas a nossa turma foi dividida em duas, ele ficou na segunda 1 e eu na segunda 2.
Ele para um segundo de tentar livrar o livro e olha pra mim: — Pior impossível. – Em seguida da um sorriso sarcástico.
Dou um tapa de leve em seu braço e sorrio. Seus braços estão maiores e mais musculosos, como o resto do corpo.
— Sakura-chan, vamos lá na mesa? É que eu queria pegar o conteúdo que perdi ontem. – Diz Hinata.
— Vamos. Até depois Naruto. – Digo, e pisco pra ele.
— Até. – Responde, distraído com o livro.
***
— Sakura Chan, você sabe que eu gosto dele, não precisa me provocar também. – Fala Hinata, quando sentamos nas mesas. Ela mantém uma expressão magoada.
— Desculpa amiga, mas é que você precisa tomar uma atitude sabe? Ele já briga quase todo dia com a namorada, não tem como ela competir com você.
Hinata cora, mas mantém seus olhos chateados em mim mais um segundo antes de se virar para sua mochila e abri-la para pegar o caderno. Suspiro e então vejo uma garota passar por ali, seus cabelos vermelhos não mentem, é Karin, a garota mais odiosa da face da terra.
— Perdeu o ponto de hoje, querida? – Falo.
— É, você roubou ele de mim. – Responde ela, virando-se.
Algumas pessoas começam a se aproximar ou virar-se para ver o que acontece.
— Claro, porque eu sou muito melhor que você – Levanto-me e dou uma volta. As pessoas ao redor começam a se aproximar mais e gritar comemorando.
— Será mesmo, virgenzinha? Acha que é boa o bastante? – Ela se aproxima de mim e uma roda se forma ao redor de nós, gritando “uuh”.
Reconheço alguns rostos familiares entre as pessoas: Konan, a namorada do Naruto de cabelo azul, Rock Lee, um garoto meio esquisito com cabelos de penico e sobrancelhas grossas, Sasuke, o garoto mais lindo da escola, Ino, uma garota loira, O Shino que é meio calado, Neji, que é bem rico e primo da Hinata, também vejo a garota nova, qual é o nome dela mesmo? Acho que Tenhem, alguma coisa assim, não?
— Quer que eu te mostre? – Dou um passo e ficamos a cerca de trinta centímetros uma da outra.
— Cai-dentro.
Puxo o meu braço pra trás e quando vou dar um soco nela, percebo que ele não vai, o que aconteceu? Acho que alguém está segurando-o. Viro-me pra trás e vejo que Naruto está me puxando.
— O que é? – Olho pra ele, irritada.
— Sem brigas. – Ele me olha sério. – Você sabe que isso não é certo Sakura.
Então eu sinto um empurrão, e vou pra frente caindo sobre a mesa. As pessoas começam a rir de mim e a diretora entra no meio da roda.
— O que está acontecendo aqui?
Então, as pessoas já se dissiparam, não vejo ninguém mais, nem mesmo Karin. Droga! Vou levar alguma culpa sozinha, de novo.
— Nada não Tsunade, eu só tropecei e cai.
— Espero que isso seja verdade. – Ela me olha no fundo do olho. – Não queremos outros problemas, não é?
Fico paralisada, ela parece ler minha mente. Engulo em seco e balanço a cabeça, em sinal negativo.
***
— Vocês duas tem que implicar, sempre? – Pergunta-me Naruto.
Estamos na entrando no ginásio para a educação física que é a última aula, que é quando as duas turmas se juntam.
— Ela que me provoca.
— Não, eu vi que foi você quem começou a xingar ela, sério Sakura, as vezes você parece uma criança!
— Desculpa tá! – Digo. Espera, por que estou pedindo desculpas? Não tenho culpa disso. Qual é, ele parece meu pai.
— Espero que não se repita.
Me irrito.
— Fala sério Naruto, você parece até um adulto “responsável”, mas todo mundo sabe que é o maior crianção. – Imediatamente me arrependo de ter dito isso, sinto a surpresa, seguida pela decepção em seus olhos.
— Você não é mais a mesma. – Ele me diz, e sai, me deixando ali.
— Espera, Naruto, me desculpa! – Eu grito, mas ele não me escuta. – AAAAH. – Cerro os punhos e saio andando.
