Me devore
7 Capitulo 7
Capitulo 7.
− Isso é ridículo. – Ouvi sua voz murmurar, baixa, afastando os lábios dos meus.
Havia pânico naquela frase.
Permaneci alheio ao seu tom, movendo a minha mão direita para dentro de sua camisa.
Beijei uma vez a curva do pescoço da sangue-sujo, segurando seu maxilar com a mão, forçando-a ver o que quer que a assustasse.
− Do que está falando, Granger? – Minha voz saíra abafada.
Não que eu não entendesse a afirmativa... Só não concordava. Haviam muitas definições para o significado daqueles amassos, algumas provavelmente sujas, mas “ridículo” não era uma delas.
Então, subitamente os olhos da sangue-ruim pararam de demonstrar pânico, e se mostraram vazios.
− Não, Granger. – Cortei-a. – Isso não é pra ser “racionalizado”...
− Eu n- Revirei os olhos, enquanto ela bufava, não necessariamente se dando por vencida.
− Qual o problema de uns amassos?! – Argumentei, demonstrando tédio.
Vez ou outra ela tentava sair do meu colo, desconfortável com a posição em que eu a colocara, mas a única resposta que tinha eram minhas mãos prendendo-a, prontas pra a segurarem ainda mais ali.
− Não seja estúpido, doninha. – Ela afirmou, fingindo (e mal!) não se importar. – Tudo isso é pela aposta...
Sorri sarcasticamente, voltando a beijá-la, envolvendo-a com mais força, tentando mostrar a sabe-tudo que nem tudo se resumia a irritar o Potter e Weasley. Como por exemplo, as minhas mãos apertando suas coxas e subindo nas laterais, como se estivesse marcando-a, até chegar nas nadegas e senti-la resistir com os olhos e mãos, ao mesmo tempo em que segurava minha nuca com mais violência e levava uma de suas mãos ao meu peito... Não eram sobre o Weasley/Potter.
Levei meus lábios até a curva de seu pescoço de novo, mas dessa vez de verdade, queria marca-la, porque ela era minha propriedade.
Naquele momento, foi como se um alarme de incêndio houvesse sido disparado na minha cabeça, DESDE QUANDO EU QUERIA QUE GRANGER FOSSE MINHA PROPRIEDADE? POR QUE DIABOS EU ACABARA DE PENSAR DESSE JEITO?
Não, eu – naturalmente! – havia pensado errado – pois ao contrário do que se pensa, não sou perfeito! (embora engane muito bem, não é?).
Eu não queria que ela fosse minha! Não, claro que não! Na verdade, queria ver a Granger implorando, o que quer que fosse. Queria destruí-la, aquela mania irritante de ser sabe-tudo, como se uma sangue-ruim pudesse ser superior a alguém! Tsc tsc tsc.
Era tudo pelo sexo, porque ela era mais uma, e era ela que iria correr atrás de mim, claro, porque eu a obrigaria a isso com meu charme.
− Malfoy? – Sua voz apareceu em meus ouvidos, próxima e ofegante, fazendo-me acordar da pequena discussão/esclarecimento mental.
Eu estivera paralisado por alguns segundos, talvez até a tivesse assustado.
Ou não, concluí, quando a sangue-sujo mordiscou o lóbulo da minha orelha, de modo que eu ainda conseguia ouvir sua respiração colidindo contra minha pele.
Era uma situação rotineira pra mim, mas o jeito como o seu hálito e respirações fugiam, deixavam-me mais excitado do que o normal.
E ela definitivamente estava sentindo isso.
A essa hora a carruagem já havia parado de se locomover da maneira inconstante de minutos atrás.
− Acho que chegamos. – Alertei, sabendo que a ideia de estar de volta a Hogwarts a faria cair em si (leia-se entrar em pânico e negação pela milésima vez no dia).
Não que eu preferisse Granger com a cabeça no lugar, mas precisava me recuperar, se é que vocês me entendem... Antes de sair dali. E não conseguiria isso com ela sentada no meu colo mordiscando meu pescoço.
