Se alguém me dissesse que a minha vida iria dar um giro de 360 graus e depois entraria nos eixos eu não teria acreditado, depois de passar muitos anos sofrendo perdido em mim mesmo hoje eu consigo entender que aquilo foi uma importante parte da minha vida mesmo que tenha sido sofrido e penoso para mim, eu sei que a cura é difícil e não acontece de um dia para outro por isso ainda tento conviver pacificamente comigo mesmo entendendo que tudo nessa vida é aprendizado e que tudo tem consequências. A exatamente cinco anos a minha vida tem estado boa, muito boa, mesmo após ter sido acusado de ter participado do incêndio no presidio onde morreram 150 homens junto com a quadrilha Deniels Vasques eu pude entender que realmente a vingança é um prato que se come frio ou no caso dos monstros eles comeram ligeiramente tostado. E não, não foi o Marcos que incendiou o local o que eu descobri depois de investigar o caso junto com Enzo e Jered foi que Aleff devia muito dinheiro aos rapazes da gangue que ele contratou para vigiarem o meu pai, o que o Marcos fez foi apenas encontra-los e plantar uma sementinha que germinou naquela tragédia. Eu não digo que me senti vingado pois se dependesse de mim eles iriam ficar vivos por muito tempo para sofrerem em doses cavalares o que é viver preso, mas eu acho que Marcos pensou que a morte de todos encerraria de uma vez por todas esse capitulo da minha vida e eu acho que ele estava certo eu não sei se eu iria conseguir manter Anthony sobre controle caso um dos Deniels fugisse ou ganhasse liberdade. Anthony ficou extremamente enfurecido quando viu as imagens das câmeras de segurança do prédio onde Ester ficou presa, quando ele a viu totalmente machucada ele ficou transtornado e isso gerou uma grande briga entre ele e Ester pois se dependesse dele ela iria viver em uma redoma de vidro, eu o entendia, mas não era nem louco de falar que concordava. Meu avô Mason teve um certo trabalho para acalmar o Anthony mais meu avô é incrível e eles conseguiram entrar em acordo. Falando em meu avô ele finalmente assumiu seu relacionamento com a dona Zilda eles pegaram o barco do Anthony e foram fazer uma viagem pelo mundo, pois meu avô disse que não aguentava, mas se esconder, eu concordava com ele. Minha vó a grande matriarca Carson apesar da idade continuava com seus punhos de ferro na presidência das empresas, eu e ela chegamos à conclusão que o melhor era seguir o plano inicial do vovô e então unimos todas as empresas Carson, Hillton, Dawers e Martney, Enzo, Júlia e Jered administravam tudo conforme aprendiam com minha vó que estava adorando ter gente nova do seu lado. Os Shaltons viviam no mesmo lugar de antes com seu famoso e badalado restaurante onde eu amava ir beber com meu sogro e o meu pai esse que não quer mais saber de trabalhar e vive comprando carros de colecionadores ele dizia que estava na hora dele ser bajulado e eu fazia isso com muito prazer eu o incentivava a arrumar uma namorada mais ele dizia que o coração dele já tinha dona e que jamais teria outra e claro eu entendia perfeitamente suas palavras.

Senhores passageiros por favor apertem seus cintos pois iremos pousar dentro de três minutos.

Saí dos meu devaneios com a voz da aeromoça eu estava voltando de uma longa viagem de negócios três dias fora longe deles era demais para mim eu não via a hora de encontra—los apesar de que minha amada e digníssima esposa provavelmente estaria enfiada no hospital dela, sim hospital dela eu dei o hospital da minha família de presente de casamento... digamos que foi para recompensar toda a loucura que ela sofreu por causa das personas, eu não conseguia entender muito bem por que todas ficaram em frenesi, isso nunca tinha acontecido antes as personas trocavam de lugar de hora em hora e cada uma tinha um desejo diferente, mas no fim tudo deu certo e quem disse o sim no altar foi eu. Saí apressado do avião e fui caminhando pelo saguão do aeroporto enquanto tentava ligar para Ester porém quando estava passando em frente ao café bergoff senti uma pequena mão tomar a minha e surpreso olho para baixo vendo meu filho Sam um garoto de quatro anos incrivelmente inteligente e lindo ele era a cara de Ester e falava tudo o que vinha a sua cabeça, do outro lado senti minha mão ser agarrada por outra mão de pele macia minha esposa me olhava sorrindo enquanto caminhávamos lentamente saindo do aeroporto.

—Não esqueça esses olhos...— Sam falou puxando minha mão e chamando minha atenção.

—Não esqueça esse rosto. – Eu o respondo, meu filho amava a minha história editada ele achava incrível eu ter reconhecido a mãe dele mesmo depois de grandão como ele mesmo dizia.

—Lembre—se de mim! – Ester completou

—Sempre. —E respondi parando de andar e pegando meu pequeno no colo e abraçando a minha mulher.

Eu realmente não sabia o que o futuro nos reservava mais o presente estava muito bom e o meu passado foi a minha base, eu não sei nada sobre a tal cura Anthony ainda vive em mim e ele é bem—vindo, não sei se um dia ele irá embora então o que me resta é viver conforme a pintura de Caio um novo começo a cada dia esse era o meu objetivo de vida.

E saber que eu não estava sozinho era o que me mantinha de pé todos os dias.


Fim.?


CAPÍTULO EXTRA: As Cores da Verdade

O som ambiente do aeroporto internacional parecia distante. Eu segurava a mão macia de Ester com uma firmeza que nem eu sabia que possuía, enquanto o pequeno Sam, nosso filho de quatro anos, tagarelava animado sobre o tamanho das asas do avião que nos levaria para o nosso novo recomeço.

