Acordei sozinho na sala de tv e não pude deixar de me sentir aliviado por eu ser eu mesmo, me espreguicei e fui em direção ao quarto que mostrei a Mary que seria o dela o encontrando vazio rapidamente fui a sua procura pela casa e nunca fiquei tão irritado por ter uma casa grande como agora, olhei vários cômodos e não consegui encontra-la, quando já estava com celular na mão para ligar para a portaria eis que surge Mary e Rosa com as mãos sujas de barro.

—Bom dia! — Falei sorrindo para as duas o que fez Rosa arregalar um pouco os olhos e depois levar uma pequena cotovelada de Mary o que a fez se recompor em seguida dando um pequeno sorriso. Mary rolou os olhos e abriu um lindo sorriso maroto e veio em minha direção com as mãos sujas ação que me fez recuar um enorme passo para trás o que obviamente resultou em sorriso ainda mais sapeca de Mary, novamente ela andou em minha direção me alcançando e passou as mãos em meu rosto sujando de barro molhado meu rosto e a camisa quando eu tive a proeza de reagir ela passou por mim gargalhando e se trancou em seu quarto que ficava ao lado da sala de tv. Eu ri um pouco também e voltei meu olhar para Rosa novamente e vi que ela me encarava com os olhos cheios de lágrimas.

— Rosa?!O que foi?

— iVida nino, vida! Ahora xispa de mi cocina!!! — Falou colocando—me pra fora da cozinha com um pano de prato na mão. Rindo um pouco mais subi as escadas de dois em dois degraus. Já no meu quarto fui direto para o banheiro e tomei um bom banho ao terminar vestir—me e conferi as horas 08:00hs hoje eu não tinha escapatória teria que ir trabalhar. Quando desci novamente Mary já estava tomando seu café e pelo cheiro gostoso no ar ela também tinha tomado banho.

— Agora, bom dia Mary!?— Falei tomando um gole do suco que estava no copo.

— Bom dia. — Suco esse que foi cuspido da minha boca na hora que ela falou. — Você falou?

— Humhum. — Balançou a cabeça.

— Fala de novo por favor!?— Balançou a cabeça de novo negando.

— Por que? — Deu de ombros negando, suspirei frustrado e mudei de assunto. — Mary eu tenho que ir para a empresa hoje, mas você pode ficar à vontade viu a casa é sua. Só peço que esteja aqui quando eu voltar tudo bem!?

— Estarei aqui! — Ela falou eu não tive como evitar o sorriso ao ouvir sua doce voz. Terminei meu café rapidamente e logo já estava de pé dando um beijo na testa da Mary e da Rosa que estava encostada no balcão da cozinha anotando alguma coisa. Peguei minha pasta, celular e chave do carro desci novamente a escada e encontrei as duas cochichando alguma coisa.

— Tô indo garotas e eu venho pro almoço. — Falo me sentindo estranhamente realizado.

— Tchau!!! — Falaram as duas e eu de novo não pude evitar o sorriso, na garagem peguei meu carro um simples volvo preto que estava estacionado ao lado do chamativo Buggat verony vermelho de Anthony e da Hurley deluxe preta do Marcos. Eu ainda fico surpreso em como temos gostos tão diferentes.

Dirigi tranquilamente até a corporação CC&D ouvindo a música Violet cantada por Ji Sung e percebendo que a pentelha da Nina conseguiu me fazer ter o mesmo gosto que ela.

Ao chegar no grande aglomerado de prédios da empresa de minha família respirei fundo e desci do carro entregando a chave ao manobrista lhe desejando bom dia. Na recepção Enzo me aguardava.

— Bom dia senhor Carson! — Falou com um sorriso e me entregando a agenda. — Pensei que não viria hoje de novo.

— Querer vir eu não queria, mas você sabe não posso deixar tudo nas mãos dos Daniels já faz quase uma semana e eu não tinha aparecido ainda acho que está na hora de assumir o que é meu não é! — Falei sério enquanto entravamos no elevador.

— Está certíssimo e já vou avisando que Alan está comandando tudo do lado negro da força. — En falou fazendo graça e eu não pude evitar a risada que escapou. — Ei, para, espera, você riu? Não, você riu mesmo? Nossa faz anos que não te ouvia rindo. Viu passarinho de ouro? Por que verde tenho certeza que não arrancaria um sorriso seu.

— Bom passarinho eu não vi nenhum ainda, mas uma pessoa que me vê como alguém normal pela primeira vez em muito tempo eu vi.— Falo sorrindo enquanto me encaro no espelho de elevador.

