Me diga quem é você!
5 Real? Ou não?
Notas iniciais
Anteriormente em ~ Me diga quem é você! ~
POV's Nora
Segurei sua mão; o porto seguro que me esquentava no momento vinha dela.
– Obrigada! — sussurei para a sombra chorando, meus lábios tremendo. Segurei sua mão com a força que me restava.
– Obrig...- então meu mundo voltou a escurecer. Mas dessa vez não tive medo como da primeira vez.
Pai. Tudo vai ficar bem. Não se preocupe. Eu te amo.
Dessa vez, em meu sonho, estava numa praia.
Senti a areia quente sob meus pés. O sol brilhava intensamente no fim do horizonte, pássaros voando pelo céu azul. Parecia a paisagem de uma tela de pintura.
As ondas alcançaram as pontas dos meus dedos e por fim se foram, mas continuaram nesse vai e vem, a água era refrescante. Sorri movendo meus dedos, de forma a cavar a areia.
De repente uma sombra apareceu ao meu lado. Imediatamente me lembrei da sombra no beco. A que tinha me salvado. Me virei para agradece-la, mas então abri meus olhos.
Uma luz me impedia de abrir-los de uma vez só, logo o cenário a minha frente estava borrado pelos meus cílios e os olhos quase que praticamente fechados.
Senti um movimento na minha esquerda. Tentei olhar para ver quem era, mas seu rosto estava envolto pela escuridão e apenas um borrão para mim.
A pessoa pousou a mão na minha por um breve momento e rapidamente se afastou indo embora. Reconheci algo com aquele breve toque, mas não fazia ideia do que . Então meus pensamentos voltaram-se para sombra que havia me ajudado.
– Obrigada! — sussurrei com a voz arranhada e ela parou no mesmo momento.
Ouvi um riso abafado. Seria o sorriso uma resposta? Então ela se foi, junto com a minha consciência. Abri meus olhos novamente. Eu me localizava num leito de um hospital.
Como se entendesse a mensagem, senti dores espalhadas pelo meu corpo, me avisando que agora eu estava completamente acordada e viva. Mas aquela visita tinha sido real? Ou apenas uma alucinação minha?
Estava confusa demais para distinguir o que era, ou não, real.
POV'a Autor
Harrison Grey corria desesperado por entre os corredores do Hospital Central, a procura do quarto em que Nora estava.
Seu coração batia tão rapido, que Harrison era capaz de senti-lo evidentemente no seu peito, como se o coração fosse abrir uma buraco e pular para fora.
– Minha filha! Onde ela está? — pediu com os olhos a ponto de lacrimejar. Perguntando onde ficava o número do quarto de Nora.
Em sua mente o desespero e medo de que algo muito sério tenha acontecido com a sua filha o perturbava.
Ele havia recebido uma ligação em seu trabalho, avisando que sua filha tinha dado entrada no Hospital. Eles não haviam dado detalhe algum, deixando a mente de Harrison a mercê de imaginar o que havia acontecido.
– Quarto 54. To procurando o quarto 54 — ele olhava todos os números dos quartos, com sua visão embaçada pelas lágrimas que ameaçavam cair a qualquer momento.
– Quarto 54? Minha filha — ao falar sentiu a própria voz falhar em um ponto.
– Com licença! — uma idosa que observou o desespero do homem falou — Qual o quarto mesmo?
– 54, quarto 54.
– O quarto fica no 2 andar. Você dobra na esquerda depois do segundo corredor. Você é pai da mocinha que chegou hoje aqui?
– Cabelos cacheados meio ruivos, magra e alta? — ela acenou com a cabeça.
– Obrigado, muito obrigado mesmo — apertou sua mão em grande agradecimento.
– De nada! — então ela continuou seu caminho.
Lá fora, em um canto escuro do estacionamento do hospital, um homem se misturava com as sombras, usando um boné preto e as roupas do mesmo tom.
– PC/02! — falou um código e esperou. A linha do outro lado chiou, tocando uma música que era composta por batidas irritimadas. O homem esperou até que terminasse.
Saiu do estacionamento enquanto desmontava o celular. Pegou o chip e usou o chiclete que mascava para cobrir-lo. Jogou na primeira lata de lixo que viu e logo mais a frente, jogaria o aparelho em um lixão.
