Me tornando o mago negro mais forte em outro mundo
1 Transportado para outro mundo.
— Heeey! Niklaus! – Gritava um garoto ao ver seu colega entrando na sala de aula.
— Eu posso te ouvir bem, Giulio. Não precisa gritar. – Respondeu o jovem em um tom descontente enquanto sentava em seu lugar. – Bem, eu não podia esperar menos de alguém chato feito você. O que você quer tão cedo?
— Nossa que humor amargo, aposto que acabou não dormindo cedo para completar algum jogo, não é mesmo? Seu Otaku fedido. – Insinuou em um tom de brincadeira. – Dessa vez ficou acordado até tarde?
— Ei, não estamos mais no fundamental, que tal parar de usar esse termo aí? Além do mais, não foi bem isso, eu completei o jogo e fui me deitar, mas não consigo mesmo dormir cedo. Esse meu problema de ansiedade só piorou nos últimos meses. – Respondeu Niklaus enquanto deitava sua cabeça no apoio da cadeira. – E eu não fiquei acordado até tarde, eu simplesmente não consegui dormir.
— Bem, o esperado de um Niklaus, não é mesmo? Sempre trocando dia pela noite e realidade pelo mundo virtual. – Afirmava o jovem enquanto ria.
— Como assim “de um Niklaus”? Eu sou algum tipo de espécime estranha? Ah, apenas cale a boca. – Respondeu com uma leve risada. – Aproveitando, onde está o resto da sala? Se tiver metade dos alunos aqui, é muita coisa. E a professora Morgana? – Perguntou ao erguer a cabeça.
— Ah, eu não sei dizer. Alguns foram chamados para a sala do diretor por conta da última brincadeira. E a professora foi com eles.
— A última brincadeira? Ah não. O que esses imbecis fizeram dessa vez?
— Nada demais, eles só interditaram um trecho do estacionamento, em protesto pela desigualdade na faculdade, ou alguma besteira do tipo. – Respondeu Giulio.
— Eu realmente preciso de uma nova classe. Eu não tenho mais saco para essa vibe ativista e toda baboseira de lutar ou levantar bandeiras. Eu só quero viver minha vida sossegado, é pedir demais uma classe comum? – Resmungou Niklaus enquanto olhava para a Janela.
Niklaus era um jovem de 21 anos comum, com notas medianas, físico mediano, um histórico mediano, tudo mediano, um verdadeiro comum no meio da multidão. Porém Niklaus era apaixonado por jogos e romances, paixão que descobriu quando ainda novo, e que leva consigo até hoje. Ao término do ensino médio, tinha decidido fazer um curso de Jogos Digitais para poder ficar cada vez mais perto de sua paixão, estudou bastante e conseguiu ingressar em uma faculdade de ponta, com renome e tudo mais. Entretanto, acabou por entrar na classe mais problemática, para ele.
Por Niklaus não suportar fazer esforços em vão ou sem motivações fortes, ele não se deu bem com quase ninguém da classe, que em sua grande maioria era formada por ativistas e pessoas de opinião formada e forte. Apenas duas pessoas dessa classe falavam com Niklaus. Giulio, um jovem de 22 anos, alto e com um corpo atlético, de cabelo curto e loiro, muito popular na faculdade. E Aya, uma garota baixa, pálida e de cabelos negros, não era muito de falar com outras pessoas além do Giulio e Niklaus.
— Eu preciso urgentemente procurar passatempo, eu acho que já acabei por terminar todos os que eu tenho em casa, tanto os livros quanto os jogos. Preciso de algo pra ajudar a lidar com essa minha ansiedade. – Niklaus resmungava para Giulio enquanto fazia uma expressão triste.
— Niklaus, você deveria mesmo arrumar uma namorada. – Afirmou Giulio. – Depois de mais de um ano, você ainda não tomou uma atitude e foi falar com a Aya sobre aquilo? – Perguntou o mesmo enquanto sussurrava ao ouvido de Niklaus.
— HÃ? DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO? – Gritou Niklaus enquanto deu um pulo de sua cadeira por conta do assunto repentino. – Eu não tenho nada a falar sobre nada. Eu e a Aya somos apenas amigos. – Completou.
— Ora, vamos! Até mesmo quem não é amigo de vocês acaba por querer ver vocês juntos. É o casal perfeito! O Otaku Fedido e a Garota Misteriosa. – Retrucou Giulio.
— Não me venha com esses títulos que parecem ter saído de uma turma de fundamental. E a Aya não é misteriosa. Ela só é um pouco reservada.
