Me Rendo a Coroa
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Não sei como aquilo aconteceu, eu não conseguia mais dormir. Assim que li aquele bilhete o guardei dentro da caixa que veio junto eu o coloquei ali e corri do quarto gritando.
Alguns guardas vieram até mim, mas eu simplesmente os empurrava pra que saíssem do meu caminho, nada mais. Tudo o que eu queria era o meu pai agora. Comecei a gritar mais alto e assim que cheguei à sala de estar me encolhi na parede com a cabeça entre as pernas.
“Não... Eles não podem... Não podem...”
Eu dizia a mim mesma enquanto mais lágrimas caiam no meu vestido.
“Eles não vão estragar isso... Fique calma, tudo vai se resolver e Jordine será um lugar bem melhor, tudo bem?”
Tudo que fosse pensamento positivo poderia se encaixar nessa situação e me acalmar, mas só minhas palavras não estavam ajudando. Peguei a caixa em minhas mãos e a abri novamente relendo aquele recado.
– Meu Deus, minha filha, o que aconteceu com você?
Eu olhei pro lado e vi meu pai, ainda com o roupão de dormir ao lado da rainha Ellen, ele estava assustado e assim que me viu correu e me tomou nos braços, como quando eu perdi o Thomas... Ele me acalmou... Ele disse que tudo ficaria bem dali em diante... Mas não ficou.
– Pai... Eles vão atacar, vão sim... No meu casamento.
Consegui falar pela primeira vez e o semblante de meu pai ficou branco, ele me olhou como se não entendesse, então eu estendi o bilhete e assim que ele o leu colocou a mão na cabeça.
– Não pode ser... Não.
– Pai o que vamos fazer? – eu já estava desesperada.
– Eu não... Sei...
– Pai... Pai. PAI EU PRECISO DE VOCÊ! – ouvi passos acelerados vindo até nós e imaginei ser a Rainha, mas era apenas o Ethan.
– Tome-a, a leve daqui Ethan, tente acalmá-la – meu pai me entregou ao Ethan – Filha, nos vemos mais tarde, tudo bem?
– Não, eu quero ficar com você pai.
– Não, eu a proíbo. Vá para o quarto agora.
– Não pai. Não.
– Vá agora Sanye.
Nunca o vi tão bravo comigo, mas eu não tinha tanta culpa, o príncipe me segurou forte antes que eu corresse e me segurasse no meu pai. Eu estava me debatendo nos seus braços chorando enquanto ele me levava até o quarto. Mas não o meu, o dele.
– Me deixa seu idiota, eu quero sair daqui, eu quero falar com meu pai. – eu gritava e o chutava enquanto o Ethan me segurava na sua cama.
– Não Sanye, você vai ficar aqui. Como o rei mandou.
– Não, eu não vou. – consegui me soltar dele e correr até a porta, mas ele me puxou pela cintura e me beijou.
Mas isso só me fez chorar mais, eu pensava que ele estava escapando das minhas mãos... Não iria se realizar casamento nenhum, eu seria capaz de perdê-lo se um ataque acontecesse novamente. Assim como ele iria me perdendo naquele dia no aeroporto. O beijo estava com um gosto salgado por causa das minhas lágrimas, e tinha medo nele, muito medo.
– Por favor, fica calma... – ele pediu com a testa encostada a minha.
– Eu estou tentando... Eu estou... Mas não dá, não quando eu sei que se esse casamento se realizar eu posso te perder... – ele me abraçou forte e se deitou comigo.
– Você não vai me perder. – ele passou a mão no meu cabelo.
– E meus pais Ethan? Eu posso... – “meus pais” eu não devia ter falado isso agora, não agora.
– Ei mocinha, nada vai acontecer a nós entendeu?
– Você faz parecer fácil Ethan, mas não é...
– Mas é fácil. Temos guardas de sobra aqui sabia? E sabe, quando nossos reinos se juntarem seremos felizes para sempre.
“Felizes para sempre.”
– Não fala isso... Isto aqui não é um conto de fadas...
– Mas pode ser um dia. Pra tudo existe uma solução, Sanye, basta acreditar.
– Para Ethan... Para de me iludir, para de dizer que tudo vai ficar bem porque não vai. Tudo o que eu mais queria agora é que nós já estivéssemos casados e longe daqui. – eu comecei a chorar novamente e ele enxugou minhas lágrimas.
– San... O que aconteceu hoje na festa? Por que você estava tão triste?
Respirei fundo e comecei a contar o que a Marilyn havia me dito, no começo ele agiu como se aquilo fosse uma mentira, mas quando percebeu o quanto mal eu estava ele começou a acreditar.
– Isso não pode ser verdade, deve ser só a imprensa...
– Não. Você conhece os pais da Marilyn? Eles são os melhores amigos do meu pai. Eles são poderosos e de confiança. Ethan... Isso é verdade.
– Olha pra mim... – ele ergueu meu rosto – Você vai arrumar um tempo pra falar com seu pai. Nosso casamento é só daqui a três dias, terá bastante tempo pra resolver isso.