POV's Harrison
Após encontrar o quarto, entrei tentando não fazer barulho e parei na porta. Vi que Nora estava deitada e parecia estar dormindo. O seu estado me rasgou por dentro. Havia hematomas em seu rosto, agora mais esverdeados, um pequeno corte na sua testa e lábios e ataduras na perna e no braço.
– Filha! — sussurrei em lamento. Como pude deixar isso acontecer. Meus olhos que guardavam as lágrimas estavam preste a cair.
– Me desculpe filha! Eu...me desculpe! — não conseguia dizer nada, além de me desculpar. Como um pai pode deixar isso acontecer? Como que fui pedir para minha filha ir tarde comprar coisas?
Então Nora se mexeu, limpei rapidamente as lágrimas. Seus olhos abriram e logo me notaram. Um sorriso formou-se em seus lábios, que apesar de possuírem um corte, era o sorriso mais sereno que já vi.
– Pai! — ela sussurrou.
– Oi querida! — me aproximei e puxei uma cadeira para sentar ao seu lado — Você está bem?
– Sou estou com sono, não sinto dor por causa dos analgésicos. Eles são eficientes — ela sorriu.
– Sua bobinha — sorri e uma lágrima remanescente caiu.
– Pai! — ela pegou minha mão e vi a preocupação se formar em seus olhos
– Está tudo bem Nora. Está tudo bem. Ok querida?
Ela acenou com a cabeça.
– Então o que o médico disse? Quando eu posso sair?
– Amanhã ou talvez depois de amanhã, se seus resultados dos exames melhorarem.
O que aconteceu para ela ficar assim?
– Então...quer conversar sobre isso? — falei calmamente segurando sua mão. Ela a apertou e abaixou o rosto.
Não! Ela ainda não está pronta. Apertei de volta. Ela acenou com a cabeça.
Vou esperar minha filha. O tempo que for preciso!
POV's Nora
Tinha pesadelos constantes com aqueles caras, mas a sombra que agora era uma luz, sempre aparecia para me ajudar.
Levei minha mão a frente de meu rosto. Olhando-a e lembrando daquele toque, imaginando se era um sonho ou real.
– Está pronta querida? — perguntou meu pai da porta.
– Só um minuto.
Me levantei, estava bem melhor, sentia poucas dores, mas nada que me deixasse de cama. Havia ficado três dias no hospital, o médico disse que repouso era essencial na minha recuperação.
Sai e acompanhei meu pai.
– Está sentindo algo? Se estiver não deixe de me avisar!
–Está tudo bem pai. Novinha em folha! — sorri.
– Ok! Vamos.
– Na verdade! Eu vou tomar um caminho diferente! — falei enquanto estávamos no elevador.
Meu pai me olhou levantando uma das sobrancelhas.
– Eu já faltei três dia dias de trabalho. Estou bem, e também não quero mais faltar. Aliás eu avisei que iria hoje — lembrei assim, das mensagens no meu celular.
– Nora! — meu pai começou.
– Confie em mim! — disse e sorri. Ele imediatamente se rendeu.
Nos despedimos na frente do hospital e fui para o ponto de ônibus. Não demorou a chegar. Por sorte ainda tinha uma cadeira vazia, onde tratei de ocupar.
Peguei meu celular e li as mensagens novamente.
" -09:32 Am — Me desculpe. Eu só pude deixar você no hospital. Você está bem? "
" -18:42 Pm — Assim que ver essa mensagem me responda, eu deveria ter ficado no hospital com você, mas achei que você não gostaria de um estranho por perto ".
Ele recebeu minha mensagem e foi ao beco.
Tive essa revelação assim que vi meu telefone está manhã. Estas mensagens acabaram por deixar claro que tudo que aconteceu não foi sonho, e nem coisa da minha cabeça.
Agora eu não sabia o que fazer. Talvez fosse melhor pensar com mais calma hoje a noite.
No trabalho, todos disseram que eu deveria voltar para casa, e descansar mais um pouco. Apenas acenava que estava tudo bem.
O Sr.Mouret disse que o que precisar era só falar com ele.