— Reservada? Reservada é uma mesa de restaurante, a Aya é antissocial ao extremo isso sim. Não sai com ninguém, não joga ou assiste nada, apenas fica no canto dela lendo livros. Acho que as únicas vezes que vi ela interagindo com algum ser vivo foi quando vocês se juntaram naquele projeto de animação do ano passado! – Exclamou Giulio.
— Bem, isso é verdade. A Aya é bem na dela mesmo. Mas veja bem, Giu. Nem todo mundo é feito você, senhor popular. Ouvi mais cedo na entrada que uma garota de medicina se confessou para você, DE NOVO! Quase todo dia uma garota diferente falando que gosta de você, e você aí rejeitando-as. Me diga então, senhor Playboy que brinca com o coração de jovens damas. Quando é que você vai aceitar uma delas? – Perguntou Niklaus enquanto levantava da cadeira.
— Não é assim, bestão. Eu só não me sinto com vontade de um relacionamento agora. – Respondeu Giulio. – Além do que eu já tenho alguém em mente. – Murmurou o mesmo.
— O que você falou? – Perguntou Niklaus ao não ter conseguido escutar as baixas palavras de Giulio.
— Nada demais, nada demais. Enfim, para onde você está indo? Não é muito do seu feitio levantar. Geralmente você só fica sentado e só levanta no horário do intervalo ou pra largar. O mundo realmente está ficando estranho.
— Idiota, eu só levantei pra ir ver como está o resto da classe. Não me importo com eles, mas nesse ritmo não vou poder estudar e as provas estão chegando próximo mês, preciso me preparar.
Enquanto os jovens discutiam, um forte clarão foi emitido, parecia vir do chão. E ao olharem para o chão, havia um tipo de símbolo desenhado, o símbolo parecia ter a forma de um hexagrama de magia que era muito popular em jogos. E o brilho que emitia as linhas dessa figura doíam os olhos.
— Mas o quê?
— Niklaus, que merda é essa? – Indagou Giulio.
— E você ME pergunta? Eu lá tenho cara de Wikipédia. Mas pela forma, me parece um círculo de transmutação que eu vi em um anime. – Respondeu.
— E ISSO É HORA PRA FALAR DE ANIMES, NIKLAUS? – Gritou Giulio desesperado.
Naquele momento a porta da sala abriu e uma aluna entrou e paralisou, enquanto o resto dos alunos atrás dela ficaram confusos com o que estava acontecendo. Um círculo enorme com símbolos estranhos e um hexagrama no centro surgiu do nada no chão da sala, e estava brilhando. A cada segundo que passava a intensidade do brilho aumentava. Até que em um momento, o brilho foi tão forte que parecia explodir.
— SAIAM JÁ DAQUI! – Gritou Aya enquanto empurrava o resto dos colegas que estavam atrás dela, para fora da sala.
Naquele mesmo momento, o brilho parecia ter parado, porém tudo parou. O som das coisas, as cadeiras, os livros, o quadro, a sala em si. Quando Niklaus se deu por conta, ele estava caindo em uma imensidão branca, sem fim, sem fundo. Até que ele piscou os olhos e estava em outro lugar.
Um salão, enorme, e cheio de pessoas vestidas com roupas estranhas. Muito parecido com o interior de uma igreja, porém, mais rico. E lá estavam todos seus companheiros de classe que estavam na sala, iguais a ele, caídos no chão, sem entender nada.
— É como estar em uma daquelas pinturas raras, do tipo que só vejo em Museus ou livros de História. – Pensou Niklaus, poucos segundos após olhar os arredores.
– SEJAM BEM VINDOS, bravos heróis. – Uma voz era ecoada ao longe, um velho então se aproximava, com uma imensa barba e vestes negras com um chapéu estranho. Com certeza era alguma coisa religiosa, pelo menos, pela quantidade de cruzes e símbolos religiosos que carregava em sua roupa. – Espero que tenham chegado todos sãos e salvos. Me perdoem a forma bruta e sem modos que usei para traze-los aqui, mas essa era a única opção. – Completou o velho.
Os alunos se mantiveram quietos, alguns com medo, alguns confusos, porém todos desconfiados. Acabaram de serem transportados de sua sala de aula para algum tipo de salão em uma igreja. Giulio logo percebeu que seus colegas não estavam confortáveis e levantou-se.
— Quem é você, e como nos trouxe aqui? – Perguntou Giulio.
— Me perdoe a falta de educação, Herói. Meu nome é Keller Frederick V, sou o sumo sacerdote do reino de Xhandam, vocês estão na cidade de Qa’ul. Eu invoquei vocês, que vieram de outro mundo, para defender a humanidade e lutar contra o exército do Lorde Demônio. – Respondeu o velho.
