Notas iniciais
Olá meu anjos. Como vocês estão? Bom, como eu sempre demoro para postar, e sempre me desculpo, e vocês sempre perdoam, hoje eu resolvi fazer de outro jeito. Como a fic está "na reta final" (mesmo tendo muitas coisas para acontecer ainda), eu vou ir aumentando os capítulos um pouco, mas prometo não passar de 5.000 palavras, ok? Não deixem de ler as notas finais, elas são importantíssimas. Senti falta de vocês ❤ Semana difícil essa, agora sem mais delongas... Boa leitura!!! / notas finais /

***

A noite já havia caído por completo, ambos resolveram voltar para dentro de casa porque amanhã era segunda-feira. A caminho do quarto, não trocaram nem sequer uma palavra, os devaneios que pairavam no lugar eram silenciosos e incomodantes. Digamos que a vergonha também fazia parte do silêncio. Após chegarem no quarto, Ana resolveu ir comer alguma coisa enquanto Thiago arrumava o quarto para dormirem. A ruiva adentrou na cozinha e se sentou em uma cadeira da mesa, o beijo vinha à tona em sua mente, cada segundo que eles passaram ali foi mágico porém perigoso. Ela ainda sentia receio em se entregar por completo à paixão e acabar sendo deixada novamente.

Caminhou para a geladeira e pegou um pedaço de bolo que ali havia, a mesma o comeu lentamente par ganhar tempo e quando entrar no quarto ver Thiago dormindo. Acabando de comer, a menina vestiu seu pijama e fez um rabo-de-cavalo no cabelo; entrou no quarto e se deparou com o moreno já deitado porém anda acordado, entre um suspiro e outro ela se pronunciou:

–Se você quiser deitar na minha cama hoje, sem problemas. Disse separando a roupa da escola.

–Não precisa, me sinto bem aqui. Disse ele.- Se você acordar amanhã e não me ver aqui, é que eu fui tomar um banho para ir pra escola, ok?. Ana assentiu e se deitou na cama enquanto escutava música no fone que a amiga havia lhe emprestado:

–Ana!.

–Sim?.

–Você está com raiva de mim?. Perguntou o menino procurando os olhos da garota, e quando ela finalmente voltou seu olhar ao dele, o mesmo se aliviou.

–Não, porquê?

–Não sei, só achei que você estaria com raiva por conta do beijo, me perdoe, eu realmente não me contive.

–Nada de pedir desculpas, aliás, uma boca não se beija sozinha. Disse em um tom baixo e esperou o sono vir, mas para a sua infelicidade, o sono não contribuiu com seu desejo.

...

Binho andava de um lado para o outro na sala, enquanto seu pai pensava em algo para Ana agradecer ao moreno:

–Não quero participar do seu jogo sujo, afinal, não vou ser obrigado por um velho podre de rico para arruinar a vida de uma amiga, se você quiser, que faça sozinho. Disse ele em um tom de voz alto o suficiente para deixar Patrick Westford mais nervoso do que estava.

–Você vai fazer o que eu mandei querendo ou não. Disse Patrick com a voz rouca e bravo.- E não quero saber de você me respondendo, eu sou seu pai, me respeite.

–VOCÊ NÃO É MEU PAI!. Gritou Binho, o mesmo odiava quando Patrick falava que era seu pai.- MEU PAI ESTÁ EM UM CAIXÃO HÁ MILHÕES DE QUILÔMETROS DAQUI.

–Mas agora, eu sou seu pai, eu tenho a sua guarda, fiz um favor para você e olha como me retribui. Disse o homem com um pequeno sorriso sarcástico no rosto.- Binho, eu preciso que...

–Rubens!. Interrompeu-o.- Para você é Rubens.

–Tudo bem, RUBENS. Disse.- Eu preciso que você entre em contato o mais rápido possível com a ruiva lá, antes de ir para a escola passe na casa daquela sua amiga marrentinha pois a mãe dela tem o número da casa de Luciana, eu preciso ter o número deles. Disse e caminhou até as escadas.