Acomodamo-nos na primeira classe. Sam logo pegou seu urso de pelúcia — uma réplica perfeita e limpa daquele que a minha persona infantil costumava abraçar no escuro da minha mente — e deitou a cabeça no colo de Ester. Ela sorriu para mim, aquele sorriso que tinha o poder de reorganizar cada pedaço quebrado do meu peito.

— Você está bem? — ela perguntou, acariciando os meus cabelos ruivos.

— Pela primeira vez em vinte anos, Ester... eu estou em paz — respondi, mas o peso no meu paletó dizia outra coisa.

Antes de embarcarmos, Enzo havia me entregado um envelope pardo com o selo confidencial da Carsons Inc. Ele me dissera apenas: "O que está aí dentro desfaz o último nó do seu passado, Otávio. O tio Josh não pode mais nos ferir, mas você merece saber a verdade sobre o início de tudo".

Esperei que Sam pegasse no sono pesado e que as luzes da cabine se apagassem para abrir o lacre. Ester se aproximou, dividindo o espaço comigo. Dentro, havia um relatório antigo da polícia de Chicago, datado de um ano após o acidente do meu avô, junto a uma confissão assinada por um dos antigos membros da quadrilha Daniels Vasques, obtida semanas atrás pelos advogados de Enzo.

Meus olhos correram pelas linhas digitadas e, gradativamente, o ar pareceu faltar nos meus pulmões.

A grande mentira que sustentou a minha dor por duas décadas estava ali, desmascarada.

Durante toda a minha vida, o tio Josh me fez acreditar que a quadrilha Daniels Vasques havia planejado o incêndio da mansão para destruir a nossa família por uma disputa de território e petróleo. Ele me dizia que o meu pai havia morrido porque fora fraco, e que eu era o culpado por sobreviver enquanto a casa queimava. Minha mente fragmentada aceitou aquela narrativa. Criou Marcos, o especialista em bombas, para que eu nunca mais fosse vulnerável ao fogo. Criou Anthony, para repelir qualquer ameaça violenta com mais violência.

Mas os documentos provavam o oposto.

A quadrilha Daniels Vasques nunca quis nos queimar. Eles eram, na verdade, aliados comerciais secretos do meu pai, que tentavam ajudá-lo a auditar desvios bilionários que o tio Josh fazia na empresa. O incêndio na festa de posse não foi um ataque externo. Foi planejado de dentro.

Foi o tio Josh quem trancou as portas do escritório por fora naquele 15 de outubro. Foi ele quem iniciou o fogo para silenciar o meu pai antes que a fraude fosse descoberta. E a revelação mais dolorosa me fez tremer na poltrona do avião: eu não sobrevivi por um milagre do acaso.

“...O menino, Otávio Carson, foi trancado junto ao pai. No entanto, uma das identidades geradas pelo choque do trauma — identificada posteriormente pelas testemunhas como uma força desproporcional para uma criança de oito anos — quebrou a janela de madeira do porão pelos fundos, permitindo que o garoto escapasse antes do desabamento total...”

— Anthony... — sussurrei, as lágrimas finalmente rolando pelo meu rosto. — Não foi o tio Josh quem me salvou das chamas. Foi o Anthony.

Ester cobriu a minha mão com a dela, os olhos marejados, compreendendo instantaneamente a magnitude psicológica daquela descoberta.

A minha mente não havia se quebrado por fraqueza. Ela havia se fragmentado para me manter vivo. O sotaque latino de Marcos e sua fixação por explosivos não vinham do medo dos criminosos, mas sim das memórias das conversas que ele ouvia do meu pai com os sócios latinos da Daniels Vasques, tentando achar uma solução para salvar a família. Minhas personas eram o exército que meu pai não pôde me dar.

Olhei para a janela do avião, observando as nuvens cortarem o céu azul. Senti uma leve mudança na minha postura, um calor familiar assumindo o controle dos meus ombros por alguns segundos.

"Ele achou que tinha nos destruído naquele porão, Otávio", a voz mental de Anthony ecoou, surpreendentemente calma, sem a fúria destrutiva de antes. "Mas nós fomos mais fortes. Nós protegemos a casca. Sempre."

E, logo em seguida, a melancolia de Caio pareceu dar lugar a uma leve brisa de alívio: "A tinta preta acabou. Agora nós podemos pintar o céu."

Encostei a cabeça no assento, sentindo o toque firme e real de Ester. A cura completa talvez fosse um conceito distante, e eu não sabia se um dia Anthony, Marcos ou Caio iriam embora definitivamente. Mas agora, sabendo que toda a fundação da nossa dor foi construída sobre a mentira de um monstro que já estava atrás das grades, nós não precisávamos mais nos esconder.

Eu olhava para o meu filho Sam, que dormia tranquilamente, e depois para Ester.

— Não esqueça esses olhos... — murmurei baixinho para ela, repetindo a frase que nosso filho adorava.

— Não esqueça esse rosto — Ester respondeu, selando nossos lábios com um beijo terno. — Lembre-se de mim.

— Sempre — finalizei.

O passado havia sido uma mentira dolorosa, mas o presente era a nossa maior e mais absoluta verdade. Nós estávamos prontos para o novo começo.



FIM!!!!


Meus Agradecimentos a todos que me acompanharam até aqui. Agradeço a minha filha e meu esposo pela paciência e apoio, muito obrigada sem vocês eu não seria nada. É muito bom saber que eu não estou sozinha!



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.