Eu ainda queria mais.
Mas não é como se pudesse ficar a noite em uma carruagem que logo seria removida do pátio de entrada.
Portanto, fiz a primeira coisa que me veio a cabeça, cortando o possível discurso orgulhoso que Granger estivesse disposta a dar:
− Armário de vassouras, daqui a 2hs?
–-
“Armário de vassouras, daqui a 2hs?”, meu cérebro repetiu, fazendo uma voz mais fina.
− Babaca. – Gruni, antes de dirigir uma tapa ao idiota.
Tentei sair bruscamente de seu colo, por Merlin, que situação deprimente.
Era o fundo do poço!
Na verdade, se o fundo do poço fosse uma solteirona e fizesse inseminação artificial e tivesse filhinhos, e se ficasse mais fundo ainda, aí sim, era a situação em que eu estava.
Quem diabos Malfoy pensava que eu era? Alguma vadia que ele encontra e ordena “Armário de vassouras”?! Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrr! Aquele filho da puta!
O pior de tudo é que sua expressão era quase ofendida, como se eu houvesse contrariado alguma crença religiosa.
Não senti a fúria que eu achava que receberia em retorno. Não, pelo contrário, Malfoy exibia uma expressão curiosa, de um alien tentando fazer contato com um ser humano... Algo do gênero.
Mas eu. Não. Era. Uma. Porra. De. Um. Allien. E muito menos uma vadia!
− Claro, Malfoy, no armário de vassouras... – Respondi, ironicamente, bufando.
E por mais alheio que ele parecesse, não diminuira o aperto na minha cintura, logo eu continuava naquela posição constrangedora, quando tudo o que queria era espancar o babaca.
Então, quando eu achava que não podia ficar pior, eu percebi que sempre posso contar com o loiro aguado pra isso, claro, obviamente, ele retomou seu discurso, RINDO! ELE OUSAVA RIR!
− O quê, Granger? – Pausara, voltando a sorrir, convencido. – Eu não sabia que você queria taaaaaanto um encontro comigo... – Pausara de novo, segurando a minha mão no ar, em uma tentativa de tapa. – Era só dizer, viu... Mas é, eu deveria saber, que garota não espera um encontro com Draco Malfoy?
E dessa vez permitiu que eu saísse do seu colo (!), o que eu fiz de bom grado, controlando-me pra não lhe dirigir uma terceira tapa.
Mas em vez de me deixar sair completamente, ele segurou meu pulso.
− Malfoy, me solta.
− Qual é, Granger. – Ele falou, despreocupado. – Já disse que não sabia que você esperava um encontro... Não precisa ficar toda ofendida...
− Você é idiota ou o quê? EU NÃO QUERO UM ENCONTRO, E NEM ARMARIO DE VASSOURAS... BABACA!
O loiro apenas revirou os olhos, o que me deixou com mais raiva.
− Que seja. – Murmurou. – Hoje vai haver uma festa organizada pela sonserina, já que daqui a uma semana vai ser o jogo contra a lufa lufa. 10hs, sala precisa. Satisfeita? – Franzi meu cenho, fingindo nojo de onde aquilo iria dar. – E toda Hogwarts vai, ou pelo menos todos os que importam...
− Isso é proibido, as regr-
− Não é minha culpa se a grifinória não sabe se divertir...
− Quê? Escuta aqui, doninha, nós SABEMOS nos divertir...
− Bebendo cerveja amanteigada enquanto jogam xadrez? – Ele sugeriu, imitando uma expressão débil.
IDIOTA!
− Foda-se, Malfoy. – Gruni, esclarendo o principal: — Até parece que iria a esse... “encontro” – Completei, fazendo aspas com as mãos. – Se não consegue viver sem mim, azar o seu.
− É um encontro, Granger. Sabe o significado disso? – Perguntou-me, sério.
− Pode nomear como quiser, Malfoy, mas eu não vou. – Afirmei, ácida.