–O nome dela não é marrentinha, seu idiota!. Exclamou o moreno pegando sua mochila e indo em direção à casa de Tati, o mesmo era obrigado a fazer tudo o que estava fazendo, não tinha outra opção. Se no o fizesse, perderia todo o contato que tinha com a tia, e era realmente isso que Patrick queria. A única coisa que ele fez por Binho, foi o tirar de frente de sua casa que havia desmoronado em uma tempestade.

"Flashback On"

Um pequeno Binho se concentrava no sofá de sua pequena sala, o vento gélido pairava sobre o local, enquanto uma forte chuva caía do lado de fora da casa, ele assistia televisão enquanto sua mãe preparava o jantar. Uma mulher — cujos negros cabelos balançavam de acordo com o vento — cortava e repicava alguns legumes para a sopa, a mesma se sentia insegura de ter deixado o marido sair nesta chuva para comprar o resto dos componentes para a mistura. Enquanto a chuva apertava do lado de fora, o pequenino se encolhia no cobertor e observava atentamente ao desenho que passava na televisão, até escutar um trovão alto do lado de fora:

–Mãe!. Choramingou Rubens com medo.

–Fique calmo pequeno, eu estou aqui com você e nada vai acontecer. Falou a mulher começando a se preocupar, seu esposo já havia saído a mais ou menos 40 minutos, e nada dele vir. Binho se tranquilizou ao ouvir a voz da mãe, tinha apenas 5 anos e ainda morria de medo de trovoes, relâmpagos e quaisquer outros barulhos.

Uma hora mais tarde, um barulho ensurdecedor se ouviu do lado de fora — na rua — , aos poucos as luzes foram se apagando e o menino se enfiou debaixo das cobertas:

–Binho, meu filho, onde você está? Gritou a mulher.

–Estou aqui, mamãe. Disse com a voz chorosa. Isso já havia acontecido uma vez mas parecia que a luz não ia voltar tão cedo, o barulho da chuva era o único que se escutava, enquanto Joana se aconchegava com o filho por debaixo das cobertas, alguém do lado de fora fazia de tudo para arruinar a vida deles, até finalmente conseguir, e com um alvo certeiro, a casa desmoronou e tudo ficou sombrio para Binho. A morena se desesperou quando sentiu uma pontada de tijolos caindo em sua perna:

–B-Binho. Disse com dificuldade.- Corra meu filho, vá para longe, eu estarei bem atrás. Mentiu a mulher enquanto tentava criar forças para parecer bem.

–Mas e você, mamãe?. Questionou o pequeno com lágrimas nos olhos.

–Estarei bem atrás de v-você. Respondeu.

–Estou com medo. Confessou Binho entre soluços.

–Não fique. Falou.- Estarei sempre com você. Disse a mulher e o menino hesitou em correr mais logo o fez, e por incrível que pareça saiu ileso. A mulher aos poucos foi fechando os olhos, e caiu em um sono infinito.

Binho corria desesperadamente até ser parado por um alto e forte homem, o menino o olhou com um olhar de medo e o homem abriu um sorriso:

–O que aconteceu com você, menininho?. Perguntou-lhe.

–Minha casa acabou de cair, e minha mãe disse que estaria atrás de mim mas acho que ela mentiu. Disse olhando aos lados à sua procura.

–E onde está seu pai?

–Não sei, papai saiu para comprar as coisas para o jantar e não voltou ainda. Disse o menino e o homem se agachou em sua frente.

–Você está com fome?. Perguntou e o menino assentiu.- Vamos, eu vou te levar para casa e explicar o que houve com o seu pai. Disse e ambos entraram em um carro preto e gigantesco. No caminho, a notícia de que o pai de Binho havia morrido com um tiro doeu bastante no pequeno, mas aos poucos foi superando tudo e Patrick — o homem que o levou para casa — se tornou sua mais nova família.

