Me apaixonei pelo vampiro que não era meu destino
3 Primeira semana - Ou o fiasco dela.
Dorian havia levado Katheryn para uma loja feita para vampiros e eles compraram um vestido destinado a ser usado no baile no dia da transformação de Wendy, a fim de mudar a visão de Adrian, nem que fosse de última hora.
Após chegar à mansão Nightvale, Dorian não soltou Katheryn de suas costas, mas sim a colocou sobre a cama e retirou sua camisa com uma pressa calculada. Por dentro, ele estava saboreando o gosto de ver o olhar espantado e envergonhado da mulher à sua frente, que ia cada vez mais para trás na cama. Por um momento, achou que ela ia cair, mas se fosse seria ainda mais cômico para ele, um vampiro que esquece que sua empregada é uma simples humana e poderia se machucar. Enquanto ele dava às costas, Katheryn praguejava em sua cabeça, endemoniando Dorian mais do que ele era. Em um gesto rápido, ela tirou a camisa de seu rosto e colocou a camisa alheia na mão, ia colocá-la no cesto de roupas sujas para lavar no dia seguinte.
Por conta do susto das ações alheias e ter que colocar a roupa no cesto, a mulher sentiu sede e desceu as longas escadas da mansão a fim de ir até a área de lavagem, no entanto, pensou em ir na cozinha primeiro, para tomar um copo d'água e desacelerar seu coração.
Ao chegar, ela teve a boa surpresa de se encontrar com seu senhor Adrian, ela mal podia esperar para começar a vestir as roupas favoritas dele e mudar sua atenção de Wendy para si. Ela fantasiou por um momento antes dele se virar, aparentemente de bom humor, ele sorriu amigavelmente para Katheryn, e ela se derreteu, sem conseguir falar nada. Ele ia embora quando ela o chamou “Sr Adrian?” Ela disse.
— Sim?
O vampiro parou e olhou para trás, diretamente no rosto dela, mais específicamente em seus olhos. Adrian gostava de reparar nas micro expressões das pessoas, principalmente se elas fossem humanas como Katheryn. A longevidade da vida vampírica faz você aprender a esconder muito bem os sentimentos e as reações sobre eles, talvez esse fosse o motivo dele ser tão frio, além de seguir a regra de “não se envolver com sentimentos humanos, principalmente com os empregados da manon” à risca.
— Quando Alex chega? Estou me sentindo muito cansada.
— Ele chega às 10 horas, senhorita. No total, se for dormir agora como nós, terá 5 horas de sono. Recomendo que se deite logo.
— Ah, sim… Eu só vim beber um pouco de água.
Ela não mentiu, e ele percebeu a verdade em seu rosto, ficando minimamente contente que havia alguém como ela trabalhando em sua manon. Por outro lado, Katheryn continuava a sentir seu rosto quente e as palpitações rápidas. Isso foi o suficiente para Adrian se aproximar um pouco mais, para ele, aquilo era só cuidado com empregado, já que, se ela ficasse doente teriam que arranjar alguém para substituí-la de última hora, o que seria péssimo. Primeiro ele tocou na testa dela com cuidado, o sentiu quente e como havia muito, mas muito tempo mesmo, que ele não era humano, a primeira coisa que cogitou foi febre.
— Está com febre? — Tudo que ela conseguiu fazer após aquele toque repentino foi balançar a cabeça negativamente, diversas vezes, o suficiente para parecer estranha. Adrian arqueou a sobrancelha, não entendia o que estava acontecendo com a humana. Ele notava as coisas rápido, então, já tinha reparado que Katheryn segurava a camisa de seu irmão, que foi desvendada por conhecer as roupas do mais velho e pelo seu cheiro característico de flores noturnas, já que ele passava tempo demais no jardim. — Por que está segurando a camisa de Dorian?
— Ele me deu para lavar. — Não era totalmente mentira, só não podia contar o detalhe que ele estava em seu quarto quando tirou a própria camisa. — Mas senti sede e resolvi passar por aqui primeiro.
— Certo… Ele poderia só ter levado sozinho até lá. Não se deixe ser perturbada por ele, parece até que a vitalidade dele só funciona quando quer, e não porque é um vampiro totalmente funcional.
A senhorita não pôde deixar de soltar uma risada, mesmo que baixa, para o que Adrian havia falado, porque ela concordava com as palavras alheias totalmente.