− Você tem medo, não é? Não precisa fingir, Granger... – E antes que eu pudesse abrir minha boca para lhe dar uma resposta, ele já voltara a falar: − Aliás, você nunca foi convidada a nenhuma festa daqui antes, né? Há-há-há. Vai ver por isso tem medo... Não saberia como se portar.
− EU SEI COMO ME PORTAR EM UMA FESTA, SEU IDIOTA! E TAMBÉM JÁ FUI CONVIDADA PRA VÁRIAS! MAS FELIZMENTE EU SOU UMA PESSOA MUITO DISCRETA!
− Tá tudo bem, Granger, covarde e não-popular são uma boa combinação... – O idiota concluiu, passando a mão na minha cabeça, desta vez de pé, largando-me bruscamente, antes de sair da carruagem (não sem soltar um risinho debochado final).
GRRRRRRRRRRRRRRRRR! QUEM ELE PENSAVA QUE ERA PRA FAZER E DIZER ESSAS COISAS?! QUE EU NÃO SABIA ME PORTAR EM LUGAR?! HÁ, É CLARO QUE EU SABIA ME PORTAR EM UMA FESTA, EU SABIA SER ATRAENTE, por Merlin, eu sou atraente! Não precisava de um idiota pra me provar isso!, e mesmo sabendo de todas essas coisas e de como Malfoy só queria me provocar, decidi que iria a essa festa... E não, não seria um encontro... E eu me portaria muito bem, por sinal.
–-
Meus pés se moviam de maneira ágil e nervosa, a caminho da sala precisa, sequer olhava pros lados, apenas pensava no que diabos podia estar acontecendo na minha cabeça pra considerar aquela uma boa ideia. Por que eu precisava fazê-lo pagar por... ele ser ele mesmo? Por que diabos eu havia me surpreendido com a sua atitude?
Era Malfoy!
E eu tinha aula no dia seguinte. Odiava festas daquele gênero e odiava bebidas, odiava sonserinos, odiava vadias idiotas rebolando e caindo pelos cantos.
E a caminho de onde eu estava mesmo? Ah é, a caminho de uma festa com bebidas, sonserinos, vadias e Malfoy. Não, porque não bastava a festa em si já não ser agradável, eu ainda teria que aturar as ironias clichês de Haha, granger, sabia que viria... do loiro aguado.
− Por que estamos fazendo isso mesmo? – Ouvi a voz de Gina perguntar, confusa.
− Porque... – Esse idiota merece uma lição! – Porque Draco nos convidou. – Respondi, frisando o nome do verme. – Não que eu ache que isso realmente significa alguma coisa. – Justifiquei, bufando involuntariamente.
Ela riu. Essa ruiva desgraçada!
Exibi uma expressão mau humorada de Que foi?, que logo ela tratou de explicar aumentando seu sorriso.
− Então você realmente gosta dele... Interessante. – Disse, apressando os passos no salto alto para me alcançar (aquela conversa me fazia querer fugir de constrangimento. Por Merlin! Gostando da doninha, francamente, eu podia conseguir coisa melhor! O problema era não poder negar!). – Ele não a convidou, convidou? – Perguntou, embora parecesse afirmar aquilo.
Respondi com grunido inesperado.
− HÁ! Gosta dele!
− Ele convidou de uma maneira... um tanto quanto... Grosseira. – Tentei lhe explicar, controlando minha reação.
− Sei como é isso... – Falou, solidária. − Estamos indo para fazê-lo pagar, não é?
Revirei os olhos, odiando a maneira como aquilo parecia uma série adolescente.
A MINHA VIDA NÃO PODIA BEIRAR UMA SÉRIE ADOLESCENTE!
− Eu só ainda não pensei em como fazer isso... – Soltei, entregando a empolgação de bandeja a ruiva.
− Muito simples... – Ela começou, com um sorriso perigoso, parando-me na entrada da sala precisa.
DROGA, MINHAS MÃOS NÃO PARAVAM DE SUAR!
