Me ame
1 Capítulo 1
A manhã de verão na pequena cidade de Cabreúva, no interior de São Paulo, era agradável. Em uma casa razoavelmente grande e amarela, uma mulher cozinhava um pouco para os filhos. Por eles estarem de férias, as crianças só apareciam em casa na hora de tomar café, almoçar, café da tarde e janta.
Aquela era Julieta Castro, uma mulher de 28 anos morena, cabelos pretos, lisos e meio ondulados nas pontas, olhos pretos e de corpo esbelto. Era uma escritora, mangaká e designer. Há dois anos, adotara duas crianças, um menino e uma menina, porém, não tinha namorado e nem era casada.
A morena ligou o rádio, onde tocava Under Pressure, do Queen. Ela rebolava alegre, como se houvesse ganhado na loteria, mas apenas estava feliz. Não tardou muito para um menino de seus 12 anos chegar. Ele era magro, razoavelmente alto, negro, de cabelos pretos bem encaracolados e olhos verdes claros.
- Que alegria hein mãe… — Ele disse, pegando Sucrilhos.
- Hihihi, desculpe João, mas não resisto! — Ela respondeu, ainda dançando. — Teve uma boa noite de sono filhão?
- Sim… — O negro murmurou, quase dormindo.
Ela sorriu, vendo uma menininha de 8 anos chegar na mesa. Ela era baixinha, pele negra, cabelos encaracolados, pretos e que ficavam na altura do ombro, seus olhos eram verdes escuros e a menina era uma tanto quanto magra. Os dois maiores deram bom dia para a pequena, que começou a comer seu café da manhã.
- Então Malu, sonhou com algo?
- Sim, eu sonhei que eu tinha um papai…
Julieta sorriu de lado, não era saideira, muito menos desesperada para arrumar alguém. Já tinha sua amiga de infância como companhia, afinal, a mulher vinha todo dia para papear. Não tardou muito para aparecer uma jovem de cabelos loiros, encaracolados e longos, pele rosada, olhos castanhos claros e um tanto quanto baixa.
- Mariana! Entra aí! — Disse a morena, sorrindo.
- Bom dia pessoal! Ah, criançada, a Sofia e o Mateus estão lá fora já indo brincar, não estão afim de ir?
As duas crianças sorriram, correndo para a rua onde moravam, deixando as adultas sozinhas. Julieta colocou o café em duas xícaras, deu uma para a loira e tomou a outra. Mariana sorriu de lado, queria muito falar com a amiga sobre o rapaz que queria lhe apresentar.
- Bem, eu e o André estávamos pensando em sair e chamamos um amigo dele, o cara é solteiro, boa pessoa, simpático, e bem charmoso! Que tal em Ju? Não acha que tá na hora de arrumar alguém? Ouvi muito bem a dona Maria Lúcia dizer que sonhou que tinha um pai.
- Obrigada pelo convite Mari, mas eu tô atarantada esses dias, tenho que terminar meu livro, entregar pra editora e…
- Julieta Castro, você não pode viver a vida só assim! — Protestou a menor. — Eu sei que, no passado, vivia falando de que nunca arrumaria ninguém e olhe só agora, tenho um marido que amo e dois filhos maravilhosos! Você já tem os filhos, mas eu aposto que eles também querem um pai! Principalmente o João!
A morena suspirou, tomando mais um gole de café e dando de ombros. Quando mais nova queria muito ter alguém para amar. Não que não quisesse hoje, mas não era este seu maior desejo. Ela se levantou, pegando as coisas da mesa e colocando para lavar a louça.
A maior tentava mudar o rumo da conversa, mas viu que não adiantaria muita coisa, já que a expressão severa da loira não mudava. Julieta apenas mordeu o lábio inferior, dizendo que iria. Mariana começara a dar pulos de alegria, finalmente convencera o ser mais teimoso deste planeta a sair um pouco.
- Bem, vamos sair amanhã, às 20:00, poderia deixar as crianças com os seus pais, que tal?
- Ou poderíamos deixar nossos filhos aqui em casa, o Mateus e o João já tem 12 anos, eles sabem se virar! — A morena comentou, fazendo a outra concordar. — Mari, vou ter que ir no mercado, quer vir comigo?
