Me diga quem é você!

8 A criança do Escuro


Notas iniciais
Olá meus queridos e queridas. Aqui está mais uma capítulo desta fic, espero que gostem. Boa Leitura!!!

POV's Nora

Na noite anterior não havia dormido bem. Na verdade, mal dormi.

Constantemente acordava com a lembrança de quanto fiquei perto de Patch, seu cheiro permaneceu em minha memória, desde o momento que quase invadimos o espaço pessoal um do outro. E quando estava acordada, também pensava nele. Isso me dava raiva, não conseguia controlar e nem bloquear, Patch sempre me vinha a mente.

Sua fragrância havia se misturado com a de meu cabelo, no entanto mais forte, e essa foi uma das razões quando acordei de um sonho, onde ele estava presente.

No sonho, estava correndo em um jardim repleto de flores a minha volta, não sabia porque estava correndo, mas tinha certeza que era pra procurar alguém.

Depois que dobrei numa cúpula dessas onde se tomam chá, ele estava lá. De calça preta e uma blusa branca de mangas compridas, seus pés estavam descalços. Eu estava com um vestido branco e alças finas, descalça também e meus cabelos soltos ao vento.

Quando parei, ele percebeu minha presença e se virou. Seus olhos me cercaram de todos os lados, e estavam negros, tão intensos que chegava a sentir o toque do seu olhar em minha pele. Patch sorriu de uma maneira sedutora e estendeu a mão para mim.

Meu coração batia rápido, com medo de toda essa intimidade dele comigo. Mas então meu corpo se moveu sozinha e eu não estava mais no controle.

Já perto dele, sua mão segurou a minha me levando para mais perto de si.

— Você demorou! — sussurrou em meu ouvido. Sua voz foi suave e rouca.

— Me desculpe! — olhei para baixo envergonhada. Mas não era eu que havia dito aquilo, foi estranho ouvir minha voz falando algo que não era do meu controle.

Sua mão levou a minha até deixar ela envolta do seu pescoço. Aliás, sua pele era tão quente e gostosa. Esses pensamentos foram tomando conta da minha mente. Depois levou sua mão ao meu queixo, levantando meu rosto para que olha-se para ele novamente. Mas foi então que vi.

Patch estava com um sorriso de deboche em seu rosto chegando a ser até mesmo diabólico. De repente, meu corpo agora era finalmente meu. Dei um passo pra trás e vi seus olhos seguindo meu movimento, como um predador observa sua presa. Ele segurava uma de minhas mãos com força.

— Me solta! — disse com a voz trêmula — Fique longe! — avisei com voz mais seca e séria possível. Ele sorriu apertando mais forte meu pulso, causando uma grande dor.

Puxei minha mão com força que tinha, fazendo-o largar. Mas fui contudo pra trás, caindo no chão. Patch tinha um olhar frio com um sorriso assustador fixo na boca.

Levantei e corri o máximo que pude. Não tive tempo de olhar pra trás, mas tinha que ir para um lugar longe dele.

Na minha frente para onde olhava tinha flores e mais flores, um jardim que mais parecia um labirinto. Onde a grama estava mais alta e bem cortada, formando muros.

Quando dobrei numa curva, uma mulher estava de costas, acocada no chão. Parei ssubitamente Ela cantarolava algo. Uma canção de ninar. E me era familiar. Não poderia ser, não é? Não é ela!

Dei um passo pra trás, pra sair despercebida, mas ela notou, pois se levantou.

Era ela!

— Minha pequena! — minha mãe sorriu pra mim. Seus olhos azuis como os de um felino e frios como gelo. Me lembro desse olhar. Seus cabelos loiros preso em um rabo de cavalo perfeito sem um fio fora do lugar, como antes. Sua pele clara e seu corpo esguio. Suas unhas vermelhas como sempre. Só de olhar para elas, senti grande desconforto.

Minhas pernas estavam trêmulas e meu peito doía, até minha respiração não estava mais normal, como se de repente, houvesse uma escassez de oxigênio.

Minha mãe foi se aproximando, e a cada passo uma dor surgia em alguma parte do meu corpo, fazendo com que meus olhos se enchessem de lágrimas.

Ela parou na minha frente.

— Meu pequeno estorvo! — então senti uma dor, agora em meu coração, reconhecendo sua voz — Meu pequeno bebê intruso — foi então que agora chorava, não consegui resisti.

