Me diga quem é você!
17 Confusão
Notas iniciais
Anteriormente em ~ Me diga quem é você!
— Você não precisa acreditar em mim, já sabia que isso aconteceria! Era um risco, também não acreditaria logo de cara. Por isso, tome o tempo que precisar.
Patch se levantou, passou as mãos pelos cabelos ainda úmidos.
— Só quero que saiba que não adianta, ninguém vai me prender! Não vou pagar por um crime que não fiz, vou ser julgado pela lei, pelos erros que realmente cometi – ele me encarou.
— Agora acho melhor você ir para casa! – disse sério – Você tem muito que pensar!
Depois que arrumei minhas coisas. Antes de sair olhei para trás.
— Não se esquece de ir ao hospital cuidar melhor das queimaduras. Ou em qualquer lugar! – me virei e fui embora, mas consegui ouvir longe um “Você também!”.
Meu celular tocou enquanto estava no ônibus. Olhei e era o Sr. Mouret.
— Estou à caminho da delegacia!
Aish. O que eu faço? Preciso em pensar muito antes de ir lá. Vamos Nora. Pense em todas as conversas que teve com Patch. Veja se algo aponta para que ele se torne culpado.
Baguncei meu cabelo diversas vezes, pensando que isso iria chacoalhar minhas ideias e me mostrar algo que ainda não havia pensando.
— Okay. Fique calma – respirei fundo e de olhos fechados.
Por que alguém que é procurado pelo crime de serial killer salvaria uma pessoa? Será que é porque eu sou conhecida e ele ficou tocado? Não, não pode ser isso, ele é inconstante então apenas decidiu se me ajudava ou não. Mas mesmo assim, ele também se machucou, uma pessoa que não ligaria não iria correr o risco de se machucar. Ele pode não ter considerado que se machucaria? Mesmo assim isso não dizia respeito a ele.
— Aish! – falei um pouco alto demais e as pessoas ao meu redor me olharam estranhamente – Me desculpem! – acenei levemente com cabeça e virei meu rosto para janela até perceber que tinha passado da delegacia – Oh merda! – levantei e apertei logo o botão de parada. Felizmente ele me deixou apenas uma parada depois da minha, então usaria esse tempo para pensar mais ainda.
No entanto, havia uma variável importante. Ele me contou tudo, desde o início, ele me achou confiável o suficiente para se abrir, ou seja, havia sido a primeira pessoa que ele havia contado a verdade. Realmente foi o grande risco que ele assumiu e não tinha garantias que ficaria calada. Mas algo passou pela minha mente, algo realmente importante. Por que não havia considerado isso?
Finalmente havia me decidido.
Chegando à delegacia, o Sr. Mouret já me esperava lá na fora.
— Oh Nora, graças a Deus. Está tudo bem com você mesmo? – foi na sua inspeção que viu a situação que minha mão se encontrava.
— Oh não. Isso foi no incêndio? Dói muito? Vamos ao hospital primeiro!
— O senhor pode fazer uma pergunta de cada vez, não consigo processar tantas assim de uma vez só – eu ri para conforta-lo.
— Estou bem, não foi nada grave, então não há com o que se preocupar – sorri e segui para dentro da delegacia.
— Então, conte-me tudo do que se lembra – o detetive Basso pediu.
Falei de tudo que me lembrava, tomando bastante cuidado, em deixar Patch totalmente sem serventia como testemunha. Falei sobre o moço que chegou com botijão de gás de uma promoção e o Sr. Mouret afirmou que ele tinha recebido por ser fiel a um fornecedor lá.
— Bem, Patch chegou e foi logo me ajudando na cozinha, até que resolvi ir ao banheiro e quando voltei o incêndio já havia iniciado e Patch já estava inconsciente no chão, talvez devido a fumaça. Isso foi questão de poucos minutos – sabia que mesmo assim, eles iriam querer interrogar Patch, mas pelo menos devo ter melhorado para o lado dele – Mas o que me deixou intrigada, foi o moço da entrega!
— O que havia de estranho nele? – o detetive Basso arqueou a sobrancelha.
— Ele agia muito estranho. Quando disse que eu mesma colocaria o botijão, ele se levantou e de repente se abaixou de novo, dizendo que estava sentindo suas costas.
— E o que tem de estranho nisso? – o detetive perguntou. Agora tinha prendido sua atenção. Assim mataria dois coelhos com uma tacada só. Deixaria Patch fora disso e investigaria esse estranho suspeito.
— Já o tinha visto. Talvez no primeiro dia que fui ao restaurante – lembrei-me do sentimento de me sentir observada – No ônibus, parecia que ele me observava, assim que ele percebeu que o notei, ele desceu!
— Então, você acha que isso foi para mata-la?
— Não é isso, não estou supondo coisas, somente contando o que aconteceu, você me pediu para contar tudo de estranho. E esse era o mesmo rapaz do ônibus! Nada mais! – será que fiz mal? Parece que isso estava tomando o caminho ruim.
— Não, você fez bem – falou tentando me acalmar – Só estou tentando entender, talvez isso possa ter sido um incêndio criminoso, de acordo seu depoimento agora.
Pensando por esse lado, realmente. Apenas eu o reconheci, já Patch parece nunca tê-lo visto. Não tive tanto tempo para analisar os acontecimentos da noite anterior, e conversando agora sobre eles, me fez perceber.