A menor assentiu. Ambas entraram no Palio 2009 azul escuro da escritora, conversando alegremente sobre coisas aleatórias, como os filhos, o trabalho, tudo que pudesse imaginar. Infelizmente, por estarem distraídas, acabaram por atropelar uma pessoa.
A morena parou o carro abruptamente, correu para fora e foi ver o homem. Ele tinha, aparentemente, sua idade, seus cabelos eram loiros-acastanhados, sua pele era rosada e seus olhos eram verdes. Julieta apenas o ajudou a levantar e o colocou no banco de trás do carro, desesperada.
- Mil desculpas! V-você está bem moço?
- S-sim… — Ele disse, dando um sorriso de leve. — Não precisa se preocupar…
- Calma, vou te levar no hospital! — Disse a escritora.
Mariana apenas observava a tudo, calada, como se conhecesse o homem. Ao chegarem no hospital, a morena ajudou o rapaz a ir para dentro do local e o médico os avistou, chamou os dois e ambos entraram num dos consultórios.
- O que houve?
- Bem, eu me distraí um pouco e acabei atropelando ele sem querer… — A moça disse, corando um pouco.
Depois dos exames, o doutor disse que o rapaz estava liberado, não houvera sequelas nem nada do tipo. Ao saírem do consultório, notaram que Mariana já não estava mais lá, coisa que Julieta estranhou, mas não reclamou.
- P-pra onde você tava indo moço?
- Pra minha casa. Ah, e me chamo Henrique! — Ele exclamou, sorrindo.
- Sou Julieta… — A morena comentou, envergonhada. — Eu te dou carona, é o mínimo que posso fazer!
Ele franziu o cenho, parecia conhecê-la de algum lugar, mas não sabia de onde. Ambos entraram no carro e a moça aproveitou para ligar para a amiga, saber onde a mesma tinha se enfiado. O rapaz apenas observava o horizonte, enquanto as amigas conversavam.
Quando desligou o telefone, ela o encarou, ainda tímida e envergonhada por tê-lo atropelado. Foi então que o mesmo quebrou o silêncio.
- N-não precisava me dar carona…
- Eu te atropelei, dar carona é o mínimo! — Disse a jovem. — Onde você mora?
- Rua Altair Tavares, número 125. Você não me é estranha… Já te vi em algum livro… Espera, você é Julieta Castro!
Ela deu uma risada baixinha, continuando seu caminho. Henrique ainda estava incrédulo, como não havia percebido que a jovem ao seu lado era a escritora e mangaká que tinha uma certa admiração. A morena continuava a prestar atenção nas ruas, enquanto o silêncio era incômodo.
- Então… O que faz da vida? — Ela perguntou.
- Sou professor de história no Colégio Marcondes. — Respondeu Henrique, notando que a mulher não possuía anel de compromisso em nenhuma das mãos. — Como é a sua vida pessoal?
- Normal, cuido dos meus filhos, escrevo…
Ele arregalou os olhos. Como ela tinha mais de um filho com só 28 anos e nem era casada ou comprometida, então, como ela tinha os filhos? A moça continuou a falar sobre seus amores, João e Malu. A cada palavra, o loiro-acastanhado ficava mais surpreso, coisa que não passou despercebido pela outra.
- Hihihi, desculpa, esqueci de falar que eles são adotados. — Ela riu com a cara do outro.
- Ah, agora faz sentido…
- Eu sempre esqueço de mencionar isso, mas nem teria como serem meus filhos de sangue, nunca me casei e bem... Deixa.
Eles não mencionaram muita coisa depois daquilo, ela o deixou em casa e foi finalmente para o mercado. Encontrou Mariana na porta do estabelecimento, ambas entraram conversando mais um pouco.
- Então, ansiosa?
- Mais ou menos, eu só estou indo porque VOCÊ insistiu!
A menor riu. Depois de pagarem as compras voltaram para casa. A loira olhou o horário, teria de ir para o seu trabalho na agência e deixaria a amiga, que trabalhava num estúdio, porém, estava ficando em casa na época de férias dos filhos. Adentrou a casa e começou a escrever seu novo livro: A Casa de Diana. Era um romance com mistério, coisa que a mesma tinha talento para escrever.
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