Notas iniciais
Olha eu aqui de novo. Tudo bom com vcs? Espero não ter feito vocês esperarem demais. Esse capitulo é prévia para algo maior, me empenhei bastante nele, então espero que gostem. p.s: Desde já desculpem possíveis erros ortográficos, sempre fui um pouco mais fã de Biologia do que Língua portuguesa. Nos encontramos lá em baixo... Boa Leitura ^^

~ Anteriormente em " Me diga quem e você! "~

POV's Nora

Escutei os passos novamente até que vi a sombra dos seus pés por baixo do banheiro. Escutei o barulho dele encostando-se na porta e logo a voz que escutei do outro lado soou extremamente ameaçadora.

– Eu sei que está ai. E viu o que não devia.

POV's Autor

O boné preto cobria boa parte do seu rosto e olhar de cabeça baixa aumentava a camuflagem. Parou em um canto de um beco escuro. Seu celular tocou e ele atendeu no mesmo momento.

Esperou. A voz falou rápida e precisa.

– Sim. Está tudo sob controle. Nenhuma complicação.

Ele esperou mais um pouco

– Ok! — atirou o celular no chão e o pisou até não estar mais usável. Pegou os pedaços e jogou na primeira lixeira que viu quando voltava para seu posto.

POV's Nora

Permaneci em silêncio mas minha respiração estava irregular e tenho certeza que ele conseguia ouvir minhas batidas do coração aceleradas.

– Só espero que você saiba ficar calada — a voz retornou com uma ameaça quase que apalpável — Caso contrário... — foi como se visse o sorriso estampado em seu rosto ao falar isso. Senti o medo me dominar.

–Tá na hora de trabalhar — me assustei ao escutar Vickie gritar.

Ele bateu de leve duas vezes na porta e seus passos começaram a se afastar.

Foi como se um peso tivesse saído de cima mim e pudesse respirar novamente.

O que foi isso? Esse cara é assustador. Será que ele também trabalha aqui? Se for, o que eu vou fazer? Ele agiu como se eu o tivesse visto estrangulando alguém, mas só o vi sem camisa. Seria pela cicatriz?

Me recompus e fui direto para a cozinha.

– Nora! — sorriu o Sr. Mourete — O uniforme ficou muito bem e você! — disse enquanto revezava seu olhar entre mim e a massa em que suas mãos trabalhavam arduamente.

– O uniforme é bonito! — garanti olhando para baixo.

– Você já pode começar! Boa sorte em seu primeiro dia.

Agradeci e sai da cozinha, ajeitando meu cabelo que insistia em se rebelar, até esbarrar em alguém quente e que ao mesmo tempo me fez ter a sensação de que uma corrente elétrica me atravessava.
Ao olhar para cima, reconheci os cabelos pretos e ainda meio úmidos. Baixei a cabeça no mesmo instante.

– Me desculpe! — disse. Não queria ficar com mais medo ainda, então evitei seu olhar.

– Tudo bem! Você estava distraída — a voz nem de perto era a que eu ouvi no vestiário, mas tenho certeza absoluta que é a mesma pessoa. Agora sua voz soava calma e despreocupada, mas me lembrava muito bem o tom de ameaça que ele usará comigo.

Apenas acenei com a cabeça.

Lá fora as mesas já estavam arrumadas e alguns clientes já passavam pelo estabelecimento. Servi as mesas sempre falando apenas o necessário, o pedido e que aproveitasse a refeição. Sempre sorria, um sorriso tímido, mas que comecei a me acostumar, mesmo vacilando muitas vezes.
Sentia seus olhos presos na minha costa durante todo o expediente. Ele era o outro garçom então me falava o que tinha ou não quer fazer. Não sabia nem mesmo seu nome, e nem ele me disse, estava com medo o suficiente para evitar até contato visual que não fosse com o nome do restaurante bordado em sua camisa e os seus pés.

Na hora do almoço nos reunimos na cozinha enquanto esperávamos as marmitas.

Ele não estava lá, mas eu não me sentia confortável ainda. Será que isso vai funcionar? Meu primeiro dia e já consigo um inimigo.

– Então...Está dando conta do recado? — perguntou Vickie e apenas acenei que sim em resposta.

– Você não é de falar muito não é? — Vickie me olhou e acenei que não. Não sei porque mas ela sorriu disso. Franzi as sobrancelhas.

– O não...É porque isso é bem fofo da sua parte — senti que meu rosto começava a esquentar e olhei para baixo. Nem pense nisso. Você sabe o que te espera. Umas enxurradas de lembranças ruins me atacaram e voltei ao meu normal.

