Notas iniciais
AAAAAAAAAH ESSE CAPÍTULO É MUITO LINDO

— Você está pronto pra isso?

— Eu estou esperando por isso há muito tempo!

— Por isso tô perguntando. É uma vida nas suas mãos, não pode estar nervoso do jeito que está.

— Eu não vou deixar minha filha cair, Sehun!

Depois de algum esforço, consegui convencê-lo. A enfermeira me trouxe minha bebê e me passou com cuidado. Eu segurei-a pela primeira vez, e nunca tinha me sentido tão feliz. Eu passei um longo tempo admirando-a em meus braços, enquanto Sehun terminava de resolver as últimas burocracias.

Antes de deixarmos o hospital, aconteceu um tipo de visita inversa. Alguém queria muito conhecer a Sunghee, mas não podia vir até ela. Sehun nos levou até o quarto onde vivia sua prima mais nova.

Conhecer Oh Michung me deixou encantado. Mais uma vez, a vida me mostrava a sorte que eu tinha. Eu tinha tudo que eu poderia querer naquela época em que não soube dar valor às coisas mais importantes. Eu tinha família, amigos, saúde, e eu deixei tudo isso para trás. Desisti de viver. Mas aquela menina, mesmo morando dentro do hospital, sem poder andar e correndo o risco de morrer a qualquer minuto, não deixava sua alegria acabar. Ela ficou muito feliz em conhecer nossa bebê, e desejou que sua vida fosse repleta de coisas boas.

Eu saí do quarto prometendo a mim mesmo que continuaria visitando Michung quando o tempo desse uma brecha. Por último, colocamos no carro a bolsa da Sunghee e nossa primeira remessa de leite. Eu fui atrás, levando-a. Na frente, Sehun foi com a recomendação de dar um tapa em Namjoon toda vez que ele passasse dos 40.

— Seja bem-vinda à sua casa, minha princesa — eu disse quando entrei com ela.

Deixei-a com cuidado no bercinho que estava montado havia algumas semanas.

— Vai pra casa, Sehun — eu disse. — Você precisa dormir.

— Vocês também. Mas alguém tem que cuidar dela.

— Eu fico com ela enquanto o Jin Hyung dorme. Você pode ir. Já fez muito pela gente. Nós nunca poderemos agradecer por tudo isso.

Depois de insistirmos um pouco mais, Sehun foi para casa. Namjoon me convenceu a tomar banho para dormir e ficou com ela.

Fiquei algum tempo de molho para tentar relaxar. Já tinha anoitecido quando eu saí. Namjoon contou que tinha visto o vídeo que estava no pendrive e recomendou que eu fizesse o mesmo.

— Tem um vídeo para cada um. Sehun disse que já assistiu o dele.

Fui direto para o computador. Essa questão me deixou um pouco mais curioso. De fato, o pendrive continha vários arquivos de vídeo nomeados: para-jin, para-meus-pais, para-nam, para-o-time, para-pd, para-sehun, para-sunghee. Coloquei os fones e assisti o meu vídeo. Logo a vi, tinha acabado de ligar a câmera.

— Começando o vídeo para o Jin Oppa. Acho que esse será um dos mais difíceis. Eu não sei se tenho tanta coisa para dizer, porque tudo me parece muito óbvio, mas vale à pena reforçar. Vale à pena lembrar a você que, independente do que acontecer, você é especial. Eu sei que te magoei, mas nunca tive essa intenção. Você é muito importante pra mim e eu quero muito que seja feliz. Isso nunca aconteceria ao meu lado, é claro. Nós não nascemos para ser um casal, mas eu sempre senti você como um irmão mais velho. Eu não sei explicar o que sinto por você, mas é algo extremamente profundo. Bom, eu não sei se a Sunghee vai sobreviver, nem se eu mesma vou sobreviver, e é por isso que estou fazendo isso, também. Não só para dizer essas coisas, mas para dizer que eu sei que você vai cuidar da nossa filha. Eu percebi que você aprendeu a amá-la, mesmo sem ter nenhuma obrigação com relação a ela. Eu estou apaixonada pelo pai que você vai ser, Jin Oppa. E… Bom… Por último… Como eu disse, você nunca seria feliz se eu fosse sua namorada. Eu não sei se vou embora, mas não posso, de jeito nenhum, ir sem deixar você perceber que a pessoa que você ama está do seu lado. Eu já notei isso há muito tempo, e achei que vocês dois finalmente tivessem percebido naquela festa… O Sehun me contou tudo que aconteceu lá, né... mas tudo continuou igual e eu não entendi o porquê. De qualquer forma, se ainda não entendeu, não posso partir sem fazer você se dar conta disso. Você e o Namjoon Oppa foram feitos um para o outro, e acredite, eu não diria isso se não tivesse certeza. Todos os meninos foram embora e talvez eu também vá, então aproveite que você ainda está com ele. Tudo tem um motivo. Talvez o destino esteja dando uma chance para vocês serem o que realmente são. E… acho que é isso. Tenho que gravar os outros vídeos agora. Fighting, Jin Oppa.

