Me Mate, Me Ame
16 Otávio
Saindo do transe estendo minha mão e ajudo a moça a levantar ela está vermelha e sem graça acho que por eu ter ficado a encarando demais. Resolvo quebrar o silêncio.
— Bom dia! Você está bem? — Ela encara—me como um cenho franzido e balança a cabeça assentindo.
— Você tem fome? — Ela assentiu de novo. — Desculpe perguntar, mas você é muda? — Balançou a cabeça negando. Ok ela deve ser igual ao Sam que só fala com quem gosta.— Então você não quer falar? — Ela assentiu e soltou minha mão indo pegar sua mochila que estava no canto do sofá, ela sentou e começou a calçar o tênis então entendi que ela estava indo embora.
— Ei não tenha pressa de ir embora, vamos tomar café e conversar um pouco pode ser? — Perguntei com minhas mãos suando ela pensou um pouco e para minha alegria ela aceitou. Fomos em direção a cozinha e sentamos nas banquetas ao lado do balcão. Servir—me com chocolate quente e em seguida coloquei o dela.
— Cuidado que está bem quente. Pode comer o que quiser viu, fique à vontade. — Ela apenas me olhou e assentiu.
Enquanto comíamos eu estava me corroendo de curiosidade sobre ela e tomado por uma coragem até então desconhecida para mim me vi perguntando.
— Você conheceu a Nina?
— Humhum. — Bom, agora é monossílabos melhor que nada.
— Você a ajudou ou ela aprontou alguma coisa para você?
—Hum.
— Hum o que? De sim ou de não? — Ela negou com a cabeça.
—Entendi você não a ajudou. — Ela concordou.— E ela não fez nada.— Concordou te de novo.
— Ok tenho certeza que não estamos falando da mesma pessoa.— Ela me olhou franzindo o cenho. Em seguida pegou um guardanapo e gesticulou as mãos pedindo uma caneta.
— Você vai escrever aí? — Apontei o guardanapo e ela fez que sim. — Não, espere vou pegar um bloco de notas
— Falei levantando e em seguida abri a gaveta onde Rosa guarda essas coisas. Munido com papel e caneta voltei para perto dela.
— Aqui está! — Ela olhou—me agradecida e começou a escrever. Eu juro que nunca fiquei tão curioso em toda a minha vida. Quando terminou entregou um papel que dizia.
— A sua irmã me atropelou, quer dizer nós duas estávamos correndo nos esbarramos e caímos.
— Quando isso? — Ela escreveu de novo.
— Ontem à noite.
— Com que roupa a... minha irmã estava?
— Com uma camisola de hospital.— Ela escreveu.
— E o pijama de coelho?— Perguntei tentando imaginar onde a Nina tinha conseguido aquilo.
— Eu que dei a ela estava frio.— Ela escreveu com um sorriso nos lábios.
— Bom então falarei para ela te devolver.
— Não precisa, é dela e ela amou pois disse que viu um igual em um site. — Ela escreveu e me mostrou.
— Então tá! — Ela escreveu de novo.
— Cadê a Nina? — Ok, a tive perto de mim até tempo de mais agora é que ela sairá correndo. — Ela ainda está dormindo? Já está tão tarde. — Escreveu de novo. — Queria me despedir dela.
— Mas você já vai? Por que?
— Está me convidando para ficar? — Escreveu e sorriu para mim.
— É porque não? Fique tome um banho e converse mais comigo.— Tudo bem.— Ela escreveu
—Bom a Nina eu já imagino do que estava fugindo mais e você?
— Não lembro.— Rabiscou o papel.
— Como assim não lembra?— perguntei espantado e ela começou a escrever furiosamente.
— Olha eu só lembro que acordei em um quarto branco em uma casa longe da cidade e aí fugi de lá, isso já tem uma semana desde então vivo na rua e a única coisa que eu lembro é do nome Mary.— Li o que ela escreveu rapidamente imaginando como poderia ajudar.
— Tudo bem então Isa não vamos forçar ok, você pode ir tomar um banho agora que eu vou ligar para um amigo para nos ajudar tá!— Ela assentiu e escreveu novamente.
— E a Nina, posso acordar ela?— Perguntou com os olhos animados. Droga eu não poderia ficar enganando ela.
—Depois conversamos sobre a Nina, agora você pode usar o segundo quarto a direita no banheiro de lá tem tudo e se faltar alguma coisa é só pedir. — Ela assentiu e demorou um tempo me encarando e logo subiu as escadas sumindo das minhas vistas. Peguei meu celular e liguei para Enzo.
—Diga Oto aconteceu alguma coisa?
— Calma cara. — Falei sorrindo um pouco o que estranhei pois a algum tempo já não praticava este ato. — Está tudo tranquilo, ouça a moça acordou.
— E aí? você conversou com ela? Descobriu alguma coisa?
— Bom, conversar não conversei pois ela não fala ou não quer falar, descobri que ela se chama Mary e está fugindo de alguma coisa de resto ela não lembra mais nada. Ela tem 1,70 de altura, tem cabelo castanho escuro, olhos verdes e é bem branquinha disse que tem uma semana na rua. E a Nina a encontrou ontem a noite elas se esbarraram Nina estava com uma camisola do hospital você me internou En?
— O que você queria a Rosa me ligou falando que você estava morto. Tive que te levar pro hospital.
— Legal a mídia vai amar esse banquete o herdeiro dos Carson, o suicida.
— É claro que não mané! Te registrei com outro nome e nem segurança na porta do quarto deixei e acho que foi justamente por isso que a Nina fugiu e encontrou a Mary.