– Chegou! — avisou o Sr. Mourete e todos reuniram-se no balcão.

Ele não havia aparecido e fiquei grata por isso. Peguei meu almoço e fui para os fundos da loja, um canto que ficava após o vestiário, uma porta lá dava acesso a um beco, esse mesmo beco iria dar no lado da loja e dava para ver a rua mais na frente. Descobri quando fui pôr o lixo para fora.

Antes de chegar lá, percebi tarde demais que já estava ocupado. Reconheci os cabelos escuros. Era ele!

– Desculpe! — me curvei. E fui voltando por onde vim. Mas senti sua mão segurando meu braço. Senti novamente a corrente me atravessar. Meu coração veio praticamente na boca.

– Percebi que você não me olhou nenhuma vez nos olhos. E muito menos perguntou como me chamo. Está com medo Nora? — falou meu nome pausadamente, a voz dele tinha ficado com o da primeira vez. Como se o perigo se espreita-se nela.

Escutei ele se levantando e largou meu braço; logo a corrente foi cortada. Continuei olhando o chão. Senti o quanto ele era mais alto que eu.

– Boa garota! — sussurrou perto do meu ouvido e seu hálito quente soprou na minha bochecha. Tinha cheiro de menta, mas no fundo senti o cheiro de salada. Meus cabelos da nuca se eriçaram com o perigo eminente.

– Terminei já. O lugar é todo seu! — então ele desapareceu pela porta, a última coisa que vi foram suas costas e com ela a lembrança da grande cicatriz. E pensar que eu não estaria nessa situação se não à tivesse visto.

Terminei rapidamente meu almoço, escovei meus dentes e dei um jeito novamente em meu cabelo. No meu armário, percebi que o celular ainda estava desligado. Será que aquela pessoa já tinha desistido de tentar fazer contato. Vou liga-lo só quando o expediente acabar. Para ter certeza.

Logo já estava de volta ao trabalho. Percebi que ele ainda me mirava, era como se sentisse o toque do seu olhar em mim. Era desconfortante. Às vezes quando não estava olhando observava-o rapidamente. Mas ele, diferente de mim, não tinha medo de encarar. Então sempre evitava seu olhar.

O Sr. Mourete me dispensou às 22:00. Não fez nenhuma reclamação ou crítica e fiquei feliz por ouvir isso.

No vestiário, peguei minhas roupas e me troquei. Assim que terminei, guardei tudo na mochila e sai pela porta dos fundos.

O vento estava frio e o céu estava nublado, com certeza hoje choverá bastante. Preciso chegar em casa antes dela.
Na parada de ônibus, peguei meu celular e o liguei.

Havia duas mensagens.

“ -11:23 Am — Você ficou com raiva porque te liguei àquela hora? Não se preocupe. Não farei novamente “.

Li a segunda mensagem.

“ -19:34 Pm — O que tem feito durante as férias? Sei que elas mal começaram. Mas fiquei curioso para saber o que anda fazendo ".

Mas será que ela não desiste. Apaguei as mensagens e guardei meu celular. O ônibus não demorou a chegar. Me sentei no último banco a direita. Ele estava quase vazio se não fosse umas 5 pessoas mais à frente.

Enquanto olhava pela janela meus olhos foram pegos por um letreiro de uma loja e a letra V em vermelho piscava ritmicamente, prendendo minha atenção. Rapidamente minha mente visualizou aquele V de cabeça para baixo.

– Você precisa esquecer isso! — murmurei dando tapinhas no meu rosto, como se realmente isso fosse resolver alguma coisa.

Peguei meu celular. O relógio marcava 22:35. Estaria em casa por volta das 23:15. Aproveitei e liguei pro papai, ele trabalhava em uma pizzaria e sempre chegava em casa tarde uma vez que o expediente encerrava tarde

– Tem previsão de que horas o senhor vai sair?

– Não filha, aqui está uma confusão toda — ouvi o barulho pelo telefone — mas que bom que você ligou, precisava que você fosse no supermercado para mim. E comprasse umas coisas. Você pode anotar?

Peguei um bloquinho de notas e uma caneta. Anotei e depois desliguei. Desci na próxima parada e me encaminhei para o supermercado lá perto.

A noite estava ainda mais fria, já era capaz de sentir até o ar úmido. Meus pelos da nuca eriçaram e senti tremores no braço. Os esfreguei, iria fazer um frio bem intenso.