— Você está falando da mendiga?— Ele pergunta depois de um tempo em silêncio enquanto cadmiávamos pelo corredor.

— Ela não é uma mendiga, não fale assim dele.— Falei enquanto entravamos em minha sala que é um escritório muito bem decorado com móveis de cor tabaco e com as paredes brancas e uma linda vista do parque da reserva.

— Mas ela não mora na rua?

— Morava, agora ela está comigo. E antes que comece o sermão, não, ela não é perigosa. E eu acho que ela é médica só que não lembra.

— Por que você acha isso?— Perguntou um pouco pálido.

— É só que a Rosa quando me viu sorrir desmaiou e quem socorreu foi a Mary, ela foi tão tranquila e séria acho que instinto de médico mesmo sabe!?

— Humm sei, quer dizer que a Rosa desmaiou?

— Foi, não sei porque.

— Bom talvez seja porque só quem gosta de sorrir é a Nina ou o Marcos?! E tipo assim os dois não são as melhores companhias pra alguém, com todo respeito claro. — Enquanto ele falava eu analisei a situação e realmente comprovei que deve ter sido isso mesmo afinal um é meio terrorista e a outra uma escandalosa encrenqueira, acho que até eu desmaiaria ao estar cara a cara com qualquer um deles.

— É deve ter sido isso. Mas vamos trabalhar? O que tenho pra hoje?

— Tem uma reunião com os acionistas daqui a trinta minutos e tem esses documentos da rede hospitalar para você ler e aprovar as mudanças na ala da pediatria. —Falou entregando os documentos.

— E a pauta da reunião você sabe qual é? — Perguntei já lendo os papéis.

— É sobre a nova plataforma e sobre um resort que querem abrir.

— Ideia de Alan aposto.

— Acertou na mosca. E sua vó quer te ver.

— Sério?— Em resposta recebi uma sobrancelha bem arqueada.

— Tá então depois da reunião vou lá.

Fiquei entretido na documentação até o horário da reunião às 10 Enzo chamou—me e antes de ir aproveitei para ligar para casa.

— Residência do senhor Carson bom dia!

— Ei Rosa, sou eu, como estão as coisas aí?

— Tudo tranquilo senhor.

— E a Mary? Ela ainda está aí né? — Perguntei sentindo um frio na barriga.

— Sí a menina está aqui e está mandando beijo.

— É? Deixa eu falar com ela. — Enquanto aguardava ouvi sussurros das duas.

— Olá! — ouvi a doce voz falar.

— Oi estranha! Agora você falará comigo?

— Falarei estranho. Você está bem?

— Estou sim, obrigado! — Falei feliz

— Disponha, agora vá trabalhar! E você volte para casa sim!?

— Farei o possível. — E então ela desligou.

Sorrindo tomei coragem e fui para reunião. Quando entrei na sala de reuniões todos já estavam lá.

— Olá, bom dia a todos.

— Bom dia! — Responderam todos.

— É bom finalmente tê—lo entre nós reles mortais priminho. — Falou Alan. — Apenas assenti irritado por sua cara de deboche em minha direção. Alan sempre quis tudo que eu tive, desde uma roupa ou brinquedo até minha primeira namorada. Eu gostaria que ele quisesse minha doença também.

— Otávio!— Fui desperto dos meus devaneios pelo sussurro de Enzo.

—Sim!

— Então caro primo o que o Nicolas estava falando é sobre os lucros do resort o projeto que criei você sabe!

— Ah...Sei sim apesar de achar que não precisamos de mais alguma coisa para nos dar dor de cabeça.

— Nos dar? A nós né!? Você nunca está aqui Otávio! Não queira dizer o que você não sabe! Você só vem finge que se preocupa e depois saí por aí gastando rios de dinheiro. O que só prova que com você na presidência a empresa afundará. — Alan diz sarcasticamente.

— Senhores por favor! — Falou outro acionista.

— Eu acho que é só por hoje, para tudo ocorrer agora só basta a aprovação da senhora Elizabeth. — Falou Alan dispensado a todos.

— Otávio por que você não respondeu aquele idiota arrogante?— Enzo perguntou ao meu lado.

— Responder o que? Ele não mentiu Enzo. Eu não tenho como assumir a droga dessa empresa nunca. Já pensou o Anthony ou o Marcos com poder e dinheiro sem fim em mãos? — Falo sussurrando.

— Bom realmente a ideia não é agradável a imaginação.

— Pois é, eu irei renunciar na festa não se preocupe.

—Mas e se as coisas mudarem?

— Em três meses? Não mudou em onze anos não será possível agora. Vamos vou ver a vó.

Saí da sala e o deixei para trás.