Me Mate, Me Ame
48 Otávio
Entrei rapidamente no hospital e pedi para ser atendido pelo doutor Daniels, alguns minutos depois eu estava dentro da sala sentado de frente para ele que me encarava esperando que eu falasse, porém algo dentro de mim dizia para que eu recuasse.
— Então senhor Carson diga qual motivo te trouxe aqui hoje?— Ele pergunta enquanto troca sua caneta de uma mão para outra, seus cotovelos estavam apoiados em cima da mesa dando—me a visão de uma pequena tatuagem que escapava da manga do seu jaleco.
— O senhor tem uma tatuagem?!— Exclamo de repente o fazendo rir, mas na realidade a minha surpresa não era a tatuagem em si mais sim o nome que estava tatuado ali.
— Ah sim, tenho sim você sabe extravagancias da juventude. É o nome do meu filho nesse braço e no outro minha esposa.— Ele diz mostrando as tatuagens.
— Legal.— Digo intrigado ainda mais.
— Agora diga o que lhe trouxe aqui, com certeza não foi só para me ver não é?— Ele diz brincando.
—Não, na realidade eu vim fazer umas perguntas...— Digo sem querer contar logo o motivo de eu estar alí.
— Pode perguntar então se eu estiver apto a responder...— Ele diz se ajeitando em sua poltrona.
— Certo. O senhor já viu ou ouviu falar de algum caso de TDI em o paciente recuperou algumas memórias ?—Pergunto e o vejo ficar surpreso.
— Bem acontece em alguns casos em que o paciente está fazendo tratamento e que depois algumas sessões de hipnose recupere algumas lembranças.
— Mas isso só acontece se houver o tratamento?
— Na maioria dos casos sim, porém eu já vi e ouvi relatos de pessoas que relembraram coisas do passado em sonhos, tipo o momento da agressão ou o local em que sofreu a agressão quando criança e tem também casos que alguns objetos, pessoas e lugares trazem a memória flashbacks de alguma lembrança perdida.— Ele explica calmamente.— Por que o senhor está perguntando, está interessado em fazer hipnose?— Ele pergunta sério
— Não, na realidade tenho outra pergunta, memórias de vinte anos atrás é possível relembrar sem tratamento nenhum apenas com um estimulo visual?— Pergunto e o vejo franzir a testa.
— Depende, você diz estimulo visual você quer dizer uma foto ou objeto trazer lembranças?
— Sim.
— Então como eu disse antes não é raro é apenas difícil. É como uma explosão sabe precisa de um catalizador pra fazer BUM!!!— Ele fala e grita no final da frase me assustando e depois começa a rir. Imediatamente uma pontada atinge minha cabeça me fazendo fechar os olhos e respirar fundo, eu conhecia aquela risada já tinha ouvido antes em algum lugar e naquele momento em que meus olhos estavam cerrados pela dor eu vi claramente o rosto do meu pai e ouvi sua voz me pedindo para chamar o tio Josh no jardim da mansão da vovó eu me vi correndo pelos corredores vazios me vi passando entre os poucos convidados que restavam, ouvi a voz da minha vó me chamando e vi também que junto com Josh tinham dois homens de costas e um deles fazia o som de algo explodindo e os outros riam.
— Você!!!— Eu digo ao abrir meus olhos.
— Senhor Carson o senhor está bem? Eu estou te chamando a alguns minutos e o senhor não respondia.— O médico diz parado a minha frente enquanto tocava no meu ombro. Imediatamente levantei me afastando de suas mãos eu estava completamente atordoado com as lembranças que me assolavam naquele momento.
— Otávio? Você está bem? — Ele perguntou de novo se aproximando.
— PARA!— Eu grito enfurecido.
— Otávio? O que foi? — Ele pergunta sem entender.
— Você...Por que você os ajudou? Você estava lá e riu da ideia...
— Eu? Eu estava onde Otávio? Não estou te entendo! — Ele diz se aproximando de novo.