— Por...por que... — ela tapou minha boca, apertando com força, seu toque frio como sempre.

— Shisss. Fique calada! Não chore. Sei que foi meu descuido por ter cometido um erro tão grande. Mas a culpa é sua por continuar vivendo — apertou ainda mais, fazendo com que minha mandíbula doesse.

— Vou resolver isso ta querida — ela sorriu e me empurrou.

Mas não senti o chão do jardim nem nada. Ela havia me derrubado de um precipício. Foi a partir daí que comecei a gritar. Pedir pro socorro.

— Acorda. Acorda! — gritei. E foram meus gritos que me acordaram. Sentei na cama.

Meus olhos cheio de lágrimas. Levantei e andei de um lado a outro. Meu corpo estava quente e não parava de suar.

Lembrei do pesadelo e de como não sentia que estava no comando.

— Respira! — falei. Foi tão horrível, não estar no controle. E é exatamente assim que me sinto agora.

Por que estou tão instável? Por que não parece que sou eu mesma? Meu maior medo é não ter controle do que sou e como sou! Além do mais, aquela mulher...

De repente uma lembrança veio a minha mente. Era um lugar escuro, e apertado, como uma caixa ou um sótão, uma criança pequena comia um pedaço de pão enquanto chorava. Minha cabeça girou e senti náuseas. Sentei rapidamente.

— O que foi isso? — indaguei.

Não queria pensar mais nada no momento. Vesti uma legue e um moletom. Peguei um tênis e sai de casa, o sol ainda não havia nascido.

Corri pela vizinhança. Correr me impedia de pensar em qualquer coisa a não ser controlar minha respiração e em água e como meu corpo precisava dela nesse momento.

Não tenho ideia de por quanto tempo corri, só que quando cheguei em casa meu corpo não aguentava dar um passo. Me joguei dentro do banheiro e liguei o chuveiro.

Meu corpo foi relaxando, mas sentia as dores musculares. Fiquei lá, deixando a água me percorrer, levando as dores embora mas não foram capazes de levar minhas preocupações. Fiquei assim até que as pontas dos meus dedos começaram a enrugar.

No meu celular eram quase 8 da manhã. Me sentei na cama.

— Deus, o que está havendo? — disse com meu rosto entre as mãos. Por que sonhei com Patch e principalmente, por que aquela mulher também estava lá? O que está acontecendo comigo? Não conseguia pensar em respostas, só vinham perguntas e mais perguntas.

Para ocupar minha mente fui mudar de roupa e fazer as tarefas domésticas. Meu pai havia ido em um bico que um amigo dele chamou.

Depois de limpar a casa fui lavar a roupa.

Aquele cortiço não era tão agitado em dias de domingo de manhã. Todos lá aproveitavam para acordar mais tarde. Exceto à senhora dona do cortiço, que sempre, não importava o dia da semana, estava lá varrendo e juntando o lixo.

Desci pra ir pro pátio com o balde de roupas. Haviam 4 tanques, escolhi um e tornei a fazer meu serviço. Demorou um pouco para os moradores aparecerem e as crianças começarem a correr pelo pátio.

Meu serviço estava quase completo, até a senhora do 12 pedir pra levar seu filho junto com a filha da 10 no sorvete. Pensei em dizer que tinha algo pra fazer, mas as crianças eram as únicas fora os outros, que eu conseguia ser como eu era. Pois elas sempre eram tão sinceras, com os mais velhos sempre havia riscos de traição.

— Vamos! — chamei por Sophia e Kaio, acho que os dois tinham a mesma idade, por volta de 11 anos, mas Sofhia era mais alta. Cada um pegou em uma das minhas mãos — Não soltem ok? Se não nunca mais irei vir com vocês comprar sorvete! — ele concordaram em obediência.

Havia uma sorveteria não tão longe de lá, a pé gastamos uns 5 minutos para chegar. Fiz o pedido ao rapaz do balcão e aguardei com as crianças na mesa.

Elas conversavam sobre o que tinham feito ontem, sobre carrinhos, bonecas, brincadeiras de meninos e meninas. Não lembro de ter passado por isso, na verdade, não recordo de nada da minha infância só a partir do dia que aquela mulher nos deixou, quando tinha 5 anos,o resto são somentes flash. Então minha mente voltou aquela criança, no escuro e chorando. Será alguém que eu conhecia? Um amigo?

— Nora! — Sophia me cutucou — Você está prestando atenção? — perguntou emburrada.

