Eu estava caindo, eu sentia a sensação da queda, o vento em alta velocidade levantando meus braços, pernas e cabelos. Eu caí de um prédio muito alto e lá em cima eu via os quatro olhando o meu corpo ensanguentado no chão Josh, Oscar, Esdras e Anthony?

—Acorda Ester! —Ouvi a voz fria de Anthony me chamar. — É sério que você irá perder tempo? Levanta! — Anthony falava com o rosto perto do meu. — LEVANTA!!!!

— Aí! — Resmunguei deitada no chão, droga eu tinha caído do sofá, olhei ao redor e notei tudo escuro eu dormi durante toda a tarde. Assustada me levanto trôpega e vou ao banheiro lavar meu rosto. Eu estava com uma péssima aparência e meu estomago roncava de fome afinal não tinha almoçado. Me ajeito como dá e vou pegar minhas coisas olho meu celular e vejo que já é bem tarde e eu tenho várias ligações perdidas, Aline, Enzo, Jed e minha mãe me ligaram várias vezes. Penso em retornar as ligações, porém eu não tinha ânimo para falar com alguém então apenas pego tudo e saio do consultório. Olho o corredor e vejo que tudo está vazio no andar onde ficam os consultórios pois a maioria das salas estavam com as luzes apagadas, olho a saleta onde a secretaria do Daniels fica e vejo tudo escuro também, pelos vidros laterais vejo os corredores da urgência todos estão concentrados em seu trabalho. Tentada demais a aproveitar a oportunidade olho novamente a sala do até então diretor geral do hospital, eu iria arriscar o meu pescoço, mas outra oportunidade como essa eu não teria. Respiro fundo para acalmar meu estômago desesperado por comida e entro na saleta da secretaria, de frente para porta do consultório do Daniels respiro fundo mais uma vez e então tento girar a maçaneta apenas para encontrá-la trancada, chateada suspiro e dou um passo atrás ficando parada naquela sala escura tentando pensar em um jeito para entrar, apertando meu celular em minha mão esquerda e vejo algo brilhar na mesa da secretaria e eu só pude ver por que meu celular acendeu quando o apertei, aproveitando a dica do acaso ligo a lanterna do telefone e olho a mesa da secretaria com calma e encontro a chave reserva da porta dentro de uma caixinha preta. Contente abro a porta e entro rapidamente indo direto para o computador, surpresa pelo mesmo estar ligado apenas hibernando vou direto ao e—mail que estava aberto e procuro a mensagem enviada por Josh porém não tinha nada na caixa de entrada então rapidinho fui até a lixeira e bingo a mensagem apagada estava lá, tirei uma foto da tela do computador e logo estava deixando tudo como tinha encontrado saindo dali quase correndo, mas não fui muito longe pois quando estava guardando a chave ouvi vozes no corredor.

— Você ê louco em aparecer aqui Bob!— Doutor Daniels falou bravo.

— E o que o senhor queria que eu fizesse? O homem começou a estrebuchar todo lá na fazenda eu tinha que levá-lo pra um hospital e o único que não iria dar confusão por causa dos documentos era aqui.

— Você é louco! E se ele for reconhecido? Ou se ele se lembrar de alguma coisa?

— Não vai. Ele está dopado as enfermeiras cuidaram dele assim que falei que era seu irmão, o senhor sabe onde Josh se enfiou? Estou tentando falar com ele desde cedo e não consigo o desgraçado me largou lá naquele fim de mundo e o médico que ia na outra fazenda disse que não iria se despencar até o outro lado da cidade pra ver um zé ninguém não.

— Zé ninguém?! Se esse doutorzinho de merda soubesse de quem ele está falando iria se arrepender amargamente. Onde já se viu chamar um plutocrata de zé ninguém? Vou mandar Josh dispensar ele e procurar outro que seja facilmente corrompido.

—Ótimo, se não irei aparecer aqui toda vez que o moribundo estrebuchar.