—VOCÊ. AJUDOU A PLANEJAR A MORTE DO MEU PAI!!!EU OUVI, EU ESTAVA NO JARDIM NO DIA DA FESTA EU VI O HOMEM MAIS BAIXO IR EM DIREÇÃO A COZINHA QUANDO A FESTA DO MEU PAI ACABOU E EU VI VOCÊ COM ELES!!!!— Eu grito partindo para cima deles.
— Eu? Nã—o v—o—c—ê entendeu errado, você deve estar imaginando isso. Eu nunca estive lá!— Ele disse afobado.
—CHEGA! Cala sua boca! Eu lembrei não é imaginação, eu ouvi tudo o que vocês falaram e corri para contar tudo para o meu pai, mas ele não acreditou em mim.— Eu digo ainda o segurando pelo pescoço.
—É ele não acreditou a vinte anos atrás e ninguém acreditará em você agora, sabe por que? Você não tem prova de nada é apenas a palavra de um doido contra a palavra de um médico e de um empresário. — Ele diz em deboche e com um sorriso no rosto, com raiva eu aperto ainda mais o seu pescoço. Eu queria matá—lo.
— ANTHONY!— Fui interrompido pelas vozes de Enzo e Ester que entraram na sala.
— Solta ele cara!— Enzo fala chegando ao meu lado.
— Foi ele Enzo ele e os irmãos dele mataram o meu pai.— Eu falo ainda encarando o rosto vermelho do homem a minha frente.
— O que? Anthony solta ele mesmo se ele for o culpado fazer justiça com suas próprias mãos não vai ser justo. — Enzo diz nervoso tentando puxar meu braço.
— Para Enzo! Não é o Anthony, Otávio! — Ester diz séria parando ao meu lado. — Olha pra mim.— Ela comanda com a voz suave.— Eu sei que é difícil o que você está passando agora, mas não suje as suas mãos. Vamos fazê—los pagar da forma correta. — Ela diz tocando em meu braço e algo em seu tom de voz me fez acreditar nela.
—Esdras Daniels eu não esquecerei de novo e eu irei vingar o meu pai, avise aos monstros que você chama de irmãos
eu irei caçar e acabar com cada um de vocês. E avise ao seu filho Aleff para trazer Julia em segurança ou sobrará pra ele também. Digo queimando de raiva e o jogo no chão. Saio enfurecido da sala daquele monstro que um dia eu confiei.
— Otávio! Otávio espera!— Enzo diz no meu encalço.
— Me deixa Enzo!— Digo irritado puxando meu braço de seu alcance.
— Cara espera, precisamos conversar e você não está em condições de dirigir.— Ele diz andando ao meu lado no estacionamento.
— Eu agora só quero ficar sozinho.— Eu digo parando de andar e coloco as minhas mãos em minha cabeça. Eu estava ofegante e tão cansado que parecia que eu tinha corrido uma maratona e eu nunca desejei tanto que uma das personas tomasse o meu tempo.
— Otávio a Ester ela descobriu umas coisas sobre a Jully .— Ele diz depois que voltei a andar.
— ELA DESCOBRIU O QUE?QUE JULIA HILTON É FILHA DO FALECIDO THEODOR HILTON?— Grito enfurecido batendo na droga do carro.— Eu já sei disso Enzo, eu pesquisei e me lembrei do tio Théo lá em casa, e lembrei do filho dele que brincava com a gente eu lembrei Enzo, sem querer tudo voltou para minha cabeça...— Falo sussurrando para Enzo que segurava meus braços.
— Calma cara! Bater na sua cabeça não vai resolver. Vamos dar uma volta e conversar um pouco, prometo não falar nada.
Sem alternativa apenas aceno em concordância e entro no carro ouvindo a voz de Anthony soar em minha cabeça...Agora que você tem a verdade o que fará? Aguentará até o fim?
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