Respira, Hermione, vai ficar tudo bem... Quer dizer, você nunca bebeu, não é vadia, odeia sonserinos e ainda precisa provar alguma coisa... AH MEU DEUS, A QUEM EU ESTAVA TENTANDO ENGANAR?
− Não-posso-entrar-aí. – Murmurei baixo, sem nem perceber que a ruiva estava preparando um discurso fazia algum tempo.
Ela deu uma pequena tapa na minha bochecha, acordando-me para a realidade.
− Claro que pode. E vai. – Assegurou. – Você disse que não pensou em como fazer isso, ceeerto? Isso porque você não precisa pensar, não hoje...
− O que... está dizendo? – Articulei, assustada.
− Firewhiskey, Hermione, é isso o que eu estou dizendo. – E antes que eu pudesse lhe perguntar exatamente o significado disso, a ruiva havia me empurrado na sala.
Um segundo depois tudo o que eu vi foi um imenso salão lotado. A música não suficientemente alta para doer em meus ouvidos, mas o resto estava como em meus maiores pesadelos.
Continuei paralisada. Deveria... hã, dançar? Dançar assim, subitamente?
− Gina, o qu- Virei o rosto e lá estava minha amiga voltando (não indo, e sim voltando!) de uma mesa com dois copos do que parecia ser o tal firewhiskey que ela tinha mencionado mais cedo.
− Era disso que eu falava, Herms. – Explicou-me, antes de virar a dose inteira.
Arregalei os olhos, tensa.
− Sua vez. – Respondeu, sorrindo.
− Mas eu nunca... – E naquele momento, observei Malfoy dançando com Pansy Parkison do outro lado do salão (por Merlin, alguém apresente pra essa menina o significado da palavra dignidade!). – Okay. – Cedi sob o olhar mandão da minha melhor amiga. E virei a dose.
Não que o grande motivador da bebida tivesse sido a imagem dos dois, argh! Claro que não!
Querer beijar Malfoy era uma coisa, não que eu quisesse taaaanto assim, mas repito: querer beijá-lo era uma coisa, mas daí a sentir ciúmes? Aham, só se for em outro planeta! De preferencia um planeta onde ele não fosse essa doninha asquerosa.
− Boa menina! – Ginny falou, antes de me entregar uma segunda dose.
− O quê? Mas eu já bebi!
− há-há-há, a noite nem começou...
Minutos depois eu percebi que ela estava certa. Pra ela, a noite nem tinha começado, porque logo a vi agarrada a um garoto que devia ser da lufa-lufa como se não houvesse amanhã. Seu único conselho de sobrevivência no ninho das cobras chamava-se Firewhiskey, Hermione, é só beber e tudo fica bem...
Ah claro, porque beber resolve tudo, não é mesmo?
Não resolvia meu futuro, a humilhação ou aquela aposta, mas certamente “resolvera” fazer o que eu esbarasse em Zabini.
UHUL! MINHA NOITE DE SORTE!
O amigo do verme permaneceu paralisado, olhando-me dos pés a cabeça. Revirei os olhos.
− Granger?!
− Um banho de cerveja, exatamente o que eu queria. – Ironizei, fuzilando o moreno. – Babaca.
E saí andando na direção na mesa onde as doses haviam sido configuradas para aparecer magicamente, assim que retiradas por alguém.
Virei a terceira dose.
Aquela era uma festa idiota.
Como alguém conseguia se divertir naquilo?!
Olhei para o outro lado da sala e a doninha mantinha um sorriso arrogante, enquanto apertava a bunda (!) (ARRUMEM UM QUARTO, IMBECIS!) da Parkison.
E pela primeira vez, enquanto via a maneira como seus lábios mordiam a curva do pescoço dela, eu senti um pequeno incomodo. A sensação de que talvez – apenas talvez – alguém devesse expulsá-los do meu campo de visão a petrificus totallus.
