Me Perdoe

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Aí você está na bad da madruga, escutando Evanescence e te sai isso haha, espero que gostem comentário e criticas construtivas são muito bem-vindas :v Se algo estiver muito confuso me avisem viu? #Editado u.u

Escrita por: ~LullyDean

Fanfic: Me perdoe.

Cap. 01. Capítulo Único.

Me perdoe...

Desculpe, mas não voltarei mais para casa.

Não. A culpa não é sua. Nunca foi. Jamais seria.

Como poderia culpá-la de algo? Não poderia. Não pude. Jamais o fiz.

Eu a vejo em seu quarto, encolhida em um canto apenas com a luz do abajur iluminando seu rosto, logo você enterra sua face nos joelhos, culpando-se como se fosse realmente por sua causa. Nunca foi. Jamais seria.

A culpa é minha, por ser inconsequente e irresponsável. Tinha razão. Eu estive errada por tanto tempo, e ainda assim permaneceu a meu lado.

Me perdoe...

Como eu gostaria de poder abraçá-la uma última vez, mas não posso. Não no estado que me encontro. Deve ser por isso que choras agora tão desesperadamente, não é mesmo? Sabe de meu estado. Sabe que provavelmente não durarei muito.

O que está fazendo? Por que derrama suas lágrimas por mim? Eu lhe magoei? Não foi você quem disse que se algo acontecesse não se importaria? Por que ainda se importa? Não estilhace suas palavras por mim.

Pare, por favor.

Não chore, eu te peço.

Não me deixe, você me implora.

Me Perdoe...

Perdoe-me, meu anjo. Fazer-te soluçar em meio às lágrimas jamais foi minha intenção. Por favor, não chore por mim. Eu lhe imploro, pare, pois eu não voltarei para casa.

Agora me pergunto, onde está aquela mulher corajosa que me protegeu a vida toda? Não ouse dizer que morreu. Não ouse pensar que ela fez isso.

Vê-la diante a tanta tristeza me assusta. É, certamente, o pior quadro que já vi durante toda minha vida desperdiçada. Onde foi parar o brilho de seus olhos castanhos? Cadê seus cachos marrons e selvagens?

Não morreu, recuso-me aceitar tal resposta.

Não chore mais irmã, eu te peço. Eu não voltarei para casa, nada mudará isso.

Me perdoe...

Tia Grace espera por notícias boas ao lado do telefone, vovó Nanci está na cozinha abraçada com nosso vô Ed, tio Thomas está na garagem com nosso primo Finn, como sempre, cuidando de sua lataria, enquanto tio Gerald está no hospital. Então é a isso que nossa família se tornou em meios aos anos? Sete pessoas, com você.

Perdoe-me por nunca me incluir. Por nunca dar-lhe ouvidos. Por sempre desafiá-la, apesar de tudo que passamos. Você merecia uma irmã melhor. Alguém mais digno de possuir as mesmas feições de alguém tão pura como você.

Por que mesmo tingi meus cabelos? Eles eram tão mais lindos quando parecidos com os seus. Por que, também, insisti em domar os cachos?

Não faz mais sentido o que fiz para me diferenciar de você, por que mesmo eu queria isso? Eu já não me recordo.

Eu poderia lhe afagar o ombro com carinho, sussurrar ao seu ouvido enquanto repito que tudo ficará bem, assim como fez comigo quando éramos crianças e nossos pais morreram. Porém, meu toque não iria sentir e minha voz não passaria de um ato falho que apenas eu escutaria.

Não há muito que posso fazer.

Me perdoe...

Agora que ergueu sua cabeça posso ver-te melhor. Suas bochechas estão tão rosadas, seus olhos estão tão inchados e sua expressão está tão vazia e desesperada que me preocupa. Como pude fazer isso com você? Justo eu, quem deveria lhe amar incondicionalmente e cuidar de ti.

Como ainda tenho a coragem lhe pedir perdão, sendo que não mereço? Jamais mereci, porém ainda assim você insistia em fazê-lo. Perdoava-me tão rapidamente que chegava a me irritar.

Por que, Izzy? Por que me perdoava mesmo após toda angustia que te fazia passar? Por que ainda chora por mim? Eu não mereço seu amor, não mereço nada vindo de você, que é tão boa com todo mundo.

Por favor, Lily, não me deixe, você me pede em meio aos soluços.

Me perdoe...

Sua resposta sempre é a mesma quando te pergunto o porquê de ainda insistir em mim. Sou sua família.

Ah, Izzy, o que eu sou é um estorvo o qual sempre lhe trará problemas. Sempre fui. Por que ainda não consegue ver? Por que depois de tudo ainda me protege? Eu que deveria o fazer, eu nasci primeiro, sendo assim a mais velha entre nós. Então, por que é tão mais adulta que eu? Como ainda consegue me perdoar apesar de tudo?

Eu não conseguiria.

Não, a culpa não é sua por ter me deixado sair de casa. Joey estava bêbado ao volante, não você. Estávamos todos no carro, alcoolizados e pouco lúcidos. Não foi sua culpa, foi minha. Eu estava mais sóbria. Eu sabia que não deveríamos entrar no carro, no entanto não fiz nada para impedir o que eu sabia que viria a seguir.

Me perdoe...

Talvez, se não tivesse entrado no carro, eu estaria com você agora. Embriagada no banheiro, apoiada na privada, colocando tudo o que já tive no estômago para fora, enquanto você seguraria meu cabelo, reclamando dos fios louros mais do que da minha falta de responsabilidade.

Você escuta o telefone tocar na cozinha e se ergue rapidamente do chão. Izzy, por um segundo juro que pude ver seu coração parar com tanto nervosismo.

Por que está tremendo tanto?

Onde vai com tanta pressa meu anjo? Sabe que a notícia não será boa. Sei que sabe. Sinto que sabe.

Isso será diferente daquela vez em que caí da escada na escola, desta vez não me verá fazer uma careta ao me dar uma de suas broncas. Não escutará minhas respostas ásperas e sarcásticas.

Meu deus, como me arrependo por tê-las pronunciado a você.

Izzy, não chore, eu imploro.

Me perdoe...

Agora você sabe. Sabe que não voltarei para casa. Então, para onde corre?

Está frio lá fora, vista um casaco, você não me ouve.

Eu observo seu caminhar, quase tendo certeza de para onde vai. Você está tão desesperada para chegar ao seu destino que corre como se sua vida dependesse disso.

Não vá para o hospital. Não veja meu corpo. Eu imploro.

Não entre por essa porta. Não chegue deste jeito perto do tio Gerald. Por favor, acalme-se, Izzy. Escute-me pelo menos uma vez, desta única e última vez.

Estou morta meu anjo, aceite. Não se negue a desistir de mim. Pare de chorar, eu não mereço seu luto.

E agora, onde vai com tanta pressa? Não queria chegar ao hospital? Se sim, então por que foge dele? Para onde vai agora? Não me diga que é para lá que vai? Como ainda pode se lembrar desse lugar?

Os balanços estão ali. Vejo você se acomodar no da esquerda, o da direita sempre foi meu e você sabe.

O que está fazendo agora? O que está esperando? Eu nunca mais sentarei ao seu lado nos balanços, é isso que tanto espera? Está me esperando para te empurrar, como costumávamos fazer quando crianças? Para que quando anoitecer, neste caso amanhecer, possamos voltar juntas para casa?

Oh, Izzy, me perdoe, mas eu não voltarei para casa.

Me perdoe...

Notas finais
Eaí?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!