"Flashback Off"

–BINHO!. Gritou Tati despertando ele de seus devaneios. A mesma tentara chama-lo várias vezes mas ele não a escutava.

–Ah, me perdoe, eu estava meio que no mundo da lua. Disse desconcertado.

–Tudo bem mas... O que você veio fazer aqui?. Perguntou a menina de cabelos cacheados.

–Eu queria te pedir o numero do telefone fixo de Ana. Disse meio sem jeito e Tatiane o olhou desconfiada.- É que o patrão do pai dela me fez ir aqui pedir o telefone. Disse.

–O patrão do pai dela que você quis dizer é o seu pai, né?. Perguntou.

–É-é. Respondeu inseguro da própria resposta.

–Tá, só espera um pouco que eu já venho. Falou entrando novamente dentro de casa e anotando o número de Ana. Quando voltou, percebeu que Rubens fitava o chão.- Aqui. Disse entregando para ele o papel.

–Obrigada, Tati. Disse e a menina assentiu com um pequeno sorriso.- Bom, como já estamos aqui, que tal irmos juntos?. Perguntou e ela assentiu novamente.

...

Ana e Thiago chegaram na escola em cima da hora, enquanto a ruiva suspirava de alívio por não ter que chegar sozinha na sala, ambos adentraram-na e voltaram a atenção de toda a turma, ela corou um pouco mas se aliviou ao olhar para o moreno, a mesma passou por Tati que arqueou a sobrancelha como se perguntasse: "Rolou alguma coisa entre vocês?" e como desta vez havia realmente "rolado", ela franziu os lábios fazendo a morena abrir a boca surpresa e colocar a mão nela. A ruiva sentou-se ao lado de uma menina de sua classe e a professora voltou a dar aula:

–Bom alunos, hoje eu quero que vocês se separem em duplas para fazer um trabalho, mas se houver algum tipo de baderna, EU mesma separarei as duplas. Disse em um tom alto e rígido. Ana se sentou ao lado de Tati, pois elas fariam o trabalho juntas.- Bom, vejo que vocês já se separaram então abram os livros na página 130 e escolham alguma experiência para fazerem.

–Aquecedores de mão?. Sussurrou Tati e Ana riu.

–Aquecedores de mão!. Confirmou a ruiva em um sussurro também, quando eram pequenas, ambas aprenderam a fazer 'aquecedores de mão' e por isso seria mais fácil faze-lo — Preciso, urgentemente, falar com você.

–Imaginei isso. Falou a morena com um sorriso e ambas voltaram a prestar atenção na aula.

–Bom, eu tenho outra surpresinha para vocês. Disse a professora com um largo e intimidador sorriso no rosto.

–Lá vem bomba. Disse Binho retirando os olhos e fazendo a turma inteira rir.

–Vejo que você está ansiosíssimo para saber o que é, Rubens. Rebateu.

–Digamos que não, professora. Falou ele fazendo Tati se virar e fuzila-lo com os olhos.

–Quanto mais você falar mais ela vai adiar, Binho. Repreendeu-o a morena irritada.

–Curiosa!. Sussurrou e Tati se virou para Ana.

–Esse tipo de gente não dá nos nervos?. Perguntou fazendo-os rirem.

–Dá mesmo. Concordou a ruiva e Binho revirou, novamente, os olhos.

–Bom, voltando. Disse a professora os chamando a atenção. Vamos ter uma prova surpresa de química no próximo tempo.

–Professora. Chamou Thiago e ela o olhou.- E pra quem não estudou?

–Tecnicamente vai levar um zero bem redondo. Disse.

–Então eu, tecnicamente, não vou correr esse risco porque eu tecnicamente estudei, e tecnicamente a senhora gosta de nos ferrar, por isso que não se pode dar respostar tão rígidas como essa quando não se sabe. Respondeu ele divertidamente.

–Bom Sr. Walker, você realmente me pegou. Disse envergonhadamente e a turma voltou a rir.