— Não se preocupe, só nos encontramos por acaso no meio do salão e ele preferiu que eu levasse a blusa, para que pudesse ir se deitar o mais breve possível. Já está amanhecendo, vou tomar um copo d'água, levar a camisa até o cesto, tomar banho e me deitar, como vocês.
— Tudo bem, faça isso. E… — Adrian pareceu desconfortável de repente, como se estivesse agoniado. Ele mexeu na nuca, um gesto pacificador para si mesmo. — Não comente com ele sobre o que viu no meu quarto… Mesmo que Wendy não seja uma empregada, é proibido levar humanos aos nossos aposentos. Não se sinta totalmente mal, seu único erro foi ter entrado sem bater. Não entendo o porquê de a senhorita ter feito isso, era urgente? És sempre tão cuidadosa…
Katheryn sentiu sua respiração falhar, e sabia que Adrian sentia tudo também, seus sentidos aguçados podiam captar o barulho do seu coração, o sangue quente que se espalhava em seu corpo, a respiração levemente descompassada por uma simples menção.
— Não, não era urgente, apenas fui descuidada. Desculpe-me novamente.
— Bom, como nunca foi cometido antes, esse pedido de desculpas será aprovado. Fique ciente que, se chegar a acontecer novamente, mesmo que não seja comigo, e é claro que estou me referindo ao meu irmão mais velho, terá punições.
Ainda bem que ele não sabia que ela já tinha quebrado uma das regras horas atrás, indo ao jardim com Dorian por lá após a meia noite.
— Entendo, não será difícil, foi só um descuido que não pretendo cometer, porém não foi de propósito, sabe? — O mais novo assentiu com a cabeça, não era de falar muito. — Enfim… Não irei mais ocupar seu tempo, ambos temos que descansar.
— Bem notado. É por isso que eu gosto da senhorita, Katheryn. Suas obrigações são sempre bem cumpridas, és, sem dúvidas, uma das poucas boas serventes que sobreviveram nessa residência. Estou indo, até mais tarde, senhorita.
Katheryn só prestou atenção no “gosto da senhorita”, após isso, seu cérebro ferveu e foi desligado. Ela deu tchau atrasado com a mão destra, ele já estava de costas quando isso aconteceu.
“Por Deus, este homem ainda vai me fazer infartar…”, pensou, pegando um copo e abrindo a torneira, deixando encher até a metade, que era o suficiente, e tomou a bendita água. Feito isso, ela lavou a borda do objeto e o colocou no porta copos para secar e foi embora para a lavanderia da mansão. Ao chegar, uma onda de curiosidade a afetou, ela queria saber se o cheiro de humano que Dorian estava falando era seu próprio cheiro, isso explicaria o porquê ele a evitava tanto, parecendo sempre ser um erro cometido ao ser contratada. A mulher aproximou a blusa do irmão vampiro mais velho do nariz, fungando.
— Aqui só tem cheiro de mato! Que babaca.
Jogou a camisa no cesto. Estava mais calma, seu coração batia em um ritmo comum, sua respiração parecia estável e seu rosto não mais queimava.
Subiu as escadas até seu quarto que, no momento, oferecia memórias de tormento. Respirou fundo e seguiu até o banheiro, tirando peça por peça até que estivesse nua e entrou na banheira com água quente, em Staten Island, Nova York, estava na época fria.
Terminado o banho, se secou completamente duas vezes, não queria uma gotícula de água que fosse sobre sua pele durante aquele frio, mesmo que em seguida fosse se vestir, como fez. Sua camisola era simples, branca, mas era medieval, tinha sido um presente de Adrian após os 2 anos de serviços bem prestados.
Katheryn se deitou na cama ainda gelada por não ter nenhuma fonte de calor, ela sentiu uma onda de eletricidade passar por todo seu corpo, era frio. Com o tempo ela se acostumou aos lençois, contudo sua mente ainda a mantinha acordada, pensando. Entre alguns de seus pensamentos estavam a proposta de Dorian, o jeito carinhoso que Adrian tocou sua testa e disse gostar dela, ao mesmo tempo que fora atingida com a verdade sobre Wendy e seu amado. Suspirou pesado e decidiu que aquele era só o começo. Otimista, pegou no sono rapidamente.
{...}
O som do alarme acordou a humana com certo desespero, não sabia o porquê de Dorian ter comprado um relógio tão alto como presente de dois anos de serviços prestados, só podia ser por implicância.
Revirou os olhos e esperou até que o som fosse silenciado.