— Você que não se atreva novamente, vou te perdoar por hoje mais na próxima...

—Na próxima o que? Vocês se esquecem muito fácil que quem precisa do meu pessoal são vocês, ou você acha que qualquer gangue de esquina teria a paciência de ficar de babá de marmanjo?

— Eu pago vocês muito bem para isso.

—Pois então, nós somos a mão de obra nos valorize se não vocês vão ter que se virar nos trinta.

—Você está me ameaçando?

—Não estou avisando amigavelmente.

—Ta, ta tanto faz... Você trouxe alguém mais com você?

—Trouxe três caras para ficarem de vigia.

—Bom.

—Você não irá ver ele? — O homem pergunta.

—Não é muito suspeito?

—Não, afinal eu disse que ele é seu irmão. Olha ele está no quarto duzentos ok, eu acho bom você dar uma passada por lá antes dele ter alta.

—Você não me dá ordens moleque! Some daqui.

—Não fique nervosinho tio, só quero ajudar!

O rapaz falou saindo da sala do Daniels, eu aproveitei e espiei seus pés por baixo da mesa eu precisava memorizar os sapatos dele pois eu iria procura—lo pelo hospital eu tinha que descobrir quem era esse refém custe o que custar. Fiquei mais algum tempo em baixo da mesa e quando meu estômago começou a ficar escandaloso dei um jeito de sair sem ser descoberta. Quase em câmera lenta me levantei e espiei a porta do escritório que estava entre aberta, por sorte a luz que saia dela não iluminava muito a antessala, espiei lá dentro e vi que o Daniels estava fumando virado para a janela então aproveitei a deixa e corri para fora dali. Droga, eu estava morrendo de fome, mas agora tinha um plano em minha cabeça. Eu precisava ver o homem que eles tanto falam um plutocrata...caramba o cara deve ser muito rico e influente quase como a dona Carson. Enquanto pensava e esperava o elevador mandei uma rápida mensagem para Aline dizendo que eu ainda estava no hospital. Me encaminhei para os vestiários assim que saí do elevador chegando lá procurei por uma roupa de enfermeira que servisse em mim, devidamente vestida e mascarada fui até o andar do quarto duzentos, disfarcei um pouco no posto de enfermagem que por sorte e pela hora estava vazio e então observei o corredor em frente ao que juguei ser o quarto certo estavam dois homens, bom eu teria que passar por eles. Para disfarçar melhor peguei uma bandeja e um soro e fui em direção ao quarto.

—Olá!!! última vistoria da noite!!!— Falei com um careca de quase dois metros de altura e totalmente amedrontador

— Oi gracinha pode entrar! — Ele respondeu me olhando de cima a baixo e o outro assoviou e riu da gracinha idiota do companheiro.

Ignorando os dois e me tremendo dos pés à cabeça entrei no quarto e fui em direção ao homem. Em cima da cama tinha uma pessoa que parecia bastante debilitada, ele tinha cicatrizes em seu rosto e o cabelo estava enorme, tinha a barba por fazer e aparentava estar a baixo do peso, suas mãos também estavam machucadas, eu aproveitei que já estava ali e olhei seu prontuário a pressão dele não estava boa, o olhei de novo e percebi que ele suava será que era febre? Me aproximei e coloquei minha mão em sua testa, o suor era frio, voltei ao prontuário e não falava nada sobre diabete, irresponsáveis isso é praxe quando o paciente chega inconsciente. Saí do quarto de novo e voltei ao posto de enfermagem para pegar o glicômetro, quando voltei o grandão me parou segurando meu braço.

—O que você vai fazer gostosinha? — Ele falou sério apertando meu braço.

—Você está me machucando! —Avisei para ele me soltar, porém ele apenas diminuiu a pressão e continuou a me segurar. — O paciente está suando frio, eu acho que é hipoglicemia, quando vocês chegaram ele estava consciente? — Perguntei a eles e aproveitei para puxar meu braço.