O dia seguiu rapidamente para a felicidade de ambas, e a morena já estava ficando muito curiosa. Elas caminharam diretamente para a casa da ruiva, e assim que nela chegaram, Tati se jogou na cama e Ana na cadeira:

–Vamos Ana, me conte tudo o que aconteceu e pare de enrolar. Disse a morena frenética pela resposta.

–Calma, Tati.- Disse a ruiva rindo e resolveu pregar uma peça na mesma.- Não aconteceu nada demais.

–O quê? Como assim, 'nada demais'? Você só pode estar brincando com a minha cara. Disse alterada, Ana balançou a cabeça negativamente enquanto prendia o riso.- Ah, não creio nisso. Balbuciou Tati se levantando.

–Onde você vai?. Perguntou.

–Pra casa. Respondeu emburrada e abriu a porta.

–Ei. Disse Ana.

–O quê?

–Ele se declarou pra mim. Respondeu baixinho e Tati refez o caminho.

–O QUÊ?. Perguntou com os olhos arregalados.- Não acredito, Ana.

–Acredite, ele realmente disse que estava apaixonado por mim. Falou com as bochechas já vermelhas.

–Uau. Balbuciou novamente dando pulinhos de alegria.- E qual foi a sua reação?. A ruiva mordeu o lábio inferior e abaixou a cabeça fitando o chão.- Ah não, Ana.- Não me diga que você desistiu de tudo.

–Não. Sussurrou de modo a fazer Tati suspirar em alívio.- A gente meio que se...

–Vocês meio que se?...

–A gente meio que se...- Disse procurando coragem para falar.- Beijou.

–Ah, não!. Disse desacreditada.

–Sim.

–Deus, obrigada por ouvir as minhas preces. Agradeceu a morena.

–Tati!. A ruiva a repreendeu.- Eu não acredito nisso. Respondeu rindo da própria amiga.

–E como foi?

–Como assim, como foi?

–Você entendeu, como foi?. Insistiu.

–Foiincrivelmentemágico. Respondeu rápido demais.

–O quê?. Perguntou Tati.

–Você entendeu. Respondeu Ana imitando a amiga, fazendo-a cair na gargalhada.

...

Ambos os morenos estavam sentados em um banco qualquer da praça, discutiam o que fazer neste final de semana, já que as férias de verão já estavam para chegar. Enquanto Binho pensava em cinema, Thiago pensava em Parque de Diversões, os meninos tinham ideias divergentes mas nem por isso brigavam:

–Pensa bem, Binho.- Disse Thiago tentando convence-lo de que Parque de Diversões era melhor.- Cinema?. Disse com a testa franzida em reprovação.

–Mas se a gente for em um Parque, com certeza vamos ser obrigados a escutar a Tati e a Ana gritando feito retardadas, e o cinema é uma coisa mais silenciosa.

–Tá, concordo que no Parque elas vão gritar escandalosamente, mas eu que não vou querer ver filme de romance. Rebateu Thiago com uma sobrancelha arqueada.

–Verdade. Rendeu-se Binho.- Mas a gente pode pensar em algo melhor até lá.

–Bom, eu havia pensado em piscina, mas prefiro não apostar que o tempo vai estar bom até lá. Disse observando o céu nublado.

–Verdade, Amsterdam é o que chamamos de uma pessoa indecisa. Disse Binho irônico.

–Mais indecisa que uma mulher. Respondeu Thiago também rindo.

–Realmente.

...

O homem observava cada passo que Ricardo dava dentro da sala de hospital, a recuperação dele não estava contribuindo com seu plano. Um semblante de fúria foi se formando:

–Esse homem está acabando com os meus planos. Sussurrou para si.

–Senhor?. A voz de uma enfermeira ecoou pelo corredor fazendo- o se virar e por um sorriso falso no rosto.- Me perdoe, mas esse corredor é só para funcionários. Disse apontando para uma placa que dizia: "Entrada proibida,

Só para funcionários."

