Me dê a sua mão...
12 Lugar secreto.
Notas iniciais
***
A noite já havia caído de vez, e em meio a um ar muito envergonhado, Ana e Thiago se concentravam, ambos relembravam pequenos acontecimentos que os marcaram quando eram pequenos, a ruiva ria de todas as palhaçadas que ele falava, ou melhor, confessava. Só o moreno e Tati conseguiam deixa-la mais calma em meio ao que estava acontecendo:
–Eu lembro do dia em que você tentava me desenhar mas eu não parava quieto. Disse Thiago rindo de si mesmo, Ana já estava vermelha de tanto cair na gargalhada, a mesma assentiu e tentou, por fim, se repor das risadas.
–Eu lembro disso também, tia Cinthia vivia te gritando para você parar de tentar subir nas coisas senão você ia cair. Falou a menina, e logo ambos se fitaram por um tempo, os olhos de Ana fixavam nos de Thiago e enquanto a mesma corava aos poucos ele ainda a fitava.
–Eu sou o Homem-Aranha, não caio nunca!. Disse Thiago se lembrando do dia em que caiu feio quando fingiu ser o Herói da Marvel. Ana não deixou de voltar a rir e ainda o fitando se pronunciou.
–Acho que nesse dia você quase quebrou a perna, afinal, seu tombo merecia um premio de Super tombos de Amsterdam. Disse caçoando do menino.
–E sabe o que você merecia?. Perguntou o menino com um pequeno sorriso travesso, Ana balançou a cabeça negativamente.- Cosquinhas. Disse
–õ-oh. Sussurrou Ana que logo foi pega de surpresa pelo menino a fazendo rir sem parar com suas titulações, ela tentava recuar mais era impossível, em meio a gargalhadas divertidas a menina ia perdendo as forças por conta do riso e cedendo à todas as cócegas do moreno.
...
Cinthia recebeu uma nova ligação do hospital, eles pediram para que ela comparecesse urgentemente no hospital. A mulher se trocou e caminhou rapidamente até o hospital, que era mais ou menos à dois quarteirões da casa dela. A morena chegou no hospital o mais rápido possível, e como no dia anterior, caminhou até a recepção e foi atendida pela mesma mulher de antes.
–Srta. Walker, não é mesmo?. Perguntou a recepcionista sem expressa facial alguma.
–Sim, sou eu mesma. Recebi uma ligação do hospital pedindo para que eu comparecesse aqui urgentemente. Se explicou a mulher nervosa com o que poderia ser.
–Vou pedir para que a senhorita fique calma e siga o corredor B todo, o Doutor Robert vai estar a aguardando na sala 5 do canto esquerdo. Disse a mesma mulher.
–Obrigada. Sussurrou Cinthia caminhando até o corredor indicado e chegando por fim na sala onde havia se concentrado ontem.
–Sente-se Srta. Walker. Disse Robert Johnson com uma expressão séria e extremamente preocupante para a mãe de Thiago, a mulher obedeceu.- Mandei a enfermeira Karen Turner ligar para sua casa, e como você deve ter percebido, é sobre o Sr. Ricardo Garcia.
–Sim, percebi, prossiga Doutor. Respondeu a mulher trêmula pois Ricardo era pai de Ana e ela tinha um grande afeto pela menina.
–Bom, o Sr. Garcia teve uma recaída hoje de madrugada, fizemos o possível para que ele voltasse ao normal. Disse ele dando uma pausa.- E com sucesso, ele voltou ao normal e até acordou hoje de manhã, conversamos com ele e perguntamos o que havia acontecido, ele nos contou.
–E o que aconteceu, Doutor?
–Ele sofreu um acidente de carro, voltava do trabalho um pouco mais tarde que o normal, o patrão pediu para que ele o ajudasse com todas as propostas de emprego, e o mesmo fez. Quando percebeu que a hora já havia passado saiu de carro da empresa, e quando estava a caminho de casa,uma luz clara interrompeu a vista de Ricardo, o mesmo constatou que era um carro e preocupado ele manobrou para o lado direito batendo contra o mesmo carro e depois apagou. Disse o homem surpreendendo Cinthia.
–Como ele acabou batendo no mesmo carro?. Interrogou novamente a mulher.
–Descobrimos que o motorista do carro oposto ao de Ricardo estava embriagado, a polícia havia o parado e feito o teste mas ele fugiu dela assim que foi multado. Como era a noite, Ricardo não viu que o carro também tentou evitar a batida e manobrou.
–E como ele está Dr. Robert?
–Ele adormeceu novamente, e com os medicamentos ele não tem mais chances de estar em risco de vida, sofreu apenas uma fratura na parte direita do abdômen mas não foi nada muito perigoso, confesso que no começo me assustei um pouco porém agora não estou mais assim. Cinthia sorriu para o homem e saiu mais aliviada que nunca do hospital.