— Sumo sacerdote? Xhandam? Qu... qual? Eu não entendo nada do que você está falando.
— Me perdoe a falta de clareza, primeiro vamos acomodar vocês. Por favor, os outros heróis, levantem-se do chão e venham se sentar à mesa comigo. – O velho então se virou e mostrou um caminho para um salão menor, mais simples e com uma enorme mesa, onde os alunos se sentaram. – Este é o reino de Xhandam, eu sou o sumo sacerdote deste reino, isto é, eu sou a autoridade final antes do rei, eu represento a igreja, e a magia de Xhandam. Nosso reino é antigo e sua história de superar desafios é lendária, porém, há 10 anos atrás surgiu um desafio que não conseguimos superar. Um garoto, duvido muito que tivesse mais de 15 anos, apareceu em meio a reunião dos líderes do exército e assassinou o Capitão Morgann a sangue frio, todos da reunião então ficaram paralisados com o choque. O garoto então se apresentou com Arthur L’Fae e declarou que iria cruzar uma grandiosa guerra contra Xhandam, para treinar seus guerreiros e atingir “um certo objetivo”. Obviamente ninguém tomou a palavra dele como verdade, pensamos que era só mais um mercenário querendo plantar o terror na mente dos Xhandarianos, como sempre acontece. Porém, em uma noite, alguns dias após esse garoto surgir, horas de demônios e criaturas bestiais atacaram nossas vilas, e o pior, não saqueavam nada, não destruíam nada, apenas matavam os humanos e animais, qualquer coisa que tivesse um batimento cardíaco era morta. Eu então comecei a estudar, e passei meses lendo os mais diferentes, raros e proibidos livros para encontrar um meio de deter as criaturas. Coisa que eu obviamente não obtive sucesso. Alguns meses depois, uma velha vidente apareceu na porta da igreja, e queria falar comigo. Ela me contou sobre um ritual que traria “justamente o que o reino precisa”. Heróis poderosos que pudessem lutar, e que diferente de nós, Xhandarianos, evoluiriam sem limites. Assim podendo derrotar o exército demoníaco e dar um fim ao garoto Arthur. O problema é que esse ritual precisaria de condições muito específicas, data, posição da lua, alinhamento de estrelas, e até mesmo o clima. O problema que por uma década não houve um dia que encaixasse nas condições especificadas. PORÉM ISSO MUDOU HOJE, após longa espera, após muito sofrimento. Finalmente temos nossos heróis escolhidos pelo destino, para vencer essa guerra. Assim como a velha vidente havia dito, o fim do nosso sofrimento acabou pois temos justamente o que o reino precisa, heróis. – Explicou o velho.
Após o sumo sacerdote explicar a situação atual, os alunos começaram a cochichar entre si, preocupados. Até que Giulio se aproximou, juntou todos e começaram a debater sobre o que o velho havia explicado.
— Eu entendi, então isso é basicamente a situação atual... Certo. – Disse Giulio enquanto esboçava uma expressão pensativa. – Entretanto, eu sinto muito, senhor. Mas não podemos fazer isso. Somos apenas jovens universitários, não temos poder, muito menos aptidão para essas coisas. Eu realmente sinto muito, mas gostaríamos de voltar para nosso mundo. – Completou.
— Eu sinto muito, mas isso não será possível. – Respirou. – Como eu havia dito antes, o ritual requer uma quantidade ridícula de condições para ser efetivado, e o reverso dele também. Sinto muitíssimo, mas vocês não poderão voltar para o mundo de vocês, pelo menos não pelos próximos dez anos. – Completou o sumo sacerdote com um olhar sério.
— Ei... VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO NÃO É MESMO? COMO ESPERA QUE ACREDITEMOS NISSO? NOS LEVE DE VOLTA PARA NOSSO MUNDO – Um grito ecoou pelo salão, não se sabia qual aluno teria gritado isso, todos estavam em pânico, não conseguiam pensar direito.
— VOCÊS! – Gritou Giulio ao se virar para o resto da classe. – Se acalmem. Não adianta entrar em pânico agora. Temos que permanecer unidos e pensar racionalmente... mesmo que tudo que esteja acontecendo seja extremamente irracional. – Completou.
Os alunos então se acalmaram e ficaram em silêncio. Era de se esperar, a moral que Giulio tinha na sala conseguiu pôr todos em ordem. Embora o próprio Giulio estivesse confuso e com medo, ele não queria que seus colegas ficassem daquele jeito. Ele genuinamente parecia se importava com os colegas de classe. A situação permaneceu a mesma por alguns segundos de calmaria, ninguém falava nada, até que uma garota deu alguns passos à frente e olhou para o velho.
