–--------Milena off-----------

–--------Gabriel on----------

Pegamos um táxi e fomos até a casa, como era linda! Era de dois andares, tinha uma varandinha no quarto do casal, uma varanda com churrasqueira e um espaço –bem que posso fazer meu jardinzinho aqui em.- pensei. Chegamos por volta das sete da noite, então como estávamos cansados, não fomos à praia naquele dia. Tomamos banho, jantamos umas coisas que minha mãe tinha levado para preparar lá.

Já ia dar dez horas e não tínhamos o que fazer, descemos, eu e Mi, que iriamos fazer algo, na casa não tinha internet e nem TV, então ficamos meio perdidas até que lembramos do passado de ficar criando historinhas. Então criamos, criamos muitas, até dormir sem nem perceber, estávamos bem cansadas, devia ser umas duas da manhã quando dormimos.

No dia seguinte, como tínhamos esquecido de fechar a cortina, até por que estava bem quente, acordamos com o sol ainda nascendo, com um clima bom, quente, mas não tão quente. Descemos para tomar café e ninguém tinha acordado ainda, então arrumamos o nosso, e o deles também, deixamos um bilhete na geladeira e partimos rumo à praia.

Ficava a pouco da casa, já sabia onde era, apesar de nunca ter ido, meu pai já havia me explicado como chegar. Devemos ter levado quinze ou vinte minutos para chegar. Não haviam muitas pessoas. Alguns praticando surf, alguns caminhando, já era de se esperar a tranquilidade, até por que o lugar é mais deserto mesmo, na maioria das vezes as pessoas que moram por ali são as que trabalham com a empresa petrolífera da cidade. Escolhemos um lugar mais distante, e com ondas mais baixas, eu não sabia nadar bem e também estava com vergonha de usar biquíni: meu corpo não é algo que se chame de “bonito”. Deveria ser umas sete da manhã na hora que chegamos e nove quando voltamos. Meus pais já estavam acordados, agradeceram o café e pediu se nós poderíamos ir até o mercado para comprar algo para o almoço, nos explicou o caminho e fomos. Durante a volta, o celular da Mi tocou e adivinha quem era? Um biscoito para aquele que disse que era o Guilherme e uma caixa para quem falou o Igor (o menino de cabelinho comprido do ônibus)! Pois é, na confusão de falar os números dos celulares, troquei o meu com o dela, porque compramos no mesmo dia então foi um, a sucessão do outro um com 5 no fim e o outro com 6. A sim! Eu compliquei né? Pois é foram os dois que ligaram, aparentemente o Gui ligou de noite e estávamos mortas e não ouvimos, então vocês não erraram totalmente! Enfim, na hora que tocou era o Igor, ele estava a minha procura (meio óbvio, ou não), e foram uns dez minutos não entendendo nada da conversa deles, que aparentemente, também não estavam entendendo, até que ele falou:

_Que saco em! Aquela menina me passou o número errado, também, quem é o idiota que acredita em pessoa que encontra em ônibus? Ok! Desculpa menina, não queria incomodar.

Antes dele desligar a Milena deu um berro falando:

_Ah! É o Igor do ônibus, desculpa eu estava meio perdida, na verdade esse número é da menina, que estava com a menina que você conversou! É que os números são bem parecidos. Vou passar o celular pra ela, espera um pouco.

Ela não me entregou e sim ENFIOU o celular na minha cara!

_I-Igor?

_Ah! Desculpa pela sua amiga, eu fiquei meio revoltado achando que você tinha me dado o número errado.

_Não, tudo bem, mas eu errei, realmente, acho que me perdi na hora de falar.

_hmm... entendi.

_Mas não foi de propósito! Foi sem querer! – por algum motivo eu queria deixar claro que foi sem querer-.

_Tudo bem – ele riu e eu derreti-.

_Bem... eu... tenho que desligar, tchau!

Por uma fração de segundo ouvi um não desligue que foi cortado pelo meu tchau. Estávamos quase entrando em casa e Mi me puxou dizendo:

­_Vem cá sua coisa! O menino te liga. Quer dizer, me liga e você corta o assunto assim? EU conversei mais com ele do que você! Da próxima vez vocês vão passar no MÍNIMO, meia hora conversando, nem que tenham que falar sobre Pokémons!

Eu não tive resposta, estava muito atordoada e tímida para falar algo. Preferi me calar, entrar, e socar minha cara até entender que merda eu tinha feito.

Depois do almoço, que no caso eu ainda estava meio “morta”, eu volte do transi louco que tinha entrado e virei para Milena para que fizéssemos algo legal, já estava meio tedioso isso de só conversar e ir à praia. Estava começando a achar que aquelas férias ia ser uma merda. Mas foi ai que entrou a super ideia do meu pai de irmos pescar! Ta, pescar não é la tao legal, mas eu amava, e todos gostaram da ideia, então fomos. Chegando na praia nós armamos tudo bem bonitinho, o dia já começara a ficar bem quente, um pouco até demais, então eu e Mi fomos passar protetor e andar um pouco, e depois de pouco tempo de caminhada vimos uns carinhas com uns barcos e com a plaquinha: ALUGAMOS BARCOS. Então voltamos correndo para meu pai para que ele pegasse para gente, porque eu sabia remar e não me afogar (destaco que isso não é o mesmo que saber nadar!) E Mi também queria e sabia, então ele pegou um pra ele e a mamãe e um pra mim e para Milena. E la fomos nós, iguais duas sinhazinhas sentadas em uma lagoa (apesar de ser mar, era bem calmo, apesar que de vez em quando, passava umas ondas por baixo de nos que parecia que iria abrir um vórtex no mar). Por fim tomamos um caldo bonito, tentamos voltar para o barco, mas não deu, então voltamos nadando e puxando o barco: uma cena linda. Voltamos até meu pai e fomos pescar o jantar! E é claro que EU peguei o melhor peixe, digo o melhor, não o maior!

A praia estava tão agradável, que decidimos pegar o violão e fazer uma fogueira ali mesmo, fazer praticamente um luau ali. Tudo estava bem mas um mal pressentimento estava vindo em minha mente, não estava tão feliz, mas escondi para que ninguém se magoasse só por minha causa. Voltamos para casa depois de um tempo e na hora de dormir o pressentimento só piorou. Já devia ser meia-noite quando ouvi uns barulhos na escada, e ouvi um uivo de dor que era claramente do meu pai, sai do quarto tropeçando, e ao chegar até o pé da escada, vi meu pai se contorcendo, não parecia que a dor era de ter caído, mas sim do coração! Ele tinha problema cardíaco! Corri para minha mãe, eu não sabia o que fazer, logo liguei para a emergência. Aquilo deixou de ser um sonho, e se tornou o pior pesadelo.