...
Ana e Thiago já haviam pegado no sono, a menina dormiu em sua cama e ele na cama de baixo. Por sorte a ruiva possuía uma Bicama em seu quarto que serviu para os dois.
A ruiva acordou com o despertador tocando em seu ouvido, antes de ele tocar pela vigésima vez ela o jogou contra a porta, o mesmo caiu e quebrou.
–Ops... Sussurrou se levantando da cama. Ter que acordar cedo em pleno domingo não era o problema — por incrível que pareça — o problema mesmo era saber de que tinha aula amanhã e que a grande probabilidade de chegar atrasada era imensa, ter a "desvantagem" de corar assim que chegar na sala de aula quando todos voltam seu olhar a ela a deixava irritada. A mesma pegou uma roupa caseira comum e resolveu tomar banho no banheiro de baixo para não acordar Thiago com o chuveiro barulhento que tinha no quarto. Depois de ter terminado tudo, chegou no ambiente e viu que o menino ainda dormia, então teve a ideia de acorda-lo da melhor maneira possível, logo em seguida ela pulou na cama fazendo o murmurar o nome da mesma irritado:
–Ah, Ana!. Balbuciou.
–Acorda, Thiago, acorda!. Disse sacudindo o menino de um lado para o outro.- Acorda!!!. Disse rindo do menino que resmungava sem parar.
–Mas eu já estou acordado, ANA!. Resmungou novamente.- Pare, por favor. Tá, já entendi, isso é a vingança por causa das cócegas?. Perguntou e Ana parou e olhou para ele com um sorrisinho divertido, e mais uma vez ele concluiu que o sorriso de Ana era inegável.
–Sabe que eu não pensei nisso. Confessou.
–Considerarei isso como um sim. Disse arrumando a cama em que estava. Ana se levantou dela para facilitar a arrumação. Ela se sentou em sua cama e olhou para a janela que estava aberta, o sol aos poucos foi entrando no quarto. Ana fechou os olhos e suspirou, assim que Thiago terminou de arrumar a cama, novamente se pronunciou:
–Tenho que tomar um banho, já volto ok?. Disse e a mesma assentiu, ele depositou um beijo em sua testa e saiu.
–Tecnicamente... Disse se referindo ao "O.k." do moreno. A mesma recolheu o despertador quebrado do chão e jogou as peças fora; desceu a escada a procura de algo para comer. Abriu a geladeira e pegou um pedaço do bolo de chocolate que seu pai havia feito um dia, olhou bem para ele e se sentou na mesa. Ao lembrar que tinha um pai; e que o mesmo estava em uma cama de um hospital qualquer; e que ela não podia fazer absolutamente nada doeu bem lá no fundo. Ana sentiu um nó na garganta se formando, mas jurou para si mesma que não choraria, pelo menos não agora, teria que ser mais forte que nunca, e a frase novamente a rondeou:
–Seja forte. Sussurrou para si mesma e logo deu uma garfada no bolo. Logo depois as palavras de Tati vieram à tona. "Não se auto engane."
Um pouco depois de acabar o bolo, Thiago voltou com um papel branco e logo em seguida o enfiou no bolço da bermuda jeans escura. O menino se sentou no sofá — ao lado da ruiva — e sorriu ao vê-la. Desta vez ela não se preocupou, porque ele riu quando a viu.
–Nenhuma noticia ruim?. Perguntou e o menino arqueou as sobrancelhas.
–Não, felizmente. Sussurrou entre um suspiro e outro.
–Que bom. Disse. — Ei, eu que arqueio as sobrancelhas, essa é a minha mania. Falou e logo depois cruzou os braços.
–Você faz tanto isso que eu peguei sua mania. Confessou rindo.
–Nada disso.
–Era pra ter me falado antes. Falou e logo depois se virou para ela.- Adivinha o que eu tenho aqui. Disse puxando o mesmo papel dobrado do bolso.
–Humm, sei lá. Disse. Thiago abriu lentamente o papel para si; logo em seguida riu, virou o papel para ela e arqueou as sobrancelhas novamente.
–Ah, meu Deus, Thiago!. Disse puxando o papel para si.- Como...
–Lembra que assim que você fez o desenho, me entregou?. Disse e Ana assentiu.- Eu guardei ele depois que comemos. Falou.
–Você é incrível. Murmurou admirada com o que via, no papel continha um desenho que ela havia feito quando ambos eram "pequenos".
Flashback On
"Ana tentava desenhar Thiago, mas o mesmo não ficava quieto nem por um menino, a ruivinha franziu a testa tentando se concentrar nos últimos traços enquanto o moreno subia, mais uma vez, em uma pedra grande que havia no quintal:
–Thiago, tem como você sossegar por um minuto?. Perguntou a ruiva irritada.