— O que você quis dizer com “pelos próximos dez anos”? – Indagou Aya.
— Bem... como eu havia explicado, o ritual requer certas condições, dentre elas, o alinhamento de algumas estrelas. O problema é que isso só acontece a cada dez anos. – Respondeu o sumo sacerdote. – Sem falar que eu já estou muito velho, e esse ritual requer uma grande quantidade de mana. Eu já não tenho a capacidade de conduzir outro. – Completou.
— Eu entendo. Então basicamente não temos outra escolha, a não ser treinarmos duro, arriscarmos nossas vidas e derrotarmos o tal exército do Lorde Demônio e salvar vocês, do jeito que vocês haviam planejado. Estou certa?
— Pondo desse jeito parece que nos somos calculistas e sem coração, mas é basicamente isso. Não se preocupe. Quanto aos treinamentos, nos temos os melhores tutores aqui para vocês. – Respondeu o velho com um leve desconforto.
— Podem ser os melhores tutores, mas algo os impede de serem os melhores guerreiros contra o exército, não é? – Perguntou Niklaus.
— Precisamente, jovem herói. Por vocês terem sido invocados por meio do Ritual das Eras, e por virem de outro mundo, vocês possuem uma capacidade evolutiva maior que qualquer habitante de nosso reino. – Respondeu o Keller.
— Entendo, então basicamente somos como aventureiros, enquanto eles são meros NPCs... Obviamente um NPC não conseguiria bater de frente contra monstros, mas um aventureiro aprenderia facilmente. Entretanto um aventureiro iniciante é fraco e sem muita sabedoria, logo existem NPCs para ajudarem esses aventureiros e treinarem eles até que fiquem fortes o suficiente para continuar e vencer a aventura sozinhos.
— Eu não tenho ideia de várias palavras que você acabou de falar..., mas é precisamente isso. Não temos forças suficientes para combater o exército de Arthur, porém, vocês podem. E nós estamos aqui para ajudar vocês com isso. – Concluiu Keller.
— Mas que saco..., ei, Niklaus. Se anime, esse mundo que estamos presos é basicamente um dos jogos que você ama tanto. – Apontou Giulio. – PESSOAL! Não temos muito o que fazer. Fomos arrastados para essa situação, mas não conseguiremos sair dela tão facilmente, então só podemos ir de acordo com o ritmo. Não se preocupem, é só encarar tudo isso como um jogo ou anime de RPG. Afinal de contas, somos os heróis invocados de outro mundo! – Exclamou Giulio para o resto da classe, tentando acalmar a todos.
— É como o senhor disse, Herói Giulio. – Disse Keller com um sorriso compreensível em seu rosto. – Agora se me permitem, precisamos esclarecer algumas coisas antes de começarmos um treinamento. Precisamos saber qual a especialidade de vocês. – Completou.
— Especialidade? – Indagou Giulio.
— Acho que é algo como nossa “classe”. – Respondeu Niklaus. – Que tipo de habilidades temos, ou que tipo de armas podemos brandir com maestria, estou certo, Senhor Keller?
— Exatamente isso, vejo que possui um raciocínio rápido, Herói Niklaus. – Respondeu o Sumo sacerdote com uma risada.
— Bem, no meu outro mundo eu sou o que você pode chamar de Especialista, em situações como essas. – Disse Niklaus com um tom cheio de si.
— Você quis dizer um Otaku. – Retrucou Giulio.
— Não estrague a minha imagem de sabedoria, seu idiota. – Resmungou. – Então sumo sacerdote. Como vamos descobrir nossas classes? – Perguntou.
— Não se preocupem, é bem simples. Vocês só vão ter que tocar nesse livro. E uma imagem será formada acima de vocês com os detalhes que precisamos saber. – Respondeu Keller.
— Ah, entendi. Que pena, eu esperava algo mais Harry Potter, com um chapéu dizendo bem alto nossa vocação. – Resmungou Niklaus.
Os alunos então caminharam junto com o sumo sacerdote para um outro salão, esse estava cheio de outras pessoas, novamente com roupas de nobreza e várias outras usando roupas velhas e trapos. Se percebia claramente uma discrepância entre aquelas pessoas. Certamente eram nobres e plebeus.
— Aqui estamos, heróis. O Salão Principal. Podemos dizer que é nosso lugar de estratégia, aqui nos decidimos as coisas mais importantes para o reino. Eu sinto muito não ter mais privacidade para vocês aqui, mas por ser um assunto de importância para o Reino de Xhandam, os senhores de terras vieram para vê-los. – Disse Keller. – Dito isso, por favor, venha um de cada vez, e toquem este livro, não precisa ser com força. Apenas pôr a mão em cima já deve bastar. – Completou.
