Me chamam de Corvo (Bulletproof)
21 Continue a treinar
Notas iniciais
Eu não dormi naquela noite. Estava impossível.
O dia seguinte foi de treino pela manhã e à noite. De manhã, Sehun terminou de decorar as coreografias e ficou praticando e treinando de base frontal, o que não era difícil. Subimos novamente com Tzuyu no Liberty e no Avião, as duas posições com uma perna só, que eu precisava que ela fizesse. Ela estava bastante trêmula, mas conseguiu fazer sem cair ou se apoiar em Sehun. Passamos várias vezes, mas tudo ainda parecia extremamente torto.
Eu fui para a aula, mas não consegui me focar. Pensava só na rotina, só em tudo o que havia de errado nela, nas pessoas sem saber seus lugares, no Sehun errando os passos, na Tzuyu desequilibrando, na Sooyoung errando o mortal coligado… Só lembrava do que estava dando errado, nunca pensando nos avanços.
Chegamos para o último treino. Todos estavam exaustos, obviamente, mas não tinha o que fazer. Precisávamos treinar.
— Vocês estão vendo a importância de separar o último dia? Por isso que não vamos treinar amanhã, para que vocês descansem. Hoje preciso que deem o melhor de vocês.
Passamos a rotina algumas vezes antes de eu ir com Tzuyu para a cama elástica.
— Você vai fazer isso hoje. Eu preciso que você faça isso hoje.
— Tá. Eu vou fazer.
Começamos a pular, como sempre na mesma velocidade.
— Eu vou te empurrar de leve pra você conseguir o mínimo de impulsão. Vamos fazer o mortal normal primeiro.
Ficamos pulando para nos preparar. Contamos, e quando ela pulou, eu a empurrei para fazer o mortal. Como no dia anterior, ela o fez bem.
— Isso. Tenta sozinha agora.
Tzuyu fez a mesma coisa, sozinha. Pegou bastante impulso e se jogou para a frente.
— Você caiu perfeita. Agora vamos para o mortal do final.
Passei mais uma vez as instruções e mostrei como fazer. Voltamos a pular juntos, e eu a empurrei para fazer. Ela caiu de lado.
— Você fez, Chewy, só caiu de lado. Tenta fazer caindo reto. Eu vou empurrar de novo.
Pulamos novamente, contamos novamente e eu a empurrei novamente. Tzuyu caiu perfeitamente.
— É isso, caramba! — não me segurei. Acabei chamando a atenção dos demais atletas. Aquilo que a Tzuyu fez só significava que ela ia conseguir. — Vem, vamos de novo. Eu vou empurrar, mas você tem que ir com sua própria impulsão também.
Era uma mentira para encorajá-la. Eu não ia empurrá-la, apenas dar apoio, mas às vezes tudo o que você precisa é confiança. Todos os atletas estavam nos olhando dessa vez. Pulamos, contamos, e Tzuyu se jogou para a frente. Eu só encostei nela para que ela sentisse meu apoio. Ela caiu perfeita de novo.
— Você fez sozinha, viu? Eu nem te empurrei. Você fez sem mim, você consegue. Eu vou descer agora, quero que faça sozinha.
Eu fui para a escada da cama elástica. Tzuyu ficou pulando por muito tempo antes de executar o mortal. Ela foi calorosamente aplaudida ao conseguir fazê-lo sozinha.
— Stunt da Tzuyu, monta aqui. Vamos fazer uma vez.
Colocamos o stunt atrás de um dos colchões, para qualquer coisa. Além disso, Sehun ficou na frente. Originalmente, B.M era base traseira da Momo, mas eu troquei com ele. Eu queria estar junto da Tzuyu naquele momento.
— Eu preciso que confie. Você não vai cair. Tem colchões, tem bases, tem reforço de segurança. Se você cair, está segura, mas você não vai cair.
Fizemos primeiro as elevações com Liberty e Avião. Depois, o lançamento. Tzuyu foi simplesmente sensacional.