Realmente alguém pode ter tentado me matar?
Ouvia vozes ao redor, chamando meu nome, mas tudo que pensava no momento, é que poderia ter morrido naquele incêndio, e que se essas suposições estiverem certas, outra pessoa podia ter morrido por minha culpa.
— Nora! – Sr. Mouret me balançou levemente – Nora querida! – percebi que ele me oferecia um lenço. Foi quando notei que meu rosto estava molhado. Peguei o lenço.
— Obrigada! É que...não tive tempo pra pensar...sobre....os acontecimentos de ontem – enxuguei meus olhos.
— Você tem algum inimigo ou alguém que não goste de você, ou tenha algo contra sua pessoa? – não precisei pensar muito sobre a resposta.
— Não tenho nem amigos, é possível que tenha inimigos? – detetive Basso surpreendeu-se com minha resposta.
— Mas pode ser que você tenha feito algo indiretamente para alguém, sabendo ou não!
— Então mesmo sem ter nenhum amigo, posso ter feito algo a alguém que não tenho contato? – perguntei seriamente. Como isso era possível?
— Sim. O ser humano sente raiva por muitas besteiras e se deixa levar por vinganças, como não ter ganhado o primeiro lugar em alguma competição, etc.
— Então você que fiz algo indiretamente a alguém que nem conheço, aponto de ela sentir tanta raiva e querer me matar num incêndio, podendo ter matado outro inocente ou outros inocentes? – falei com um tom de voz debochado, mas sério. Aquilo parecia tão ridículo, mas tudo apontava para isso, era inevitável.
Detetive Basso percebeu o quanto estava incrédula com isso, mas ele também não podia fazer nada, estava apenas juntando um quebra-cabeça.
— Não podemos confiar no ser humano e nem duvidar da capacidade dele de fazer coisas ruins, ele é um ser extremamente egoísta Nora – assenti. Ele estava completamente certo. O ser humano não era alguém que pudesse confiar inteiramente.
— Vamos marcar outro dia para que você fique mais tranquila e possa me contar de tudo o que sabe, com calma. Ok? – não teria muita coisa para falar, mas não tinha outra coisa a fazer.
Sr. Mouret não me deixou ir para casa enquanto não fosse ao hospital. A enfermeira cuidou de minha queimadura, me receitou alguns remédios, além de cuidados que deveria seguir.
Após a ida ao hospital, fui direto para casa.
— Nora, filha, você está bem? – meu pai me olhou dos pés a cabeça – Oh não, sua mão. Vamos direto ao hospital!
— Acabei de voltar de lá com o Sr. Mouret, minha mão já foi tratada – ele pareceu um pouco aliviado, mas ainda muito angustiado.
Meu pai apenas me abraçou e chorou tudo o que tinha para chorar. Tentei acalmar ele. Repeti inúmeras vezes que estava bem. Mas depois da conversar com o detetive Basso, me gerou um questionamento.
Até quando?
Passei o resto do dia no meu quarto. Não consegui para de pensar que talvez tivessem tentado me matar. Ao procurar possíveis motivos, nada me vinha à mente, porque não conhecia ninguém. Era como procurar uma agulha no palheiro. Não havia pistas ou sujeitos. Na verdade o único sujeito era aquele homem, mas só o tinha visto duas vezes, se contar a da noite anterior.
Patch não o havia reconhecido, mas talvez seu alvo fosse ele.
Se aquele homem soubesse quem Patch realmente era, poderia ser um bom motivo para tenta-lo matar. Mas Patch garantiu que ninguém sabia da identidade dele, ou talvez ele não soubesse de ninguém que sabia.
Poderiam tê-lo descoberto?
Tentei descansar e dormir, mas minha mente vagava por milhões de pensamentos que me deixavam inquieta. Busquei reunir todas as informações possíveis para que entendesse a situação que me encontrava.
Patch me salvou daqueles homens assim que mandei a mensagem para ele, me levando ainda para o hospital. Ele era Jev, do massacre do Orfanato Santa Rita, no entanto me garantiu que era inocente e que seu amigo que fez tudo aquilo e jogou a culpa nele. A lacuna está na relação dele com o homem do incêndio. Precisava conversar urgentemente com ele.
Peguei o celular para mandar uma mensagem para ele, tínhamos que esclarecer tudo isso. Mas estava com medo, medo de ele estar mentindo.
Será que uma pessoa que salvou minha vida seria capaz de me machucar?
“ — 8:24 pm – Temos que nos encontrar. Preciso de mais esclarecimentos sobre tudo o que me disse. "
A mensagem não demorou a chegar.
“ — 8:26 pm – Tudo o que te disse? Não entendi!”
Ele achou mesmo que não iria atrás da verdade.
“ — 8:27 pm – Sim. Sobre o orfanato e tenho algo a te falar sobre o incêndio. Não foi um incêndio acidental. Alguém pode ter tentado nos matar!”
“ — 8:29 pm – O quê??? Você se envolveu num incêndio? Você está bem??”.
Após ler esta última mensagem, percebi. A pessoa das mensagens não é Patch. Como ele me perguntara do incêndio se ele estava lá? No entanto, mandei mensagem para esse número da vez que quase fui abusada. Ao verificar o histórico das mensagens, dava pra notar que ele tinha ido me ajudar.
O que diabos estava acontecendo? Havia me enganado?
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