Não era minha culpa que aquela coisa cujo nome eu não sabia, existisse e mantivesse esse desejo sanguinário e – sejamos sinceras! – deprimente dentro de mim.
De uma hora pra outra, eu havia me dado conta que não deveria ter saído do meu dormitório pra aquela festa, que talvez eu não devesse sequer ter saído da cama, que eu devesse permanecer lá, quieta e embrulhada, porque a vida era uma bosta, às vezes.
Mas eu não podia fazer nada disso, então segurei a quarta dose da noite e saí andando para tomar um ar (lê-se parar de observar cobras transando em pleno salão).
A esta altura da noite, alguns risos e o som da festa encontravam-se mais abafados do que o normal, como se estivessem indo e vindo. E caminhar não era tão simples, requeria concentração.
− Droga! – Gruni, sentando-me em um puff a caminho da saída para retirar meu par de sapatos, foda-se!, eu não me importava.
− Cinderela? – Um idiota ousou murmurar, parando ao lado da minha poltrona. Ou talvez eu fosse a grande idiota, já que ri da “piada trouxa”.
− Não. – Respondi, com preguiça de manter uma conversa.
Que diferença fazia? Eu não queria toda aquela merda de Qual seu nome, mimimi, e o seu, ah, bla bla... Eu não queria amassos. Ou conhecer outro babaca.
− Você é... Linda, sabia? – O idiota soltou, com a voz alterada.
Revirei os olhos.
− Ok, que seja. Até a próxima. – Cumprimentei, levando bruscamente dali, e usando o ombro dele de apoio.
Virei a quarta dose lá fora.
Sentia-me fortemente filosófica.
Eu sabia quem eu era: Hermione Jane Granger. Mas eu não sabia quem era essa, a Hermione que fazia acordos para magoar razoavelmente seus melhores amigos, a Hermione que manipulava as pessoas ao seu redor ou a Hermione que se excitava sob o toque do ser mais desprezível de todo o planeta.
Ah, e agora havia mais uma: A Hermione alcoolatra.
Ri sozinha do pensamento, antes de sentir uma mão na minha cintura.
Afastei-me do ser, com o coração acelerado pelo possível ataque. QUEM ELE PENSAVA QUE ERA?!
E quando virei o rosto indignado em sua direção, eu vi. Ótimo, a doninha. Tudo o que eu queria na mesma noite.
Que sortuda, hein, pensei, ácida.
− Sortuda mesmo, sangue-sujo. – O loiro aguado dissera, convencido.
Franzi o cenho.
− Eu-eu...
− Você disse “que sortuda, hein”, só concordei. – Confirmara, em um sorriso de canto de lábio.
GRRRRRRR!
− EU NÃO DISSE ISSO, EU SÓ PENSEI!
− Ah, então quer dizer que não consegue nem controlar seus pensamentos quando está comigo?
− Grrrrrr! Babaca. Você não tem um motel ou algo assim pra ir?
− Motel? – Ele perguntou, confuso. Talvez o termo fosse exclusivamente trouxa...
Não acredito que não existe esse termo no mundo bruxo!, pensei, curiosa.
− É um termo trouxa. – Esclareci, irritada.
− Que significa..?
− Um motel por definição é uma espécie de quarto usado para...
− Para?
− para... transar. – Completei, corando.
− Ciumes? – Insinuou, arregalando uma de suas sobrancelhas.
Revirei os olhos, pronta pra soltar um xingamento.
− Então você veio... – Recomeçou, de súbito, fazendo-me recuar alguns passos.
Não gostava do jeito que seus olhos escureciam aos poucos. Era algum tipo de sombrio que não dava medo, o que não fazia qualquer sentido...
Talvez eu já estivesse bêbada.
− Somente para a festa. – Esclareci.
Meu coração batia como louco. Eu sentia vontade de segurá-lo e ralhar com ele, furiosamente, perguntar-lhe o motivo de todo aquele alvoroço...
“Vire gente, idiota! Você não é o coração de qualquer uma, e sim o meu!!”