–Me perdoe. Desculpou-se e saiu do corredor, passou pela porta do hospital e atravessou a rua.- Me aguarde, Ricardo, sua filha vai ter uma surpresinha. Disse enquanto entrava em seu gigantesco carro preto, o mesmo em que levou um menininho de 5 anos da rua há alguns anos atrás.

...

Ana sentou-se na cama e apoiou o notebook em seu colo, estava com saudades de conversar com "Tecnicamente eu", e enquanto ninguém estava em seu quarto, ela abriu no Skype e digitou:

"- Olá meu tecnático." Como sabia que ele não responderia agora, foi para cozinha com o notebook e preparou sue lanche. Foi surpreendida por uma mensagem do mesmo.

"-Ei, Aninha. Que saudade de você" Ana não deixou de abrir um sorriso, mesmo não conhecendo-o ele era craque em faze-la sorrir.

"Vejo que você vai me chamar de Aninha até não aguentar mais"

"Sim, tecnicamente."

"Hum..."

"Haha, acho que você não gosta de ser chamada assim."

"Não, não é isso!."

"Claro que é."

"Tá, você acertou, mas não tem problema."

"Tem certeza?."

"Sim, não se preocupe. Como está." "Melhor agora."

"Você não perde tempo, né?"

"Não!"

"Bom, acho que você já pode parar de flertar comigo.."

"Ok, parei. Mesmo sendo tecnicamente impossível."

"A única forma de chegar ao impossível, é acreditar que é possível."

"Ok, então eu vou TENTAR parar de te paquerar."

"Tudo bem, mas eu preciso ir agora."

"Tudo bem."

"Mesmo?"

"Não, mas não posso te obrigar a ficar aqui conversando comigo."

"Desculpe, mas eu realmente preciso ir."

"Tchau."

"Tchau."

Ana terminou o café, e lavou a louça, ouviu a porta se abrir e deu de cara com seu pai na frente dela, um largo sorriso brotou no rosto da ruiva, a mesma caminhou em direção à ele e o abraçou, foi um abraço sincero e emocionante, algumas lágrimas escaparam do rosto da mesma e ela as limpou rapidamente:

–Nunca mais me dê um susto desse, pai. Disse saindo dos seus braços.

–Me perdoe filha, tudo saiu do meu controle e...

–Não precisa se explicar agora, vá se deitar e depois me conte tudo. Respondeu ela calmamente enquanto observava o pai caminhar até a escada e sumir de sua visão. Caminhou novamente até a cozinha e separou tudo que precisava para fazer o jantar até escutar alguém a gritando, a mesma se inclinou para poder olhar pra fora e viu Thiago agitando as mãos no ar e apontando para a porta, a menina riu e apontou para a porta também:

–Ela está aberta. Disse em mímica, o moreno revirou os olhos e riu também, enquanto caminhava até a porta, ela voltou para o lugar que estava antes de se inclinar e voltou a preparar a janta. Thiago entrou na casa e ela pode sentir o calor do corpo dele se aproximando:

–Como você está?. Perguntou enquanto a olhava preparar o jantar.

–Estou bem, meu pai acabou de chegar do hospital. Respondeu com um largo sorriso e ainda sem fita-lo.

–Eu já sabia. Disse e ela levantou o olhar surpresa.- Ele passou lá em casa quando estava vindo.

–Traidor. Sussurrou se referindo a seu pai.

–Quer ajuda?. Perguntou novamente e Ana o olhou com um ar de deboche.

–Desde quando você cozinha?

–Desde que eu era obrigado a cozinhar para minha mãe e minha avó.

–Hum. Balbuciou com ironia.

–Eu sou bom em tantas coisas que você nem imagina. Disse.

–Inclusive me deixar corada?

–Digamos que essa é uma das minhas especialidades.

–Ah, é?. Perguntou com uma sobrancelha arqueada.

–Você sabe muito bem que sim, eu faço isso como ninguém. Respondeu confiante.

–Não sei se isso é verdade!. Exclamou.

–Será que não?. Perguntou dando um passo para frente deixando um pequeno espaço entre eles.