Comprei o que precisava e voltei para a parada, a rua estava muito mais silenciosa e dificilmente passava carros.

Enquanto me aproximava do ponto de ônibus percebi que umas 4 figuras saíram de um beco antes da parada. Pelas vozes eram homens, eles gargalhavam muito alto. Um medo súbito me tomou. Diminui a velocidade dos passos. Mesmo se longe senti o cheiro de álcool no ar. Olhei ao redor, não havia ninguém por perto. Minhas mãos começaram a tremer. As vozes subitamente pararam e percebi quatro pares de olhos me encarando a uns quatro metros. Senti a intensidade de seus olhares.

Peguei meu celular e disquei o número do meu pai enquanto me virei, caminhei rapidamente por onde vim.

" O número que você ligou está fora de área ou desligado ".

Disquei novamente " O número que você ligou está fora de área ou desligado ". Olhei para trás, eles haviam apressado o passo.

– Pai atende por favor. Por favor, atende — sussurrei com a voz falha.

" O número que você ligou está fora de área ou desligado ". Dessa vez meu medo havia aumentado.

Calculei. Iria demorar a chegar no supermercado primeiro com os passos deles nesse ritmo. O movimento na rua não havia alterado. Lembro de haver um beco que dá em uma esquina onde tem um ponto de motos. Agora preciso pensar qual deles.

Eles haviam saído de um, e eu havia acabado de passar por outro. Olhei para o outro lado da rua e lembrei que ele ficava pra lá. Respirei fundo. Os passos pareciam mais perto.

Minhas opções eram extremamente nulas. Ou eu atravessava a rua ou eu atravessava a rua.

Contei o tempo na minha cabeça, no três. Olhei novamente para trás, eles estavam a menos de quatro metros.

E agora ou nunca Nora. 3, 2 e então corri atravessando a rua.

Vi que um caminhão se aproximava.

– Ela está fugindo! — alertou um dos homens e essa foi a última coisa que ouvi, o resto foi somente minha respiração rápida.Peguei me celular e disquei o número de discagem rápida: " O número que você ligou está fora de área ou desligado ".

Dei uma olhada rápida e ver que o grande caminhão estava passando e eles ainda não haviam atravessado. Essa era a minha chance.

Entrei no beco que dava pra esquina, porém não era o mesmo beco. Havia me enganado. Olhei pra trás e o caminhão já tinha passado.

Tinha que me esconder, não iria garantir uma corrida com eles, e ele não viram para onde eu fui.

Observei o beco, haviam uns sacos de lixo, um grande deposito para entulhos e outras latas de lixo de ferro. O beco parecia ter uns três metros de comprimento. Agi rapidamente, e me encolhi no fundo do beco, entre umas duas lixeiras e uns sacos de lixo. O cheiro não ultrapassava o terror que sentia. Me proibi pensar no pior que podia acontecer, mas ele ainda me amedrontava.

Liguei de novo para o papai: " O número que você ligou está fora de área ou desligado ". Lágrimas brotaram de meus olhos.

De repente meu celular vibrou! Era a mensagem daquele desconhecido.

" -23:13- Você já está dormindo?"

Não pensei em mais nada e respondi a mensagem.

– Pra onde ela foi? — ouvi uma das vozes.

– Droga! Aquela cadela! — um outro começou a xingar.

– Ela não deve ter ido longe! — olhem os becos próximos, vocês procuram aqui e nós dois vamos ver mais na frente. Quem encontrar ela tem direito de ser o primeiro a brincar! — escutei sua risada e engoli o choro.

POV's Autor

Um jovem estudava em seu quarto, apenas a luz do abajur em sua mesa aceso e o resto do quarto numa penumbra. Logo percebeu que seu celular havia vibrado.

" Será que ela havia finalmente respondido? " perguntou-se com um sorriso se formando em seus lábios

Pegou o celular e abriu a mensagem. Seus olhos de uma outra para outra ficaram alarmados e o sorriso desvaneceu. Levantou rapidamente, vestiu uma camisa e saiu do quarto com as chaves da moto em mãos.

A noite estava ainda mais fria, os primeiros pingos de chuva começavam a cair e multiplicaram rapidamente. Trovões ressoavam lá em cima, em uma noite escura e sem estrelas, como se o céu fosse desabar.

Notas finais
Olá de novo o/. Espero que tenham gostado ^^ Para quem será que foi a mensagem que Nora enviou? Torço para que a situação dela não piore. E vcs? No próximo capitulo espero que estejam preparados. Não esqueçam de recomendar aos amigos e obrigada por todos os comentários até agora.