Me chamam de Corvo (Bulletproof)

11 Possuído pelo ritmo Ragatanga


Notas iniciais
Esse título tá uma alegria só, né...

Oh Sehun estava dançando com uma vassoura no chão ensaboado. Eu achei que ele fosse parar assim que me visse, e provavelmente o Dr. Sehun faria isso, mas aquele era o Presidente Sehun, que tinha passado a noite na minha casa cuidando da mãe da minha filha para que eu pudesse beber.

— Já pensou em ser Cheerleader?

— Já, mas se eu tiver mais uma obrigação, eu não vivo.

— Hum… Por que você tá lavando o banheiro?

— Se eu não fizesse isso logo a Yumi mesma ia fazer, e tudo o que não queremos é que ela faça faxina com oito meses, né?

— É, mas… Não podia esperar eu acordar?

— A gente aguentou a manhã inteira, tava osso já…

Olhei para a água escorrendo pelos meus pés.

— Tá… Última pergunta… Por que não colocou um pano na porta pra evitar que água vá para o corredor?

— Ué, eu não botei?

Vocês já ouviram o Sehun xingando? É muito engraçado. Ele fez isso enquanto pegava o pano em cima da cadeira (sim, nós temos uma cadeira no banheiro).

— Aish, — disse Namjoon, brotando atrás de mim, mexendo a perna nervosamente — eu quero fazer xixi, Sehun!

— Pensasse nisso antes de vomitar o banheiro todo. Pra sua sorte, eu tenho que secar o corredor — disse ele, jogando o pano aberto no chão. — Limpe o pezinho e seja feliz.

Namjoon fechou a porta assim que entrou, e Sehun começou a enxugar o corredor. Eu peguei outro pano para ajudá-lo, embora ainda estivesse tonto.

Pouco mais tarde, nós quatro estávamos almoçando enquanto Sehun tentava explicar alguma coisa de ontem.

— J.Seph me ligou dizendo que vocês dois estavam jogados em um canto. Eu fui lá buscar. Ele me ajudou a levar vocês pro carro. Namjoon veio cantando Despacito o caminho todo, e Jin desmaiado. O problema mesmo foi quando a gente chegou. Eu tirei Namjoon do carro e consegui meio que arrastá-lo para o quarto, mas o Jin tava uma pedra e eu tive que carregar no colo, literalmente. Aí só deu pra chegar no sofá, que estava arrumado porque EU ia dormir nele. Por isso eu tive que roubar a cama do Jin. Em algum momento desconhecido da madrugada, Namjoon acordou e zoou o banheiro.

— Vocês ainda não contaram como foi a festa — lembrou Yumi.

— Se eu ao menos lembrasse de alguma coisa que aconteceu eu poderia contar, mas só lembro que eu me diverti muito.

Não me julguem! Eu nunca tinha bebido, sabe? Foi mais ou menos no fim da tarde que eu comecei a lembrar aos poucos e rir sozinho, mas Namjoon não deu nenhum sinal. Eu comecei a deduzir que eu tinha sonhado, ou ele também tinha esquecido.

Talvez o melhor fosse esquecer.



Passaram duas semanas antes que chegasse o dia da gravação do MV. Que MV? Bom, o MV das nossas queridas companheiras de empresa, o Glam. Eu e Nam fomos chamados para atuar, o que era ótimo para mim. Para ele, nem tanto. Namjoon odiava atuar, mas o fazia muito bem. Além de nós, os meninos da dupla Homme, também da Big Hit. Cada um atuaria com uma menina do Glam. A música se chamava Look, e o Namjoon tinha trabalhado na composição. No começo, eu estava ajudando com o violão e fizemos uma gravação de áudio para o PD. Foi aí que ele teve a ideia de nos incluir

No MV, cada garota estaria em um cômodo tentando chamar a atenção de um garoto que não olhava para ela.

A Jiyeon estaria na cozinha fazendo um bolo, tentando chamar a atenção de um menino tocando violão. Falou em comida e violão é comigo mesmo.

A Zinny estaria na sala dançando, tentando chamar a atenção de um menino desenhando em um caderninho, que seria o Nam.

A Dahee estaria na varanda cuidando das plantas, enquanto seu par Changmin estaria no computador trabalhando.

Por último, a cena da Miso era no quarto tentando arrumá-lo enquanto Hyun dormia.

Na ponte, as meninas tomavam alguma atitude drástica (esconder a palheta no recheio do bolo, puxar o Namjoon do sofá, colocar terra na caneca ou empilhar cobertores no dorminhoco) que resultavam, no último refrão, na colaboração dos meninos fazendo as coisas junto com as meninas. Não vou mentir, estava ansioso para ver o Namjoon dançando. O casal do quarto, em vez de arrumar, usava os lençóis para fazer uma cabana ou uma capa de super-herói (a questão era brincar). A gravação seria em um apartamento alugado em um bairro vizinho. Por isso, uma grande equipe foi deslocada para lá.

Eu fui o primeiro a gravar, porque a primeira cena era eu tocando violão. Gravamos todas as nossas cenas primeiro e assistimos às outras gravações. A do Nam estava quase acabando quando uma menina abriu a porta do nada. Parecia esbaforida.