***
O professor Gai divide as duas salas pra jogar queimado, e só pra acirrar a disputa ele diz que a equipe que perde vai ter que fazer trabalho voluntário de ajuntar folhas na praça.
— Professor, isso é injusto – Diz Karin chegando perto dele. Todos estão ao redor do professor que fica no centro da quadra.
— E por que Karin?
— Por que o time deles tem um a menos.
— Não. – Diz ele, depois de contar. – Há o mesmo número de integrantes nas duas equipes.
— É que na verdade, a Sakura não conta como um inteiro. – Diz ela, piscando pra mim.
Minha raiva borbulha dentro de mim e respiro fundo, quando algumas pessoas riem.
— Fale comigo depois do jogo Karin. – Encaro-a.
— Tudo bem garotas, sem brigas. Tirem par ou impar para ver quem começa com a bola.
— Par. – Digo
— Impar.
Nós duas mostramos as mãos, eu coloco 2 e ela 3. Droga, ela venceu.
— A bola começa com o time da Karin.
Ela pega a bola e me manda um beijo, pelas costas do professor. Fico com mais raiva ainda.
O jogo começa, o time da Karin já mata uma do meu time, me irrito e xingo ele. O jogo continua equilibrado, até que sobra somente eu e a garota nova no meu time e Naruto e Karin do time deles.
— Vamos ver quem é a boa agora garota – Diz Karin.
Sinto raiva e quico a bola, corro até a linha e a jogo com toda a minha força, a bola acerta o rosto de Karin, que cai no chão junto com seus óculos.
— Você me paga. – Ela diz, e levanta vindo pra cima de mim.
O professor apita quando ela salta em cima de mim, eu caio no chão e ela está sobre meu corpo, agarrando meus cabelos e com uma fúria descontrolada no rosto, é estranho vê-la sem óculos. Pego no seu cabelo também e escuto mais uma vez o professor apitar, não dou bola.
Ela usa seu joelho e me acerta na barriga, sinto o bile vindo até minha garganta e então o engulo, meu estomago começa a doer muito e então eu rodo com ela, ficando por cima dela. Seguro deus cabelos com uma mão e com a outra acerto um tapa no seu rosto.
Nesse momento o professor separa nós duas, ficamos de pé e eu vejo seu rosto ficar vermelho, sorrio internamente, mas então o meu estomago começa a latejar.
— Isso foi uma atitude muito estúpida. E por causa de vocês duas os dois times vão ter que fazer trabalho comunitário.
Ouço a multidão vaiar mas não me importo, pelo menos eu não perdi.
— Professor, qual é. Não é justo, coloque só as duas para esse trabalho, isso vai fazê-las aprender.
Sinto uma raiva imensa e me viro pra ver quem falou. A garota nova. Quem ela pensa que é? Mas ela vai me pagar, vai sim. O professor parece pensar por um tempo e então assente.
— Certo, acho que você tem razão...
— Tenten.
— Tenten. As duas devem comparecer na praça as duas da tarde hoje, vão ter que limpar todas as folhas e só pra garantir que estarão lá, vai ter uma pessoa para acompanhar.
— Professor isso não é justo, não mesmo. Nós vamos demorar uma eternidade. – Digo, tentando fazer cara de choro, mas acho que não consigo porque a raiva está tomando conta de mim.
— É para aprender a não brigarem! E, se pensam que não vai acontecer nada, caso não estejam lá as duas horas em ponto é suspensão de três dias, e se acham que isso é pouco vão ter que fazer trabalho voluntário na escola por um mês.
Suspiro, não adianta tentar brigar.
— Vão para os vestiários se lavarem e depois podem ir pra casa.
Os alunos vão deixando o ginásio e eu corro para alcançar a garota nova quando vejo que ela já entrou no vestiário. Vou até a porta do vestiário e abro-a, ela está de costas pra mim, mexendo em um dos armários, a camisa dela está no chão, sendo que ela está apenas de sutiã. Nós estamos sós.
Chego perto dela e a empurro, porém ela se vira no momento em que encosto nela e não tenho tempo de fazer força.
— O que foi garota? Não tem medo do perigo? – Ela me pergunta, cerrando os olhos.
— Quem você acha que é pra mandar nós duas limparmos tudo? Acho que você não conhece esse colégio não é?
— Alguém especial pra eu ter medo? – Ela ri debochadamente enquanto coloca outra camiseta. – De uma patricinha metida a puta é que eu não vou me rebaixar.