— Não ele estava apagadão.— Responderam se encarando. Droga, entendi aqueles olhares como um grande, sim nós o apagamos, merda, eles o deixaram inconsciente de proposito, provavelmente com éter ou até mesmo uma porrada na cabeça com certeza foi para evitar perguntas ao paciente, eu queria tempo para poder fazer uma tomografia mais infelizmente não tinha.

Os ignorei e entrei de novo no quarto e fiz o exame rapidamente e bingo a glicose estava baixíssima, mais uma vez corri ao posto de enfermagem e preparei uma dose de glicose e voltei ao quarto aplicando em seguida. Fiz seu monitoramento por alguns minutos e aproveitei para tirar uma foto do seu rosto, depois lembrei do que os homens falaram lá fora então rapidamente fui olhar a cabeça do homem desacordado, mexi em sua cabeça com cuidado para não machucá-lo e fui dedilhando todos os pontos da cabeça, em alguns lugares que apertei ouvi baixos gemidos sinal claro de que ele sentia dor ali. Inconformada e chateada por um ser humano estar naquelas condições acabei deixando algumas lágrimas rolarem enquanto continuava o exame.

—Não chore! – Ouvi o sussurro baixo e surpresa encarei a face do homem, ele continuava com os olhos fechados, mas tinha um pequeno sorriso formado no canto de sua boca.

—Senhor! Você consegue me ouvir? — Perguntei baixinho e ele acenou que sim.— Ótimo não fale para não se cansar, só acene para minhas perguntas ok?— Ele acenos de novo.— O senhor lembra seu nome?— Ele negou.— Lembra de alguma coisa?— Ele acenou que sim. — O senhor consegue sussurrar o que é?

—T—tony!!!— Ele sussurrou baixinho.

—É seu filho? — Pergunto sentindo um frio na espinha ao vê—lo assentir. — Seu nome é Anthony? —Pergunto de novo e ele não responde mais nada.

Quando ia perguntar de novamente a porta do quarto abriu e por ela passou o demônio do Esdras Daniels.

—O que você está fazendo aqui enfermeira? — Ele perguntou e eu travei. —Não vai responder?

—Desculpe doutor eu me assustei! —Respondi disfarçando minha voz a deixando mais fina. — O paciente é diabético e ninguém checou isso na entrada dele. Ele é seu irmão? — Continuo a atuar.

— É sim, ele é diabético é? — Aceno que sim e o demônio se aproxima da cama encarando o homem deitado ali e imediatamente vi o corpo do mesmo retrair—se, acho que de medo ou nojo se ele pensar como eu.

— É sim deixarei anotado aqui no prontuário, eu ministrei uma dose de glicose e agora ele está bem.

—Não precisa colocar no prontuário não. — Ele diz e para do meu lado. – Qual seu nome querido?

—Helena — Respondo rápido o primeiro nome que me veio em mente.

— Então Helena, vamos combinar uma coisa que será muito lucrativa para você, você irá esquecer que deu plantão hoje e que viu o meu irmão e em troca receberá um aumento no seu salário que tal? — Ele diz e toma a prancheta da minha mão.

— Doutor eu...

— Concorda eu sei. Tirem ela daqui agora! — Ele mandou e os grandalhões me pegaram pelos braços e me tiraram de dentro do quarto e me jogaram dentro do elevador, eu caí sentada no chão do mesmo.

—Cambada de idiotas!! — Xinguei depois que as portas se fecharam, eles vão acabar matando aquele homem. Droga eu tinha que dar um jeito de tirá-lo das mãos de deles, eu precisava de ajuda.

Cansada e frustrada voltei ao vestiário e me troquei de novo pensando no que fazer daqui pra frente. Depois de vestida saí do hospital para pegar um táxi pois eu não tinha condições nenhuma de dirigir, enquanto esperava o carro vir comecei a me sentir tonta e antes de que eu pudesse evitar meu corpo não me respondeu mais e minha visão escureceu completamente.

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