– E aquele bilhete que...
– Nada de pensar nisso – ele me beijou – Você agora vai tentar esquecer tudo isso, todos esses problemas e dormir.
Fechamos nossos olhos e eu tentava pensar em coisas boas... Mas nada vinha a mente. A única coisa que eu poderia dizer era:
– Ethan...?
– Hm? – ele murmurou.
– Eu te amo.
– Eu também te amo muito.
– Vai ficar tudo bem não é? – ainda mantinha os olhos fechados.
– Vai sim. – ele beijou minha bochecha e me abraçou, depois de um tempo, eu dormi.
Eu estava despertando lentamente, a luz forte do sol estava me cegando. Estiquei-me e passei a mão onde o Ethan deveria estar. Deveria.
– Ethan? Cadê você?
Sentei-me na cama e ouvi a porta abrir, era ele trazendo um copo com café e biscoitos.
– Acordou melhor? – ele me entregou a xícara.
– Acho que sim... Onde está meu pai?
– Trabalhando em alguma coisa pra que tudo saia perfeito no casamento.
– Eu posso vê-lo?
– Pode, mas nesse estado não. – ele sorriu apontando meu cabelo e minhas roupas.
Eu devolvi o sorriso enquanto terminava de comer. E assim que acabei fui tomar um banho, deixar que todas as cargas negativas em mim fossem embora, talvez tenha funcionado. Me troquei e fui de encontro ao meu pai.
Não era necessário descer as escadas já que a sua sala ficava no quarto ao lado do seu.
Bati na porta e ouvi uma resposta de “pode entrar.”
Assim que abro vejo vários papéis em cima da escrivaninha de madeira, um abajur ligado. Meu pai está com olheiras, talvez não tenha dormido.
– Papai eu...
– Não diga nada minha menina. – ele levantou o rosto cansado.
– O que estava fazendo?
– Contratando segurança extra. – ele disse com convicção e eu me sentei.
– Pai se o senhor não achar seguro não faremos casamento nenhum.
– Não. Esse casamento vai se realizar sim.
Ficamos em silêncio enquanto eu o via preencher várias papeladas, enfim criei coragem pra soltar a pergunta presa na minha garganta.
– Quem é minha mãe de verdade?
Ele soltou os lápis em cima da mesa e sua respiração ficou acelerada. Eu sei que não era o momento, mas eu tinha que falar.
– A Ellen. – ele mentiu.
– Eu falei minha mãe de verdade.
Estava segurando lágrimas, não podia me mostrar fraca.
– Como? – foi só o que ele disse depois que me olhou nos olhos, que possuíam lágrimas.
– Não importa. Só quero saber quem? E por que não me contou?
– Não é o momento... – ele falou
– Pai se esse não é o momento o momento deveria ter sido aquele a uns dez anos atrás. – aumentei a voz.
– Se quer saber quem é. Ótimo. Você vai. Mas não agora.
Ele se levantou e foi saindo da sala, porém dizendo antes:
– No jantar.
E foi embora.
Já era tarde e eu estava roendo unhas para esse jantar. Não estava me segurando de ansiedade e medo.
Antes de descer eu passei no quarto do Ethan pra que ele me acompanhasse, esperei só um pouco até ele se trocar e descemos.
A mesa estava como sempre farta, a iluminação baixa e algumas velas na mesa. Todos estavam lá, os pais do Ethan e o meu pai, junto a Rainha Ellen que não me olhava na cara. Curvamos-nos e sentamos.
Eu estranhei o fato de que meu pai convidou o Rupert e a Rachel para jantar conosco, eles deviam saber de algo... E nunca me contaram.
Assim que acabamos meu pai tomou a voz:
– Peço que vocês se retirem, por favor. – ele se dirigiu a rainha Anabela e o rei Adalard. Eles assentiram e foram embora – Você também príncipe Ethan.
– Não. Ele fica. De um jeito ou de outro vou contar tudo a ele depois. – tomei a vez e meu pai deu de ombros.
– Tudo bem. Espero que não estranhem essa reunião, mas finalmente chegou a hora da Sanye saber de toda a verdade.
Eu vi a Rainha Ellen ficar paralisada e a Rachel suspirar alto. O Rupert não se movia, tudo agora iria mudar.
– Que bom não é? – a rainha sorriu – Quem vai começar? – ela olhou para a Rachel que estava pálida.
– Eu. – meu pai falou.
– Majestade eu... – a Rachel falou, mas a rainha levantou a mão para que ela se calasse, e eu peguei na sua mão e a olhei nos olhos.
“Ela é assim mesmo.” – disse e a Rachel sorriu.
– Sanye, creio que você se lembra da nossa conversa quando eu disse que...
Ele não precisou terminar e eu assenti.
– Pois bem, a mulher com quem eu me envolvi não sumiu. E eu sempre soube onde ela está. E, pois bem – ele riu – Ela se encontra nessa sala.
De repente uma corrente elétrica correu no meu corpo, se não era a Ellen... A única que estava ali agora era a...
– Sim, a Rachel é a sua mãe.
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