— Okay, acho que eu devo ser o primeiro. Vou tentar quebrar o gelo para vocês! – Disse Giulio com um tom animado. – Eu só preciso pôr a mão nele, certo? – Perguntou.
— Isso, não se preocupe com nada, apenas ponha a mão em cima do livro e feche seus olhos. – Respondeu Keller.
O livro não era nada místico como o esperado, era apenas um livro velho. Estava aberto no meio, em cima de um pedestal. As páginas tão velhas que pareciam se partir caso alguém virasse. A capa e alguns detalhes de couro. E uma linguagem que não era legível estava escrita no livro. No momento que Giulio pôs a mão em cima do livro algumas luzes começaram a se juntar em volta dele, e elas subiam de seus pés, até seus braços e entravam no livro. Alguns segundos depois uma grande imagem apareceu acima de Giulio. Parecia uma tabela, com números e nomes. Aquilo definitivamente era uma ficha de RPG. E nela tinha tudo sobre o papel de Giulio naquele mundo. Desde seus atributos, habilidades, nome e idade até coisas mais específicas como altura e peso, e do lado de seu nome, sua classe. Então após o Giulio, todos fomos, um a um descobrindo nossas classes.
Giulio Chesárie, 22 anos, humano (Herói), 1.84m de altura, 79kg de peso. Classe: ESPADACHIM.
Aya Sylwia, 19 anos, humana (Heroína), 1.61m de altura, 69kg de peso. Classe: MAGA.
Jon Robertz, 21 anos, humano (Herói), 1.76m de altura, 71kg de peso. Classe: ATIRADOR.
Thygo Felps, 21 anos, humano (Herói), 1.69m de altura, 73kg de peso. Classe: LANCEIRO.
Raphäell Vallonce, humano (Herói), 1.76m de altura, 70kg de peso. Classe: FEITICEIRO.
Kell Norham, humana (Heroína), 1.57m de altura, 58kg de peso. Classe: MAGA.
Airi Christen, humana (Heroína), 1.63m de altura, 59kg de peso. Classe: LADINA.
John Ricardo, humano (Herói), 1.77m de altura, 71kg de peso. Classe: PALADINO.
Luna Jules, humana (Heroína), 1.56m de altura, 81kg de peso. Classe: SACERDOTIZA.
Brunno Carloz, humano (Herói), 1.68m de altura, 75kg de peso. Classe: CAVALEIRO.
Lethicia Christen, humana (Heroína), 1.66m de altura, 57kg de peso. Classe: BARDA.
Todos possuíam classes diferentes e pareciam muito úteis, era realmente como um RPG. Cada pessoa ali se identificava com a classe escolhida, cada pessoa tinha uma razão para fazer parte do grupo de Heróis. E por fim, chegou a vez de Niklaus...
Niklaus Strasza, humano (Herói), 1.76m de altura, 92kg de peso. Classe: APRENDIZ.
“Aprendiz? Que tipo de classe é aprendiz?” – Pensou Niklaus. – Ei, sumo sacerdote. Que tipo de classe é essa, aprendiz? – Perguntou.
— Bem... aprendiz.... basicamente não é uma classe. Aprendiz é literalmente o que o nome parece, é um aprendiz, alguém que ainda não é um mestre, alguém que ainda tem muito a aprender, não é uma especialidade propriamente dita. Um aprendiz pode aprender várias técnicas diferentes, com mestres diferentes, mas infelizmente, um aprendiz não passa disso, um aprendiz. Nunca podendo superar os mestres ou chegar no mesmo nível. – Respondeu Keller, sem jeito, como se estivesse com pena do garoto.
— Tinha que ser o Otaku, ele tem jeito de perdedor até mesmo em outro mundo. – Podia-se ouvir vários sussurros entre o resto da classe, obviamente algumas pessoas gostavam de se sentir superior a outras, e o fato de alguém excluído como Niklaus ter sido escolhido para uma classe inferior como Aprendiz, só deixou essas pessoas contentes.
— EI VOCÊS! O QUE PENSAM QUE ESTÃO FALANDO? Ele é nosso companheiro! – Exclamou Giulio ao gritar enfurecido com o resto dos heróis.
— Está tudo bem, Giulio. Eles estão certos. – Disse Niklaus. – Infelizmente eu não tenho muito o que fazer, porém ainda vou tentar ajudar vocês, e não atrapalhar ninguém. – Completou tentando tranquilizar Giulio com um sorriso calmo. – Eu digo isso, mas com certeza eu estou ferrado. – Pensou.
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