Notas iniciais
“Let me walk through life with you, everybody dreams of having what we do. Like a rolling thunder you put me out from under. (Deixe-me caminhar pela vida com você, todo mundo sonha em ter o que fazemos. Como um trovão Rolling você me colocou debaixo...) – Heart on Fire, Jonathan Clay.”

– Fique calma senhorita. – ela pedia, porém eu não conseguia ficar calma.

– Ficar calma? Rachel eu estava precisando falar com você e do nada a senhorita para nos aposentos do rei?

– Peço humildes desculpas princesa. – ela abaixou a cabeça e eu percebi que fui muito rude com ela.

Cheguei perto dela e a abracei. Ela estava chorando.

– Rachel, o que aconteceu lá dentro?

– Nada senhorita. É que eu pensei ter lhe magoado então...

Deu pra perceber algo diferente na voz dela.

– Ah, Rachel... – a abracei mais forte – Não se preocupa com isso, você me conhece, sabe que mudo de humor assim, não chore entendeu?

– Certo senhorita. – ela enxugou as lágrimas.

– Quer saber como foi meu encontro? Com o meu “noivo”?

Ela sorriu.

– Se não for incomodo. Claro.

Convidei-a para sentar na cama comigo, mas ela relutou e puxou a cadeira. Sentou-se na minha frente. Falei cada detalhe a ela... Desde quando eu o beijei – mas que obvio, ela havia visto – Até o momento em que eu dei uma tapa no Ethan. Ela sorriu. Isso me fez pensar em pedir desculpas a ele antes de ir embora amanhã.

– Mas senhorita, isso foi desrespeito ao Príncipe, a senhorita pode ser punida.

Ela estava pasma.

– Mas Rachel, ele quis me beijar. Ele estava abusando de mim. – fiz cara de vítima.

– Mas senhorita...

– Calma, deixe-me acabar... Eu estava pensando nele antes de ir dormir...

– Awn, a princesa está gostando dele? – ela fez cara de anjo.

– Por favor, Rachel.

Ela riu. Nunca vi tamanha falsidade na Rachel. Sim, ela me escondia algo. O sorriso dela estava forçado. Como se tudo isso fosse para me deixar feliz. As mãos dela estavam paradas, as mãos que geralmente eram agitadas e que toda hora queria me fazer novos penteados.

Ela estava parada, literalmente, a única coisa que se mexia era seus lábios, pra sorrir ou falar algo.

– Rachel eu quero que vá para seu quarto e que se arrume, hoje vamos almoçar com a família real, vou dar um espairecida pelo palácio. Por favor, dessa vez, não suma.

Ela se levantou, curvou-se e saio do quarto.

[...]

Eu ainda estava de camisola, abri a porta do guarda-roupa e vi que alguém havia tirado minhas coisas da mala, Rachel, não me surpreende que eu tenha me acordado com a batida na porta. Separei dali um vestido simples, era bege e batia nos meus joelhos, com umas poucas pregas nele. Um decote V pequeno e alças.

Peguei minha sapatilha rosa, que era um pouco mais escura.

Penteei o cabelo e pus umas mechas pra frente e o resto do cabelo para trás. Decidi não usar a tiara. Fui até o criado-mudo e abri a primeira gaveta, minha caixinha de jóias ainda estava ali, um par de brincos perolados e uma corrente dourada.

Ao sair do quarto trombei com alguém.

– Ai. – falamos igualmente.

– Princesa Sanye! Quanta coincidência. – o Ethan se curvou para mim e eu retribuo.

– Até demais não acha? – sorrimos.

– Eu estava indo falar com você, na verdade, iria lhe chamar para um passeio.

Ele falou.

– Então eu aceito.

Ele deu o braço e eu segurei. Forte.

– Então, príncipe Ethan, eu quero lhe pedir desculpas, acho que fui um tanto agressiva...

– Não. A senhorita não tem que pedir desculpas. Eu que peço, fui atirado demais, nada desse tipo vai acontecer novamente.

Ele parou e beijou minha mão, confesso que fiquei envergonhada, mas sorri.

– Esses beijos eu posso aceitar.

No corredor que estávamos passando havia vários vasos. Uns que pareciam bem caros e outro que pareciam sem importância, um me chamou bem atenção por ser pequeno, e frágil por sinal. Eu quis tocá-lo, mas o Ethan me puxou.

– Não. Não quero que você corra o risco de quebrá-lo.

– Mas...

– Esse vaso foi um acordo de paz. Veio dos rebeldes, bem, tivemos que dar outra coisa em troca também. Por favor, não faça nada que possa danificar esse vaso.

– Vocês fizeram acordo com os rebeldes? – perguntei surpresa.

– Sim, eles não estavam nos deixando em paz, mas eu até os entendo. Eles são pobres, nos vêem como alguém que os humilha. Eles apenas querem seus direitos de igualdade.

– Então por isso que minha mãe quer que eu me case... Pra... Salvar Jordine...

Já havíamos atravessado o jardim e um carro nos esperava.

Um BMW Z4 Roadster. As características clássicas, como um capô alongado, pequenas saliências e posição baixa dos assentos. A proteção climática e o amplo pára-brisa de trás criam o clima de condução perfeito. Ele tinha uma cor azul, escuro, bem escuro. Os assentos eram de couro, e tinham uma cor neve. Eu não era muito fã de carros, mas simplesmente tinha amado aquele.

– Impressionada? – o príncipe destravou as portas e abriu pra que eu entrasse. Eu fiz isso.