— Atenção, Corvos. Vamos passar a rotina completa, eu disse COMPLETA.
Foi a última passada da noite… e a primeira vez que a rotina saiu inteira.
Eram onze horas da noite de sexta-feira. Muitos alunos da Seoul National University estavam saindo da aula e indo para casa, mas o time de Cheerleading da Corvos chegava com cobertores e malas cheias de laquê. Passaríamos a noite no nosso ninho. A programação era: lanche coletivo, joguinhos, dormir, acordar, se arrumar, ir para o local, passar a rotina uma vez, voltar, almoçar, ficar de boa, se arrumar muito, ir para o local, aguardar a nossa vez, competir e esperar o resultado.
Nossa noite foi muito tranquila. Um momento de confraternização, descanso e relaxamento necessário em uma véspera. Eu, Namjoon e Sunghee dormimos na cama elástica, e o restante se espalhou pelo tatame e nos colchões. eu estava muito nervoso, mas consegui dormir, porque a expectativa era boa.
No dia seguinte, acordamos e fomos, com roupas de treino, passar a rotina no local do Nacional. Era muito grande e tinha um tatame maravilhoso. Tudo em nossa rotina correu maravilhosamente bem, até o lançamento da Tzuyu. Ela foi um pouco mais para a frente, e Sehun a pegou.
Todo mundo continuou a rotina, mas eu parei. Tudo parou para mim naquele momento. Eu me lembrei instantaneamente da Momo caindo fora do berço, como a Tzuyu quase tinha feito. A Momo, que treinou durante 7 meses. A Momo, que era a melhor flyer do time, errou e se acidentou. O que eu deveria esperar da Tzuyu, uma flyer em formação, que certamente seria maravilhosa quando treinasse o suficiente, mas ainda era tão nova na função?
Em um estalo, tudo voltou, e eu corri para a formação da pirâmide, que estava extremamente instável. O time tornava-se instável naquele instante. Achávamos que estávamos prontos, e de repente, quase perdíamos mais uma atleta. Foi quase, mas poderia ter acontecido. Encerramos a rotina com uma pirâmide trêmula cheia de rostos preocupados.
Ninguém falou nada no caminho de volta para o ninho. O clima estava péssimo, como era para estar. De repente, Tzuyu, que estava lá atrás, apertou o passo e veio até mim.
— Miane, Jin Oppa. Eu não queria ter…
— Você não precisa pedir desculpas. Sou eu quem te deve desculpas, Chewy. Eu estou exigindo demais de você. Você ainda não é uma flyer, eu não posso pedir que você faça um lançamento para o qual não está preparada.
— Eu ainda posso tentar. Se eu não conseguir, talvez sejamos penalizados, mas é melhor do que ficar sem uma flyer.
— A questão não é pontuação nem quantidade de flyers. A questão é você em risco. O Sehun te pegou, mas se você fizer de novo, talvez ele não te pegue. Você caiu de cabeça, Chewy, se não tivessem te pegado eu não sei o que teria acontecido com você. Se você tentar, talvez você consiga, e eu acredito nisso, mas não posso colocar você em risco assim, não depois do que aconteceu com a Momo.
— Então o que a gente vai fazer? — perguntou Namjoon. — Esquema diferentona no meio?
— Aish, não, isso vai ficar péssimo. Vamos fazer cinco lançamentos, como planejado.
— Mas não tem ninguém mais que faça esse tipo de lançamento.
— Na verdade, tem — disse Namjoon.
— Ué, mas e as regras?
— Isso está dentro das regras, B.M — me lembrei, de repente. — Mas vamos precisar da sua força. E da sua também, Nam. Podemos contar com vocês?
— Sim — disse B.M.
— Você sabe que sim — garantiu Namjoon.
— Então vamos apertar o passo — pedi. — Temos cerca de seis horas para almoçar, nos arrumar... e mudar mais uma vez a última parte da rotina.
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