Mesmo com a regra de não entrarem em aposentos humanos existindo, ela era obrigada a deixar a janela e as cortinas fechadas, ou seja, ela tinha que usar luz elétrica, e agradecer que eles dois eram vampiros “atualizados”, se não ela teria que acender uma vela para poder enxergar o cômodo e o resto da mansão, o desgosto era tamanho só de imaginar o quão chato seria sair carregando uma vela por aí para todo lugar que fosse.
Se retirando da cama, a moça se vestiu como sempre, uma roupa comum de 2019 e um tênis all star, ela era mesmo um contraste com a moda da mansão.
Indo ao térreo ela encontrou Alex, o humano que também trabalha para os irmãos Nightvale, mas na parte do dia. Ontem ele havia faltado, e era exatamente isso que a deixou tão cansada do dia anterior, afinal trabalhar dois turnos em uma residência tão grande era difícil para um humano só.
— Bom dia, Alex. — Entrou na cozinha onde ele preparava ovos mexidos e bacon para os dois. Alex era um espírito livre, mas cheio de intenções, como a de se tornar um vampiro logo, apesar de já estar nessa há 10 anos. Dorian diz que vai transformá-lo, e até parece que era verdade vindo dele, ele estava tirando proveito da serventia e vontade de Alex para o manter na mansão trabalhando. — Está cheirando bem! — Se sentou a mesa, havia apenas duas cadeiras na cozinha, diferente da sala de jantar, onde havia várias cadeiras na mesa e duas poltronas, onde geralmente estava manchado de sangue humano. — Como você está hoje?
— Estou bem, senhorita. Só precisei de um dia para descansar, em breve, aos 11 anos de serviços, como prometido pelo Sr Dorian, eu serei transformado e não precisarei me preocupar com um corpo tão frágil.
Alex fazia o máximo para se encaixar nos padrões vampíricos, enquanto Katheryn se vestia de forma moderna, ele preferia trajes góticos, tanto para impressionar os senhores, quanto para se sentir um deles. Ela sempre dava risada quando era chamada de “senhorita” por ele, é inevitável.
— Com certeza…
Sarcasmo escorrendo como baba pela sua boca, isso porque Alex era bobo demais para perceber que era mentira, apesar de ter 35 anos.
A comida ficou pronta e ele serviu os dois, que batiam papo sobre como havia sido cansativo para Katheryn no dia anterior. Assim que terminaram de comer, Alex foi fazer as tarefas domésticas que a outra tinha deixado para ele.
{...}
O vampiro mais velho se levantou às 15 horas, tendo dormido no total 10 horas de sono, ele desceu cada degrau da escada dando bom dia para os quadros dos seus ancestrais como de costume, logo Adrian apareceu e fez o mesmo. Ouvia tanto bom dia pela tarde que se esquecia do horário normal de um ser humano, e ainda era em uníssono, para melhorar a situação.
Katheryn e Alex esperavam no fim da escada, quietos e pacientes, aguardando as ordens do dia, como mais velho, Dorian começou.
— Quero sangue AB de café da manhã, e daqui três dias, 3 pessoas para sugar o sangue. Tem de ser à noite.
— E virgens.
Acrescentou Adrian.
— Para mim, tanto faz.
Como sempre, Adrian ficou preso aos costumes antigos de consumir sangue diretamente de humanos que fossem virgens. Parece que não, mas era muito difícil conseguir humanos virgens em New York.
Ambos tinham que ter vários amigos para garantir alimento aos seus senhores, apesar deles saírem às vezes para caçar durante a noite e garantir sua própria alimentação.
Alex olhou para Katheryn com certo desespero, três virgens eram demais, aonde eles conseguiriam isso? Geralmente, eles pesquisam na internet por pessoas que comentam em fóruns onde há exclamações de serem virgens e quererem perder a virgindade.
— Vamos ver o que conseguimos fazer.
— Sei que vai dar um jeitinho, Kat.
Dorian piscou para ela, a deixando secretamente furiosa por dentro, enquanto davam espaço para ambos passarem e irem até a sala de jantar, beberem as bolsas de sangue.
Onde conseguiram? Bom, Alex aproveitou bem sua juventude e fez faculdade de enfermagem, assim, tendo acesso ao banco de sangue do hospital que trabalha de plantão.
— Sr Dorian, sobre minha transformação… — Começou Alex, sabendo que Dorian odeia falar pela manhã, ainda mais quando estava se alimentando após o jejum. Dorian mostrou as presas para ele, um sinal para parar de falar e se afastar. — Sinto muito, sinto muito.