– Nossa, eu estou sim. – e como estava.

– Eu ainda tenho mais carros. – ele entrou – Alguns dos meus preferidos são... Meu Jaguar... – ele ligou o carro – O Land Rover e o Lamborguini.

Ele deu a ré, e virou novamente.

– Devo dizer que eu não entendo essa língua, então... Continue falando porque eu realmente não estou prestando atenção. – ele sorriu.

– Princesa... Ah... Por favor, posso lhe chamar apenas de San? E você me chama de Ethan, que tal não ser da realeza só por esse dia?

Eu assenti.

– Bem, para onde estamos indo Ethan?

– Não sei, realmente... Que tal... Praia?

– Não, eu odeio praias.

– Parque?

– Já pensou nos paparazzi de lá?

– Visitar o Jardim Botânico? – ele riu.

– Ethan.

– Certo... Um cinema?

– Uma boa opção, mas... Como vamos passar despercebidos? As pessoas vão “voar” em cima de nós. – dei ênfase ao voar.

– Tenho meus planos.

Ele acelerou o carro e o vento em meu rosto foi a melhor coisa ali. Não saia muito do palácio, e se saia, os guardas sempre tinham que estar comigo.

E depois de muitas voltas e as piadas sem graça do Ethan – juro, ele era péssimo nisso, mas eu ria daquela idiotice – Chegamos.

– E agora?

Ele não respondeu, apenas estacionou o carro, e ali estava cheio de gente, o que ele estava pensando?

– Vem comigo. – ele saiu.

– Mas Ethan...

– Vem San. – ele me deu a mão e eu saio.

Até então ninguém para fazer perguntas ou tirar fotos, mas eu ainda estava apreensiva. Segurei no braço dele.

– Fica calma. – sorrio.

– Ah não. A qualquer momento alguém vai vim aqui...

Nós passamos pela porta, e fomos a bilheteria. Uma mulher nojenta – sim, e eu não estou exagerando – nos atendeu. Ela era gorda e tinha um sinal gigante na bochecha direita.

– Posso ajudar? – ela tinha os dentes amarelos e um dente meio estragado. Os cabelos eram sebosos, mas tinha uma cor bonita. Eram brancos...

– Sim senhora, duas entradas para o filme... Ahn... Qual o que esta passando neste exato momento?

– Far Away, do Chris James.

– Então duas entradas.

Eu achei graça a cara que ele fez ao receber os bilhetes da mulher. Acho que aquela senhora deu alguma piscadela pra ele.

Dirigimos-nos até a sala oito, o filme já havia começado. Sentamos-nos quase nos fundos, apenas quatro fileiras abaixo. A sala não estava muito cheia, mas tinha o suficiente.

– Espero que não demore muito, temos o almoço ainda. – ele disse.

– Pegamos o filme pela metade, então não creio que vamos entender muita coisa.

“Ah, Christian... Não me venha dizer que não me ama, porque eu sei que você me ama...”

– Que iludida não acha? – sussurrei pra o Ethan que riu.

– Ela deve estar desesperada.

“Anna, por favor, me dê um tempo... Sei que temos que nos casar, mas eu não concordo com isso...”

Me senti desconfortável. Com esse assunto perto do Ethan, eu queria era fugir dali. Olhei pra ele que tinha uma expressão suave, como se isso não fosse nada.

– San.

– Sim?

– Agora que eu percebi bem, você não tem nenhum objeto que lhe represente que é da família real não é?

– Não... – fiquei confusa – Por quê?

– Você deve ser louca, sabe que é proibido isso aqui. Todas as famílias tem um símbolo, você deveria obrigatoriamente ter o seu.

– Desculpe-me, ninguém me falou nada quanto a isso.

– Posso? – ele levantou um broche do seu bolso, o símbolo da águia.

Fiz que sim e ele colocou o broche em mim.

Delicado, ele foi gentil.

– Será que algum dia eu terei uma chance com você? – ele me olhou nos olhos. Ah, aqueles olhos claros. Meu Deus, era uma tentação.

– Ethan... Eu realmente não sei se...

Ele colocou a mão no meu rosto e eu virei para o filme novamente.

[...]

Depois de horas em silêncio o filme acabou.

– Gostou? – ele perguntou.

– Não, nem um pouco. Precisamos nos programar antes de sair assim mais uma vez.

– Eu concordo com você. Que filme chato.

A viagem de volta foi rápida, não nos falamos muito.

– Obrigada, amei o passeio. – dei um abraço nele.

– Princesa, sua educação mudou tanto...

– Quer que eu seja como ontem? Tudo bem, eu aceito.

– Não, meu rosto ardeu a noite toda.

– Você mereceu. – dei de ombros.

– Então obrigado.

Subi as escadas sorrindo, e ia me preparar para o almoço. Iria colocar meu melhor vestido pra agradar e... Não, o que eu estou pensando? Eu não quero me casar com o Ethan, eu não posso agradar eles a ponto de me amarem... Não, o que está acontecendo o que eu... Estou sentido...

Sentei-me um pouco para pensar, e esperei mais umas horas, queria que o Rupert me acompanha-se ao salão.

Notas finais
E ai leitores? Bem, eu quero deixar esse capítulo curtinho porque no próximo vocês verão muitas surpresas. haha. E bem, eu tive que escrever esse capítulo ouvindo FUNK, sim, meu irmão estava ouvindo tudo muito alto! Enfim, obrigado por lerem. E comentem se gostaram!!