— É bom medir as palavras bem antes de usá-las contra mim, entendeu?
— Olha aqui – Ela se aproxima de mim, deixando nossos narizes quase encostados, segura meu pulso forte – Você acha que eu não conheço o seu tipinho? Garotinha mimada que acha que é a rainha do colégio, acha que todo mundo a ama quando na verdade todo mundo a odeia, eu já vi muitas como você e sei como é o final dessa história, — Ela aperta mais meu pulso, que começa a doer de verdade — e acredite, não é nada feliz.
Ela da mais um apertão e então me solta, pega sua mochila e sai, me deixando ali sozinha. Logo quando ela abre a porta algumas garotas entram. Eu fico ali, estupefata. Encarando o nada.
***
Chego as duas da tarde para recolher as folhas e me deparo com Karin já lá, sentada em um banco e atrás dela está Anko, a professora mais chata da nossa escola. Inspiro e vou andando superiormente até as duas.
— Boa tarde. – Digo.
As duas olham pra mim, mas me ignoram. A verdade é que Anko é a mãe de Karin e ela sempre defende a filha, por isso deve estar me odiando agora.
— Podem começar. – A professora diz.
Ela nos entrega um saco e um apanhador de folhas (como se fosse um palito gigante) e nós começamos a limpar a praça, ela é dividida em dois, eu fico com o lado norte e a Karin com o sul.
Vou recolhendo e pensando em tudo o que aconteceu no dia. Não foi um dia muito bom, eu briguei com a Karin, a garota nova me esculachou, o Naruto está de mal comigo, a Hinata também não está muito feliz, o Sasuke me viu ser humilhada e agora tenho que ajuntar folhas, espero que meus pais não saibam disso, porque senão me colocarão num castigo gigante.
Sasuke. O que eu acho sobre ele? Bom, eu sei que desde o jardim da infância eu gosto dele, mas parece que ele não quer nada comigo, nunca quis. Será que ele é Gay? Não, provavelmente não, já que já ficou com a metade da escola, inclusive com Karin. Me frustro de raiva ao pensar nisso, mas continuo ajuntando as folhas.
Quando eu finalmente acabo, a vaca da Karin chega e derruba todo o meu saco no chão, eu a olho mortalmente e corro até seu saco, derrubando ele também, só que a professora vê.
— O que é isso Sakura? O que está fazendo? – Pergunta, irada.
— Ela derrubou o meu primeiro.
— Não me interessa, agora você vai ajuntar o seu saco e o dela. Karin pode ir pra casa.
— COMO?
— Você ouviu muito bem.
Finalmente eu perco a paciência, jogo o meu apanhador no chão e aponto o dedo na cara da Anko.
— Se você não perdesse tanto tempo mimando a sua filhinha vaca, você podia ver como ela é puta e dá pra metade do colégio.
Droga, mais uma vez no dia, me arrependo logo depois de falar a frase, mas a Anko me olha extremamente irritada.
— ESCUTA AQUI GAROTA, VOCÊ ACHA QUE TEM PEITO? VOCÊ VAI TRABALHAR NO COLÉGIO A TARDE E VAI REPROVAR COMIGO SE NÃO MUDAR LOGO, ENTENDEU?
— Sim. – Digo, e abaixo a cabeça.
As duas vão embora, e quando eu olho para elas a Karin vira a cabeça pra mim e pisca, mostrando seu celular. O que tem ele? Resolvo deixar pra lá. Ajunto as folhas e coloco-as no saco novamente, então vou pra casa.
***
Olho pra frente da minha casa, uma mansão enorme.
Tive um dia horrível hoje, mas sei que a noite provavelmente vai ser pior, minha mãe vai brigar comigo porque eu sei que a diretora ligou pra eles.
Como pode tanta coisa ruim acontecer em apenas um dia?
Entro em casa e recebo o olhar furioso dela, que simplesmente aponta para a escada e eu subo, entro no banheiro e tomo banho, quando saio eu vou até o computador e o ligo. Abro o Facebook e vejo que tenho várias atualizações. Tenho um mau pressentimento. Abro o globinho de atualizações e clico na primeira, é um link de vídeo.
Depois que assisto ao vídeo fico arrasada, é meu vídeo sendo xingada pela Anko, e já tem mais de 300 vizualizações.
Continua...
Notas finais
Até a próxima :D
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