E se recolheu no canto junto com Katheryn, que servia sangue O negativo na taça para Adrian, já que o primeiro a ser servido era sempre Dorian, por Alex.
Terminando a refeição cada um foi para um lado, Adrian foi para a biblioteca, enquanto Dorian se sentou na poltrona da sala de estar. Antes que a humana pudesse dar um passo para fora de sua vista ele a chamou com o dedo indicador, nada discreto.
— Sim?
Se aproximou, esperando algo como sugestão de serviço.
— Que merda de roupas são essas? E esse tênis? Kat, você não aprendeu nada ontem?!
Ela ficou surpresa com a ousadia do vampiro, vez ou outra ela esquecia da personalidade dele. A única diferença é que agora, além de olhá-la em silêncio como se fosse um erro, ele estava até mesmo reparando em suas roupas.
— Mas Senhor… Não foi comprado nenhum outro vestido para que eu pudesse usar…
Ela sorriu falsamente, em desespero. Já Dorian massageou a têmpora, como se fosse capaz de sentir dor de cabeça, mas era só estresse mesmo.
— Toma. — Arrancou um dos anéis de ouro de seu dedo e esticou para que Katheryn o pegasse, assim feito, ele finalmente olhou para ela. — Compra alguns vestidos e troca de roupa assim que chegar. Se eu te ver assim de novo, você será demitida. Ah, e compre sapatos também. — Fez uma pausa, soltando um suspiro, voltando a olhar para a lareira acesa sem sentido algum, como se estivesse sentindo todo o frio que tinha lá fora, apesar de morto. — A senhorita é inacreditável. No sentido ruim, convenhamos.
— Já acabou, senhor Dorian?
— Sim, vá comprar suas roupas. Agora.
Ordenou, então a humana voltou ao seu quarto e se vestiu ainda mais pesado para enfrentar o frio fora da mansão. Abriu a porta de entrada após conferir que nenhum dos dois irmãos estavam por perto, principalmente Adrian, ela não queria machucá-lo, muito menos matá-lo, já se fosse Dorian…
{...}
Passou, no mínimo, 5 horas na rua. Além de cheia, as lojas góticas ficavam distantes umas das outras, como se fosse de propósito. Comprou vestidos, sapatos, maquiagens, perfumes e acessórios góticos, seus braços agora cheios de bolsas que mal conseguia segurar. Parou em frente a calçada e esticou a mão para pegar um táxi, rapidamente um parou e ela entrou no carro, tendo que pagar sua própria passagem de ida, havia sobrado dinheiro, mas resolveu que pouparia para outro dia.
O táxi parou em frente a mansão, estranhando o quão sombria ela parecia, além de estar em construção sempre que passava por aquela rua.
Katheryn agradeceu e saiu com dificuldade do veículo, entrou pela porta dos fundos, pois lá não pegava sol, e seria uma forma discreta de passar, pois bem, mesmo com o peso ela chegou intacta até seu quarto, e colocou toda bagunça ao lado da cama, decidindo que deixaria tudo para mais tarde. Em seguida, pegou o celular na mão e com a internet móvel — Pois os dois vampiros desconheciam a tecnologia — procurou sobre maquiagens de estilo dark. Assistiu à quantidade que conseguiu, fosse tutorial no YouTube ou no Instagram e se levantou pronta para se tornar visível.
Durante aquela semana fez as maquiagens dark, vestiu cada vestido novo, borrifou cada perfume diferente e pisou com confiança com todos os sapatos.
Dorian, secretamente, estava achando aquilo divertido, poder moldar alguém daquela forma, para ele, era, no mínimo, excitante. Ao decorrer da semana ele ficou impressionado com as roupas que Katheryn vestia.
No sábado, último dia da semana, Katheryn se vestiu mais uma vez naquela manhã. O look é totalmente gótico invernal, com uma estética elegante e sombria.
A peça principal é um casaco longo preto, de comprimento até quase os tornozelos, com corte ajustado na parte superior e levemente evasê na saia, criando uma silhueta marcada. O tecido é pesado, ideal para o frio que estava fazendo dentro e fora da mansão. Seu destaque está nos detalhes de pele sintética preta, que contorna toda a abertura frontal do casaco, formando uma linha vertical central volumosa, em seu interior e na borda do capuz grande e felpudo, nos punhos, acompanhados por fivelas metálicas decorativas, que adicionam um toque alternativo. A parte frontal do casaco possui fechamento discreto, com botões escuros quase imperceptíveis. Nos pés, ela usa botas pretas de plataforma alta, com salto grosso e cadarço frontal, além de uma fivela lateral, reforçando o estilo gótico. Seu perfume era de rosa negra, para vampiros como Dorian, que amava o jardim, chamava a atenção, porém até agora Adrian não havia comentado nada sobre sua mudança visual durante toda a semana.