–Como você tem tanta certeza?. Disse Ana torcendo para não ficar corada com a proximidade deles.

–Isso foi um desafio?. Perguntou Thiago.

–Será?. Disse e pôs um sorriso divertido no rosto.

–Aposto que você vai ficar corada se eu me aproximar mais um pouco. Brincou, ele insistiria até Ana ficar da cor de seu cabelo.

–Isso foi um desafio?. Ela perguntou a mesma coisa que o moreno com sua típica sobrancelha arqueada.

–Digamos que sim. Disse e deu mais um passo, agora faltavam milímetros de distância.

–Ana!. Gritou seu pai interrompendo os, e aparecendo na cozinha.- Por um acaso você sabe onde eu enfiei minha agenda de trabalho?. Perguntou.

–Está no fundo do seu armário, pai. Disse envergonhada.

–Obrigada meu anjo. Respondeu e saiu. Ana encarou Thiago ainda mais envergonhada.

–Me perdoe. Falou baixinho.

–Que isso, a culpa não foi sua, vamos voltar ao jantar porque já vai anoitecer. Respondeu voltando a ajudar com a comida.

Enquanto isso, o homem ia subindo as escadas aos poucos, um grande sorriso se formou em seu rosto, ficou mais feliz que nunca por ver Thiago e Ana juntos na cozinha, depois de tanto tempo eles estão voltando a ficarem grudados como antigamente. E se — por algum motivo que ele 'nem sabia' — alguma coisa aconteceu ou ia acontecer naquela cozinha, para ele não seria uma surpresa, pois em algum dia, ele sabia que isso ia acontecer

***

No meio da tarde de sexta-feira, Ana estava na casa de Tati, ambas conversavam sobre coisas aleatórias, até a morena tocar no assunto do trabalho de Química:

–E como vamos finaliza-lo se não temos os tubos?. Perguntou a ruiva.

–Será que a professora não tem? Só sei que temos que o finalizar de qualquer maneira. Respondeu, um barulho de pedra foi ouvido na janela.

–Você escutou isso?. Perguntou Ana.

–Sim. Falou e mais uma vez uma pedra foi atirada na janela.- Quem será?. Perguntou caminhando até a janela.

–Não faço a mínima ideia. Disse a acompanhando. A morena abriu a janela e olhou para baixo.

–Depois de horas e horas vocês abriram essa maldita janela. Desabafou Binho.

–Haha, engraçadinho. Ironizou Ana.

–O que vocês estão fazendo aqui?. Indagou Tati.

–Bom, eu e o Binho tivemos uma ideia. Começou Thiago.- Resolvemos ir no Parque que acabou de abrir semana passada, o que acham?

–Uma ótima ideia. Respondeu Ana.

–Então se arrumem logo para irmos. Apressou Binho, elas assentiram e fecharam a janela.

–E agora? Não tenho roupa minha na sua casa, e não vai dar tempo de ir lá em casa. Falou a ruiva franzindo a testa de preocupação.

–Como eu sou um anjo que veste o mesmo manequim que você, posso te emprestar uma peça de roupa. Disse.

–Não, você não é um anjo porque não tem uma aréola. Disse rindo e a morena a acompanhou.

–JÁ ESTÃO DEMORANDO!. Gritou Binho as apressando.

–VÁ PARA O INFERNO, RUBENS. Rebateu Tati e Ana riu.

–O dia em que vocês não brigarem, vai realmente chover. Disse a ruiva.

–EI, EU ESCUTEI ISSO. Respondeu Binho gritando novamente. As meninas resolveram tomar um banho rápido e se vestir:

Ana optou por uma blusa de tecido fino amarela, um short preto estampado de flores, coturnos sem salto pretos e uma leve maquiagem com um batom cor de pele acompanhada por um rabo-de-cavalo frouxo.