− Granger? – Chamou-me, tirando-me da discussão interna. – Ouviu o que eu disse?
− Hã...
E pela segunda vez em muito tempo ou que eu me lembrasse, vi a doninha soltar um sorriso espontâneo.
O filho da puta tinha um bom sorriso, isso até eu, que o odiava, podia admitir.
− Granger? – Murmurou, pela segunda vez. – Você bebeu? – Perguntou, divertido com minha distração constante.
− Um pouco. – Respondi, tentando juntar alguma dignidade dentro de mim (não havia!). – De qualquer forma, preciso voltar a minha fest-
− Há-há, boa piada, Granger...
− .Pena que eu não tenha contado nenhuma. – Retorqui, sentindo que minhas mãos agora suavam em combinação com a metralhadora que algum dia eu ousara chamar de peito.
Eu já havia lido sobre isso. Casos de pessoas que bebiam destilados e sentiam reações físicas negativas, como arritmia, náusea, tontura. Talvez eu fosse uma dessas...
− Você veio ao encontro...
− Festa, na verd-
− Então parece justo que...
− Por Merlin, não seja idiota, isso não é um encontro. Ou se for, é um encontro bem ruim, já que um de nós está meio bêbado e o outro estava apenas faz alguns minutos nos amassos com outra pessoa... – Disse, sem me conter. – A não ser é claro que existisse um prêmio de pior projeto de encontro, então neste caso o de hoje venceria...
− Você não está bêbada, Granger... – Ironizou, como se fosse uma divinidade onisciente e só ele soubesse das coisas.
− Então por que eu não me sinto bem?! – Gruni, com uma expressão vencedora. – Parece que vou ser vítima de um ataque cardíaco! – Falei, estridentemente.
− Já passou por essa sua cabeça de sabe-tudo que EU te faça sentir assim? – Concluiu, dando um sorriso de canto de lábio.
A revolta cresceu em meus olhos, minha boca e especialmente minha consciência.
− Claro claro, você tem todo esse poder sobre mim, doninha. – Falei, ácida, antes de me mover para sair da posição em que estivéramos conversando.
− Granger, volta aqui! – Falou, o que a essa altura me pareceu uma fala roubada de algum livro de drama barato, mas não pensei muito sobre a maneira como ele disse na hora, apenas recuei, porque ele não havia me segurado pelo pulso ou me obrigado a ficar ou gritado uma provocação.
− Tenho uma proposta: sem álcool, sem festa e sem ofensas essa noite..?
− E o que eu ganho com isso? – Quis saber, desconfiada.
Nada bom podia sair de uma ideia vinda da cabeça daquele verme...
E, não esqueça que 15 minutos atrás ele estava se amassando com a Parkison, minha consciência ressaltou, em uma voz severa.
Como eu momentaneamente parara de pensar sobre isso? O que mais esse idiota podia querer? Duas na mesma noite? Argh.
− Por que precisa ganhar algo com isso? Achei que fizesse parte do espirito grifinório essas chatices: fraternidade, bla bla...
− Fraternidade? Isso aqui não é a igreja, babaca! – Disse, sem parar de pensar na maneira como a boca dele beijava a nuca da maior vadia de Hogwarts.
− Granger, eu fiz alguma coisa?
− Perdão?
− Isso é mesmo ciúmes?
_− HÁ-HÁ-HÁ-HÁ... BATEU A CABEÇA, IDIOTA? – Pausei, desta vez com o orgulho ferido (embora nem soubesse porquê!). Ele estava tentando ser uma pessoa sensata (?) e tudo o que eu conseguia fazer era lembrar de mãos e beijos encostados na parede contra o corpo desprezível da Parkinson.
− Eu nunca prometi excl-
− QUE DIABOS DE CONVERSA É ESSA?! – Disse, fingindo uma expressão de nojo e confusão.
E desta vez, segui andando de volta pra festa. Se por “andando” vocês compreendem fugindo a passos largos.