No café da manhã dos vampiros, o mais velho bebeu um pouco de sangue de sua taça e olhou para Katheryn de canto de olho. “Está impecável, do jeito que eu esperava”, pensou Dorian antes de se virar para o mais novo.
— Notou alguma diferença na mansão nesta semana?
Claramente ele estava se referindo às vestes da empregada, que mudou drasticamente o visual. Mas seu irmão o desapontou quando o olhou com indiferença e ergueu os dois ombros.
— Do que está falando?
É claro que Adrian sabia sobre o que era, ele é observador, sempre foi. E não era diferente com Katheryn, porém havia um limite ali, ele também sabia que ela gostava dele, e se demonstrasse qualquer tipo de afeição que fosse, estaria lhe dando falsas expectativas e não era quebrar o coração de alguém tão útil e gentil que ele queria, mesmo que tenha achado seu novo estilo bonito.
— Sabe o que é… Mentir pro irmão mais velho é feio, sabes bem ao que estou me referindo.
Adrian balançou a cabeça negativamente, “Cara de pau” Dorian repetiu em seus pensamentos — Havia aprendido essa expressão com Alex. O mais novo bebeu o líquido todo num gole só, não que faltasse muito para acabar, porém era sua forma descarada de dizer “Estou saindo fora dessa”. E, assim, saiu da sala de jantar. Deixando Katheryn, Alex e Dorian para trás.
Dorian esperou os passos de Adrian estarem longe o suficiente para mandar Alex sair, ficando no cômodo só a humana e ele, que se levantou e falou “Venha aqui” para Katheryn. A jovem foi, sem mais reações, o acompanhar até a sala de estar. Ao chegar, se escorou na lareira, e estranhou Dorian não se sentar em sua poltrona como de costume, dessa vez ele foi em direção a ela, se aproximando além do que a linha do limite estabelecido há séculos.
— Ele notou, só não disse nada para não se comprometer.
Sua voz era baixa, rouca e gélida contra o ouvido da humana, que sentiu o coração acelerar mais uma vez. Mesmo tendo 25 anos de idade nunca pensou em se envolver com nenhuma pessoa sem amar de verdade, e amar levava anos, pelo menos, era assim que ela pensava.
— Senhor, o que está fazendo? Está muito próximo…
Ele colocou o dedo indicador rente a boca quente de Katheryn, soltando apenas um “Shh”, enquanto sentia o cheiro do perfume ainda mais forte. Como Adrian podia fazer questão de não notar? Dorian estava impaciente novamente, e enfiou a cabeça entre o pescoço de sua serviçal, abrindo a boca quase que automaticamente. Katheryn colocou as mãos sobre o peitoral de Dorian, na intenção de afastá-lo, mas ele não se mexeu um centímetro sequer.
— Senhor…?! Minha peça está queimando!
Ele sentiu o cheiro de queimado subir, e se indagou porque ainda mantinha aquela lareira acesa. Retraiu a cabeça de volta ao normal, como se tivesse retomado a consciência. Puxou a jovem para frente e se abaixou rapidamente para apagar o fogo dando batidas na saia da peça.
— É mesmo uma pena… — Katheryn não sabia dizer se era da roupa ou da reação de Adrian que o mais velho estava falando, estava fazendo o possível para ignorar o que quase aconteceu. — Por que está com o coração tão acelerado, Kat? Achou que eu ia te transformar em vampira?
— Eu…? Não… — Ela disse engasgada, afastando o pensamento da respiração gelada de Dorian tocando sua pele quente. — É só que… Não deu certo.
Foi a forma que ela conseguiu para se concentrar, a verdade. Seu olhar não escondia a melancolia, por esse motivo, Dorian não se levantou em nenhum momento, permaneceu ajoelhado no chão ao seu lado, sem reação por um tempo. Ao se levantar ele bagunçou seu próprio cabelo, soltando um suspiro pesado. O clima definitivamente não estava bom.
— Como eu disse, ele percebeu, só se segurou. Confie em mim, ele e Wendy não vão durar. Agora… Vá trocar de roupa, essa está fedendo a queimado muito forte, e eu… Odeio cheiro de queimado, não suporto.
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