–Ah, isso é muito chato, Ana. Disse cruzando os braços.
–Só por um minuto, por favor. Falou e o menino se sentou na mesma pedra.- Prontinho!. Disse e o menino abriu um sorriso.
–Finalmente, eu já não aguentava mais ficar...Uau. Disse quando pegou o desenho nas mãos.
–O que achou?
–Perfeito.
–Obrigada.
–E o que vamos fazer agora?. Perguntou o menino
–Como assim?.
–Não quero ficar aqui parado sem fazer nada. Disse e Ana revirou os olhos. Ambos foram interrompidos por Ricardo os chamando para almoçar, eles sempre revezavam em que casa brincariam, e como no dia anterior havia sido na do Thiago, desta vez foi na de Ana."
Flashback Off
Ambos subiram para o quarto depois de terem visto televisão, Ana se sentou na cama e Thiago na cadeira, o dia passara rápido, e já era quase noite, ela abriu a janela que fechara e se lembrou de que não teve notícias de Ricardo, seu pai.
–Tem alguma notícia de meu pai, Thiago?. Perguntou e o menino pôs as mãos no rosto.
–Esqueci de perguntar a minha mãe, poxa, Ana porque não me avisou?. Disse.
–Não tem problema. Sussurrou e passou a fitar o teto. Um silêncio constrangedor começou fazendo os dois a se incomodarem.
...
O garoto estava sentado em sua cama, trocando mensagens com uma amiga que por um acaso não via desde o dia em que fizeram aquela pequena "reunião" com piscina.
"Eu, nada disso. Vou implorar a professora de educação Física para eu não jogar, vocês meninos são uns monstros, machucam qualquer pessoa que veem pela frente."
"Não é bem assim, Tati."
"Ah, não?". Ironizou a menino e ele não deixou de revirar os olhos.
"Tá, pode ser meio que assim, mas não é exatamente assim."
"Era de se esperar, você defendendo esses idiotas."
"Tati!". Repreendeu-a.
"Esqueci que vocês fazem parte da mesma família."
"MARRENTA"
"IDIOTA"
"Não me diga."
"Não podemos ter uma conversa civilizada?"
"Dependendo de mim..."
"Tudo bem, tenho que desligar, tenta ligar para a Ana? Não consigo falar com ela."
"Por...?"
"Por favor. Contente agora?"
"Vou tentar, tchau.". Disse e desligou o celular.
Assim que ia se deitar na cama, foi interrompido por alguém o chamando:
–Rubens!. Disse a voz um tanto abafada, o mesmo reconheceu como a voz de seu pai.
–Que droga de vida. Murmurou e logo depois gritou.- Já vou. Desceu as escadas rapidamente e se deparou com seu pai sentado no sofá.
–Já soube do acontecimento?. Perguntou o homem sério.
–O quê? Não!. Disse Binho cruzando os braços.
–O pai de Ana, Sr. Ricardo...
–Eu sei quem é o pai dela. Interrompeu-o friamente.
–Bom, como eu ia dizendo. Fez uma pausa e suspirou.- Sofreu um acidente e está internado em um hospital aqui perto.
–O que? Como assim? Meu Deus... Falou Binho incrédulo.
–E eu preciso de um pequeno favor seu. Disse o homem com um pequeno sorriso.
–Qual?
–Preciso que você se aproxime demais de Ana. Disse o homem e ele franziu a testa sem entender.- E descubra seu maior ponto fraco.
–O QUE?. Perguntou Binho.- Se você acha que eu vou ser seu cumplice está muito enganado. A Ana é minha amiga, não posso fazer uma coisa dessas.
–Você não me entendeu né? Eu não perguntei se você queria fazer esse favor, eu MANDEI você fazer. Rebateu o homem sério.
...
A tarde já estava findando e Thiago ainda estava com Ana, o mesmo ainda se sentia obrigado em estar ali. Enquanto ela ria — mais uma vez — de algo que ele disse, o mesmo fitava a janela.
–Ainda não me conformei com o fato de você ter molhado meu fone aquele dia. Disse Ana deitada na cama e fitando o teto. Thiago riu e a mesma o olhou séria.
–Você sabe que eu não fiz por mal. Disse o moreno.- Eu só queria que vocês entrassem na piscina com a gente.
–Eu sei, estou brincando contigo. Confessou a ruiva.- Como você acha que está meu pai agora?. Thiago se calou e fitou a menina que estava de olhos fechados.
–Juro que não sei, Ana. Mas aposto que ele está morrendo de saudades de você. Disse tentando confortá-la.
–Será?. Perguntou.
–Tio Ricardo te ama muito, Ana. Tenho certeza disso. Rebateu.