Yumi desligou a câmera. Eu estava paralisado. Primeiro, porque ela aparentemente já tinha uma ideia de que poderia morrer, e de que poderia levar a Sunghee também. Segundo, porque ela tinha deixado bem claro para mim que aquilo tudo da festa não foi um sonho… Foi real. Eu estava bêbado, mas era exatamente isso. Estávamos sem o maldito filtro que a sociedade colocou em nós, e esse filtro não precisava existir. Tínhamos permitido que aquelas coisas que todo mundo dizia se manifestassem para nossas vidas: mesmo quando não devíamos nada a sociedade, mesmo no conforto da privacidade, nos retraíamos. E não precisamos de nada daquilo.

Tirei os fones e olhei ao redor. Tudo parecia diferente a partir daquele momento.

— Nam?

Ouvi a voz abafada no banheiro. Ele tinha acabado de entrar no banho.

Sunghee começou a resmungar aos pouquinhos e do nada estava chorando. Eu fui ao quarto dela, a peguei no colo e tentei acalmá-la durante algum tempo, mas não estava funcionando.

— Será que está com fome? — me perguntei, e fui para a cozinha.

A mamadeira vazia estava em cima da pia. Aparentemente, Namjoon já a havia alimentado. Percebi que ela deveria estar com sono e tentei fazê-la adormecer. Passei alguns minutos tentando, mas ela chorava constantemente. Finalmente, ouvi a porta do banheiro abrir e os passos do Namjoon para o nosso quarto. Ele ficou um tempo lá, até que apareceu.

— Não estou conseguindo fazer ela se acalmar — confidenciei. — Acho que ela está com sono.

— Deixa eu tentar.

Namjoon pegou Sunghee com cuidado. Para isso, ficou bem perto de mim, o que por si só era o suficiente para fazer algo se mexer em meu interior, mas depois do que a Yumi disse, a presença dele era ainda mais inquietante. Ele balançou-a calmamente, parecido com o que eu estivera tentando fazer. Não surtiu nenhum efeito instantâneo, mas ele começou a cantarolar uma música. Demorei um pouco para me lembrar, mas era uma música do Jungkook, que Yumi vivia cantando. Tinha estudado uma vez que os bebês só ouvem a mãe quando estão na barriga, e tudo externo é estranho a eles. Não tínhamos a voz da Yumi para cantar, mas ao menos a música deveria fazê-la se sentir um pouco melhor. Namjoon continuou andando com ela pelo quarto, cantarolando e mexendo-a levemente. Quando eu notei, ela já tinha adormecido. Eu fiquei chocado.

— Parece que você leva jeito com bebês, Nam. Quem esperaria isso do deus da destruição?

Namjoon traçou um sorriso enquanto colocava-a de volta no berço.

— É, acho que eu faço isso bem. Coloquei um bebê para dormir, agora falta o outro bebê.

Eu nem percebi o que aconteceu. Namjoon me pegou tão rápido que só fui me dar conta quanto estava deitado em seus braços.

— Que isso, Nam? — perguntei, ainda um pouco chocado.

— Ué, acabei de dizer — ele andou devagar para o outro quarto. — Vou colocar um bebê para dormir.

— Mas temos um monte de coisa pra fazer ainda…

— Você tá quase caindo de sono, hyung. Depois desses dias todos sem dormir direito, era de se esperar. Amanhã damos um jeito nisso. Você viu o vídeo?

— Vi — eu prendi o riso de nervoso. Obviamente, imaginava que ele tivesse encontrado no vídeo dele algo semelhante à parte do meu vídeo que se referia a nós dois. Para onde o destino estava nos conduzindo? Eu tinha um pouco de medo, mas ainda assim, estava ansioso pelo que poderia acontecer. Eu olhava bem para Namjoon, com os braços naturalmente entrelaçados em seu pescoço. Ele olhava para o caminho como se não estivesse acontecendo nada demais. — Eu vi o vídeo, mas… Eu ainda preciso que você olhe para mim e me diga que o que aconteceu naquela festa não foi um sonho.

Namjoon olhou para mim com uma expressão que eu não sabia identificar, mas eu percebia um pequeno sorriso se formando. Ele me colocou na cama com cuidado e, enquanto me deitava, disse.

— O sonho começa agora, hyung.

Ele se inclinou sobre mim e me beijou, o que me pareceu extremamente natural, apesar da novidade. Minha vontade era que a ficássemos nos pegando a noite toda, mas eu não tinha energia pra mais nada. Nos beijamos só por um tempinho, até que Namjoon deitou na cama, também exausto, e dormimos abraçados.

Notas finais
MEU NAMJIN NINGUÉM SAI Viu? Por isso que eu tava ansiosa kkkkkk