Não gostava do rumo com que Malfoy tratava as coisas... Há! Exclusividade? Eu por acaso era o tipo de pessoa que pedia “exclusividade”? Como se isso fosse um prêmio por algum feito! “Exclusividade, faça-me o favor!”, pensei, irritada, enquanto virava 4 doses em sequencia.
Dessa vez ardeu. Minha garganta parecia congestionada de calor, precisei respirar fundo... Mas nada realmente parecia ter mudado, refleti, começando a me perguntar se aquelas bebidas não faziam efeito.
E foi exatamente aí que a noite se encerrou, ou pelo menos na minha cabeça...
Acordei no dia seguinte de sobressalto diante das gotas frias que caíam em meu rosto.
“Mais que p..!”, pensei, erguendo-me com dificuldade (ainda usava a calça jeans e camiseta branca da noite anterior!), estava em NO CENTRO DO GRAMADO DE QUADRIBOL! (!!!), QUE PORRA ERA AQUELA?!
Não podia ser um bom sinal... Merlin, e por que eu não conseguia lembrar de mais nada além da festa... O pensamento me fez arregalar os olhos, MALFOY! É CLARO, O IDIOTA DEVERIA ESTAR ENVOLVIDO NISSO..!
Antes que pudesse mover um musculo, alguma coisa moveu-se próxima a mim e foi quando notei que não era a única pessoa naquele lugar.
Lá estava o rosto sonolento e sujo de terra de Draco Malfoy, que a essa hora abrira os olhos devagar e desviava gotas de chuva que caiam em seu rosto com a costa das mãos.
Não parecia assustado, apenas sonolento.
Fuzilei o loiro com o olhar, antes de segurá-lo pela camisa, em desespero.
− QUE PORRA É ESSA, MALFOY?!
− Hã, Granger? O qu-
− POR QUE... O QUE ACONTECEU ONTEM A NOITE?! – Quis saber, aos berros, em um misto de pânico e seriedade.
Malfoy franziu o cenho, sentando-se ao meu lado, distraído.
− Como assim o que aconteceu ontem a noite? – Repetiu.
A chuva começara a ficar mais forte. Levantamo-nos quase ao mesmo tempo, correndo para o que deveria ser o vestiário – vazio (!).
− EU NÃO SEI! – Gritei, tomada pelo medo. – O QUE VOCÊ FEZ COMIGO, DONINHA?!
− Eu? – Murmurou. Parecia ofendido. – SUA LOUCA!
− HÁ! PORQUE NÃO FOI VOCÊ QUE ACORDOU NO MEIO DO GRAMADO...
− Você é idiota ou o quê, sangue-sujo? Acabou de ver acordar também...
− MAS VOCÊ NÃO PARECIA PERDIDO!
− Granger, você sabe que eu não sou surdo, certo? – Ironizou, ao mesmo tempo em que acabara de conjurar uma toalha.
− É QUE EU NÃO LEMBRO DE NADA, IDIOTA! – Voltei a gritar, histérica.
− E do que precisa saber?
− COMO ASSIM DO QUE EU PRECISO SABER? EU QUERO SABER DE TUDO O QUE ACONTECEU ONTEM A NOITE A PARTIR DO MOMENTO EM QUE EU SAÍ DA ENTRADA DA SALA PRECISA E VOLTEI PRA FESTA!
− Hm... Interessante. – Pausou, maldoso. – E o que eu ganho em troca?
Revirei os olhos, mortificada.
Sentia-me vulnerável. Como eu não conseguia lembrar de metade das coisas que haviam acontecido ou como eu havia ido parar ali?!
− Escuta aqui, Malfoy... Ou você conta essa droga de história por bem ou por mal. – Ameacei, puxando a varinha em sua direção.
COMO ELE TINHA CORAGEM DE SORRIR? HÁ, BABACA..!
− Vai fazer o quê, hein Granger? – Dissera, mantendo seu olhar sombrio, com os passos mais próximos.
Pude sentir minha respiração acelerada atingir o peito dele. O desgraçado era alto!