–Estou com saudades dele. Disse com a voz embargada, a mesma se segurou para não chorar, seu mundo estava desmoronando e ela não podia fazer nada, não conseguia reagir ao fato de ter um pai que está em coma, apenas queria não chorar. Odiava chorar na frente dos outros.
–Ana, você não precisa se passar por forte agora, não precisa disso. Você sabe que quando mais tentar ser forte, menos forte você vai ser.- Sussurrou o menino estendo os braços para um abraço, Ana não relutou contra o choro, apenas cedeu ao abraço do menino.
–Eu só queria ser importante para ele, queria poder estar ao seu lado agora, mas estou aqui, sendo uma estúpida menina que está chorando e não pode fazer nada. Disse com a voz abafada.
–Você é importante Ana, todos somos. Talvez menos do que muito, mas mais do que pouco. Falou ele ainda abraçado nela.
Depois de ter conseguido deixar Ana mais tranquila, Thiago pode admirar mais um sorriso da mesma, "Há uma guerra dentro dela mas ela continua sorrindo." Pensou até ser interrompido de seus devaneios pela ruiva.
–Em agradecimento por você estar aqui comigo e me aturar eu quero te mostrar uma coisa. Disse puxando o menino até o ultimo andar da casa.
–Agora você vai ter que se abaixar um pouco. Falou a ruiva e o menino obedeceu.- Tudo bem aí?
–Sim.
–Agora vai ficar um pouquinho escuro, você me siga pela voz.
–Ok. Disse e ambos começaram a se arrastar por um pequeno corredor estreitíssimo.- Percebi o "pouquinho escuro". Ironizou Thiago fazendo Ana rir.
–Bom, agora pode se levantar normalmente. O menino se levantou mas não conseguia ver nada ainda.
–E agora?. Perguntou ele.
–Me dê a sua mão. Disse Ana e o mesmo obedeceu.- Venha mais para cá e vai me seguindo. Sussurrou e os dois escutarem o eco da voz de Ana. Caminharam no escuro por mais 2 minutos até a ruiva aliviar Thiago com a chegada no tal lugar.
–Chegamos. Disse e agora tudo já era claro novamente, ambos piscaram algumas vezes desacostumados com a claridade.
–Uau. Sussurrou o moreno.
–É, eu sei. Disse ela rindo.- Esse lugar aqui é meu xodozinho.
–Alguém mais sabe disso?. Perguntou o menino pasmo com tanta beleza.
–Tati, e agora você. Disse.
–Ah... Balbuciou ele caminhando pela grama. O lugar era mais ou menos um jardim, digamos que era um pouco menos mas mesmo assim era um jardim. O chão era coberto de grama e Ana havia o descoberto algumas semanas depois de quando Thiago havia ido embora, o lugar era todo maltratado mas com o tempo que ela cuidava dele, ele voltou a ser verde como a maioria dos mesmos. A ruiva se sentou no chão e fez um coque no cabelo.
–Senti falta desse lugar, faz um tempinho que não venho aqui. Disse em um tom de voz baixo.
–Por quê?
–Não sei também.
–Agora eu sei porque isso tudo aqui é tão especial para você. Disse o menino se sentando na frente de Ana.
–Sabe?
–Sei. Disse e Ana riu.
–Eu já estava esperando esse sorriso. Sussurrou ele e se aproximou da ruiva, ambos estavam em milímetros de distância, uma distância um tanto que perigosa porém necessitada pelos dois.- Isso tudo é tão bonito quanto você. Se pronunciou novamente fazendo a corar.
–Eu te odeio. Disse por conta dele ter a deixado corada novamente.
–Imagino o quanto. Rebateu e Ana sorriu, sem mais delongas ele selou os lábios no dela, a mesma envolveu seus braços no pescoço dele, posso dizer que o mundo parou para assisti-los. Ana aspirava aquele beijo há tempos atrás, e finalmente ele chegou. A cada segundo o beijo segundo o beijo se aprofundava mais, e ela não recuou nem por um instante. As mãos dela acariciavam os lisos e castanhos cabelos do moreno. Por conta da falta de ar ambos se separaram e ele não perdeu tempo de deixa-la mais corada ainda.
–Pronto, agora eu estou estupidamente mais apaixonado por você. Disse e Ana sorriu.
–Você não perde tempo pra me deixar corada. Confessou ainda sorrindo.
–Seu sorriso estará sempre em minha mente e em minha memoria. Confessou.
–Você está cada vez mais craque em me deixar assim. Disse mais vermelha que seus cabelos.
–Isso faz parte do seu plano?. Perguntou.- Porque se fizer, eu continuarei a cometer os mesmos erros esperando que você entenda que eu estou apaixonado por você.
–Se isso faz parte de um plano?. Perguntou e ele assentiu.- Entenda como quiser. Imitou o que ele havia dito ontem. O mesmo não deixou de rir e passou a fita-la por um tempo.
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