Me Mate, Me Ame
47 Otávio
Depois da saída intempestiva de Enzo eu não consegui me concentrar em nenhum relatório e ainda tinha que ouvir Julia falando e falando. Felizmente algum tempo depois minha secretaria avisou que James aguardava para falar comigo.
— Ótimo, dona Marcia essa aqui é Julia Hilton uma amiga da faculdade, a senhora poderia levar ela para conhecer a empresa? — As apresento e peço esse favor.
— Muito prazer senhorita Hilton, e é claro que eu posso acompanha—la sim. É uma honra conhecer a filha do senhor Theodor Hilton!— Minha secretaria falou simpática e no mesmo momento Julia que estava de pé caiu sentada com a face completamente pálida.
— Jully? O que foi? Você está bem?— Pergunto parando em sua frente e imediatamente minha secretaria apareceu com um copo com agua.
— Eu falei alguma coisa errada senhor?— Marcia perguntou alarmada.
— Eu não sei, quem é esse homem que você mencionou?— Pergunto ainda de joelhos em frente a Jully que encarava nossas mãos unidas, sua respiração estava irregular e suas mãos tremiam muito.
— É o meu antigo patrão senhor, antes vir pra cá eu trabalhava na Hilton ind. porém ouve um acidente e...bem todo pessoal que trabalhou com o senhor Hilton foi demitido.— Ela diz hesitante olhando em direção a Julia.
— Acidente? — Pergunto sem entender e ela assente com pesar e então eu entendo que ela não quer dizer em voz alta que o homem provavelmente morreu. Entendendo a situação peço que ela diga a James que mais tarde eu iria até a sala dele e peço que ela procure por Enzo. A espero sair e então levo Julia até o sofá.
— Você está bem? — Pergunto vendo sua apatia.
— Bem? Eu estou ótima! Por que não estaria? Sabe Oto eu estava pensando em ir para o shopping agora. Você pode pedir ao motorista para me levar? — Ela diz estranhamente animada de um segundo para outro.
— Eu...Julia?O que está acontecendo? Por que você nunca fala do seu passado? Cadê a sua família? Por que você ficou tão assustada quando Marcia falou do antigo patrão? Você realmente é filha dos Hilton os Hiltons? Fala alguma coisa! — Eu disparo consternado com sua atitude.
— Otávio eu já disse que quero ir para o shopping! — Ela repete mansamente.
— Você tem que falar Jully, como eu vou te ajudar se você não falar?!— Digo calmamente
—Tudo bem então se você não quer chamar o motorista eu pego um taxi.— Ela diz de forma mimada e arrogante e isso me irrita .
— Você não vai sair daqui enquanto não falar Jully. Eu morei com você durante três anos e você sempre se esquivou do assunto família, você nunca falou nada.
— E nem você! Você escondeu sua doença me escondeu de todos. — Ela acusa de forma fria.
— Eu? Jully nós nos conhecemos em uma clínica de reabilitação, lá todos sabiam do meu problema e você nunca se importou, nunca procurou saber mais sobre mim. Só que isso agora é irrelevante você já sabe de tudo, vive comigo agora então nós apenas devemos confiar um no outro ou não poderemos seguir com nada.— Digo e não sei realmente de onde essas palavras saíram, mas infelizmente o efeito não foi o esperado pois Jully que até então permanecia de pé me encarando começou a chorar e gritar que eu não podia abandona—la, que se eu a deixasse ela se mataria e isso fez com que minha cabeça começasse a doer, em, ela tinha conseguido irritar alguém, imediatamente corri e peguei um copo com agua e tomei o remédio que o médico passou. Respirando fundo para me acalmar volto—me para Jully que agora me olha de forma triste.
— Ouça Jully eu não irei te abandonar mais para que eu possa te ajudar preciso saber de tudo. Quem realmente é você? De onde você vem? O que aconteceu com você?— Pergunto de pé a sua frente.
— Eu...eu fui jogada fora, ele não me quis, depois comi lixo, apanhei, apanhei, me droguei, bebi, transei com muitos e aí conheci você.— Ela diz em voz baixa.— Eu sou Julia Ubring Hilton e não tenho família eu não sou ninguém. Satisfeito agora? Eu preencho os requisitos para estar ao seu lado?
—Julia? Eu não entendo, o que você quer dizer?
— O que você não entende? Eu já disse tudo o que tinha pra dizer faça bom proveito com o que você descobriu. — E tendo dito isso ela simplesmente saiu correndo da sala eu ainda corri atrás dela mais infelizmente ela entrou no elevador e eu não pude alcançá—la antes da porta fechar. Então olhei para qual andar ela seguiu e corri para as escadas de incêndio ao chegar no térreo olhei para todos os lados e não a encontrei em lugar algum.
— Senhor aconteceu alguma coisa? — Me perguntou um dos seguranças.
— Aconteceu você viu uma moça loira dos olhos azuis passando correndo por aqui? Ela estava com uma calça jeans e uma blusa branca.
— Bem a moça que passou por mim tinha essas características sim mais ela não estava correndo e nem estava só.
— Certo, ela estava com Enzo?— Pergunto começando a relaxar um pouco.
—Não senhor ela saiu com o senhor Aleff.
— Com o Aleff?
— Sim senhor.
— Está certo obrigado.
— De nada senhor, disponha.
Saí de perto do segurança e voltei para o elevador muito intrigado, como assim ela saiu com o Aleff? Como ela entra em um carro com um desconhecido? Ela não tem nenhum senso de segurança. As palavras confusas dela ainda rondavam minha cabeça também. Ela disse que foi jogada fora...
Irritado e curioso entro em minha sala e vou direto para o computador onde imediatamente começo a pesquisar sobre a família Hilton e vejo várias matérias sobre a evolução e crise na empresa da família, não querendo saber sobre negócios pesquiso por Theodor Hilton e então encontro a notícia de sua morte, ele faleceu no dia do seu aniversário de trinta e cinco anos junto com sua esposa Lillian Ubring Hilton de trinta e um anos e seus filhos Jered Ubring Hilton e Julia Hilton que também estavam no barco foram dados como desaparecidos pela equipe de busca. Jered foi encontrado quase doze horas depois do acidente boiando em alto mar e a menina foi dada como desaparecida.
— Mas por que você nunca me contou nada disso Jully?— Pergunto para mim mesmo em voz alta e continuo com as pesquisas e então vieram as fotos eles eram uma família tão bonita, e o homem da imagem que me encarava tinha um rosto tão familiar que eu senti meu mundo girar ao me lembrar claramente dele na minha casa conversando e rindo com meu pai.Com as mãos tremulas por causa da forte lembrança pego o telefone e ligo para Enzo porém ele não atende, droga, eu tive uma lembrança e eu precisava conversar com alguém. Sem alternativa descido ir até o hospital e falar com o doutor Daniels.
Desci pelo elevador privativo para evitar olhares e pedi um carro ao segurança eu sei que não estou em bom estado para dirigir mas no momento eu queria fazer isso,
Dirigi rapidamente com imagens de vinte anos atrás rodando em minha cabeça, as lembranças daquele homem me oferecendo um pirulito e me apresentando um garotinho loiro não me deixavam...Theodor Hilton, tio Théo.
— Tio Théo, as palavras escaparam por meus lábios enquanto eu estacionava em frente ao hospital.
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