Ele não parecia ligar, mas apontava sua varinha na direção do meu rosto, com seu típico sorrisinho sarcástico.
− Vai me contar ou não? – Perguntei novamente, apertando minha varinha em sua jugular.
− Granger...
− ESCUTA AQUI, É BOM LEVAR A SÉRIO O QU-
− Eles são muito lindos! – Soltara, subitamente, o que me deixou perdida.
Hã? Eles quem? Lindos? Que tipo de conversa era essa?
− VOCÊ ESTÁ BÊBADO? SÓ ESTAMOS OS DOIS AQUI, IDIOTA!
− Os seus peitos... – Ele sinalizou, em um misto de arrogância e simplicidade, SEM DESVIAR O OLHAR.
Comecei a distribuir tapas em suas costas, soltando alguns “tarado!”, enquanto a barbie apenas se defendia.
Sim, aquele era o meu dia! MINHA BLUSA ESTAVA TRANSPARENTE! MERDAAAAAAAAAAA! E se a situação podia ficar pior? PIOR ERA EUFEMISMO...!
− Okay, você me convenceu. – Falou, fazendo-me bufar de ódio. – Eu te conto sobre ontem. – Completou, criando uma onda de ansiedade dentro de mim. – No meu quarto.
− O-o quê? NEM A PAU!
Mas dessa vez a única coisa que o loiro aguado fez foi fingir uma expressão entediada que me fez dar por vencida.
O que mais eu podia fazer? Não era como se: 1) Eu não estivesse nas mãos do babaca e 2) eu quisesse continuar SEM SABER O QUE HAVIA ACONTECIDO NA NOITE ANTERIOR!
Quando compreendeu que havia vencido, o idiota exibiu sua arrogância e fomos caminhando no trajeto infinito que nos levaria até seu dormitório de monitor-chefe.
− Como eu pude fazer isso?! – Soltei, minutos de silêncio sepulcral depois.
− Isso o quê? – Quisera saber, curioso.
− Isso... – Respondi, em um suspiro desanimado, muito mais pra ele que pra mim.
Isso de deixar que um idiota me afetasse. Isso de ir a uma festa que eu não queria apenas pra dar uma lição em um idiota que eu desprezava. Isso de me sentir humilhada e deslocada, ou aquela sensação estúpida de que NÃO DEVERIA me sentir deslocada entre a corja da humanidade vulgo sonserinos e vadias de quinta. Isso de ele ter vencido o que nem era uma competição a ponto de me fazer beber. E, mais do que tudo, isso de acordar no dia seguinte sem lembrar de nada, como se de alguma forma isso me fizesse acreditar que eu já não lembrava quem eu era, quem eu costumava ser.
Droga, Hermione!
− Que foi, granger? – Ouvi a voz divertida do idiota em um eco no fundo da minha cabeça, trazendo-me de volta a realidade.
− Nada. – Disse, dando de ombros.
− “Ah meu deus, essa não sou eu, o que eu fiz ontem a noite? Será que contei do meu amor secreto pro Malfoy?!” – Imitou ele, com uma voz ridiculamente mais fina. – Isso?
− Vai a merda.
Logo o babaca aumentou seu sorriso sarcástico.
− Qual é, Granger, somos amigos, pode me...
− HÁ-HÁ-HÁ, MERLIN! AMIGOS? – Reagi, com os olhos arregalados. – Claro claro, bons amigos, como Voldemort e Harry, por exemplo, certo?
Em vez de soltar uma de suas ironias, o idiota apenas sorriu, o mais próximo de um sorriso verdadeiro que poderia demonstrar.
− Poderíamos ser “amigos”... – Enfatizou logo depois, em deboche.
− E brincar de cruciatus? – Ironizei, revirando os olhos. – Só aceito com essa condição!
− Alguém já te disse que se você não estivesse com essa camisa branca transparente e sem sutiã, seria uma companhia insuportável?
BABACAAAAAAAAAAAAAA!
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