Me chame quando estiver sóbrio
1 Capítulo Único
Gina estava simplesmente cansada de gostar de Harry. Amor antigo, sem graça, parecia que eles estavam juntos por costume. Não que não gostasse dele, simplesmente não queria mais estar com ele. Quando começaram a namorar (e aí já iam alguns anos que ela gostava dele), ficara tão absurdamente feliz! Chegou a achar que podia flutuar de tanta alegria.
No início do namoro, Gina chegara a pensar que o mundo era cor-de-rosa. Harry era tão maravilhoso! Meio distraído, avoado, mas ainda assim o melhor namorado do mundo (segundo ela).
Estava sempre disposta a relevar quando ele se atrasava ou esquecia alguma coisa, afinal eles eram namorados. Não era isso que os namorados faziam? Perdoar e esquecer. E assim, seguir em frente.
Gina seguia esse “dogma” cegamente, pois finalmente conquistara Harry, e estava disposta a deixar ‘pra lá’ as pequenas coisinhas chatas que aconteciam, só para mantê-lo a seu lado.
Mas depôs de um ano, o namoro já estava mais do que morno. Às vezes, parecia que Harry sequer lembrava que tinha namorada. E Gina acabava fazendo papel de chata, pois ao querer estar ao lado dele, acabava passando por grudenta. E quando cobrava um pouco de atenção, então? Ele vinha com um papinho de que precisava de espaço. Oras, pela manhã, o máximo que ele fazia era dar-lhe um selinho de bom-dia. Até Ron e Hermione, tímidos até a morte, se beijavam com mais paixão. Almoçar juntos? Só se ela tivesse muita sorte, pois ele sempre estava conversando com os amigos. E Gina se sentiria mal se entrasse na conversa. E durante o jantar, mal se falavam.
Definitivamente aquilo tinha que mudar!
Decidiu parar de perdoar Harry. Já estava na hora dele aprender a dar valor a ela. Quem ele pensava que era? E mais importante: quem ele pensava que elaera? Cansara de só ser lembrada quando ele perdia algum jogo de quadribol e queria alguém para ouvi-lo reclamar da arbitragem. Ou quando recebia detenções do Snape e ficava horas martelando no ouvido dela o quanto o professor era cretino.
A mudança não passou despercebida. Lógico, só sentimos falta de algo quando perdemos. E Harry sentiu. Como sempre, se dera mal na aula de Poções. Perdera a cabeça, discutira como professor e fora para a detenção. Chegou na Sala Comunal espumando de raiva e correu para o confessionário, ou melhor, para a namorada.
-Agora não, Harry. Tô ocupada. Depois você me enche com isso, tá?
A cara que ele fez foi impagável! Gina sentiu-se vitoriosa. Dias depois desse choque de realidade, ele resolveu tirar satisfações e a ruiva percebeu: ele nunca gostara dela realmente. Só queria alguém para estar, não por gostar, mas porque parecia o melhor a fazer: Gina, moça bonita, apaixonada, por que não ficar com ela? Talvez até se apaixonasse também. Isso ele não conseguiu, mas acabou tentando remediar a situação com uma cena meio boboca, de namorado arrependido.
A resposta dela foi simples: –Não quero mais. Percebi que esse namoro não faz bem pra mim. Harry, isso é tudo. Tá na hora de terminar.
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