— Desculpe, estava com a cabeça nas nuvens, pode repetir? — pedi sorrindo.

— Ta bom, eu estava brincando de bola no pátio, ai o Erick começou... — sorria com as crianças e os tipos de loucuras que elas me contavam, suas histórias. A cada minuto havia uma briga sobre algo, então tinha que escolher quem apoiar, mas logo eles voltavam a fazer as pazes. Dei muitas gargalhadas, me deixando leve e feliz.

Enquanto voltávamos para o cortiço, sempre parando para brincar ou apostar algo, ou comprar outra besteira para comer. Havíamos demorado tanto, que a hora do almoço já havia passado.

— Obrigada por ter levado eles! — agradeceu uma das mães.

— Não, tudo bem. Desculpe por ter demorado, não acho que vão querer almoçar depois de tudo que comeram.

— Eles se divertiram bastante! Tome! — ela me ofereceu um envelope. Tinha certeza que era dinheiro.

— Não precisa, sério. Foi apenas um favor! — recuei para trás.

— Mesmo assim — disse colocando bruscamente o papel na minha mão — Obrigada Nora! — disse sorrindo e então foi embora.

Fiquei olhando o envelope.Guardei em meu bolso. Por fim, terminei o serviço que tinha deixado incompleto.

Meu pai ainda não havia chegado. Depois de terminar o almoço, comi.

~ 8:23 Pm ~

Estava deitada quando chegou uma mensagem. E só podia ser daquela pessoa. Meu coração fibrou um pouco. Não sei exatamente porque.

" — 8:24 Pm — Boa Noite. Sinto muito, perdi me celular, ele estava no silencioso, então foi difícil acha-lo --' ".

Não soube o que mandar, fiquei encarando a mensagem que li umas quatro vezes, até chegar outra, além de não fazer ideia do que aqueles sinais no final significavam.

" — 8:25 Pm — Acredite em mim, não demorei a responder de propósito ".

Fui direto ao ponto. Não havia porque me sentir acanhada, ele não sabe onde moro. Mas então veio a parte negativa. Mas provavelmente sabe como sou!

" -8:28 Pm — Eu havia mandado uma mensagem antes...".

Apaguei. Por que estou excitante em enviar? Chegou outra mensagem.

" — 8:30 Pm — Sobre a sua mensagem. Eu estava ajudando a Tina a arrumar um pouco as coisas na sala e vi um celular. Não é muito comum perderem um celular ".

" — 8:32 Pm — Achei melhor garanti que o celular chegasse nas mãos do verdadeiro dono, caso conseguissem enrolar a Tina, apesar de ser difícil rsrs XD ".

Mas o que era esse tal de "rsrs" e esse x com um d ? Seria estranho perguntar a ele. Nunca fui de mandar mensagem a ninguém, então não sei o que querem dizer.

" — 8:34 Pm — Obrigada ". Foi a única coisa que mandei.

" — 8:35 Pm — o/ ".

Outra vez, esse jogo de sinais. O que significava. Seu eu perguntasse ele me acharia uma boba. Aliás, por que continuo a conversar com ele? Sei que ele me ajudou e tudo, mas...

— Affs. Estou confusa — coloquei o travesseiro no meu rosto.

Escutei uma batida na porta que me assustou.

— Filha, não esqueça de ir no hospital amanhã, você precisa fazer outro check-up. Conto com você!

— Ta bem pai — nossa, havia esquecido disso. Será que o médico explicaria meu mal estar naquela vez no trabalho?

A criança no lugar escuro invadiu novamente meus pensamentos.

— Pai! — chamei do corredor antes de entrar no seu quarto.

— Sim querida! — ele esperou eu falar, mas um sentimento estranho me preencheu, algo me dizia que não era para fazer isso.

— Que horas é para ir no hospital? — perguntei.

— 16 horas. Fale com o Sr. Mouret, tenho certeza que ele ira libera-la! — sorriu e entrou no seu quarto.

Me deitei novamente. Que sensação era aquela? Como se fosse magoar meu pai se dissesse algo.

Dormi com isto em mente. E aquela criança do lugar escuro fez parte dos meus sonhos, ela chorava enquanto no fundo, alguém cantava uma canção de ninar que eu reconhecia.

Notas finais
Então? Curiosos? As respostas apareceram aos poucos, ou não. Continuem acompanhando a fic, não deixem de comentar o que acharam, pois sempre vou melhorar. Até mais :*