— Eu preciso falar com Kim Seokjin.

— Comigo? — murmurei, mas minha voz foi abafada pelos diretores tentando expulsá-la.

— Ele está ocupado, e você não pode entrar aqui.

— Mas é urgente!

— Você conhece essa garota? — perguntou um deles.

— Não — admiti.

Eu ia dizer para deixarem ela falar, mas já começaram a tirá-la. No meio da bagunça, eu consegui ouvir.

— A Sunghee está vindo.

— O quê? — perguntei, mas já estavam fechando a porta.

— Vamos retomar, pessoal — disse o diretor.

Eu tentei agir naturalmente, mas a atitude do diretor me incomodou muito. Eu esperei a atenção voltar para a gravação para catar a chave da Ranger e sair de fininho. Não deveria dar nenhum problema, já que eu não estava gravando. E se tivesse eu não estava nem aí.

Fui direto para o elevador, mas ele demorou um século para abrir. Provavelmente tinha descido com a garota. Quando chegou, eu entrei e apertei o botão do térreo mais que depressa. Saí correndo do prédio e olhei para os lados, mas ela não estava em lugar nenhum.

— Aigoo… — comecei a murmurar, enquanto ligava para Yumi. Obviamente, não atendeu.

— Tá com a Ranger? — perguntou a menina, vinda do saguão.

— Tô — disse, embora não fizesse ideia de como ela sabia que eu tinha uma Ranger.

Eu e a desconhecida corremos para o carro enquanto ela me contava.

— Ela estava na Big Hit, mas ficou com dor de cabeça e o PD mandou ela ir pra casa, em um carro da empresa. O Sehun chegou quando ela tinha acabado de começar a ter contrações e arrombou a porta. Nós a estávamos levando para o SNUH quando ele me pediu para vir atrás de vocês.

— Ah, manda mensagem pro Namjoon e fala que estamos indo pra lá. — eu disse, oferecendo meu celular.

Enquanto ela fazia o que eu pedi, fiquei pensando naquela história e percebi que estava cheia de buracos.

— Como o Sehun chegou tão rápido?

— Eu contei para ele o que estava acontecendo.

— E como você soube?

— É… As notícias correm, você sabe.

— Você o conhece?

— Não. Quer dizer, conheci hoje.

— Então… Você conhece a Yumi?

— Também conheci hoje.

— Hum… Então… Sem querer ofender nem nada, mas… Por que você está ajudando?

— Nós temos que ajudar os amigos.

— Mas, pelo que você disse, não é amiga de…

— Ainda não.

Queria perguntar mais coisas, mas decidi que o nascimento da minha filha era mais importante. Tínhamos acabado de chegar e eu estava estacionando.

Cheguei na recepção já dizendo meu nome e quem eu era, mas não me deixaram entrar.

— Ela já entrou para fazer o parto, senhor.

— Mas isso é um absurdo! Ela tem direito a um acompanhante!

— Ela já está com um. Oh Sehun consta como acompanhante dela.

— Ah. Menos mal. Acho que o Sehun vai fazer mais que eu.

Namjoon chegou algum tempo depois.

— Olha, eu não estava com saudade do transporte público. Como estamos?

— O Sehun entrou com ela. O destino é uma droga, não é? Nunca a deixamos sozinha, e justo quando ela está mais longe, acontece. Ainda bem que o Sehun chegou.

— Não sei o que seria da gente sem o doutor, realmente.

Inesperadamente, a mulher da recepção chamou a gente e disse que nós três poderíamos esperar na sala de espera da maternidade e nos deu as coordenadas.

Eu não sei quanto tempo ficamos lá. Parecia que tinham se passado anos quando uma mulher me chamou. Eu olhei para Namjoon, hesitante, e ele fez aquela cara de “tá esperando o quê”? A mulher me levou pelos corredores, e dobramos duas vezes antes que eu visse Sehun no meio do corredor, o que me aliviou um pouco. Eu tentei decifrar sua expressão, mas não tinha nada.

— Como está minha princesinha? — perguntei logo. Toda a ansiedade do mundo era visível em minha face, então Sehun só podia estar tirando uma com a minha cara demorando aquele tempo todo só me encarando.

— Grande — disse ele, no exato momento em que alguma alegria começava a se esboçar ali. — Saudável. Foi muito bem alimentada.

— Oh se foi — eu disse, tentando me conter.

— Ela teve um pouco de dificuldade para nascer, então vai ter que ficar aqui um tempinho, mas só uns quatro dias. Só até estabilizar a respiração, mas no geral é uma menina muito saudável.

— Sim — eu disse, animado, apesar da notícia da internação provisória. — E quanto à Yumi, como ela está?

Eu fiquei impressionado com a capacidade que Sehun tem para mudar a expressão de forma tão sutil e imperceptível. Eu só notei quando ele começou a falar.

— Hyung, eu estava lá, e eu sei que eles tentaram de tudo para ajudá-la, mas nós já entramos sabendo que era um parto de risco, porque ela estava com a pressão baixa. Você sabe que eu sinto muito. Você sabe o quanto eu queria que tivesse dado certo. Mas infelizmente não deu pra ela.

Notas finais
;-;