Me Mate, Me Ame
17 Otávio
Assustado corri em direção a Rosa bem a tempo de evitar que sua cabeça batesse no chão. Olhei da mulher caída no chão para Mary que olhava a cena em choque.
— Nossa foi por pouco! — Falei olhando e pegando a mulher no meu colo. — O que faremos agora? — Perguntei a Mary, ela simplesmente me encarou e apontou o sofá. Rapidamente fiz o que foi mandado e Mary examinou Rosa superficialmente, será que ela é médica?
— Ela está bem Mary? Será que precisa chamar um médico? — Ela encarou—me intensamente e balançou a cabeça negando.
— Bom então ela vai acordar logo? — Ela assentiu levantando—se e indo flexionar as pernas de Rosa. Alguns segundos depois Rosa começou a despertar um pouco desorientada.
— i Señor Otávio!?— Perguntou me olhando um pouco desconfiada.
— Sim Rosa sou eu.
— Mi Dios del cielo que susto tomé pensando ser el otro loco. ¡Vaya a Dios!
Rosa começou a falar em espanhol e eu olhei para Mary que segurava o riso o que me fez rir também da situação cômica. No que resultou em Rosa sair correndo da sala.
— O que deu nela? — Mary balançou a cabeça também sem entender nada.— Eu vou ir perguntar.
Mary assentiu foi em direção ao sofá e se sentou esperando que eu fosse falar com Rosa, mas eu não queria deixar ela sozinha para ela não ir embora então resolvi falar.
— Você vai ficar aqui e não vai sair não é!? — Ela balançou a cabeça negando.
— Bom.
Rapidamente fui para a cozinha atrás da Rosa, mas não a achei em nenhum lugar. Voltei intrigado para sala e me joguei ao lado de Mary no sofá.
— Tenho uma boa e uma má notícia. — Ela olhou—me curiosa. — A primeira é que Rosa foi embora e a segunda é que a comida não está totalmente pronta, você sabe cozinhar? — Ela me olhou e acenou. Levantamos e fomos para cozinha.
Como eu sempre gostei de cozinhar sabia onde tudo estava eu e Mary terminamos o que Rosa tinha começado e a garota ainda incrementou com um suflê de queijo e um brigadeiro de colher para nossa sobremesa enquanto eu terminei o bife empanado o arroz e as batatas fritas. Na geladeira já tinha suco pronto. Então em pouco tempo já estávamos almoçando e eu conversando praticamente sozinho, vez ou outra ela murmurava uma sílaba ou outra. Depois de comer limpamos toda a cozinha. Olhei no relógio e constatei que já eram 14:30hs e o que eu queria saber agora era mais sobre a misteriosa Mary. A chamei para sala de tv coloquei um filme qualquer e peguei o bloco de notas e a caneta colocando em seu colo.
— Vamos conversar. — Ela me olhou com a sobrancelha arqueada e um pequeno sorriso. Pegou o bloquinho e começou a escrever e enquanto ela escrevia eu ficava torcendo para que ela não se afastasse de mim quando descobrisse a verdade. Depois de alguns minutos escrevendo Mary me entregou o papel.
— Eu ainda não sei o seu nome. Isso é tão engraçado e é tão estranho.
—Qual a sua idade?
—Cadê a Nina? Vê?! Eu também tenho perguntas.
— Oh meu Deus! Desculpe—me Mary! — Falei morrendo de vergonha.
— Tudo bem. — Ela escreveu. — Olha eu já te contei o que eu lembro no momento eu juro que se eu lembrar de alguma coisa eu te conto. Eu juro! — Escreveu novamente.
— Certo, obrigado. Agora vou responder suas perguntas. Eu tenho 28 anos sou administrador meu sobrenome é Carson e eu só vou te contar meu nome se você falar. — Ela ri e escreve de novo. — O que? — Ela balançou a cabeça negando. E eu resolvi arriscar.
— A Nina...Ela... Não mora aqui.— Ela me olhou com uma feição intrigada.—
Olha é complicado e eu quero te contar eu quero confiar em você, eu...eu sei que é louco eu acabei de te conhecer, não faz nem cinco minutos...Mas eu realmente gostei de te ter aqui hoje, a muito tempo eu não tinha um dia tão normal, não se assuste por favor! Eu apenas me senti bem hoje. São exatamente 15:10hs da tarde e eu estou sofrendo por que o dia está acabando e eu terei que deitar e dormir sem ter a ideia se amanhã eu te verei de novo. Por isso eu quero te pedir uma coisa... — Falei chegando mais perto dela virando—a de frente para mim. — Eu quero que você fique aqui comigo até você recuperar sua memória ou até descobrirmos alguma coisa sobre você e claro que você esteja totalmente segura para sair daqui. Você fica? — Ela encarou meus olhos de uma forma tão intensa que eu tenho certeza que ela leu a minha alma e alcançou todas as personalidades e então balançou a cabeça assentindo.
— Bom muito bom. E se você realmente estiver aqui amanhã eu te conto tudo de verdade no momento o máximo que me permito falar sem correr o risco de você fugir daqui também é... — Dou uma pequena pausa e respiro fundo tomando coragem para falar. — O que eu tenho se chama TDI, não é tão perigoso, mas também não é um mar de rosas eu te juro que nada vai te acontecer você obviamente poderá dormir com a porta trancada que nada irá te alcançar.— Ela soltou minha mão e pegou o bloco de notas e então escreveu.
— Está tudo bem, eu confio em você e acho que você realmente é louco em abrigar uma estranha em sua casa. Apesar de que foi a Nina que fez. Aí minha cabeça vai dar um nó. Mas também gostei muito de conhecer vocês! — Terminei de ler o que ela escreveu comum sorriso no rosto afinal ela escreveu vocês e isso para mim já é muito. Conversamos mais um pouco rimos com o filme na tv e comemos o brigadeiro que ela fez.
Já a noite jogamos xadrez ouvindo música enquanto comíamos pizza. Mas infelizmente a hora de dormir chegou e eu não ouvi a sua voz. Estamos na sala de tv ainda eu estou sentado no chão encostado no sofá e Mary já dorme a algum tempo eu estou morrendo de sono, mas não quero dormir, tenho medo de quem serei amanhã. Já era madrugada acho, quando escutei Mary se mexendo, é, eu também não tive coragem de tirá-la de perto de mim. Algum tempo depois senti uma mão suave em meu cabelo e uma voz chamando—me para deitar no sofá coisa que fiz sem abrir os olhos para não perder o sonho. Senti a maciez de onde deitei e então a mesma voz deliciosa disse.
— Boa noite Otávio. — E eu pela primeira vez em muito, muito tempo deslizei para o mundo dos sonhos sem lágrimas, álcool ou remédios
apenas um estúpido sorriso no rosto!
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