— Bingo Sherlok! Foi isso mesmo. Agora eu quero que você tente encontrar alguma informação sobre a Mary.— Falei olhando a escada para ver se ela estava ouvindo.
— Certo e ela ficará no hotel da sua família mesmo?
— Não, ela vai ficar aqui.— Falei apostando no escuro.
— Mas Oto isso é perigoso e se os outros aparecerem?
— Olha En no momento eu estou bem e ela acha que eu tenho um irmão gêmeo que é gay. Quando eu tomar coragem contarei tudo e como você já conhece o histórico providencie o contrato e o dinheiro que logo alguém mais ficará rica. — Falei sentindo um aperto no peito em pensar que mais alguém passaria por minha vida só para tirar algo de mim, mas dessa vez eu poderia estar errado não é?
—Bom rica e sem memória eita... vidão! — Falou En sarcasticamente. — Mais Oto vou te dar um conselho.
— Diga. — Falei ainda com os olhos presos na escada.
— Não conte nada por agora, você disse que ela não fala então conquiste a confiança dela primeiro quem sabe ela não é diferente. — Ele falou acendendo uma chama de esperança em meu interior.
— Quem sabe, não é? Mas a quem queremos enganar Enzo tudo gira em torno de dinheiro.— Eu não podia me dar o luxo de sonhar.
— Você quem sabe Oto até mais se eu encontrar alguma informação sobre o assunto eu te aviso.
— Certo até mais.
Fiquei andando de um lado a outro na sala pensando no que Enzo falou o que será o melhor contar a verdade e literalmente pagar pra ver se ela irá embora com o dinheiro ou fingir por um tempo que sou normal que o TDI não existe e ver no que vai dar. É tão tentador ter alguém aqui para conversar, alguém que não ficará toda hora perguntando se estou bem, mas eu não sou egoísta ao ponto de colocá-la em risco por capricho. Então tive uma ideia vou contar que tenho um probleminha psicológico mais não entrarei em detalhes falarei do TDI sem esclarecer o assunto poucas pessoas conhecem o que é. Isso, se até o final do dia ela confiar em mim e falar, contarei a ela se a reação for de espanto a mando para o hotel e lhe dou o dinheiro se não, seja o que Deus quiser.
Desperto dos meus planos por Mary descendo a escada ela está linda, vestida com um moletom rosa e de meias como eu, seu cabelo estava molhado caindo por suas costas.
— Seu cabelo está molhado você vai acabar ficando doente. Vamos secá—lo.— Falei não dando tempo para resposta e já fui passando por ela na metade da escada e a puxei de volta para que subisse de novo comigo. Parei em frente a porta dos closets e me preparei para receber sua expressão confusa respirei fundo e entrei a puxando comigo.
Esse quarto é onde eu guardo as coisas de todas as personalidades menos as minhas coisas.
Fui para o lado cheio de sapatos, bolsas, maquiagem e roupas extravagantes tudo rosa. Procurei entre as coisas de Nina e logo encontrei o secador rosa. Respirei fundo e virei preparado para a confusão estampada em seu rosto, mas não foi isso que encontrei Mary estava parada olhando tudo em volta com bastante atenção e um sorrisinho nos lábios. Bom pelo menos ela ainda não me acha louco no máximo que eu e Nina no entendimento de Mary somos dois irmãos malucos e extravagantes afinal quem normalmente tem um quarto enorme só de roupas? Bem, eu, alguém que convive com cinco personalidades de gostos totalmente diferente.
—Aqui o secador Mary! Pode usar a penteadeira da Nina bem ali.— Falei apontando o móvel no outro canto do quarto. Ela assentiu—o ainda sorrindo e foi, enquanto ela secava seu cabelo dei uma olhada em volta vendo o excelente trabalho de Rosa.
Ela separou cada canto para seu dono na ordem de temperamento. A primeira parte perto da porta é do Anthony que não tem muita paciência em escolher roupas suas vestimentas vão de ternos Armani, roupas asiáticas até enormes casacos de pele de animais, sapatos todos de bico fino e muito bem engraxados seus acessórios são enormes cordões de ouro e relógios Rolex. Tão diferente do meu eu.
Logo depois tem Nina que tem a outra metade que sobrou de Anthony. O quarto é enorme e de apenas um lado tem uma enorme quantidade de roupas apenas dos dois e isso serviu para me mostrar que se continuar assim esses dois irão me levar a falência.
Do outro lado do quarto o closet está dividido em três partes, a parte cheia de camisas floridas, bermudas cáqui, ternos brancos, jaqueta de couro e botas, é do Marcos sem falar é claro dos chapéus.
Depois vem as coisas de Caio, calças sociais marrom claro ou xadrez, camisas sociais brancas e suéteres de várias cores e sapatos social acessórios óculos de grau e boinas.
E por último e não menos importante tem as coisas do Sam camisetas, calças, tênis e pijamas de acessórios, nada. Novamente sou despertado dos meus devaneios pelo silêncio do lugar Mary já tinha terminado e me encarava com um pequeno sorriso, sorrio de volta e a chamo para descer. Caminhamos juntos pelo corredor e logo senti cheiro de comida Rosa havia chegado.
— Vem vou te apresentar a Rosa. — Descemos a escada e encontramos Rosa na cozinha entretida em suas panelas.
— Ei Rosa! Quero que conheça alguém. — Ela virou-se para mim com um olhar assustado. — Essa é a Mary minha hospede. — Falei sorrindo e a mulher a nossa frente simplesmente desmaiou.
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