Na hora do almoço, notei então que aquele homem não estava lá. Como era possível eu não saber seu nome ainda? Aliás, eu não tinha coragem de perguntar há alguém.
Peguei meu almoço e fui lá para os fundos. Como esperado estava vazio.
Comi calmamente até o barulho da porta me assustar.
– Wou. Acho que cheguei atrasado.
Me levantei e olhando para o chão.
– Já terminei! Você pode ficar — ao passar por ele, senti um forte cheiro de remédio. Daqueles que se põem em machucados.
Me virei e sem pensar perguntei.
– Você está bem? — mirei sua boca ao invés dos olhos. Ela tinha algo de perigoso e ao mesmo tempo sedutor. Que pensamentos são esses droga?
– Por que a pergunta? — sua voz foi fria como gelo.
– Ahn...nada...deixa para lá. Me desculpe — acenei com a cabeça e me virei. Logo um braço fechou a porta antes que pudesse passar por ela. Senti o frio na minha espinha. Merda. Você não deveria ter perguntado nada.
– Vamos lá. Me fale o motivo da pergunta.
– Só que...as pessoas normalmente perguntam se a outra está bem para puxar conversa — achei melhor essa desculpa do que pergunta sobre o que não devia. Já bastava o que não devia ter visto.
– Uhmm. Ok. Só quero que saiba o seu lugar e o da sua boca — disse baixo e vi seus olhos fixarem no corte em minha testa antes de eu desviar.
De relance vi marcas de briga no seu pescoço. Ao mesmo tempo ele pareceu notar e se foi pela porta.
Por um momento seus olhos profundos me absolveram e fui presa por aqueles órbitas escuras e penetrantes.
Respirei fundo. Você precisa manter distância, principalmente dele.
Após o expediente começar. Ele...Mas que droga. Preciso chama-lo além de ele, isso é estranho.
Ele não falou comigo nenhuma vez, o que era de se esperar, pois havia acabado de receber uma ameaça direta por ter visto o que tinha na sua costa no outro dia. Mas dessa vez parecia que ele me vigiava, sentia seus olhos em mim sempre, no entanto não tinha atitude de o encarar no exato momento. Não era tão corajosa. Mas percebi novamente o cheiro de remédio, que tornava-se mais forte quando chegava um pouco mais perto dele.
Cogitei de estar vindo de mim, mas não passei nenhum remédio em meu corpo. Não estava com esse cheiro. Tinha ido 3 vezes ao banheiro para me certificar.
Logo comecei a notar algumas coisas quando ele não estava olhando. Nos seus punhos vi marcas de feridas, notei um pequeno corte em seu braço e algumas manchas e até mesmo o jeito como ele caminhava. Com certeza ele havia se metido em brigas. Era de se esperar, com essa cara de bad boy que ele tem.
No final do expediente. Fui pro vestiário, ao sair do banheiro dei de cara com ele arrumando suas coisas.
Passei direto e fui ao meu armário. Peguei um remédio que o hospital havia passado para dores musculares e um bandete caso necessário. Enrolei e esperei ele entrar no banheiro.
Por fim ele se foi e deixei o vidro e o bandete ao lado da sua mochila e fui embora rapidamente com meu coração a mil.
Apesar de ele não parece gostar de mim, não sou dessas que ignora alguém machucado.
Na parada de ônibus peguei meu celular para verificar se havia mensagens. Nenhuma.
Me sentei em um canto no ônibus e me deixei relaxar com a música que vinha dos meus fones de ouvidos.
De repente senti que estava sendo observada. Abri meus olhos e me assustei com o que vi.
Ele estava sentado na minha frente mas de um jeito a ficar olhando pra mim.
Seus olhos encontram os meus e senti medo, mas ao mesmo tempo vergonha e confusão.
– Não olhe pra baixo! — ordenou, impedindo minha próxima ação.
Ele veio se sentar ao meu lado e virou minha cabeça para encara-lo.
Por fim foi chegando mais perto, sua cabeça em direção a minha. Recuei ela para trás a medida que ele avançava.
Merda. O que ele está fazendo?
Por fim senti o vidro da janela atrás da minha cabeça.
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