Tati optou por uma blusa de manga branca e rendada, uma saia curta verde água estampada com bolinhas também brancas, um cinto fino marrom e um All Star verde água acompanhado por uma maquiagem também leve com um batom rosa claro e o cabelo solto com uma trança Waterfall.

Ambos os quatro caminharam lentamente até o parque que não era muito longe, a noite aos poucos foi caindo enquanto Tati se negava a ir na Montanha Russa:

–Vamos, Tati, prometo ficar do seu lado.- Insistiu Ana segurando o braço da amiga.

–Não, muito obrigado. Negou a morena.

–Sério Tati, eu prometo que não vai acontecer nada. Tentou Binho e ela negou novamente, o mesmo cavou as mãos no cabelo como um pente, procurando algo para intimida-la.- Eu prometo nunca mais te chamar de miojinho. Tentou de novo.

–Vocês não vão conseguir me levar para aquilo. Disse apontando para o brinquedo.

–Ou você vai na montanha russa, ou na roda gigante, escolhe!. Exclamou Thiago.

–Não, não e não, eu não vou nem morta para esses brinquedos. Respondeu.

–Ela morre de medo de altura, nada vai convence-la. Sussurrou Ana para os meninos.

–Merda!. Exclamou Binho.- Sério miojinho, eu vou ter que ser obrigado a ficar com você enquanto eles vão?. Perguntou e ela deu de ombros.

–Se quiser ir ou ficar, tanto faz, eu só não vou ir.- Disse e logo se virou para ele.- Rubens, você e chamou de quê?

–Ah, droga.- Rosnou o moreno.- Eu esqueci da minha promessa. Confessou.

–E agora, o que fazemos? Já que a teimosa da Tati não quer ir?. Perguntou Thiago.

–Não sei. Disse Ana.- Vamos ir em outro brinquedo.

–Qual desses brinquedos nenhum de nós, muito menos a Tati, tem medo?. Perguntou Binho.

Eles resolveram ir separadamente em vários brinquedos, de dois em dois eles iam revezando, e quando, finalmente, Ana e Thiago foram no mesmo brinquedo, ela se sentiu mais segura:

–A Tati tinha razão quando não quis ir na montanha russa. Murmurou e quando o brinquedo acelerou ela apertou mais forte a mão do moreno.

–Ana, você tá bem?. Perguntou enquanto a fitava, a mesma continuava segurando a mão do menino forte e estava de olhos fechados.

–Não se preocupe, estou bem. Disse, e para amenizar, o moreno entrelaçou os dedos dele nos dela.

–Eu te amo. Sussurrou Thiago de repente surpreendendo a ruiva que abriu os olhos e o fitou.

–É isso então o que eu sou?

–Você é o amor que eu tenho por você.

–Sinto que vou me reconhecer... Estou quase vendo... Falta tão pouco.

–Eu te amo. Repetiu.

–Ah, agora sim. Estou me vendo. Esta sou eu, então. Que retrato de corpo inteiro. Disse e logo desviou o olhar para os lados, e quando ele procurava freneticamente pelos olhos dela, ela o olhou, e fez com que isso parecesse uma eternidade. Aos poucos Ana foi sentindo as bochechas arderem: "Droga!" pensou e só pode ver um sorriso maroto no rosto do moreno.

Notas finais
Olá de novo... E ai, o que eu acharam????? Bom, tenho uma perguntinha para vocês: •Como vocês preferem uma fic? Narrador-observador* ou Narrador-personagem*? Eu sei que vocês devem estar se perguntando: Mas pra quê? Isso vocês só saberão no próximo capítulo. *Narrador-observador: é aquele que narra sem participar da fic, como a minha, no caso não é a Ana que narra, e sim eu. *Narrador-personagem: é o oposto, quando o próprio personagem, aquele momento em que tem o famoso "POV." Preciso de comentários, ok? Não esqueçam deles... Quanto menos, mais demorado será o próximo capitulo. Perdoem os erros, o capitulo não foi totalmente revisado, não tive tempo, foi mais a revisão básica. Beijinhos, comentem... Até o próximo!